domingo, 21 de fevereiro de 2010

Morgan Jax


MORGAN JAX: SEM INTERNET

Meu nome é Morgan Jax. Na verdade é Tiffany Monroe, porém como não sou uma "garotinha", como minha "querida" mãe queria, resolvi adotar um pseudônimo. Eu sou um viajante-regular do tempo-espaço. Ah, isso não é como uma profissão nem nada, é apenas um título que eu mesmo me dei depois que ganhei esse "poder" num típico acidente daqueles que só acontecem nos gibis. Um dia eu conto como foi, não posso pensar muito nisso agora, tenho problemas maiores que meu passado traumático: estou em um tempo em que não existe... Internet!

Eu costumo ser jogado através do espaço-tempo (ou vice-versa) contra minha vontade. Algumas vezes posso controlar isso, mas na maioria das vezes, não. E, aqui estou eu, em uma versão do mundo, do tempo, e de tudo o mais, só que sem as tecnologias que ganharam força nos anos 90. Por exemplo, não tem celular aqui e as pessoas não fazem a mínima idéia do que seja bluetooth. A maioria nem sabe pronunciar bluetooth. Mas tudo bem no meu tempo as pessoas também não sabiam.

Ah, o maior problema em não ter esse tipo de tecnologia aqui é que, bom, eu preciso delas pra voltar ao meu próprio tempo. Legal, né? Eu sempre trago um celular com acesso a internet seja em que tempo for, cortesia do meu amigo nerd, Max Javingo. Nós temos um trato, ele me ajuda e eu não pergunto mais o que diabos quer dizer "Javingo".

Se a minha vida fosse um gibi, Max seria meu parceiro-mirim. O problema é que ele já tem 35 anos e de mirim não tem nada. Fora o fato que isso de parceiro-mirim dá muito o que falar entre as más línguas e eu já tenho um nome e um passado para me preocupar. Caras, vocês não sabem o que é sofrer até terem uma mãe esquizofrênica, louca por vestidinhos rosa.

Ok, ok, estou divagando. Perdi meu celular da sorte e estou preso neste mundo pré-histórico, que vive um 2010 com ranço de anos 80. Ainda assim não deixa de ser interessante.

Andando pela cidade, enquanto tento bolar um plano - se é que ele existe - para voltar a minha época, pude ver coisas que me deram saudades dos velhos tempos sem internet no mundo.

Tive que me segurar pra não rir quando vi, pela janela de um apartamento, um cara usando uma máquina de escrever. Muito surreal, devo dizer. Como se eu mesmo nunca tivesse usado uma, e aquilo fosse uma cena de um filme velho do Humphrey Bogart.

Mesmo preocupado com minha situação, não pude deixar de rir ao ver um cara falando sozinho na rua e perceber que ele era apenas um, digamos, portador de algum problema psiquiátrico, e não que estava falando ao celular, já que não havia nenhum nesse tempo. Assim, ele parecia bem mais "normal" que os doidos da minha época que zamzam pelas ruas falando "sozinhos" e sempre me assustam. Isso quando não penso que estão falando comigo. Tecnologia de loucos.

Mais adiante avistei uma biblioteca e alguns garotos saíam dela com livros e mais livros. Imagino que para alguma pesquisa, já que o velho Google e Wikipédia não existiam aqui para fazer o trabalho por eles. Era triste e engraçado ao mesmo tempo.

Eu me perguntava o que aqueles blogueiros da minha realidade estariam fazendo sem seus intermináveis posts sobre assuntos que ninguém lê. E os frequentadores de fórum, orkuteiros, twitteiros e tantos outros "eiros" que habitam a Internet. Bom, talvez estivessem vivendo a vida, indo à praia, sei lá.

Na verdade, eu não podia me ater a essas coisas, pois tinha que encontrar um modo de voltar à meu tempo-realidade. Essa coisa de viagens no tempo-espaço estavam cada vez mais complicadas. E sem meu celular, eu não sabia muito bem o que... o quê... o quê... é... aquilo? Uma agência de telégrafo? Porra, não pensei que a coisa aqui estivesse tão atrasada assim. Daqui a pouco vou ver uma diligência por aí.

Eu estava tão distraído que não deu tempo de evitar esbarrar em, bom, vocês já devem deduzir. Em mim mesmo. Foi uma visão dos infernos. Em todas as minhas viagens, eu sempre consegui evitar esse tipo de encontro. Porém, desta vez eu estava tão distraído que não pude lembrar do simples fato de que eu estava no mesmo lugar onde meu correspondente nesta realidade estaria morando ainda, como aconteceu de estar.

Nesta realidade-temporal, as manias de minha mãe surtiram efeito. Meu outro eu não me viu, pois não me olhou no rosto. Aqui eu era... mulher! Meu Deus, aparentemente eu fizera uma mudança completa. Olhando para trás, pude ver que não estava apenas travestido. Era uma mulher, e só de pensar que eu poderia ter cortado... todos os laços com a masculinidade, eu sentia uma fisgada lá.

Mas o pior de tudo, o que mais me irritava e me deixava nervoso, é que eu era uma mulher... muito... gostosa. Não conseguia tirar os olho de mim mesmo. EU PRECISO VOLTAR PRA MINHA ÉPOCA, PORRA!

Tenho que ser sincero, eu não perdi o celular. Quando cheguei aqui e fui tentar usar, um cara se aproximou e perguntou o que era. Eu, empolgado ao notar que ele não sabia o que era, comecei a explicar como quem acaba de comprar o último modelo e gosta de esfregar na cara de quem não comprou ainda. O cara tirou um trabuco de dentro das calças, como se fosse um maldito David Coperffield, encostou na minha testa e levou o celular, mesmo sem saber pra que diabos servia.

Então, não adianta esperar um milagre, como no finais dos filmes, em que tudo está indo por água abaixo e em 20 segundos tudo se resolve, todos se beijam e sobem os créditos. Eu vou precisar achar o Max dessa realidade e ver se ele é tão nerd a ponto de não só entender que eu sou um viajante do tempo que navega entre as realidades, como também tentar construir algo que me mande de volta.

Vou até um orelhão disco o número do Max, e... me ferro. Esse é o número do celular dele. O Max nunca teria um telefone fixo. Ele é nerd demais pra isso. Além do mais, quem garante que o número seria o mesmo nessa época/realidade. Quem vê assim pensa até que sou um iniciante nessa coisa de andar pulando de tempo em tempo por aí.

Max com um telefone fixo... Rá! O Max daqui se tiver um daqueles telefones que você dá corda pra falar é muito. O caso é que ninguém aqui nessa porra de tempo tem um celular... ninguém... tem.. um... ...

Espera aí, tem alguém que tem um celular, se ele não tiver destruido a essa altura. Como sou idiota. Resta saber se a tecnologia do Max é tão boa a ponto de o celular funcionar numa realidade sem telefonia celular.

Disco o número do celular no orelhão e uma data seguinte ao dia que vim parar aqui. Não sei o que vai acontecer, nunca tentei nada assim. Eu posso acabar evaporado ou dentro de uma rocha no período cretáceo (é legal citar essas coisas, as garotas acham que você é inteligente).

O telefone chama uma... duas... três vezes. O ladrão está ouvindo o tema de De Volta Para o Futuro e não atende. Não deve entender que é o celular. Ok, clichê meu ringtone, mas e daí? Na quarta vez o desgraçado atende. Quando ele diz "o quê?", sou jogado de volta à trama do tempo (como eu chamo essa porcaria que me faz ficar enjoado) e vou em direção à minha propria realidade-tempo, em teoria.

"Aterriso" em 22 de fevereiro de 2010. Na minha própria realidade. E, por estranho que pareça, com meu celular de volta. Estou no "quartel-general" do Max, que na verdade é só o quarto dele, no muquifo que ele aluga.

- E então, pegou? - pergunta o Max.

- Peguei o quê - pergunto eu.

- Uma das poucas viagens que conseguimos controlar sua ida, escolhendo tempo e realidade e você esquece de pegar.

- Pegar o quê, porra?

- O seu duplo que surgiu acidentalmente e que não sabe que é um duplo. Lembrou agora?

- Ah... isso. Esqueci!

FIM

11 comentários:

Red Daughter disse...

Nem se pecebe que viagens no tempo-espaço são um tema recorrente no imaginário de Eudes Honorato.

As vezes eu penso que você mesmo é um viajante do tempo que por algum acaso acabou estacionando nessa época, talvez um dia você mesmo admita isso.

Mas falando dos seus contos, é incrível como sempre viajo juntos com seus personages e acredito que qualquer dia eles todos vão se trombar por ai em algum lugar do tempo, quem sabe no velho oeste junto com Jerusalem Jones.

Logo logo terá material suficiente para uma coletânea de de viagens no tempo, aliás já tá na hora de mais um e-book, quem sabe uma publicação em papel, o que acha?

Moziel T.Monk disse...

Rapá, essa teoria de que Eudes realmente viaja no tempo faz sentido. Explicaria plausivamente sua memória prodigiosa. Ou seja, se não se lembrar totalmente, é só voltar ao passado e refrescar a memória. Também explica como ele consegue revistas e filmes antigos. Estava na minha frente o tempo todo!

Red Daughter disse...

Moziel,
Eu sempre tive essa desconfiança de que o Eudes é viajante do tempo-espaço. Ele apenas muda o nome dos personagens. Observe os contos que tratam da temática... é sempre é sempre o mesmo personagem, descrevendo suas aventuras, mudando apenas de nome. Resta saber como ele faz isso ;)
Vamos Eudes, admita!!!

Anônimo disse...

Cara, que viagem!!! Estive junto com vc todo o tempo e não consegui parar de ler até ver a palavra FIM!! E olha que é mto difícil que algo me agarre até o final... Que dom!!! Muito legal!!!

Lagarta disse...

Acho que o Eudes já está começando a confundir as pessoas, de verdade.
Que ele é um viajante do tempo, todo mundo sabe. Gostaria mesmo de saber pq nos abandonou no Twitter.
Por favor, apareça =)

Gen_blood disse...

Onde estão as atualizações deste site ?
Fiquei eu parado no tempo ou o Eudes está costurando as rupturas no continuum espaço-tempo e não esta tendo tempo de atualizar o site?

Nitro disse...

por onde anda honorável Eudes?

Abduzido?

Perdido no tempo?

Sequestrado pela Cia?

Espero que esteja tudo bem,

Um abraço!

Grilo disse...

Eudes?

CINE31 disse...

Excelente!!

Anônimo disse...

Bom mesmo.

David
david@guardiao.info

allan s. siqueira disse...

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