terça-feira, 9 de agosto de 2011

Carros


CARROS, AUTOMÓVEIS E VEÍCULOS DE QUATRO RODAS

Lá pelos meus 20 e poucos anos eu estava trabalhando em uma serralheria, temporariamente. Era eu e um camarada um tanto quanto gordo. A serralheria ficava em uma, digamos assim, ribanceira. Na ribanceira, ele estacionava sua Kombi, virada para a descida. Não lembro bem qual era o problema com o veículo, provavelmente o freio de mão. Só sei que tínhamos de colocar um paralelepípedo para que a Kombi não descesse morro abaixo.

Lembro menos ainda o motivo que levou aos acontecimentos subsequentes. Só lembro que, por algum motivo, o dono da Kombi, meu patrão, me mandou tirar o paralelepípedo de debaixo da roda da Kombi. Tenho a mais absoluta certeza de que não faria isso se soubesse o que ia acontecer em seguida. Então, só pode ter sido uma ordem direta. Claro que já sabem o que aconteceu: a Kombi começou a descer o morro.

Fiquei olhando para aquilo, atônito. Ela foi lentamente ganhando velocidade. Eu me virei pra serralheria e o cara estava lá, distraído. Eu só disse: "ei!", e apontei pra Kombi que ia descendo. Claro que isso tudo foi mais rápido do que parece aqui. Agora, pense num gordo correndo como ele nunca correu em sua vida. Foi a coisa mais incrível que já vi na minha vida. Ela devia ter descido uns 10 metros e ele a alcançou, abriu a porta e pulou dentro, parando a Kombi. Até hoje não lembro exatamente o porque dele não me despedir.

Essa foi a única vez que pus um carro em movimento. Não sei dirigir e, para todos os efeitos, eu detesto carros. Sim, é esse o tema deste texto. Não gosto absolutamente nada de carros. São um mal necessário e, me pergunto, se tão necessários assim. Mas, coitados, os carros não são os culpados, evidentemente. Sozinhos eles não podem fazer nada. Acho que deveria dizer que odeio carros com pessoas dentro. Odeio o trãnsito, odeio motoristas e suas atitudes arrogantes, como se dirigir um carro fosse um atestado de liberdade para fazer merda.

Já fui fascinado por carros, quando garoto, como todo garoto é. O primeiro carro que lembro de ter entrado foi em uma Variant, de cor laranja, se não me engano. A Variant do Tio Jorge, ou o carro do Tio Jorge, como chamávamos. O carro parecia combinar com ele, por mais estranho que pareça. Uma Variant, naquela época, mesmo de trocentésima mão, e no lugar onde morávamos, era um sinal de status. Ao menos era assim que meu cérebro de criança pensava.

Era só o Tio Jorge apontar com a Variant e dizer que íamos sair que, num piscar de olhos, já estávamos lá dentro. Não importava o lugar para onde ir, mas sim a viagem. Eu nem mesmo saía do carro, esperando Tio Jorge voltar. Queria desfrutar de cada segundo dentro daquele troço mágico chamado carro. Assim eu me sentia em relação aos automóveis, mas apenas quando garoto. Conforme fui crescendo e tendo de enfrentar o trãnsito dentro dos ônibus, ou atravessando sinais, me dei conta de que carro é um grande pé no saco.

As notícias sobre desavenças no trãnsito, chegando mesmo ás vias de fato, ou sobre acidentes causados por pessoas embriagadas que dirigem, me deixa ainda mais convicto de que carro, para mim, não serve para nada. Infelizmente, como já disse, a necessidade de locomoção para todos, faz esse mal cada vez mais necessário. As soluções para que o trânsito seja menos problemático parecem muito distantes.

Eu nunca pensei em aprender a dirigir pelo simples fato de que, por mais que eu respeitasse as leis do trãnsito, os outros ao meu redor, poderiam não respeitar. E, mesmo um pedestre pode não saber atravessar uma rua no momento certo, como já vi acontecer. É uma série de coisas que podem dar errado. Também, meus nervos que vivem à flor da pele, não me deixariam ser um motorista tranquilo. Mas, novamente isso não é culpa dos carros em si.

Aqui em Botafogo, abriu-se uma nova rua, há algum tempo. Nela não colocaram sinal de trânsito, mas pintaram as faixas no asfalto e colocaram uma placa dizendo que a preferência é do pedestre. Que eu saiba, esse tipo de coisa não é comum por aqui. Ou seja, nossos motoristas super educados não estão acostumados a esse tipo de cortesia e, como não poderia deixar de ser, atravessar a rua é um exercício de paciência digno do Dalai Lama. E não importa se é idoso, mulher com carrinho de bebê, ou qualquer coisa do tipo. É sempre uma dificuldade. Poucos são os motoristas que param e esperam, com calma, que todos atravessem.

Com o trânsito intenso aqui da Zona Sul do Rio de Janeiro, desanimo até mesmo de tentar andar de bicicleta. Talvez, por isso, nunca fiz força para adquirir uma. E, digo, mesmo os ciclistas não são tão vítimas assim, como querem parecer. Lembro de certa vez estar indo na direção do Túnel Rebouças, a pé, e um ciclista trombou comigo, de lado. Ele caiu em cima de mim. Eu me firmei para não ser jogado ao chão e, com isso, acabei segurando-o também, que se ajeitou e foi embora pedalando, sem dizer uma única palavra, fosse ela qual fosse. Claro que, assim como os motoristas, não são todos assim.

Não gosto dos carros, não gosto do trânsito, não gosto dos motoristas e, para piorar, quando preciso me locomover, e não quero ir de ônibus, faço como a Angélica, vou de táxi, e isso, na maioria das vezes, me faz odiar os taxistas também. Muitos deles parecem simplesmente não conhecer o lugar onde trabalham, não sabem ainda o que é um GPS, ou simplesmente são trambiqueiros mesmo, fazendo percursos mais longos desnecessariamente.

Esses dias pedi que o taxista me deixasse "ao lado do Metrô", e ele passou direto da entrada que sairia lá. Pensei que ele estivesse distraído, e disse, era ali a entrada. E ele disse, "mas ali não sai no Metrô, onde você quer ficar". Eu disse, "eu não quero ficar no Metrô., Era só uma referência". O silêncio cai e você não pode fazer mais nada, a não ser que queira arrumar confusão. Já fui roubado por taxista, provavelmente ilegal; já peguei táxi dirigido por um cara de um braço só (e nem era do filme O Fugitivo), provavelmente ilegal; e já fui deixado a pé, tendo que pagar a corrida.

Mas, novamente, não são todos assim. Alguns rendem boas conversas, como o senhor que contou toda sua vida, desde que veio da Índia até suas viagens pelo Nordeste do Brasil e pelo Iraque, como professor de Arquitetura, que ao se aposentar, resolveu ser taxista. Uma vida inteira em uma corrida.

Mas, no geral, odeio carros. Porém, claro, há suas excessões. Eu teria um De Lorean, se pudesse, e ele nem precisaria voar. Provavelmente não o dirigiria, mas passaria boa parte do dia dentro dele, assistindo De Volta Para o Futuro.

Até mais, e boa viagem.

3 comentários:

Anônimo disse...

Pô como é que os caras fazem um podcast com nome de rapaduracast. Pensava que era podcast do rapadura do Eudes.

Eudes Honorato disse...

Hhauaheuaheua vai ver eles são mais antigos que o RA, não sei.Mas, tb, a raádura é liberada. parece que quem é dona do nome é a Alemanha, mas é uma história confusa.

Eduardo disse...

Nem consegue explicar o pq desse nome... kkkk

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