segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Eu Sou Deus


EU SOU DEUS - GIORGIO FALETTI

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Eu gosto de literatura fast food. Muito mesmo. Gosto de Michael Crichton e seus dinossauros impossíveis de acontecerem; gosto de Dan Brown e seus delírios simbologistas. Em resumo, gosto de me divertir lendo. Uma vertente desse tipo de literatura são os livros de suspense policial. Neles, em geral, um serial killer, ou algum outro tipo de assassino, precisa ser encontrado antes que continue matando e, geralmente, é sempre uma grande surpresa a identidade do meliante. Mais ou menos o que Agatha Christie fazia, só que com mais elegância e maestria.

Entre os vários autores desse tipo de livro, temos o italiano Girogio Faletti. Já tivemos aqui, como se pode ver na capa de Eu Sou Deus, um livro seu já publicado no Brasil: Eu Mato. E.... eu li. E posso dizer, comprar Eu Sou Deus foi um ato de muita confiança, ou melhor dizendo de loucura, levando-se em conta o que achei de Eu Mato, depois que passei da metade. Vou tentar explicar melhor.

Faletti é um excelente escritor. Sua prosa é ótima e seus personagens consistentes, profundos. Em Eu Mato, ele constrói um assassino tão perfeito, que parece impossível que os heróis do livro conseguirão capturá-lo. Ele sempre está um passo...um passo, não, dois, três, a frente dos investigadores. Ele executa os assassinatos com uma incrível habilidade e técnica. Algumas das mortes nos vemos até mesmo compactuando com ele. Porém, o nosso serial killer gosta de anunciar seus crimes em uma rádio. É aí que começa todo o problema do livro.

Quando estou lá pela metade, já sei quem é o assassino e o método que ele usa para anunciar seus crimes. E, daí pra diante, a coisa só piora. É quase como se uma segunda pessoa, e não Faletti, tivesse terminado de escrever o livro. A coisa descamba para um final piegas e cheio de vergonha alheia, com um assassino frio, calculista e cruel se tornando um verdadeiro maricas, depois que é descoberto. Por isso tudo é que digo no primeiro título que Faletti é um fanfarrão.

Assim sendo, comprar Eu Sou Deus era praticamente um ato de consumismo vazio. Mas, se fosse isso, eu apenas deixaria o livro em algum canto e esqueceria dele. Mas, não, eu queria ler. Queria dar uma segunda chance a Faletti. E, posso dizer que valeu a pena. Porém, há ressalvas.

Pelo título dos dois livros podemos ver que Faleeti parece gostar de um certo padrão. Não seria nada demais, se parasse por aí. Afinal, é outro livro sobre serial killer, com um título na primeira pessoa e, bom, é do Faletti.

Não posso negar que a história é instigante. Mas, até aí, Eu Mato também era, até destrambelhar tudo. Aqui, o serial killer é, na verdade, um assassino em massa. Não posso dizer como ele mata, pois estragaria a leitura, já que a primeira parte do livro se demora bastante na história que dará origem ao assassino. Aliás, de maneira bem curiosa e inventiva, diga-se de passagem.

Faletti nos leva até a época da guerra do Vietnã e nos apresenta um amargurado soldado coberto de queimaduras, que agora é nada mais que um veterano de guerra. A história por trás de suas queimaduras, e algumas injustiças que sofreu, moldarão a sua personalidade, tornando-o um homem ainda mais amargurado e vingativo. Mas, se passarão muitos anos até que isso venha a tona. E, quando começa, entram em cena a policial Vivien Light e o fotógrafo Russell Wade. Uma improvável parceria.

Light e Wade acabam trabalhando no caso juntos devido ao fato de Wade, por um golpe do destino, acabar de posse de pistas importantes, e faz um acordo com o Capitão de polícia, para que ele acompanhe as investigações, ou ele entregará as pistas aos jornais. Começa então uma caçada pela cidade de Nova York, para encontrar alguém que resolveu se vingar de uma maneira catastrófica.

As diferenças deste para Eu Mato são importantes. Faletti não se detém tanto no assassino e ficamos mais concentrados na dupla protagonista e em seus problemas pessoais. Light tem uma irmã com Alzheimer, e uma sobrinha que está em uma instituição que ajuda viciados em drogas. Wade é um perdedor, que vive á sombra do irmão falecido, e que não consegue estar a sua altura, para ele mesmo, ou para seus pais.

Mas, é nas semelhanças com Eu Mato que Eu Sou Deus decepciona um pouco. E, o que vou dizer agora, é um spoiler se a pessoa já leu Eu Mato e não leu Eu Sou Deus: novamente consigo descobrir quem é o assassino e o porque disso evoca muito o método de Eu Mato. É igual, mesmo sendo diferente.

Porém, o assassino aqui é mais humano, e não super-humano, como o de Eu Mato, que depois se torna um banana! Assim sendo não ficamos com aquela expectativa exagerada. No fim das contas, é quase irrelevante quem seja o assassino, já que o livro é muito mais denso que isso. Engloba muito mais coisas. Mesmo assim, fica dificil de entender como Faletti é um campeão de vendas, com essas falhas. Seu próximo livro bem podia se chamar, Eu Sou Um Fanfarrão.

4 comentários:

Questão disse...

ou seja é igual a death note una mierda auhauhua

Anônimo disse...

Muito obrigado, Eudes!!!

Seus comentários sobre livros ajudam bastante: tanto sobre quais ler e os que não ler.

A próposito já leu O Sepulcro de F. Paul Wilson que deu origem a série Repairman Jack (personagem principal???

Recomendo! Pena que não consegui os demais volumes ainda...

Abs,

LePl

Eudes Honorato disse...

Engraçado, eu tenho um Sepulcro pra ler, mas não é desse autor e não é com esse personagem.

Al Coyoti disse...

Cara, Literatura Policial é uma vertente artistica da literatura. Entendi o teu post, tambem tenho autores fast-food preferidos, mas tem uma galerinha que levou este tipo de escrita aos extremos artisticos: Raymond Chandler e Dashiell Hammett. No brasil temos um genio do tipo: Rubem Fonseca. Se voce ainda nao conhece, dá uma procurada, voce vai gostar. Abraços.

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