quinta-feira, 26 de maio de 2011

Como Escrever um Conto


COMO ESCREVER UM CONTO, EUDES HONORATO WAY
Saudade de Quando a Chuva Tinha Cheiro de Terra



A chuva fedia a óleo diesel ou algo parecido.

A primeira frase sempre aparece de repente, durante o meu dia-a-dia. Às vezes andando pela rua, às vezes no banho ou mesmo quando estou aqui sentado aqui, pensando no que escrever. Geralmente não existe uma história por trás dela, apenas a frase. Tento desenvolver mentalmente o que escrever em seguida, mas não vou muito longe. Como estava pensando em escrever um conto de ficção científica antes mesmo de "receber" essa frase, eu tento encaixar uma história a partir daí. E isso eu só consigo fazer enquanto escrevo no editor de posts Zoundry, que os envia para o blog. Em resumo, vem do nada, como se pode ver a seguir.

Apesar de ser dia ainda, o tempo fechado faz parecer que é quase noite. Ou algo pior do que a noite, devido à própria chuva mal-cheirosa. Sinto uma dor de cabeça que faz um lado do meu cérebro latejar. Nada deu certo durante todo este maldito dia. Paro em um ponto de espera e aguardo a chegada de um Autocoletivo. Estou todo molhado mesmo estando com minha capa de chuva. O botão para secar está quebrado.

Nesta fase ainda não tenho a mínima idéia do que estou escrevendo. Não sei nem mesmo quem é o personagem, nem para onde ele vai. Me pergunto seriamente se ele vai a algum lugar ou se terei de deletar tudo isso aqui e deixar este post pra lá, como já aconteceu algumas vezes no decorrer da escrita de alguns outros anteriores. Uma sensação de derrota e frustração faz com que eu evite que isso aconteça mais vezes. Penso, e daí que pode ficar um grande cocô, não vou ganhar nehum tostão mesmo. Então, deixa de frescura e continua!
Há apenas mais um cara no ponto. Sentado e ncostado à parede envidraçada ele parece imune à chuva ou a qualquer outra coisa que aconteça ao seu redor. Olha para os sapatos (horríveis, por sinal) como se estes pudessem responder a alguma coisa que ele tem em mente. Ele fuma, mesmo sendo proibido fumar ali. A fumaça viaja até mim, como se soubesse que eu sufoco ao inalá-la. Prendo a respiração o máximo que posso. Mas, não posso me preocupar com sujeitos estranhos e seus cigarros, preciso chegar ao Centro o mais rápido possível e esse Auto parece que não vai chegar hoje.

Introduzo (com carinho, claro) mais um personagem na trama, sem nem ao menos saber o que ele vai fazer. Na verdade, não sei absolutamente nada até aqui e rezo para que isso funcione de algum modo. Sinto que estou enrolando e o texto está lento, e não cria um interesse imediato. Talvez a idéia de fazer um guia de como é escrever um texto a la Eudes Honorato esteja atrapalhando, já que isso aqui também é de improviso. Na verdade, não sei qual é o texto real aqui, se é o conto sobre o cara na chuva que fede a óleo diesel ou se é esse guia.

O Auto demora demais. O cara acende outro cigarro. A chuva aumenta, o cheiro de óleo diesel aumenta. Minha dor de cabeça aumenta. E a fumaça do cigarro vem em minha direção novamente. Desisto de bancar o cara legal e vou pedir gentilmente ao fulano que apague seu cigarro e se ele engrossar, bom, eu estou armado, mesmo que seja com um canivete que uso como chaveiro. Porém, quando estou prestes a falar com o fulano dos sapatos feios, ele olha em minha direção, aperta alguma coisa em sua capa de chuva (que penso ser o botão de secar) e some. Desaparece. Por um instante esqueço a chuva e o cheiro de diesel, pois um cheiro de eletricidade fica no ar. Se é que eletricidade tem cheiro.

Tento injetar algum movimento à história, mas isso parece apenas me complicar mais. Não sei bem o que estou tentando fazer. Mas, depois de chegar até aqui, é aquele momento de onde não há mais volta. Preciso continuar mesmo que isso fique uma bomba homérica, o que é o mais provável. Afinal de contas, não sabemos o que o personagem principal quer, porque o cara dos sapatos feios sumiu, e nem se isso é relevante dentro de tudo isso. Quer dizer, eu não sei. Aceito sugestões. Mas, não há tempo. Preciso continuar.
Não estou sabendo de nenhuma nova tecnologia que tenha criado o teletransporte. Ainda nos locomovemos como há 200 anos atrás, por meio de máquinas que nos levam pra lá e pra cá. Fico aturdido tentando entender o que aconteceu. Dou uma olhada onde ele estava sentado e vejo que não foi nenhuma alucinação minha ao constatar que algo ficou para trás. Uma espécie de cartão de apresentação, só que sem muita coisa escrita. Apenas uma palavra "OMTEC". O cartão é de um metal muito fino, quase cortante. Levanto e olho contra a pouca luz que ainda resta do dia e não consigo ver mais nada além de OMTEC.

E lá estou eu, me complicando cada vez mais. Esse é um ótimo guia de como se escrever um conto, diga-se de passagem: não explica nada e ainda me atrapalha o desenvolver da história. Mas, a idéia inicial era essa mesma, então vamos até o fim e seja o que os deuses dos escritores de blog quiserem.

Guardo o cartão no bolso no momento em que o Auto chega. Entro e digito meu destino. CENTRO. Tento não pensar no assunto do cara que sumiu no ar. Mas aquilo não me sai da cabeça. Olho em volta e no Auto estão apenas mais três pessoas. Um homem e duas mulheres. Meto a mão no bolso e novamente tento ver se há mais alguma coisa escrita. É quando começa o caos. Assim que levanto o cartão o ônibus pára e os outros três passageiros se levantam e avançam correndo para cima de mim, totalmente insanos. Pulo e acerto o homem no plexo solar enviando ele pro outro lado. Uma das mulheres agarra meu braço e morde. Uma dor desgraçada. A outra tenta arrancar minha cabeça puxando meu cabelo.

Apesar de estar começando a gostar do texto, me pego pensando como vou me livrar de tudo isso no final. Como vou dar sentido à coisa toda, ou se terei de fazer uma manobra evasiva, do tipo, final em aberto e essa coisa toda de quem não sabe como terminar uma história.

Já percebi que querem o cartão e, imbecilmente, eu resolvo não entregar. Eles não dizem nada, apenas me atacam selvagemente. Quando o homem está voltando pra me pegar e as duas mulheres quase me imobilizaram, eu chuto o botão de emergência fazendo com que as janelas caiam para fora. Aquilo as distrai por alguns segundos, o bastante para que eu me solte, esmurre mulher a mais próxima e salte pela janela. Caio de mau jeito, mas me ponho logo de pé, pois já estão vindo atrás de mim. O cartão ficou comigo. Saio correndo o mais rápido que posso, com a chuva martelando minha cabeça, gotas grossas. Posso dar adeus ao meu compromisso no Centro.

Já consigo vislumbrar um possível final para a história. Em parte, devido ao cansaço que é escrever um conto que precisa terminar em um único post. Se não fizer isso, ficará tão grande que ninguém se dará ao trabalho de ler. Não quero ter de fazer uma continuação, pois há grandes chances de eu não ter ânimo para escrevê-la. É tudo ou nada. Apenas Jerusalem Jones sobreviveu a mais que apenas um conto.

A chuva é tão intensa que acaba me ajudando a despistar os três malucos. Não os vejo mais atrás de mim. Não entendi o que aconteceu. Pareciam pessoas totalmente desconhecidas umas pras outras. Acho que o cartão as afetou. Mas, por que não me afetou? Será porque estou com ele? Tiro-o do bolso novamente, meio que tremendo ainda. De repente, do meio do barulho da chuva torrencial eu escuto um clamor que parece aumentar. Olho para os dois lados da rua e, através da chuva, vejo uma coisa assustadora: uma multidão de pessoas alucinadas, como as do ônibus, vindo em minha direção. É o cartão, o maldito cartão. A solução parece ser largá-lo e deixar ali para que eles façam bom proveito. Mas... eu não consigo!

Acabo extendendo mais ainda o que eu pensava que terminaria agora. Mas é ilusão. Não que eu vá conseguir explicar alguma coisa, mas ao menos preciso finalizar de um jeito que fique convincente, nem que seja apenas para mim mesmo. Assim sendo, é agora ou nunca.

Estou prestes a ser engolfado por uma multidão de loucos alucinados e não há para onde fugir. Meu cérebro funciona a toda velocidade, não relembrando minha vida toda em 10 segundos, mas relembrando os últimos acontecimentos. Paro, como que em câmera lenta, na figura do cara dos sapatos feios, com seu cigarro nojento e sua capa de chuva quase igual a minha. Sem grandes diferenças. Ele apenas apertou o botão de secar e se foi. O cartão ficou. Por quê?

É, por quê, sabidão. Responde!
Não foi a capa que o transportou, foi o cartão. Quando já estão quase em cima de mim eu aperto o botão de secar... e desapareço. Só que, diferente de ver alguém sumir, eu agora é que estou nessa viagem que não faço idéia de onde vai dar. Sinto como se meu corpo fosse sugado por um buraco negro e depois lançado por um estilingue gigante em direção ao nada. Paro abruptamente, sentindo o empuxo acumulado. Bato a cabeça contra uma janela de vidro. Estou dentro de uma espécie de cápsula que cabe apenas uma pessoa. Eu. Um rosto com uma máscara cirurgica aparece do outro lado. Ele usa um crachá onde se lê "OMTEC". Ele abre a janela da cápsula e pergunta: - Conseguiu trazer o cartão? - Meto a mão no bolso e o cartão não está lá. Ficou para trás. Sinto que isso não é bom.

Ele percebe que não tenho cartão nenhum. Demonstra um leve incômodo, como se aquilo já tivesse acontecido muitas e muitas vezes e ele estivesse se acostumando. Aperta alguma coisa no ouvido e fala um pouco mais alto: "Próximo Andróide-robô de resgate. Enviar". Em seguida aperta um botão ao lado da cápsula onde eu estou e ouço um zumbido forte, sinto um calor extremo por microssegundos e cheiro de eletricidade. E desapareço, dessa vez para sempre.

Bom, é isso. Como alguém que dispara nos últimos metros de uma corrida, eu arranco para o final e espero que tenha funcionado. Muitas perguntas sem respostas, outras podem ser deduzidas pelo diálogos finais e você pode até mesmo construir o antes e o depois dentro da sua própria cachola. Lúdico, não?!

Até a próxima!

P.S. Pra meu azar, existe mesmo uma OMTEC (mas, não era um nome tão criativo assim).



Technorati : , ,

13 comentários:

Pedro disse...

Achei que as historia tava ficando muito maluca e que vc n conseguiria terminar de uma forma legal, gostei.

Ed, o Vórtice disse...

Achei muuuuuuito massa. Pra mim vc tinha tudo calculado. Desculpe. rsrsrs.

Muhamed disse...

massa

J.R.Pereira disse...

Uma bosta.

Volca disse...

Divulgo vcs no meu blog de quadrinhos:

-> www.volcap.blogspot.com

Teria como colocar um banner do meu no seu?

No blog tem links pra 115 blogs de quadrinhos atuais, antigos e nacionais, lém de livros.

Haldis disse...

Apenas leia o texto e veja se pode me ajudar. Não é dessas correntes de emails, ou uma forma de ganhar dinheiro e nem vírus, por favor leia e responda depois...


“Sou um jovem Pierrô, enamorado, agraciado com a flecha do cupido, cresci em uma cidade do interior, de gente pacata e que sabe viver bem, tive namoradas, tive sonhos desfeitos, erros, acertos e arrependimentos, já fui culpado e inocente. Mas hoje moro na região do Vale do aço em Minas, no corre corre do dia a dia. Vim pra cá por causa de uma flecha certeira do arco do deus do amor; Eros em sua infinita graça fez crescer em meu peito um amor tão forte, tão sublime que hoje não me vejo sem ele... por bons anos fui feliz ao lado de minha pétala. Nunca brigamos, ou tivemos um discussão seria, sempre fomos pacientes um com o outro, sempre fomos compreensivos, tínhamos diálogos sobre tudo. Mas eu errei, mudei, nunca a traí, e nem deixei de amá-la, o meu erro foi não estar demonstrando isso como fazia antes. Deixei a rotina dominar a relação, e com isso ela foi se afastando de mim e rompemos então. Mas eu sei que existe amor em seu peito, sei que ele esta ali, o meu aflora sempre que a vejo, sempre que ouço a trilha sonora de minha vida, ou quando um pétala de flor cai ao vento, ela esta ali. Amei e vou amar, como ninguém consegue fazer neste mundo. Estou indo embora da cidade em alguns meses, mas não queria sair assim sem demonstrar o que ainda sinto por ela. Poderia dizer, olhando-a nos olhos, que amo acima de tudo. Poderia comprar flores e flores e presenteá-la, poderia simplesmente gritar ao pé de sua janela: Eu te amo. Mas não é isso que quero fazer.

Criei uma conta de email. E esta conta será meu presente pra ela, antes de ir embora quero dar esta conta de email, recheada com emails de todas as pessoas que eu conseguir encontrar. Você deve estar achando isso a maior loucura, bom pode ser isso mesmo. Mas quero juntar pelo menos Mil email de amor e dar a ela. Então peço que faça o seguinte:
Escreva um email e envie para sempreteamareimel@hotmail.com . você pode escrever qualquer coisa neste email...
· Uma historia de amor
· Apenas dizer a ela que eu a amo e sempre vou amar
· Pedir que ela perdoe minhas mancadas e me aceite em seu coração novamente
· Uma poesia, um soneto, um poema ou mesmo uma simples imagem.
Peço por favor que use a criatividade e me ajude a reconquistar a mulher que eu nasci pra amar e mesmo que não voltemos quero que ela saiba que eu a amarei pra todo o sempre.

Então quando terminar de fazer um favor a este nobre Pierrô peço que mande este email pra outras pessoas que você conhece, e me ajude a nesta empreitada.



Obrigado e que o cupido tenha um flecha certeira em seu coração e a felicidade seja sempre sua companheira.
Me ajudem pessoal...

Anônimo disse...

Outz.
Na última edição do Mundo dos Super herois tem uma matéria sobre o Maurício de Souza. Em uma página mostra a capa dos quadrões da mônica COM O LOGOTIPO DO RAPADURA heheheheheheheeh Será que o Mauricio iria gostar de saber que os editores leem scans.
Tio Helbert

Haldis disse...

ola poderia posta isso em seus blogs?


Meu nome é Haldis, preciso da ajuda de todos, quero dar um presente pra minha pétala, e conto com a ajuda de todos os amigos que acompanham este blog...
A ideia é simples enviem para este email: sempreteamareimel@hotmail.com frases de amor, historias, imagens, poemas, letras de musicas, qualquer coisa que possa mostrar a ela que eu a amo muito... quando juntar mil emails vou dar a conta de presente pra ela. peçam para seus amigos fazerem isso tambem... me ajudem a fazer este presenta pra ela.

obrigado a todos.

João Maria Alcantara disse...

Olá!
Gostaria de oferecer a vc um plugin encurtador de url para seu site, assim seus usuários não precisam sair de seu site para encurtar a URL que eles estão lendo, veja um exemplo no topo deste blog: http://febredanet.blogspot.com/

O plugin esta em: http://jgo.cc/pages/passosPluginBlog.jsf

o site original é http://jgo.cc

Espero q goste da ideia...
Abraço!

Carlos disse...

Eudes cadê vc, meu amigo??? Vc faz falta....

Mononoke Hime disse...

Nenhum post novo? Tá tudo bem por ai?

Eudes Honorato disse...

Tudo bem sim, Mono. Só um pouco ocupado. Bjs.

Thelonious Monk disse...

seu conto saiu bem ao estilo do Möebius.

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