COMIC BOOK VILLAINS - 2002
Eu leio gibi, mas você assiste novela
Para baixar o filme, clique aqui
"Vilões Por Acaso". Sim, esse é o título do filme acima aqui no Brasil, que se passa no universo nerd dos fãs de histórias em quadrinhos. O título original deixa isso bem claro. E, por ter um título em português, logo se deduz que esse filme obscuro foi lançado aqui no Brasil, mesmo que eu NUNCA o tenha visto em lugar algum. Um pouco de pesquisa me mostrou que ele só se encontra a venda no Mercado Livre, o que significa que é um filme relegado ao esquecimento. E, com um título porco desses em português, se entende o motivo.
Eu procurava legendas para um filme chamado "Villain" (não, não o The Villain, com Kirk Douglas e Shwarzennegger, apenas Villain mesmo) e esbarrei com esse título, o qual só possuía legendas em português de Portugal. Nada contra o português lusitano que, afinal é o original de fábrica, mas eu não consigo me concentrar quando a legenda é assim. "Borlas" e "fixes" me confundem. Então apenas adaptei a legenda para nosso português em mais ou menos um dia e meio de trabalho. E foi divertido.
Para começar, é um filme feito por quem entende de quadrinhos. James Robinson dirige e escreve esse que é um filme de nerd para nerds. Para quem não conhece Robinson, ou não lembra, ele escreveu uma das melhores fases de Starman, onde reformulou totalmente o personagem, deixando ele mais atualizado. Também escreveu a minissérie Era de Ouro. A única coisa que eu não sabia é que ele é o responsável pelo roteiro de - blaaaaargh - Liga Extraordinária. Mau sapão, mau.

Mas, voltando ao filme - nossa, como eu falo - o enredo é bem interessante, mais ou menos como se fosse um filme dos irmãos Coen, com gibis. Um colecionador de quadrinhos de 55 anos morre de repente, e deixa sua coleção sem dono. Melhor dizendo, a dona passa a ser sua mãe idosa, uma senhora sarcástica que não está fazendo a mínima questão de vender as tais "revistas esquisitas", como ela as chama.
Ao ficarem sabendo de tal tesouro - o homem colecionava desde garoto, o que põe aí, uns 40 anos de revistas acumuladas - os donos des duas comic shops entram em parafuso quando suas tentativas de comprar a coleção falham. E começa então uma verdadeira guerra, onde pessoas comuns começam a agir como os vilões das histórias que lêem ou vendem.
Raymond McGillicudy é dono de uma comic shop modesta e tem problemas financeiros os quais a coleção poderia resolver. Afinal de contas a velha não sabe o verdadeiro valor de revistas antigas que podem chegar a milhares de dólares. Porém, Raymond tem inimigos poderosos.
Judy e Norman Link é o casal dono da outra comic shop. Diferente de Ray, eles tratam os quadrinhos como um simples negócio e não tem a paixão que seu rival tem. Conseguir a coleção pode ser o caminho dourado para não apenas aumentar a loja, mas adquirirem segurança financeira para ter um filho, coisa que Judy quer obsessivamente.

A Sra. Cresswell é a mãe do colecionador morto, que parece não querer vender a coleção, não por sentimentalismo, mas simplesmente porque não foi com a cara de Ray, Norman e, principalmente de Judy, que começa a levar a coisa pro lado pessoal.
Archie é um fã de quadrinhos, amigo de Ray, que se vê em meio a toda essa confusão, mas acaba fazendo uma amizade sincera com Sra. Cresswell, deixando de lado a questão das revistas raras.
Tanto Raymond quanto o casal Link estão no limite, não aguentando mais as recusas da Sra. Creswell e, cada um dos dois lados começa a ter idéias sinistras de como conseguir a coleção almejada, por bem ou por mal.
Para piorar as coisas, Ray envolve Carter, um amigo da faculdade que, na verdade apenas se divertia surrando Ray na época e não entende muito bem porque Ray está ali, falando com ele:
- Quero que roube uma coisa pra mim - diz Ray
- O que seria? - pergunta Carter
- Gibis!
- Adeus, Ray.
Depois disso, tudo começa a desandar mesmo, com as pessoas se tornando algo que não eram no começo do filme. Ou que eram, mas estava escondido sob uma superfície de medo, normalidade e hipocrisia. No fim das contas, o que aprendemos de tudo isso é, colecione, mas faça um testamento para que seus gibis não cause problemas à comunidade.
A MENTE E A FORÇA CRIATIVA DE WALT DISNEY
O homem por trás da marca
Para "baixar" vá a uma livraria
Hoje em dia, forçando bastante a mente, posso lembrar das vezes que vi, no programa Clube do Mickey (ou era Disneylândia), Walt Disney apresentando algum episódio em seu programa. Ali, em uma imitação de seu escritório - hoje eu sei que é uma imitação - estava o homem que era praticamente uma lenda. Vê-lo ali, em carne, osso e impulsos elétricos, era equivalente a ver o Papai Noel de verdade. Um ser mítico vivendo entre humanos. O criador de tantas coisas fantásticas que habitavam o mundo de todas as crianças, sendo eu uma delas.
Ali, naqueles poucos segundos, era possível saber que Disney não era apenas uma marca, mas que ele existiu. Na época eu ainda não sabia que ele já estava morto e, mesmo que soubesse, isso não faria diferença.
Quando programas como Clube do Mickey (ou Disneylândia) pararam de ser exibidos, esse distanciamento da pessoa de Disney se tornou mais forte e ele se tornou para mim o que ele é para o mundo em geral, uma marca. Uma assinatura impessoal em fitas de vídeos, revistas em quadrinhos, DVDs e todo tipo de bugiganga. Até mesmo seus desenhos animado - a marca de seu estúdio - mudaram para animações computadorizadas que, em sua maioria são ótimas, graças à Pixar, mas não são Disney. São Pixar.
Enfim, Walt Disney era apenas sinônimo de comércio e nada mais. Não havia mais uma pessoa, apenas uma coisa. Aliás, essa é uma frase que se encontra no livro acima, dita pelo próprio Disney: "Não sou mais Walt Disney, Walt Disney é uma coisa".
Se ele se sentia assim, sendo ele mesmo, imagina quem apenas conhecia-o por causa de uma empresa.
Acho que nunca li uma biografia em minha vida. Não que eu me lembre. Li o excelente Guerra dos Gibis e Os Homens do Amanhã, dois livros que traçam a "biografia" das histórias em quadrinhos, o primeiro no Brasil e o segundo nos EUA. Mas biografia mesmo, de uma pessoa, acho que nunca li. Porém, quando me deparei com a de Walt Disney, tive de adquirir e a li, acho que em duas semanas e alguns dias. Terminei-a ontem.
São 900 páginas, mas apenas 700 são de texto, sendo o restante de bibliografia. É um livro fantástico. A pessoa acompanha a vida de Disney desde antes de seu nascimento até o seu último dia sobre a terra, como se estivesse lá, diante dos acontecimentos.
Como o escritor não tem vínculos com a empresa Disney, pôde ser imparcial, mostrando todas as facetas do homem, tanto suas qualidades, quanto seus defeitos. E, tanto um, como o outro, eram muitos. Passamos a entender os motivos de toda sua vida criativa e também somos arrastados para sentimentos de admiração, pena e até raiva por um homem que se tornou maior do que ele mesmo.
Ler que a certa altura do início de sua carreira, enfrentando dificuldades financeiras, "Disney procurava comida no lixo" é no mínimo perturbador. Foi apenas uma vez e, claro, isso acontece com milhões de pessoas no mundo e é tão perturbador quanto, mas o ponto aqui é como uma figura que parece tão intocável e inatingível também teve seus momentos de homem comum que, no fundo, o livro deixa claro, era o que ele era, um homem simples.
O livro é imparcial e relata tanto seus erros como seus acertos, seja na vida de artista ou na vida privada. Disney, além de um gênio, também era pai, marido, irmão, filho e teve os mesmos problemas que todas essas "funções" trazem à vida do homem comum.
Obviamente não é um livro que vá agradar aos que não gostam da marca Disney, pois acho que já há uma predisposição a não gostar de nada do que for dito, contra ou a favor, sempre vendo o livro como tendencioso. O preço também é proibitivo, e tem praticamente que ser fã para adquirir. Mas, como eu já disse, considero como sendo imparcial. Mostra que por trás de um mundo de fantasia, Disney era tão real quanto eu e você.














































8 comentários:
Mo deuso! Quanta informação! Dá pra ver que vc surta toda vez que gosta muito de algo.
Confesso que estou morrendo de vontade de comprar o livro com a biografia do Disney, mas realmente o preço é obsceno e vai exigir um esforcinho de economia.
Se não soubesse que vc realmente teve que colocar a mão no bolso diria que estava rolando um jabazinho. Huhauahau!
Mas falando sério, acredito que deva ser realmente encantadora a história do homem que virou sinônimo de fantasia.
Vi isso há um tempo num shopping, fiquei MUITO ansioso pra comprar, mas não tive verba =/
Falando sobre o filme "Vilões por Acaso", hehe. Tive a oportunidade de ver dublado em uma tv aberta aqui de porto alegre 2 vezes (ULBRA TV), claro que com aquela dublagem toska e cheio de cortes inúteis pra dar mais espaço as propagandas...gostei do filme, no final (spoiler) a coisa fica meio a lá "Tarantino".
é uma boa dica pra reviver uma sessão da tarde. Abraçosss
Amigo Eudes,
Muito boa a resenha que voce fez do livro, mas tenha pena de milhares de brasileiros que não tem condições de adquiri-lo e faça um scan do livro a esses pobres brasileiros sedentos de informações e cultura.
Abraço, e antecipadamente agradecemos.
Fantasma Negro
Nossa quanta coisa legal!
Fiquei na curiosidade dos dois filmes...Com ctz quando tiver um tempinho vou baixar =)
Ah, vc gosta de quadrinhos? Depois da uma olhada no twitter da @paniniherois , eles fazem promoçoes mto boas^^
beijinhos
Difícil acreditar que o roteirista de asa liga extraordinária possa ter feito algo de bom na vida, mas se é até o Walt Disney procurou comida no lixo eu não duvido de mais nada! Agora vou baixar pra crer.
PUTZ! Já assisti "COMIC BOOK VILLAINS" de madrugada anos atrás em algum canal Telecine, o que achei legal foi o tratamento que derão as legendas, os textos com um tipo de linguagem de internet...
Eu assisti o comic book villains, na madrugada da Globo é muito bom, sobre tudo o final, na espanha....vale apena conferir.Cara Parabéns conheci seu trabalho através de um amigo que trabalha na mesma escola que eu, o Marcos Roberto e seu trabalho é massa.Parabéns.
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