sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lembranças Mais Antigas


MINHAS LEMBRANÇAS MAIS ANTIGAS
Até onde minhas memórias vão



Sim, o invocadinho aí de cima sou eu. Essa é a foto mais antiga deste ser que vos escreve. Me lembrei dela quando resolvi escrever sobre minhas memórias mais antigas. E isso aconteceu devido a uma conversa que tive com a senhora que atende na banca de jornal onde costumo ir:

Perguntando sobre o neto recém-nascido dela, ela respondeu que estava bem, pois leva uma vida boa, já que é apenas um bebê. Pra completar eu disse, pena que não lembramos dessa parte de nossa vida, e disse também que minha lembrança mais antiga é essa da foto acima, eu num velocípede (parece nome de dinossauro). O assunto continuou e ela disse que sua lembrança mais antiga era o velório de seu pai. Teríamos continuado naquela conversa sobre antigas memórias se os fregueses não tivessem interrompido. Vendo que eu estava atrapalhando, me despedi e fui pra casa.

Agora a noite, pensando no que escrever aqui no blog, me peguei imaginando que escrever sobre minhas memórias mais remotas seria bem interessante. Minhas lembranças do tempo em que esta foto foi tirada, parecem se relacionar mais com o velho velocípede (ou velotrol). Lembro muito pouco de outras coisas mais. Se bem que, como se pode ver pelas pernas na foto, eu estava sempre rodeado por tios e tias e sim, lembro bastante deles, nessa época.

Algumas memórias ficam gravadas tão fortemente que posso dizer exatamente o que aconteceu, tim tim por tim tim. Uma dessas é, justamente, envolvendo meus tios. O que é hoje conhecido como "trollar", na internet, era o esporte favorito dos meus tios, no mundo real, com os sobrinhos, ou seja, nós. E nós caíamos nas pegadinhas vez após vez. Uma das preferidas deles (não lembro exatamente qual tio, são muitos), gostava de dar algo embrulhado em papel de "presente". Quando abríamos, dois pedaços de madeira pregados a um pedaço de borracha e dobrados sobre si, pulavam na nossa cara. Era uma versão caseira da caixa de onde pula cobrinhas ou um palhaço.

Pois bem, certo dia, um dos meus tios veio me entregar um presente, embrulhado mais ou menos da mesma forma. Eu, finalmente, havia aprendido e lição, e não o abri. O que fiz foi arremessar o que ele me deu tão longe quanto possível e só escutei o barulho de algo se quebrando. Não entendi como madeira e borracha podiam fazer aquele barulho e então vi que tinha feito besteira. Dessa vez era realmente um presente. Um trem movido a pilha muito bacana. Ou pelo menos era bacana, antes de eu esborrachá-lo no chão.

Outra memória envolve minhas tias - sim, eu era cobaia de todo mundo - e não sei porque, eu nunca esqueço disso. Era carnaval e onde morávamos sempre era uma festa, com as pessoas desfilando por toda a avenida do bairro Lote XV. Era muito mais que um simples bloco de rua, era algo até assustador de tão grande. Ou pelo menos era assim que parecia para uma criança.

Quando eu ia, apenas andava pra lá e pra cá, admirando toda aquela balburdia. Mas, naquele ano, minhas tias cismaram que eu ia fantasiado. Não lembro se eu tinha a roupa, mas a cara eu lembro bem, me pintaram de palhaço. Tiveram um longo trabalho me pintando e, pelo pouco que lembro, cheguei até mesmo a gostar. Ficou muito legal! Mas, algumas complicações complicaram a coisa toda.

Eu fui para a festa, todo feliz, pois estava no clima, era um deles. Porém, fazia um calor desgraçado e já era noite e, com a noite, vieram os mosquitos. Eu suava embaixo da maquiagem e os mosquitos faziam seu trabalho. Eu tentava não me coçar, mas não tinha jeito. Aquilo foi me dando uma agonia. A maquiagem foi borrando cada vez mais e mais, e minhas mãos ficavam cada vez mais sujas. A próxima coisa que me lembro, sou eu correndo pra cara e retirando desesperadamente a minha maquiagem de palhaço.

Uma outra lembrança, tão remota que parece sonho, é de minha mãe me levando para visitar minha irmã caçula que estava internada, com pneumonia, ou algo parecido. Não faço a mínima idéia do porque minha mãe me levava junto, já que não levava meus outros irmãos. Talvez por eu ser o mais velho, não sei. O que sei é que a experiência era traumática. Hospitais são lugares deprimentes e, até mesmo a viagem até lá me era incômoda. Passando por linhas de trem, entrando em lugares de Duque de Caxias que eu nunca vira antes. E, para o grand finale, o hospital, com aquele seu cheiro característico. Algo que não lembro bem é se eu entrava no quarto onde minha irmã estava. Mas, se entrava, devo ter apagado isso da memória.

Mas, minha mãe sabia compensar as coisas. Uma das minhas lembranças que guardo com mais carinho é a do primeiro gibi que eu me lembro dela ter me dado. Se houve outros antes, não me lembro. Esse é o que lembro, como se fosse hoje. Eu estava em casa, quando ela chegou do trabalho e começou a tirar coisas de dentro de sua bolsa, que mais parecia a do Gato Félix, de onde saiam mais coisas do que parecia caber lá dentro. Então, de repente ela puxou um gibi e me deu. Não sei se minha mãe sabia do que eu gostava, ou se foi ela quem moldou o meu gosto, mesmo sem querer. Era um gibi d'O Mestre do Kung Fu, publicado pela Editora Vecchi, se não me engano. Quase posso lembrar das histórias que li nele.

Algumas lembranças são tão longínquas que parecem apenas um sonho que eu nunca esqueci. Uma delas é do meu pai fazendo waffles. Pelo amor de Deus, waffles? Eu comia o troço e não fazia idéia do nome, e duvido que eu conseguisse pronunciar. Mas eles estão lá, no passado, E eu lembro até mesmo do que se colocava como cobertura, era algo parecido com mel, e a marca do troço era Karo (sim, acabei de olhar na internet pra ver se o troço existiu mesmo). Lembro também do bagulho que era usado pra se fazer o tal waffle. Pra se ter uma idéia, desde aquele tempo, eu nunca mais comi esse troço. Nunca! Não lembro nem como seja o gosto, mas nunca esqueci de como meu pai sempre fazia aquilo pra nós.

Por fim, minha lembrança mais remota com relação a garotas é de minha primeira paixonite (de que tenho lembrança). Eu estudava na escolinha da Dona Osana. Não me lembro das aulas em si, me lembro apenas de sempre estarmos brincando. Quem sabe nem tínhamos aula de verdade. E havia ela. Ela a qual não lembro o nome nem o rosto, só lembro que ela era alta, muito alta. Em minhas memórias, era como se ela fosse adulta e eu criança. Mas, isso era impossível, pois ela estudava lá, comigo. Ela tinha de ser criança também. Mas, a impressão que dava era essa, de que ela era tão alta que, na verdade, era uma adulta entre nós. E eu ficava lá, apaixonado, sem saber exatamente o que era aquilo que estava acontecendo comigo, já que não fazia a mínima idéia do que era estar apaixonado.

E as lembranças são muitas. Muitas. Grande parte delas já escrevi aqui nesse blog que já dura quase nove anos. Então, imagina, são nove anos escrevendo sobre mim. Mas, muitas mereciam ser reescritas. Ou não. Me lembro vividamente da separação de meus pais, da minha primeira paixão correspondida, do primeiro beijo, de tantas e tantas coisas. E penso nas coisas que estão perdidas nas brumas do tempo (uia, em breve comentários perguntando se sou gay, por causa dessa última parte). Tantas coisas que não consigo lembrar e que, imagino, sejam algo que valeria a pena ter de volta e colocar aqui.

Mas, não devemos lamentar, e sim fabricar novas memórias pra daqui a 20, 30 anos escrever sobre elas. Portanto, deixa eu ir ali fazer algo interessante que valha a pena lembrar, como por exemplo, comer torta de chocolate com maracujá. Até mais.



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5 comentários:

Guimarães Filho ? disse...

"brumas do tempo"???
Você é gay é?!?!?!?!?

Budu Garcia disse...

Eudes: quando você se lembrar/encontrar revistinhas do Carlos Estevão, por gentileza, scaneie algumas. Forte abraço!

Anônimo disse...

Falando em lembranças, deu uma saudade do FARRA...

Fábio

Fabi Fernandes disse...

Adoro seu blog e seus textos, Eudes!!
Mas esse fundo preto realmente não ajuda na leitura dos textos... a vista fica boba e daqui a pouco estamos vendo listas brancas pra tudo que é lado.

Kleverson Neves disse...

Boas lembranças essas suas e me deixa com algumas minha, tal como o Karo, o velocípede e as passagens pelo Lote XV. Parabéns pelo excelente blog, que continue daí pra melhor. Abraço.

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