quinta-feira, 3 de maio de 2012

Bebel


A HISTÓRIA DE BEBEL, E COMO
SE TORNOU NOSSA HISTÓRIA


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A história de Bebel começa há oito anos atrás, quando ela foi levada, ainda novinha, para a escola onde minha esposa trabalha como professora. Somo casados há um pouco mais que isso e eu nunca havia ouvido falar em Bebel alguma. Até este ano.

Quando adquirimos Lucy, nossa cachorrinha, foi a primeira vez que resolvemos ter um bichinho de estimação. Em boa parte por insistência da Lia, minha esposa. Como eu já disse aqui, quando contei a história de Lucy, quando minha patroa coloca alguma coisa na cabeça, não tira até realizar. Foi assim no caso de Lucy. De repente ela cismou que queria um cachorrinho. E não parou até conseguir. Quem lê o blog sabe que me afeiçoei a Lucy talvez até mais do que a própria Lia. Não que eu não gostasse antes, apenas achava que, morando em apartamento, seria complicado ter um bichinho assim. Mas, tudo deu certo e todos ficamos felizes e assunto encerrado. Ou, ao menos, era o que eu pensava.

Já temos Lucy a dois anos, que é sua idade, e nos adaptamos a ela. Ela nos dá alegria e parece ser muito feliz conosco. Tudo estava bem tranquilo, até o momento em que ouvi pela primeira vez a frase:

- Bebel não pode me ver que vem correndo para mim.

- Hã?! Bebel? É alguma aluna? - perguntei eu.

- Não, uma gata que mora na escola.

- Mas você nem gosta de gatos, Lia!

- Mas é a Bebel!!!

Era o começo. Era onde a história de Bebel começou a ser a nossa, também. Eu já conhecia aquele jeito da Lia. Se durante oito anos eu nunca tinha ouvido falar em Bebel, nos meses seguintes isso seria sanado. Eu ouvia falar de Bebel todo santo dia. E, a cada dia, o assunto ia na direção em que eu mais temia: que devíamos trazer Bebel para morar conosco.

Novamente eu fui contra, já que havia Lucy e fazer com que as duas convivessem juntas seria difícil. Além disso, a tia da Lia, que mora com a gente, também era do contra (como também foi contra termos um cachorro e adora Lucy, hoje em dia). Tudo isso fez com que a coisa toda fosse adiada por meses. Lia parecia aceitar que o lugar de Bebel era mesmo na escola, onde fora criada. Mas, é como eu digo, só termina, quando Lia diz que acabou.

A escola mudou de direção. A pessoa que levou Bebel para a escola foi transferida e quem podia assumir a responsabilidade, era alérgica a gatos. Ainda assim, Bebel não perturbava ninguém, ficando em seu cantinho, e andando pela escola apenas durante a noite. Mas, sem a proteção de quem cuidava dela, Bebel viu seu lar ameaçado. Em uma das reuniões de professores, entre um assunto e outro, deliberaram que precisavam se livrar da gata, fosse como fosse. Não havia mais como ela continuar lá, como se Bebel fosse um animal intratável, coisa que, ao conhecê-la, vi que nao era.

Lia chegou triste em casa, abalada até , com a decisão e com o fato de que não podia fazer nada. Por mim era só trazer, e dávamos um jeito com Lucy. Mas, sua tia ainda não queria, com medo de que o apartamento ficasse apertado demais para todos. Além, claro, com medo por Lucy, também.

No dia seguinte, Lia foi para a escola, e tentava encontrar alguém que ficasse com a gata, antes que a levassem embora, sabe-se lá para onde. De vez em quando ela ligava para mim, um pouco desesperada. Entre uma ligação e outra, eu notei que a tia também sentiu que a coisa estava ruim mesmo para a gatinha e disse "ah, se a Lia quiser trazer, ela que sabe". Eu aproveitei essa chance.

Estava na hora do intervalo na escola e eu sai a todo vapor, indo para lá. Traria Bebel para morar conosco. Quando cheguei lá, procurei Lia, que se espantou com minha chegada, e eu disse que a levaria. Ela foi dizendo que alguém já se dispunha e eu disse que esquecesse isso, ela era nossa. Já era quase da família, depois de tantos meses ouvindo Lia falar dela.

Encontrei a felina na sala dos professores, em uma estante. Dócil que só ela. Deixou que eu a pegasse no colo. Achei que seria fácil levá-la nos braços. Mas, ao chegar ao portão, ela entendeu que deixaria seu lar e fez de tudo para que eu a largasse, me arranhando, mas sem grandes danos. Segurei-a e voltei com ela para a sala dos professores. Precisava de uma caixa. Por incrível que pareça, não havia caixas vazias na escola. Depois de muito procurar , Lia me deu uma, que estava em mal estado, mas teria de ser ela mesma.

Coloquei Bebel nela e a caixa dentro de um saco plástico, pois o fundo estava aberto. Não fechei o saco. Segurei a tampa, sem fechar completamente. O caminho era curto, só que nunca o havia feito carregando uma gata que não queria ir embora. Demorei uma aternidade para chegar em casa. Bebel miava, mas sem escândalo. Apenas triste. Creio que os transeuntes deviam pensar que eu estava indo me livrar dela.

Ao chegar em casa a alojei no quarto do computador, onde fico. Arranjei um berço (de boneca) pra ela, até comprar uma casinha e a apresentei à Lucy que estranhou muito de início. Ainda estranha. Mas está se acostumando aos poucos. Cada uma tem seu território, por enquanto. Lucy fica entre o ciúme (principalmente se a pegamos no colo), a curiosidade e a vontade de brincar com ela. Só que ao tentar a assusta. Mas logo as duas estarão bem entrosadas.

Isso já faz uma semana. A tia da Lia, novamente, parece aquelas avós corujas, exatamente como é com Lucy. Outra coisa que me deixou feliz, foi o fato de que Bebel tenha sido adotada por nós, e não comprada. Desde que me apeguei a Lucy, comecei a sentir o drama dos animais abandonados e me sentia culpado por não "fazer a minha parte". Tendo adotado Bebel, isso diminui um pouco.

Bebel agora tem uma casa. Na verdade, várias. Pois mora aqui e em nossos corações.

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Lucy curiosa, mas Bebel ainda está protegida
por duas torres de gibis

15 comentários:

DAVID SILVA disse...

Olá! Conheça o blog www.desenhuras.blogspot.com. Um blog dedicado a divulgação da produção teórica e prática em desenho. Nele, vc encontra e-books, e-comics, textos, eventos e dicas sobre desenho e quadrinhos.

Grato.

Fábio Renó disse...

Poxa. passei por algo semelhante recentemente. Sempre tive cães e a idéia de ter um gato nunca passou pela minha cabeça... Mas..aqui estou com a Lorena, adotada de uma ninhada que apareceu no forro da casa de um amigo. E vou te dizer.. não me arrependo nem um pouco. Já tenho dois cães e os dois estão se dando bem com ela, cada um do seu jeito, mas ela é uma fofa. Só te digo que vc decidiu corretamente. A satisfação de ajudar um animal carente é enorme e o carinho retribuído não tem preço. Parabéns pela nova filha, ;)

ashy_crow disse...

Eudes meu caro, parabéns pelo novo membro da família, rs, eu tenho um gato (Nero) e é uma maravilha só, mesmo ele sendo individualista e quietão na dele, há quase 4 anos pois o tenho desde que ele nasceu (pensei em chama-lo Wolverine mas minha mãe nao conseguia pronunciar o nome e também achou feio demais! rsrs).
Devo dizer que realmente é muito bom ter um animalzinho de estimação, mesmo que você de inicio não se agrade da ideia, pois sempre tem aqueles dias em que você inevitavelmente está cansado demais ou chateado mas quando você olha para seu "amigo animal" não tem como não esquecer um pouco dessas coisas e em um minuto você se surpreende não pensando em mais nada e apenas acariciando o bichinho e sorrindo.
Parabéns mais uma vez.

Vida longa e prospera!

Rogério Olivieri (Roger) disse...

Relamente muito legal a sua ação, Eudes. Tenho dois gatos, um macho siamês (O Chico) e uma fêmea SRD (A Sheetara), e eu e minha esposa adoramos os dois. Uma pena algumas pessoas ainda terem uma certa superstição quanto aos felinos, achando que eles são traiçoeiros ou que dão má sorte etc... Mas cada vez mais a maioria percebe que são animais que retornam aquilo que nós damos à eles, se damos amor, teremos o mesmo! Abração, Eudes!

Denise disse...

Ah, nossa eu adoro gatos.. tomara que dê tudo certo! Gostaria de ter um mas tenho pena de deixar o dia todo sozinho..

Vanessa Lampert disse...

Eudes, você fez a escolha certa! Só tinha que ter se informado antes sobre como transportar gatos...hahaha... Gatos são dramáticos e tirá-los de seu ambiente é sempre igualmente dramático. Eles não são como cachorros, não precisam sair para se exercitar, por exemplo.

Vocês terão de providenciar uma caixa de transporte para eventuais idas ao veterinário. E se sua janela não é telada, providencie redes de proteção com urgência. Eu e meu esposo temos dois gatos há 7 anos, tive gatos a vida inteira, conheço bastante sobre cuidados com gatos e comportamento felino e adoro dar dicas e falar sobre gatos...rs...

Se você e a Lia precisarem de uma ajuda, me mandem um email. Meu Gmail é vslampert , fico à disposição de vocês. Já resgatei, cuidei e doei vários gatos, luto há muitos anos pela conscientização sobre posse responsável e fico muito feliz quando vejo pessoas abrindo seus lares para gatos adultos. Eu sou da opinião de que é muito melhor adotar um adulto do que um filhote (tive as duas experiências, e a adaptação de adulto é muito mais rápida!), mas a maioria das pessoas tem medo e preconceito.

Espero poder ajudá-los!

Grande abraço!

Sabino disse...

Olá Eudes,
Foi uma decisão bonita, e você não vai se arreoender.
Tenho um gatinho (Thell, de um aninho), branquinho da raça siamês.
Sempre tive cachorro na casa da minha mãe, nunca pensei em ter gato, e estes animaizinhos que são tão carinhosos, são muito descriminados, dizem que são traiçoeiros, roubam comida etc. Tudo supertição, eles são maravilhosos; só me arrependo por não ter descoberto como é bom ter um bichano a mais tempo atrás.
Parabéns, e você e a Lia tenho certeza que vão adorar!
Abraço a vocês
Sabino

Edson T. Silva Jr. disse...

Meu caro amigo, antes de mais nada quero lhe parabenizar pela postagem sobre Bebel.
SOu tb um HQ maníaco como vc e entrei no seu blog apenas, repito APENAS para procurar umas scans de Hqs e me deparei com a postagem sobre Bebel li toda para a minha namorada que estava aqui na sala do micro de meu apt. deitada no sofá, como eu havia criado um blog para ela em defesa dos animais - se quiser segui-lo o endereço é esse: http://protedefesaanimal.blogspot.com.br - resolvi colocar na íntegra toda a sua postagem sobre Bebel, pois amamos a história toda e como vc humoradamente à relatou, temos aqui em casa dois gatos e um deles tb foi retirado das suas (grávida de 6 meses de 4 filhotes). A chamamos de Hanna Banana. depois confira sua postagem em nosso blog (http://protedefesaanimal.blogspot.com.br/2012/05/historia-de-bebel.html)

Esperamos que gostem, abraços!!!

Deb disse...

Acabei de ler e adorei! Não sabe o quanto me identifiquei :)
Pq eu fiquei com medo também pelo meu cachorro, que tem 5 anos agora e sempre foi "filho único". O maior medo é que o Nicky mordesse a gatinha, que chegou aqui cabendo na minha mão e recém desmamada. Mas se entenderam, cada um na sua personalidade, e foi um alívio. E realmente, depois de adotar ele que nosso amor por animais em geral cresceu, assim como a preocupação pela questão dos animais de rua, passou a mexer muito mais conosco. No caso dele, foi adotado pq não tínhamos dinheiro pra comprar um de raça, fico triste em admitir. Depois que veio o entendimento sobre o significado desse ato, sobre a dimensão do problema dos animais abandonados, sobre posse responsável e principalmente sobre o valor de um cão que nunca poderá ser medido em dinheiro.
E da Sophie, resumindo história, ela foi adotada por um amigo, poucos dias depois de ele vir morar conosco. Ela dormia no quarto dele, e ele era o responsável por ela. Mas nos apegamos né, aquela coisa inevitável de acontecer, assim como ela também se apegou conosco, pq ela é tão dócil e querida quanto espoleta! Me acostumei a chegar em casa e ter ambos na porta me esperando. De ir pra qualquer lugar da casa e de repente estarem ambos do meu lado. De ir ao banheiro e ter os dois de vigília junto à porta, me esperando.
Só que uma sequência de acontecimentos desagradáveis fez com que pedissemos pra ele ir embora, e não deixamos ele levá-la pq durante meses, demonstrou não ter o comprometimento e responsabilidade com ela que deveria. Enquanto ela nos tinha por perto, isso estava remediado, eu jamais deixaria ela passar fome ou sede, e ela sempre teria um colinho pra se aninhar e um carinho pra receber. Mas e se fosse embora? Eu ficaria eternamente preocupada se ela tinha comida, água, se estava bem, se estava protegida, se ficaria longas horas sozinha, se teria o amor que merecia, se iria fugir levada pra um lugar estranho, se alguém sempre lembraria de fechar a janela em caso de risco de queda - a preocupação que imagino, vocês também tiveram em relação a Bebel na hora de tomar a mesma decisão de ficar com ela. Tive certeza que se eu deixasse ela ir, me arrependeria amargamente.
Então se isso chegou a ser uma dúvida, ela durou segundos: "tu vai, a gata fica". E faz menos de um mês que ela é de fato, minha. Nenhum arrependimento, eu sei que fiz o que era certo pra mim, mas principalmente pra ela.
Agora ela dorme no nosso quarto tb, como sempre foi com o Nicky, e às vezes acordo com ela ronronando perto do meu ouvido. Ambos são ciumentos, mas o Nicky tem ficado um pouco mais depois dessa mudança de "status" da gata, pq com certeza ele entendeu o significado dela começar a dormir no nosso quarto. É como passar pela fase de adaptação quando ela chegou, tudo de novo. Com amor e paciência estamos resolvendo as coisas aqui, e tenho certeza que vocês também conseguirão! E então daqui um tempo a Lucy e a Bebel estarão protagonizando a mesma cena que eu vejo agora, bem ao lado do computador: meus dois bichinhos amados dormindo juntos, na mesma caminha, aninhados um ao outro :)

Henrique disse...

Minha familia tem cachorros e gatos também. São grandes companheiros. Gosto do jeito que você escreve, meu amigo. Grande Abraço.

Edson T. Silva Jr. disse...

O mesmo eu digo à vc meu caro amigo, ainda mais quando o objetivo não é o enaltecimento de nós mesmos, mas sim a preservação dessas criaturas que precisam de nós, mas que na maioria das vezes são maltratadas por nossa espécie.

Edson T. Silva Jr. disse...

Antes que eu me esqueça, lhe convidamos gentilmente bem como sua esposa a divulgar e seguir nosso blog, ficaríamos felizes!!!!

Antônio Crotti disse...

Olá Eudes!
Parabéns pela nova "filha"...
Quando era mais novo nós chegamos a ter quase 20 gatos lá em casa. Hoje só restaram duas gatinhas, que são netas daquelas primeiras. O restante foi morrendo aos poucos, por tiros (tentando roubar passarinhos das gaoilas dos vizinhos) ou assassinadas pelo cachorro aqui da marcenaria ao lado.
Desejo boa sorte à Bebel, e que ela e a Lucy se tornem amigas do peito. Se bem que se for como amizade entre duas mulheres, uma hora a Lucy come a Bebel...
Abraço!
Antônio

Andreson disse...

Cara que bacana isso. Eu também recolhi meu gato Lex Luthor ainda bem pequeno, já faz 4 Anos e ele definitivamente mudou minha vida, eu sou completamente a favor da adoção, infelizmente ainda tem gente que compra, com tantos por aí precisando de um lar. Eu li todos os comentários aqui e fiquei muito feliz de ver tanta gente com histórias tão parecidas. Parabéns e muita boa sorte com a nova integrante da família.

Abraço!

DVM - Delphi Virtual Machine disse...

Lí todos os comentários e a sua matéria no Blog.
Nossa como os homens são burros e insensíveis!!!
Não entendeu a "mensagem subliminar"???
Sua esposa quer/anseja ter filho. A única forma de expressão disso possível foi ter um animal em casa.
Pode observar, logo...logo...terá outro animal em observação para ser adotado, até o dia que o apto/casa estiver cheio de animais...vai por mim, tá na hora de pensar em filhos.

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