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segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval?! Onde?


A PROFECIA ROMANOV - STEVE BERRY

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Ainda bem que a Editora Record não raciocina de modo oportunista. Digo isso depois de ler A Profecia Romanov, de Steve Berry e entender que se fosse outra editora, provavelmente teria colocado o título do livro de "O Código Romanov" ou "O Código Rasputin", para poder vender em cima do aclamado e odiado O Código Da Vinci de Dan Brown. E, por falar em Dan Brown, uma citação deste sempre acompanha a capa frontal dos livros de Steve Berry, onde ele diz que Berry escreve "com a segurança de um escritor veterano". Segundo Berry, Dan Brown até mesmo o ajudou em início de carreira. Seja como for, acho que aqui vale a máxima de que o aluno superou o mestre.

Steve Berry não segue uma fórmula tão repetitiva quanto Dan Brown. O que fica patente em cada livro dele é que algo precisa ser encontrado e isso será feito através de toda a história contada ali. No primeiro livro que li do autor (e na verdade o último publicado aqui no Brasil), A Busca de Carlos Magno, o protagonista tem que encontrar um submarino desaparecido há décadas. Seu pai desapareceu junto com o mesmo e um grande segredo que pode afetar toda a humanidade despareceu com a embarcação e sua tripulação. No segundo livro que eu li (o primeiro do autor), A Sala Âmbar, um casal de advogados divorciados se vê envolvido na busca de uma sala totalmente feita em âmbar, presente dada a uma imperatriz russa. A sala desaparecida desde a segunda guerra é cobiçada por dois grandes colecionadores de arte que farão de tudo para consegui-la. Aqui em A Profecia Romanov, uma pessoa é que precisa ser encontrada.

Dentro dessa premissa de busca por algo (ou alguém) impossível de se encontrar, Berry consegue diversificar bem melhor do que Dan Brown. Não há vilões caricatos, com uma maldade inerente, apenas pessoas que procuram atingir ou proteger um objetivo. Em A Busca de Carlos Magno, quase se consegue simpatizar com um dos vilões. Em A Sala de Âmbar há um embate entre os vilões entre si, pelo objetivo a ser alcançado. Nem sempre há códigos mirabolantes a serem seguidos, como em todo livro de Dan Brown. Como se não fosse possível escrever um livro sem essa "ferramenta". Nos 3 livros que li, apenas a Profecia Romanov chega perto de um "código" a ser desvendado. No caso a tal profecia.

O livro tem uma premissa interessante. Depois do fracasso da União Soviética como um país comunista, o povo votou que quer um novo czar. Para isso, uma comissão julgará e escolherá a pessoa mais adequada, ou seja, aquela que for um descendente dos Romanov, a linhagem que governou a Rússia por séculos até seu extermínio por Lenin, em 1919.

Obviamente, com o assassinato de toda a família Romanov, não há um descendente direto, assim sendo, devem escolher entre os vários candidatos que são descendentes mais próximos possíveis. Entre eles está Stefan Baklanov. Este é apenas uma marionete nas mãos de conspiradores que desejam governar a Rússia dos bastidores. Entre os membros de tal liga conspiradora existem membros do governo e da máfia rússia entre outros. Para garantir que isso seja possível, uma firma de advocacia americana é contratada para que se possa angariar fundos de investidores americanos interessados num governo manipulado.

Porém, tudo deve parecer legal, assim Taylor Hayes - o cabeça da firma de advocacia - designa Miles Lord, um de seus advogados especialista em tudo que diz respeito à Rússia, para investigar a vida pregressa de Stefan Baklanov, para saber se há algo que impeça-o de se tornar czar. O que Miles Lord não sabe é que tudo é apenas uma fachada e que seu trabalho é apenas para inglês ver. No caso aqui, para os russos verem, e deduzirem que o trabalho de Hayes é sério e honesto. Porém, Hayes trabalha no interesse dos conspiradores, coisa que Miles Lord não sabe.

Esse é um ponto interessante também. Algo que só seria revelado no final, se fosse um livro de Dan Brown, é dito logo nos primeiros capítulos. Taylor Hayes, chefe de Miles Lord, o herói do livro, é um dos vilões. Hayes quer sua parte no quinhão do que virá a ser a nova Rússia. Mas, logo as coisas começam a dar errado.

O livro abre o primeiro capítulo com Miles Lord sofrendo uma tentativa de assassinato. Logo entendemos o porquê. Contratado para seu papel de fachada, pesquisando sobre Stefan Baklanov, Lord acaba esbarrando em um documento importante, esquecidos nos porões da Rússia, que até então não deixava ninguém pesquisá-los. Lord se vê diante de uma profecia de Rasputin, o bizarro religioso que parecia manipular a família Romanov. Depois de prever a própria morte e a da família Romanov, Rasputin profere uma mensagem em código que deixa claro que os Romanov se erguerão novamente, no futuro.

Lord não dá muita atenção, achando que são apenas delírios de um louco. Porém é contatado por um grupo que se autoproclama protetores do Czar. Lord quer saber como isso é possível se, em todos esses anos, não existiu czar. Miles é convencido de que ele existe e de que Lord é o escolhido para encontrá-lo, juntamente com Akilina Petrovna, uma artista de circo que Lord conheceu num trem enquanto fugia de mais uma tentativa de assassinato. O chefe do grupo de protetores do czar diz que os dois são citatos na profecia, como "O Corvo e Águia". Lord apenas pergunta: "Só porque eu sou negro?"

Quando Taylor Hayes, chefe de Lord percebe que ele está na pista de algo que pode levar por água abaixo seus planos, decide que Lord precisa ser morto, e Hayes tentará de todos os modos conseguir isso, antes que Lord encontre um herdeiro ao trono da Rússia que tenha um parentesco bem mais direto do que Baklanov. Como isso é possível?

Uma das lendas mais recorrentes na história dos Romanov é que nem todos teriam morrido naquela noite fatídica e dois dos filhos do czar poderiam ter sobrevivido. Essa lenda gerou alguns filmes e até mesmo um desenho animado baseado na história de Anastácia, que se acreditava ter sobrevivido. Até mesmo uma mulher foi encontrada, que se dizia ser a princesa, porém com o tempo descobriu-se ser apenas um engodo. Porém, Miles Lord pode estar na pista certa e pode encontrar algum descendente de Anastácia e da outra criança que pode ter escapado. Apenas o Corvo e a Águia podem ter sucesso nesta missão, diz a profecia.

Mesmo não acreditando, Lord é convencido a tentar e Akilina Petrovna, uma russa que teve sua vida afetada pelo regime comunista e se ressente disso, insiste com Lord que devem tentar. Lord, que se sente atraído por Akilina, resolve ir em busca de tal impossibilidade, seguindo pistas que se ligam uma a outra, cada vez que a anterior é decifrada. Steve Berry tem o bom senso de fazer com que isso aconteça durante vários dias e não em 24 horas, como é costume de Dan Brown.

Falando assim, parece que não gosto de Dan Brown. Gosto, mas sua fórmula seguida à risca a cada livro, tira um pouco do prazer da leitura. Não há muitas surpresas, o que ele tenta contrabalançar com um final inesperado... em todo livro seu. Outra característica de Berry é exatamente o oposto disso. Não há revelações surpreendentes, nem o amigo do herói se revela na verdade um vilão apenas no final. Berry conduz o livro para a conclusão a que ele se propôs desde o início, a descoberta de algo que parecia impossível de existir ou de ser encontrado. Talvez seja isso que buscamos, a maravilha de encontrar algo que ninguém acreditava existir.

Steve Berry ainda não conseguiu a mesma projeção de Dan Brown, apesar de já ser bem conhecido no meio literário. Escreveu um livro que também envolveu a Igreja Católica - O Terceiro Segredo (que ainda vou ler) -, isso 2 anos depois de O Código Da Vinci. Mas, aparentemente, seu livro não era tão polêmico, apesar de mexer com o terceiro segredo de Fátima. Ou, quem sabe, a Igreja Católica já estava de saco cheio de fazer barulho por causa de escritores, desde O Código Da Vinci.

Só sei que, mesmo seguindo os passos de seu mentor, Dan Brown, Steve Berry caminha por uma senda que ele mesmo escolheu. Não duvido que o sucesso de O Código da Vinci o tenha inspirado, haja visto ele ter lançado seu primeiro livro - A Sala de Âmbar - no mesmo ano que Código Da Vinci foi lançado. Que a Editora Record continue publicando seus livros por aqui e que Berry continue desvendando os segredos de lendas perdidas.




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