quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Will Eisner


WILL EISNER AND ME Algumas Coisas Estão Lá Apenas Esperando

Image and video hosting by TinyPic
Para baixars HQs, clique aqui

A minha familizarização tardia com o mestre Will Eisner aconteceu de forma um tanto quanto irônica.

Com a popularização dos scans através do Rapadura Açucarada, logo mais e mais pessoas começaram a fazer as suas próprias digitalizações. Alguns enviavam para cá, através de e-mail, outros abriram seus próprios sites e blogs, ao longo do tempo, até os dias de hoje. Cada um deles mostrava tendência para algum tipo de quadrinhos que refletiam bem o gosto do seu idealizador. Havia quem quisesse distribuir mais Marvel, outros DC ou Vertigo. Também havia quem privilegiasse um ou outro personagem específico. E, entre esses tantos, havia o HQ é Aqui, hoje já extinto.

Era de um dos visitantes do RA que foi seguir carreira solo. O nome do blogueiro eu nunca esqueci, Guilherme. Com tantos desses novos adeptos se multiplicando, eu acabava por ir aos seus recintos de distribuição de quadrinhos digitalizados para ver o que estava sendo feito e, quem sabe, até mesmo baixar e ler alguma coisa, bem como colocar no RA e tornar conhecido seus trabalhos de digitalização e/ou tradução e diagramação de quadrinhos.

Guilherme adotou uma linha de quadrinho mais adulto, mais maduro, sendo que começou a disponibilizar quadrinhos de Will Eisner. Lembro que o primeiro deles fora O Nome Do Jogo, uma HQ sobre três famílias de judeus e seus entreveros. Fiquei olhando aquilo e me dei conta de uma coisa: eu nunca havia lido NADA de Will Eisner.

Image and video hosting by TinyPic

É uma afirmação vergonhosa para um leitor de quadrinhos já com mais de 30 anos, na época. Mas era a verdade. Porém, cabe aqui uma explicação, ou pelo menos uma tentativa de me escusar: cresci num lugar em que livrarias eram quase um mito e a única banca de jornal (a qual já falei dela anteriormente) não tinha esse tipo de quadrinho. Eu, às vezes, ia a livrarias em lugares mais distantes, mas não eram como hoje, onde algumas dão algum destaque á seção de HQs. E, assim, eu ia crescendo com Disney, Turma da Mônica, Tex e super-heróis, sem nunca saber da existência de coisas como Will Eisner. E, provavelmente olharia com pouco caso, se deparasse com o mesmo, esta é a verdade. Eu ainda não tinha maturidade para o autor.

Pois então, me deparando com Will Eisner, ali, pela primeira vez, baixei para ler. A ironia que citei no início está aqui. Depois de muito tempo colocando scans aqui no blog, de todos os tipos (inclusive os de Will Eisner), eu comecei a receber e-mails de vários novos leitores ou de leitores que retornaram aos quadrinhos, agradecendo pela chance de ter contato com quadrinhos que antes não conheciam ou haviam abandonado. Alguns depoimentos eram muito emocionados e me emocionavam também. Me faziam sentir que o que fazia era algo necessário. Mas, ao mesmo tempo, eu também fui ensinado, assim como estes que me agradeciam. E não apenas a ler Eisner, mas Robert Crumb, Laerte, Moebius, Angeli, Spacca, Jodorowski, Manara e tantos outros. A lista é imensa. Mas Eisner foi o ponto de partida.

Os scans pelos quais as pessoas me agradeciam por tê-los trazido de volta aos quadrinhos ou por tê-los feito conhececer este mundo da Nona Arte, também foram de ajuda para mim. Tais quadrinhos chegaram aqui através das pessoas que colaboravam com o RA ou que se animaram a fazer o mesmo, por conta própria. Era um ciclo quadrinhístico.

Image and video hosting by TinyPic

E, claro, ao ler os scans publicados pelo Guilherme no HQ é Aqui, eu ficava esperando por mais. Também li Avenida Dropsie, e ficava na expectativa de outros títulos. Mas, com tempo, assim como aconteceu com vários outros, o HQ é Aqui teve que parar. Nunca soube os motivos. Provavelmente falta de tempo do dono do blog. O fato é que não teríamos mais as HQs do mestre Eisner... se eu não continuasse. E, assim foi. Da mesma forma que aconteceu na gênese do Rapadura Açucarada, onde eu continuei o trabalho de alguém que não mais poderia fazer scans, eu comecei a fazer o que o Guilherme fazia: adquirindo quadrinhos de Will Eisner e escaneando os mesmos, lado a lado com os de super-heróis. A vantagem agora é que eu os lia diretamente da fonte, antes de colocá-los aqui.

Então eu não era apenas alguém que levava quadrinhos aos outros. Eu também recebia isso dos amigos e colaboradores. Também aprendia e descobria (ou redescobria novos horizontes). Will Eisner não me era de todo desconhecido. Era algo que esteve sempre ali, mas que eu nunca estendi a mão para pegar, por um motivo ou por outro. Mas, quando o fiz, não me arrependi, e nunca mais parei.

O autor morreu algum tempo depois que eu passei a conhecê-lo melhor e isso me deixou com uma sensação estranha de ter chegado tarde demais. Mas, ainda consegui várias de suas obras, em livrarias e comic shops. Até mesmo títulos que não eram mais publicados, como o excelente Um Sinal do Espaço, Graphic Novel publicada pela editora Abril. O tempo passou mais e seus quadrinhos voltaram com força total. Hoje as livrarias têm vários títulos seus, incluindo O Sonhador (The Dreamer), pelo qual tenho um carinho especial.

Certa vez acabei encontrando os scans, em inglês, de The Dreamer, muito antes de ele ser publicado aqui no Brasil. Mas, traduzir uma HQ de Will Eisner não era algo tão simples como traduzir uma de super-heróis. Um dos motivos era encontrar um tradutor que se dispusesse a isso, sabendo que não era nada de Marvel ou DC. Apareceu o Psycho (é, isso mesmo) e consegui fazer a HQ, que hoje em dia pode ser encontrada nas livrarias ou comic shops. É uma autobiografia do autor, mostrando seu começo na área na qual se tornou famoso.

Image and video hosting by TinyPic

Ler Eisner é se perder em tramas bem diferentes daquelas a que um fanboy está acostumado. É subir vários degraus no mundo dos quadrinhos, sem que seja obrigado a abandonar suas raízes. Mesmo sendo criador de Spirit, um herói mascarado dos mais diferentes e interessantes, Eisner escreveu dramas ainda mais profundos, muitas vezes baseado em lembranças de sua vida. Também revisitou grandes clássicos da literatura como Don Quixote de La Mancha, Moby Dick e Oliver Twist. Como um bom mestre dos quadrinhos que era, escreveu e ilustrou livros que delineavam as técnicas dessa arte. A indústria de quadrinhos dos EUA instituiu um prêmio com seu nome, coisa não mais que natural de acontecer. E eu? Bem...

I will.

4 comentários:

Sabino disse...

Olá amigo Eudes,
Belíssima crônica de reconhecimento ao trabalho do grande mestre Eisner.

Parabéns!!!

Sabino
blog Fantasma Brasil

Leco disse...

Fala Eudes, acompanho o blog há anos cara. Baixei muita coisa naqueles HDs virtuais do Terra se não me engano. E tava a muito tempo sem botar a cara aqui, mto bom voltar e ver que seus textos continuam de altíssimo nível!
Eisner é sempre foda e a sensação de ter chegado tarde demais é mesma que tenho.

abraços

TK disse...

Engraçado como o mesmo se aplica a mim. De fato não conheço Eisner como leitor, só como conhecedor. Nunca li nenhuma das suas obras apesar das suas várias indicações. Com o seu falecimento vi a quantidade de fans e admiradores do seu trabalho e sinto que apesar de tudo só conseguirei ler ele se o fizer por meio de material impresso. Acho um ato de respeito e que, como colecionador, não me arrependerei de adquirir.

Tv Visionario disse...

Fala ae eudes beleza aqui e o braddock,olha tem como voce reupar aquela do spirit que saiu pela metal pesado?
http://aspasnoir.blogspot.com.br/2012/03/spirit-magazine-01-ed-metal-pesado.html
fico desde ja agradecido so falta ela na minha coleção virtual.
flw cara!

Business

category2