sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mês de Aniversário: Resumo Final


NOVA YORK: A VIDA NA GRANDE CIDADE
Digitalização e Tratamento: Outsider Z/HORDA Scans

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E novembro está terminando. O mês em que o blog completou seus dez anos de existência. Não pensei que fosse ter pique para fazer o que fiz. Tantos posts e três HQs que valiam por dezenas. Se não fosse o Facebook me atrapalhando acho que teria feito até mais. Espero que a famigerada rede social, que já detonou o Orkut e tá mandando para o cemitério o MSN, não destrua também o RA. Mas, aí só depende de mim, claro.

Minha intenção era fazer um post por dia, durante todo o novembro. Eu estava indo bem no começo, mas era realmente impossível conseguir, já que outros assuntos requeriam minha atenção também, como por exemplo, a vida. Mas, até que foi bem a recapitulação de como o blog foi criado, como surgiram os scans aqui e tudo mais que veio depois, feita em capítulos publicados durante o mês, era algo que eu nunca havia tentado antes.

No primeiro post eu disse que haveria um aviso importante, no dia 21, e acabou que não tive como dar esse aviso, por faltou um detalhe que não consegui a tempo, e nem o tenho ainda. Só posso adiantar que é sobre o nosso pistoleiro querido, criado por mim, Jerusalem Jones. Podem notar que ele não entrou nas recapitulações como deveria, pois eu queria poder fazer o artigo sobre ele junto com o aviso. Assim que eu tiver o que falta, a verdade será revelada.

Só posso dizer que ter criado esse personagem, e ele ter sido tão bem recebido - e esperado - me deixou muito feliz. Aliás, a falta de mais contos dele por aqui, se deve também ao que será dito no futuro. Mistérios.

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Para ler a entrevista, clique aqui

O simpático site de notícias sobre entretenimento Macacos Robôs Zumbis do Inferno, fizeram uma entrevista comigo por causa dos 10 anos e publicaram há uns dias atrás. Como sempre, eu não sou bom em responder perguntas sobre qualquer assunto, então a coisa toda fica meio bizarra. Mas, ao menos combina com o espírito do site.

Obrigado também a todos os que comentaram nos posts feitos este mês - e em todos os meses passados - sendo que muitos me deixaram realmente emocionado. Sempre é legal perceber o quanto o RA, na sua fase áurea, levou muita coisa a muita gente. E, também TROUXE muita gente. Sempre lembro que recebia muitos e-mails de pessoas que diziam ter parados de ler quadrinhos e, devido aos scans e a facilidade de adquiri-los, voltou a lê-los, em papel.

Um e-mail em especial que lembro bem, pois não guardei, por ser uma anta, é o de um cabo do exército. Como terei de citar de memória, não sei o quanto da mensagem estará correta. Mas, ele dizia que estava no meio da Amazônia, onde não havia muito o que fazer nas horas de folga, então ele estava agradecendo pelos muitos scans que baixava e lia, nesses momentos de tédio. Aquilo realmente me surpreendeu.

Mesmo hoje em dia, por meio dos comentários, e até mesmo por meio do
Facebook, recebo agradecimentos e me contam histórias dignas de se contar em um livro. Pessoas que superaram até mesmo fases dificeis porque tinham algo para distrair a mente. Eu mesmo não consigo abarcar a magnitude de algo que para mim, é apenas um passatempo. Me sinto pequeno diante de palavras assim. Principalmente porque penso que, no fundo, faço isso por um certo egoísmo. Mas um egoísmo bem aproveitado, creio eu.

Porém, nunca foi sozinho. Apesar de nunca ter colaborado diretamente, a Lia, minha esposa, sempre apoiou e se entusiasmou por algo que passou a gostar porque eu gosto. Acho que tenho muita sorte. Só tenho a agradecer.

E, durante todo esse tempo, várias pessoas ajudaram de uma forma ou de outra para que o blog fosse o que ele é hoje e para que eu aprendesse a escanear melhor. Muitos ajudaram até mesmo anonimamente. Citarei alguns e pedirei perdão a quem eu esquecer, mas que não serão menos importantes por causa disso.

Fábio Negro, do extinto UOL Cinema, era entusiasta do blog desde o início. Não tenho toda a certeza do mundo, mas creio que foi ele a pedir que eu escaneasse a página da HQ do Deadpool e, imaginem, se foi ele mesmo, como desconfio que seja, ele pode ter criado um monstro. Nessa época ainda do UOL Cinema, muitos ajudaram na fase dos scans, principalmente os traduzidos: Akhantus, Luci e muitos outros que minha memória não permite lembrar.

Quando comecei a receber muitos scans via e-mail, um dos que mais colaborou, enviando material da Vertigo, foi Edson Gomes que chegou até mesmo a mandar todos os números da Almanaque Vertigo, publicada pela Editora Abril e queria enviar todos os Spawns que tinha, mas eu não quis. Outro entusiasta da Vertigo foi o Woody, que começou a tradução de Y-The Last Man e Fábulas, que outros grupos continuaram depois.

Kakô, dono do GibiHQ, me emprestou vários gibis que eu nunca conseguiria de outro modo, e assim pude escaneá-los, entre eles Watchmen, como já relatei anteriormente. Thiagaum fez muitas traduções para o RA, no início dessa fase, e depois montou vários blogs seus. Garotas também tiveram sua parcela de participação por aqui: Satanika era uma ferranha apoiadora; Dani* chegou mesmo a fazer scans, incluindo WE3 e alguns nacionais e Juliana foi quem me ajudou a criar o F.A.R.R.A.

Alguns amigos fizeram scans improváveis, como o Sid, que fez o enorme A Sombra das Duas Torres. Um casal anônimo escaneou Desvendando Quadrinhos, que pegaram em uma biblioteca, numa época em que o livro não era mais publicado por aqui. Os namorados Mary Jane e Mumemafu ajudaram com scans e traduções. Nikki Nixon, como citei no artigo anterior, me emprestou seu dicionário Marvel e, pasmem, deixou eu arrancar as páginas do encadernado que ele mandou fazer. Sim, loucos, adoráveis loucos.

O Tio Helbert, que anda bem sumido, me enviou coisas que, na época, eram impossíveis de se encontrar, como a HQ que não foi publicada de Constantine. E, acho que foi através dele que descobri Miracleman em scan. Temos o ShadowBoss, incansável diagramador de HQs, que também é o autor do poster comemorativo dos dez anos e que virou nosso novo banner. Um dos modos que achei para pagá-lo, na época, pelo que ele fazia, foi escrever a letra de uma música para a banda que ele tinha.

Quando começamos a fazer as traduções de Hellblazer, Luca Torelli foi um dos melhores tradutores que eu vi, fazendo um trabalho profissional em nosso mundo amador. E a história dele com o RA ainda terá mais um capítulo, no futuro.

Talvez, uma das pessoas que mais tenham me ajudado no aperfeiçoamento dos meus scans, tenha sido o Cimerian Satan. Colaborador frequente do GibiHQ, ele também ajudava bastante ao RA. O cara até mesmo ficou uma semana tomando conta do RA, enquanto eu estive fora... mesmo. Fora do RA. Apesar de sumido, deixo aqui meu agradecimento ao cara. Poderão ver o logotipo de um lobo com Cimerian Satan escrito embaixo, em muitas HQs de qualidade. Ele era um perfeccionista.

Desses, um que conheci na vida real, e nos tornamos grandes amigos, foi o JP_volley. Essencial para completar a tradução de Preacher, gostava também de Hitman e fizemos alguns números juntos. Revisava muita coisa que vinha para mim, como Livros da Magia, por exemplo. Às vezes revisávamos uma HQ via MSN, enquanto fazíamos piada com tudo.

Outro que só lembro o apelido era o Bob Cuspe Jr., que foi essencial para que se completasse a coleção Ficção e Aventura da Editora Abril. Eu, ele e Cimerian Satan fizemos os scans de todos os 21 números. O Bob enviou ainda muitos outros scans variados. Também quero lembrar o Guilherme, dono do HQ é Aqui, que fez com que eu aprendesse a ler Will Eisner e outras HQs mais adultas e saísse do meu mundinho fechado, onde só havia os super-heróis. Sim, nessa jornada eu não apenas influenciei, também fui influenciado.

Agradeço também a todos os que fizeram os três anos do F.A.R.R.A., aquele braço do Rapadura que muitos sentem falta, o sucesso incrível que foi. Foram tantas e tantas pessoas: tivemos a Juliana, que me ajudou a comerçar, depois os que me ajudaram a construir, Parallax, Neide, Ivan, Deb, e muitos outros. Queria que minha memória fosse melhor para citá-los a todos.

Enfim, o que quero deixar claro, é que não foram dez anos sozinho, tive muita e boa companhia e aprendi muito, também. Para fechar o mês de aniversário, deixo para download essa HQ de Will Eisner, como um tributo a todos os que aqui ajudaram. O RA existe por causa desses que citei e dos que faltaram ser citados, mas estão aqui, também. Agora vamos em frente, rumo aos 20 anos.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mês de Aniversário: Artigo Bônus


RAPADURA AÇUCARADA: DO SCAN PARA O PAPEL
Deu na revista, deu no jornal, mas sempre foi hétero


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As coisas aconteciam muito rápido quando o Rapadura Açucarada começou: os scans sendo feitos às dezenas, as HQs traduzidas, os blogs e sites derivados proliferando e muita gente nos descobrindo todo dia. Que isso acabaria chamando a atenção da mídia era normal acontecer. Vários blogs e sites que eram desencanados com os scans, que não deviam nada às editoras, publicavam seus pontos de vista sobre o que estava acontecendo. Notícias on line sobre o que estava acontecendo eram até mesmo banais. Porém, eu não estava me dando conta de que isso também chegaria ao mundo "real". Quer dizer, à página impressa.

Quando aconteceu, foi alguém que me avisou que a Herói + Especial de maio de 2003, trazia um pequeno artigo. Não sobre o Rapadura Açucarada especificamente, mas sobre os scans e trazia uma lista de lugares onde eles poderiam ser baixados. Eram outros tempos e creio que hoje em dia, nenhuma revista sobre quadrinhos faria isso. O mais interessante é que ela listava até mesmo A Toca do Carcaju, mesmo o site não funcionando mais, e em primeiro lugar. Uma espécie de justiça poética. Por coincidência - ou não - o RA vinha logo em seguida.


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Mas, a atenção jornalísitica era uma faca de dois "legumes": fazia o ego inflar e, não posso negar, fazia um bem danado. Os scans - feitos do modo certo - não tem (ou não devem ter) nenhum tipo de retorno financeiro. Daí que um retorno em forma de reconhecimento, fazia com que valesse a pena. Mas, ao mesmo tempo, trazia uma atenção muito grande para algo mal visto pelas editoras. Só que isso era inevitável. Como estava sendo feito, os scans estavam saindo de um pequeno círculo de pessoas, uma panelinha que ficaria fazendo scans para que uma meia dúzia de pessoas pudessem ler e isso não era compartilhar.

Em junho do mesmo ano, o jornal Correio Popular, de Campinas, SP, pediu uma entrevista. Achei que fosse algo corriqueiro, para alguma coluna pequena, mas a quantidade de perguntas não demonstrava isso. Na época eu ainda respondia como "OutsiderZ", que talvez nem mesmo o pessoal daquela época saiba, mas eu pronunciava OutsiderZê. O apelido era anterior aos scans, então não tinha nada a ver com ser uma espécie de fora-da-lei dos quadrinhos digitalizados.

Mas, voltando à entrevista, eu a concedi de bom grado. Quando recebi um exemplar (quatro, na verdade), não esperava pelo que vi. Duas páginas inteiras, no Segundo Caderno. Aquilo me deixou atordoado. E embasbacado. O repórter, Javé, que é também designer no jornal, pegou várias capas de gibis postados e fez uma moldura em cada página. O visual era muito melhor que minhas respostas.

Mas, por incrível que pareça, não tenho mais nenhum exemplar. Distribui três para os amigos e a minha cópia eu perdi para a chuva. Coloquei-a numa moldura envidraçada, mas acidendalmente pegou chuva, penetrou água, e destruiu. As outras três cópias estão espalhadas e talvez nem existam mais, já que faz mais de nove anos. Essa é a grande importância que dou a toda aquela "fama", entre aspas. Ou apenas sou um desastrado mesmo.


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Em outubro, ainda de 2003, voltava às bancas do Brasil a revista Wizard. Como os scans ainda estavam em pauta, foi alvo da coluna de estréia de Sidney Gusman. Porém, diferente da Herói +, a coisa toda era colocada em uma luz desfavorável. E, obviamente, não citava o Rapadura Açucarada e nenhum outro site. Seria contraproducente, já que a intenção era desencorajar o download. Dizer quem fazia seria o mesmo que entregar o ouro.

Outra citação ao RA que me lembro, dessa época da Era de Ouro dos scans, foi no jornal a Folha de São Paulo. Desta vez sim, apenas um pequeno artigo num canto do caderno Fanzine (ou algo assim). Recortei, guardei e fiz o favor de perder também. Não sou um bom colecionador de matérias sobre o RA. Tenho as duas revistas acima, que sempre perco na minha bagunça e mais uma da qual falo já, já.

Além dessas que cito aqui, nunca soube de nenhuma outra matéria. Tive convites para outras reportagens que não se concluíram. Lembro que, certa vez, respondi a um batalhão de perguntas de uma revista sobre informática a qual não lembro mais o nome. Quando fui ver a matéria, creio que dos 50 quilos que respondi, apenas 2 gramas estavam lá. Eu não consegui deixar de rir daquilo. A vaidade tem seu preço.

Claro que com a diluição do tema do RA, que agora não era apenas quadrinhos ou scans dos mesmos, esse tipo de atenção também foi sumindo. Não totalmente, já que no mundo virtual, sempre havia quem escrevesse algo, até mesmo contra. Lembro bem como certa vez, por causa das imagens de mulheres nuas e outras fotos lesbicamente artísticas, uma moça fez questão de fazer um artigo em seu blog, citando como o RA era repugnante. Essas coisas sempre me divertiam.

Mas, em agosto de 2006, o blog estaria em outra revista estreante, a Mundo dos Super-Heróis, na última página, no último páragrafo:


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Uma das coisas mais legais que já fiz para o mundo dos scans, foi o Dicionário Marvel. Não me parecia possível que um dia eu conseguisse as páginas que foram publicadas uma a uma, nas páginas das revistas de super-heróis, em formatinho, da Editora Abril, na década de 80. Eu mesmo já perdera as minhas, que estavam completas, há muito tempo. O pesquisador de quadrinhos e colaborador do RA, na época, Nikki Nixon, disse que me emprestaria o seu, que estava até encadernado. Eu disse, vou precisar arrancar as páginas, não dá pra fazer de outro modo. Ele deu OK e enviou pelo correio. Depois de improvisar uma capa, saiu o que pode ser baixado aqui.

Não, eu não mudei de assunto. O fato é que quando saiu o primeiro número de Mundo dos Super-heróis, que é publicada até hoje, o editor da revista teve como tema, em sua coluna, na última página, o Dicionário Marvel, até mesmo mostrando o seu, encadernado. No último parágrafo citou o que foi feito aqui no RA, para que as pessoas pudessem procurar e fazer o download.

Apesar da citação rápida, foi importante para mim. Afinal deixava claro qual o objetivo dos scans: encontrar e preservar. Mesmo HQs mais recentes - ou traduzidas antes mesmo de estrearem aqui, se estrearem - estão sendo preservadas. Tenho certeza que muitos tem a cópia virtual do Dicionário Marvel, como uma forma de nostalgia, mais do que para ler, já que suas informações estão defasadas demais. Eu sabia disso quando o fiz, mas isso não diminuiu meu entusiasmo em digitálizá-lo. A citação em uma revista de tal qualidade, só serviu como um pagamento simbólico. Mas estes pagamentos não são o objetivo, são apenas consequências bem-vindas.


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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Epicuro, O Sábio


EPÍCURO, O SÁBIO
Filosofia do Jeito que o Nerd Gosta


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Estava eu na Livraria Saraiva, no Botafogo Praia Shopping, olhando a mesma estante de quadrinhos que sempre olho quando estou lá. As HQs são diversas, mas já antigas para mim. Ficam sempre ali, apertadas umas contra as outras sem muita arrumação. Ou, se teve arrumação algum dia, esta já se foi, com tantos e tantos nerds mexendo e remexendo atrás de algum novo lançamento.

Não que não haja lançamentos, claro que há, mas são escassos. Assim sendo, se você vai lá todo fim de semana, já sabe o que tem de cor. Então, enfio minha mão aleatoriamente e puxo uma edição que penso ser um livro de RPG (eles deixam HQs e livros de RPGs misturados, numa falta de organização que só se vê naquela seção). Logo percebo que não pode ser de RPG, já que na capa 4 personagens estranhos, ao estilo cartoon, sorriem para você.

Olho para a parte superior e vejo o título: Epicuro, O Sábio. Olho para a parte inferior e vejo os autores. Quando me deparo com o segundo nome, já decidi - em minha mente - que vou comprar a edição sem nem mesmo saber do que se trata exatamente. O nome é Sam Kieth. O primeiro nome - William Messner Loebs - também não me é estranho, mas confesso que na hora não lembro de nada sobre o mesmo.

Eu ia comprar a HQ sustentado apenas na confiança que tinha no talento de Sam Kieth, esperando que o resto fosse bônus. O artista foi co-criador de Sandman, junto com Neil Gaiman. Só isso seria suficiente para validar a obra. Mas, ele ainda criou The Maxx, personagem que não é muito conhecido por aqui, mas que os fãs de quadrinhos sabem bem quem é. Já emprestou seu traço a heróis e anti-heróis como Batman, Lobo, Wolverine e outros.

Folheio o livro e logo percebo que minha decisão quase incosciente de comprá-la estava certa. A arte de Kieth transborda pelas páginas. E, se estou parecendo um nerd babão falando assim, é porquê foi exatamente assim que fiquei na hora. Viro o livro e leio a sinopse, entendendo que é algo sobre filosofia, gregos, e etc. Mas, a parte que mais me chama a atenção, é uma citação: "Lembra dos filmes de Bill e Ted? As aventuras do trio (Epicuro, Platão e Alexandre) de Messner-Loebs e Kieth são mais inteligentes e engraçadas".

E, falando agora do que se trata o gibi, Epicuro é um filósofo que quer ter sua própria escola de filosofia, mas que está tendo dificuldades para isso, seja por esbarrar com Sócrates, que monopoliza a filosofia na área, seja por ter de toma contar de um Alexandre que ainda não é O Grande, mas - como um filme da Sessão da Tarde - apronta altas confusões.

Seu único amigo de verdade é o também filósofo Platão que, apesar de grande amigo, é um fervoroso "fã" de Sócrates, e quer porque quer agradá-lo de toda maneira, assim como todos os outros filósofos da área. Porém, Sócrates só trata como ser humano a Aristóteles, seu aluno.

No entanto, Epicuro tem problemas mais sérios com que se preocupar: os deuses. Hades, Hera, Zeus, Apolo e Dionísio. Por toda as 168 páginas, Epicuro tem que livrar os outros e a si mesmo da ira de tais deuses, com suas paixões, ciúmes e luxúrias. Isso tudo sem deixar de continuar lutando para ser um ilustre filósofo.

Devo confessar que nunca antes me diverti tanto com Filosofia. O texto de William Messner-Loebs (roteirista de quadrinhos tradicionais de super-heróis) é bem humorado e inteligente. A linguagem dos personagens "traduzida" para o nosso modo de falar comum, incluindo gírias como "playboizinho", entre outras, faz a coisa toda ficar mais surreal.

O mais incrível de tudo é a HQ não ser um lançamento, mas já estar no mercado há mais de dois anos, tendo sido editada pela Conrad, com capa dura e papel couché, com direito a extras e tudo mais. Um tesouro que faz por merecer seu preço salgadinho de 54,00.

Talvez eu seja apenas desinformado e todo mundo conheça Epicuro, o Sábio. Mas, sei que realmente fazia tempo que eu não lia algo tão divertido, com uma arte tão arrojada e fazia tempo também que eu não usava a palavra "arrojada" em uma frase.

Li em dois tempos e resolvi fazer este post para que quem não conhece, saiba da existência de tal publicação. Ou da não existência, se formos nos pautar por alguns filósofos, é claro.

Os Soldados de Terracota


A TUMBA DO IMPERADOR - STEVE BERRY
Cotton Malone e Cassiopeia Vitt de Volta a Ação

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Steve Berry é um produto da era Dan Brown de livros de aventuras históricas. Seu primeiro romance foi publicado em 2003, ano da publicação do sucesso mundial, Código Da Vinci. O escritor até mesmo tem um livro publicado envolvendo história católica, chamado O Terceiro Segredo, sobre as visões de Nossa Senhora de Fátima, mas sem o mesmo impacto do livro mais famoso de seu, digamos, mestre.

Além de tudo, parece que Berry até mesmo tem a benção de Dan Brown sobre sua carreira de escritor, notoriamente inspirada e calcada no sucesso deste. Não que Steve Berry seja um plagiador. Digamos que ele é um excelente aluno. E, diferente de Dan Brown, que escreve um livro a cada passagem do cometa Halley, Berry se propôs a escrever um livro por ano ou mais, já que ele acumula 13 livros escritos desde 2003, dez deles já publicados por aqui. E a produção intensa não faz com que os textos caiam de qualidade.

Em A Tumba do Imperador, o agente Cotton Malone que Berry criou em O Legado dos Templários e já foi o personagem central de vários livros, está de volta. Malone é um ex-agente secreto dos EUA que vive agora como vendedor de livros raros em Copenhague, Dinamarca. Porém, sempre é retirado de sua condição pacífica por algum incidente envolvendo conspirações mundiais. Desta vez é sua amiga bilionária e arqueóloga, Cassipeia Vitt, quem o leva de volta ao perigo.

Malone recebe um recado de que deve acessar um site específico. Nele assiste, ao vivo, sua amiga sendo torturada e uma voz ordenando que ele entregue o que Cassiopeia deixou aos seus cuidados, senão ela morre. Cassiopeia ainda consegue gritar que Malone não entregue nada, antes que o vídeo se encerre. Totalmente chocado com o que viu, Malone tem um problema ainda maior: Cassiopeia Vitt não deixou nada com ele. Assim sendo, ele não faz a mínima ideia sobre o que ela está falando. É o começo de uma aventura envolvendo a luta pelo poder na China.

Cassiopeia se envolveu e foi capturada após tentar ajudar a encontrar o filho de um amigo seu, Lev Sokolov, um russo que mora na China. Para resgatar o garoto, Cassiopeia precisava de um lampião chinês, uma relíquia arqueológica, para barganhar com os sequestradores do menino. Quando vê que podem tomar o objeto dela e não entregarem o menino, ela o esconde. Dizer que estava com Malone foi apenas para ganhar tempo e, quem sabe, sim, envolver seu amigo nesta aventura. E é o que Malone faz, indo atrás de salvar sua amiga, pela qual nutre sentimentos não tão bem definidos.

Tudo isso porém, é apenas um pequeno pedaço de algo muito maior. Os minitros da China Ni Yong e Karl Tang estão envolvidos em uma disputa para decidirem quem será o próximo primeiro-ministro. Para isso, o lampião que Cassiopéia Vitt escondeu precisa ser ecnontrado pois é parte essencial de algo que mudará o destino da China perante o mundo e, consequentemente poderá mudar o mundo.

Por milhares de anos mantendo-se isolada, a China foi sempre auto-suficiente, até que precisou se relacionar com o mundo e precisou, também, de recursos que não possuía em grande escala. Isso a tornou dependente. O lampião, e o que está dentro dele, pode mudar tudo. Como será usado, depende da perssonalidade desses dois homens que disputam o poder.

Karl Tang acredita na força, como forma de governar, como muitos antes dele, e fará de tudo para chegar onde quer. Ni Yong é moderado, mas sua moderação poderá ser sua ruína. A batalha entre esses dois homens pega Cassiopeia Vitt e Cotton Malone, como um tornado que agarra uma casa. Se serão destruídos no processo, dependerá de qual dos dois vencerá.

Além de tudo, existe Pau Wen, um idoso chinês que mora fora da China, e que, no entanto, parece estar manipulando a todos, desde os dois ministros até Cassiopeia e Malone, para que seus próprios interesses sejam alcançados. Pau Wen saqueou vários artefatos antigos e levou consigo para Antuérpia, seu novo lar. Distante da China há tanto tempo, é estranho que esse homem se interesse tanto por querm será o primeiro ministro. O lampião que dá início a tudo, foi roubado dele, por Cassiopéia. Mas, como ele já havia roubado da China, nem chega a ser um roubo, propriamente dito.

Em todo imbroglio ainda temos Viktor Thomas, um agente duplo, ou triplo, que trabalha para Karl Tang, mas pode, na verdade estar trabalhando para os russos, ou os americanos, ou talvez apenas para si mesmo. Ele parece nutrir algo por Cassiopeia Vitt. Já, Cotton Malone nutre apenas ódio por Viktor, devido a problemas no passado e, também, pelos novos percalços pelos quais Viktor os faz passar.

E, onde entra a Tumba do Imperador nisso tudo? Bom, é lá que todos precisam chegar, para que o destino da China seja decidido. E, quem sabe, entendido.


domingo, 25 de novembro de 2012

Looper


LOOPER: ASSASSINOS DO FUTURO
Exterminador do Futuro Encontra Duro de Matar


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Vou tentar falar do que eu entendi de Looper sem soltar spoilers. Eu adoro o tema viagem no tempo, e quando me deparo com filmes bem feitos sobre o assunto, fico realmente empolgado. Looper é um desses, apesar de eu não ter entendido direito algumas partes. Talvez precise assistir novamente. Não chega a ser um Donny Darko no quesito quebrar a cabeça, mas me confundiu algumas vezes, mesmo eu tendo gostado muito, principalmente em alguns pontos importantes.

Mas, vamos lá. O filme versa sobre o ano de 2044, nesta época já se sabe que dali a 30 anos, as pessoas poderão viajar no tempo, e isso será ilegal. Porém, no futuro se torna complicado, para os cartéis criminosos, se livrarem de corpos, então o que fazem? Ora, mandam as pessoas de quem querem se livrar para o passado, para 2044, onde os tais loops, os eliminam, por uma certa quantia em prata que já vai com a "mercadoria" a ser eliminada.

Claro que para que essas pessoas que estão no "passado" saibam de tudo isso e se tornem loops, um chefão do crime foi enviado para o passado (do filme) e os arrebanhou e treinou, assim como tomou o poder da cidade. Como diz Joe (ainda jovem) "isso seria uma grande coisa, se fosse outra cidade". Outra coisa curiosa no enredo é que chega um momento em que o loop tem que, digamos, aposentar a si mesmo, quando ele é enviado do futuro, para ser assassinado por si mesmo, e só pode ser por si mesmo. Um tipo de prova de fidelidade. A partir daí, ele sabe que terá apenas mais 30 anos de vida, então terá que curtir esse tempo ao máximo sabendo que um dia morrerá pelas próprias mãos. Isso não é um spoiler, fica claro, depois de alguns minutos de exibição.

Algo a mais que se pode dizer é o que fica claro até no poster do filme: logo o Joe de trinta anos a frente (Bruce Willis) é enviado para que o Joe de 2044 (Joseph Gordon-Levitt) elimine-o. O problema é que em 30 anos, as pessoas mudam, claro. As pessoas que são enviadas para o passado para serem mortas já chegam "empacotadas" e os loopers só tem que atirar.

Em dois casos, veremos que isso acabará não funcionando. No caso de Seth, personagem de Paul Dano e, claro, no caso de Joe. Mas, temos essa chance de ver as coisas darem errado no caso de Seth, para vislumbrar as consequências disso. E não são nada bonitas. A caçada ao Seth do futuro agora envolve capturar o Seth do presente. É uma das sequências mais interessantes e assustadoras do filme.

Quando é a vez de Joe matar seu eu do futuro, tudo dá errado, e ele consegue escapar de si mesmo. Neste momento, passo a não entender o filme muito bem, pois a sequência onde o jovem Joe espera seu eu mais velho, para matá-lo, se repete e dessa vez ele consegue! Pensei que fosse sonho, mas não é. Dali em diante o filme mostra os próximos 30 anos da vida de Joe em poucos segundos, até o momento em que ele vai para o passado para ser morto. Ou seja, os eventos subsequentes da vida do jovem Joe, para que ele chegue a ser o velho Joe, dependem de ele ter sucesso em matar a si mesmo.

São como duas linhas de tempo que agora correm juntas. Coisa que só o Doc poderia explicar melhor.

Uma coisa é fato, nada mais será como deveria ser, na vida de Joe, a partir do momento que ele falha em matar seu eu mais velho, e ele começa uma caçada a ele mesmo. Ao escapar, o Joe mais velho não está apenas tentando salvar sua vida, ele também deseja mudar seu futuro. Porquê e como, não dá pra dizer. Digo apenas que envolve o chefão do crime do futuro, a vida do Joe mais velho na China, uma mulher chamada Sara (que coisa, não?) e 3 crianças. Melhor parar por aqui.

O filme parece fazer referências casuais, sem estar realmente plagiando. Tanto que, a certa altura, o chefe do jovem Joe, o homem que veio do futuro, diz para que ele pare de copiar a roupa de certo filme, mas não diz qual é. Creio que seja Mad Max, não tenho certeza. Algumas referências são claras, outras podem ser apenas coincidência.

A caracterização de Joseph Gordon-Levitt para parecer um Bruce Willis mais jovem, é fantástica. Em muitos momentos ele está a cara do ator, principalmente reproduzindo seus trejeitos faciais. Algum trabalho de maquiagem também foi feito, claro.

O final do filme deixa algumas perguntas temporais que, como diz o velho Joe, são de "estourar os olhos". Mas, estas perguntas são como aquelas dos filmes de ação, tipo, "porque o cara simplesmente não atira na cara do sujeito, em vez de ainda amarrá-lo para que ele veja todo seu plano (não) dar certo?" São perguntas que se, respondidas, faria com que o filme terminasse nos primeiros 5 minutos de exibição.

sábado, 24 de novembro de 2012

Até o Groo Foi!


GROO NO ANIVERSÁRIO DO RA
Com um resumo pelo Bardo


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FILMES QUE ASSISTI NOS ÚLTIMOS DIAS
E se foi tempo perdido ou não


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Muitas vezes assistimos a documentários que revelam a origem ou como são feitos certas coisas: lápis, relógios, computadores e etc. Mas, algumas coisas não são tão populares assim na mídia, mesmo que o sejam na curiosidade humana. É o que se dá com o vibrador. Já ouviu alguém se perguntando como o mesmo surgiu? Não, claro. Bom, o fato é que Hysteria é um filme sobre a criação do aparelho que substitui o homem, quando necessário. Curiosamente o filme é uma comédia romântica. Não, não é sobre o romance entre uma mulher e seu vibrador. A criação do dito objeto é quase subjetiva no filme, ficando espaço para o médico que o cria e a filha rebelde do seu padtrão, dono da clínica de ginecologia onde Mortimer Granville trabalha. O filme garante boas risadas. E, mesmo com um final deliciosamente óbvio, diverte bastante. 7.3


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ParaNorman é sobre o jovem Norman Babcock, que pode ver e falar com os mortos. Sim, sim, é como seria Sexto Sentido se fosse engraçado. E é engraçado. Por ter esse talento Norman sofre o bullying de praxe e faz poucos amigos, entre eles o gordinho Neill. Mas, as coisas só vão piorar, pois Norman recebe de seu tio - que tem os mesmos poderes que ele - a incumbência de apaziguar a bruxa que amaldiçoou a cidade, centenas de anos atrás. Se Norman não conseguir, os mortos se levantarão do túmulo. E, claro, ele não consegue. Se conseguisse não teríamnos diversão alguma. Agora, cabe ao garoto salvar a cidade. O filme é feito em claymation (ou seja, filme de massinha) com toques de animação computadorizada. Dá um pau em muito filmeco de comédia e terror atual. 7.8


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O urso de pelúcia Ted virou até meme. Aparentemente fez sucesso, não sei o quanto. Assisti ao filme sem esperar muita coisa, já que sabia pouco sobre ele. Quando vi, nos créditos, que o diretor e roteirista era Seth McFarlane, de Uma Família da Pesada, percebi que a coisa era mais "séria" do que eu imaginava. Depois que o garoto John Bennet faz um pedido mágico, seu urso de pelúcia passa a falar, para espanto geral da nação. Claro que depois de passados 20 anos, isso não espanta mais ninguém e cai no esquecimento. Porém, os dois continuam amigos como sempre foram... atrapalhando o relacionamento de Bennett com Lori Collins (Mila Kunis). Entre as trapalhadas do urso e de seu amigo, irritando Lori, há cenas memoráveis como a incrível paródia da paródia de Os Embalos de Sábado a Noite e o endeusamento do filme Flash Gordon, com direito a partipação especial do ator Sam Jones, o eterno Flash Gordon. 7.0


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Confesso, nunca fui fã do Batman de Christopher Nolan.Mas, até aí, nunca fui fã do Batman de Tim Burton e muito menos do Batman de Adam West. Todos tem os seus poréns. Confesso também que O Cavaleiro das Trevas foi o melhor de todos os filmes do Batman, mesmo eu não gostando do Batman de Nolan. E só. Ainda está para vir um Batman que seja saído das páginas dos quadrinhos e não um que seja "realista", como se um cara com uma armadura preta e máscara de morcego fosse realista. Este terceiro talvez seja o mais irritante, perdendo apenas para Batman Eternamente e Batman e Robin. Como se não bastasse a voz terrível que o Bale faz quando põe a roupa do Batman, agora tínhamos a voz terrível do Bane. As referências a HQs como O Cavaleiro das Trevas, Terra de Ninguém e outras garantem alguma diversão para o nerd mediano, nada mais. O mais engraçado é que assim como pensei que não ia gostar do Coringa de Heath Ledger, e gostei, o mesmo se deu com a Mulher-Gato da Anne Hattaway. Ela foi a personagem que mais gostei no filme. Agora é sentar e esperar para que apareça alguém que convença os produtores a fazer um Batman de verdade. 6.0

P.S.: Essa é apenas minha opinião, e sei que ela é minoria. Não precisam tentar me doutrinar para o Caminho de Nolan, afinal gostei muito de Memento e Inception.
:)



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

E Depois do Aniversário


DEZ ANOS DE RAPADURA AÇUCARADA - CAPÍTULO FINAL
Mas, e depois do fim do F.A.R.R.A., o que houve?


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Com o fim do F.A.R.R.A., voltei a dar mais atenção ao Rapadura Açucarada. Porém, não conseguia mais postar scans aqui, como vinha postando no fórum. Eu precisava de organização. Tinha me viciado nisso durante o tempo que gerenciei o F.A.R.R.A. Misturar textos e scans não parecia mais certo. Passaram-se alguns dias e o meu "bicho de compartilhamento" começou a dar suas picadas novamente. E, agora havia um agravante: filmes.

Eu pegara o gosto por compartilhar filmes, tanto quanto o fazia com os scans. Isso tudo por causa do fórum. Voltar com o F.A.R.R.A. como ele era antes, era algo que não iria acontecer, isso já estava mais do que confirmado. Mas, colocar filmes aqui no RA, também não era uma opção. Só serviria para bagunçar mais ainda o coreto. Então, a coisa mais óbvia a ser feita era... criar um novo blog.

Baseado em um episódio ocorrido comigo, nos bastidores do fórum, eu batizei o blog de filmes de Divina Flor da Papaia Celestial e lá comecei a disponibilizar o que eu tinha no meu arquivo. Não seria tudo que havia no F.AR.R.A., pois o que havia lá era disponibilizado por dezenas de pessoas e eu não baixava tudo para mim. Se baixasse não teria onde guardar, tal era o volume.

O Divina Flor foi bem por um tempo. Mais um filho do Rapadura Açucarada que tomava forma. Mas, devido a algum problema que não lembro agora qual foi, tive de deletá-lo. Talvez eu tenha pensado que a perseguição continuava e o deletei sem me certificar antes. Talvez o nome, ainda ligado ao fórum, não tivesse dando sorte. Então recomecei com um novo nome: Supersônico a Carvão. E durou bem mais. Ou seja, durou até o Megaupload ser retirado de circulação. Ainda tentei com torrent, mas eu precisava por os torrents em algum lugar, que era o Mediafire, e este, deletava tudo, depois de algumas semanas. Irritado com aquilo, parei de vez. Sem o Megaupload, era impossível continuar. Desisti dos filmes.


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Paralelamente à criação do Papaia Celestial, eu também criei um blog para os scans. Não queria pôr tudo no mesmo lugar, novamente por motivos de organização. Mas, ao mesmo tempo estava me complicando em termos de gerenciamento. Algo que nunca gostei foi ter vários blogs, e nunca os tive, até então. Mas, o fim do Megaupload resolveria isso, me deixando apenas com o blog de scans.

Apesar de gostar do nome Aspas Noir, eu não achava que combinava com um blogquadrinhos. Diferente de onde eu colocava filmes, que eu não me importava se o nome fazia referência ao conteúdo, com o de scans isso me incomodava. Então, sem trocar o nome no endereço, mudei o nome para Onomatopéia Digital. Também precisava de um banner que fizesse realmente diferença, eo Coringa, do blog Coringa Files fez aquele que identifica o blog até hoje.

Agora me sentia mais confiante, tendo apenas um blog para scans e o Rapadura Açucarada, para textos e qualquer outra coisa que me desse na telha. Eu voltava aos velhos tempos, mas sem aquela sensação de urgência que existia no começo. Com tantos e tantos blogs, fóruns e sites - de quem recolho material e posto no OD - eu podia apenas ser mais um na multidão, sem me preocupar com mais nada. Isso também me dava tempo para fazer scans aqui e ali.


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Ainda tenho o Tumblr Uma Coisa Viva e Pulsante e o meu perfil no Facebook que preenchem algo que eu costumava fazer muito no RA: colocar imagens. Os dois citados são os melhores lugares para se fazer isso, deixando o RA mais lindo, leve e solto. Assim o blog que agora faz dez anos sempre foi algo mais independente, quase com vontade própria. Sempre competindo com o Hulk pra ver quem tem mais fases diferentes.

E este post é o capítulo final, não da história do RA, que ainda continua, mas dessas fases até aqui. Espero continuar por muito e muito tempo. E, para lembrar que o RA é o lugar dos scans, aqui abaixo vão alguns dos melhores que foram feitos, depois do fim do F.A.R.R.A. e postados no Aspas Noir/Onomatopéia Digital (para baixar, clique nas capas):


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dez Anos de Rapadura Açucarada


HOJE O RAPADURA AÇUCARADA COMPLETA 10 ANOS DE EXISTÊNCIA
E para comemorar, Watchmen: Edição Definitiva


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Para baixar, clique aqui


E chegamos ao grande dia, quando em 21 de novembro de 2002, nascia o Rapadura Açucarada, sem pretensão alguma de durar nem mesmo um ano. E, aqui chegou com ou sem pretensões. Nos vários artigos anteriores a este, contei a trajetória do blog, faltando apenas o último capítulo a ser escrito em breve. Neles se pode ver que o blog tem história para contar e, mesmo desacelerando, fez jus aos dez anos que permanece na rede.

Para comemorar, eu achava que deveria ser com algo muito especial, e creio que a edição definitiva de Watchmen cumpre esse requisito. Junto com Camelot 3000, a HQ de Alan Moore foi um dos motivos pelo qual eu quis colocar scans por aqui. Lembro que o site que me inspirou, o Toca do Carcaju, anunciava que em breve colocaria Watchmen para download, porém foi obrigado a fechar antes disso. E eu, assim como os muitos que o acompanhavam, ficamos chupando o dedo.

Assim que comecei com os scans por aqui, logo coloquei Camelot 3000, uma HQ que está entre as minhas dez preferidas. Ela foi fácil de encontrar. Fui à extinta Gibimania do Marquinhos, na Tijuca e lá estavam os volumes encadernados da Editora Abril, que levei todos. Já com Watchmen a coisa não foi tão fácil assim, e demorou bastante até que eu conseguisse a HQ para digitalizar. E aconteceu de um modo inusitado. Alguém me emprestou.

Digo inusitado porque emprestar quadrinhos é uma coisa, emprestar para que sejam escaneados é outra, haja visto que podem ser avariados no processo. Na época, já surgiam vários outros lugares que colocavam scans, inclusive fóruns. Então, Kakô, o dono do recém-criado fórum GibiHQ entrou em contato comigo e perguntou se poderia colocar os scans que eu vinha fazendo em seu fórum. Eu disse que não havia problema.

Como ele morava a alguns bairros de distância de onde moro, acabamos por nos encontrar para conversar mais sobre quadrinhos e scans. Lá, ele me mostrou sua coleção de umas 3.000 mil ou mais HQs. Entre elas estava as 12 edições de Wathcmen, de quando a Editora Abril publicara a saga pela terceira vez. Como Kakô não escaneava por falta de tempo, me dispuz a levar emprestada algumas das HQs e escaneá-las tanto para o RA quanto para o GibiHQ.

Watchmen é a única que lembro com mais certeza, das que eu trouxe. Afinal, eu lera a HQ pelo menos 13 anos antes daquele ano em que eu estava segurando-as nas mãos novamente. Era muito tempo e eu estava ansioso não só para escaneá-la, como para relê-la.

Como as edições eram no formato brochura, com um papel grosso, consegui escanear sem problema algum, mantendo-as intactas. Finalmente eu tinha seguido o caminho em que o Toca do Carcaju tinha parado.


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A esquerda o scan novo e a direita o antigo
Clique para ampliar


Assim sendo, a história do RA sempre vai me remeter a Watchmen. A primeira vez que ouvi falar da minissérie, foi em 1988, ano de seu lançamento aqui no Brasil. Eu caminhava pelas ruas de Madureira, bairro próximo ao local onde eu trabalhava e ao qual ia, após o expediente, para comprar quadrinhos, e em um desses que eu acabara de comprar, a propaganda sobre uma HQ chamada Watchmen, me chamou a atenção.

Estávamos em uma época de revolução nos quadrinhos, sendo que eu lera Batman - O Cavaleiro das Trevas, no ano anterior. Esperar que algo superasse aquilo, era pedir demais. Porém, a própria DC estava se encarregando disso, na forma dessa nova minissérie que a Editora Abril publicaria em seis edições. Eu estava ansioso para que chegasse logo às bancas.

Além de Cavaleiro das Trevas, eu já me fartara com Crise nas Infinitas Terras, Batman - A Piada Mortal, Elektra Assassina, e outras HQs que faziam a festa da década de 80. Mas, nada me preparara para Watchmen. Se a visão de Frank Miller do Homem Morcego tirava definitivamente dos quadrinhos o estigma de "coisa de criança", Watchmen era a oficialização disso.

Li as seis edições como se fossem necessárias a minha sobrevivência e, claro, não entendi 1% do que estava implicado ali, pois ainda precisaria ler mais vezes em várias fases da minha vida, para absorver tudo. E, ainda lerei outras vezes mais.

O fato é que não considero haver melhor modo de comemorar os dez anos do blog, senão disponibilizando a edição definita de tal HQ. E espero que gostem. Pelo menos aqueles que são fãs deste quadrinho.

No mais, espero continuar por aqui ainda por muito tempo. Se serão mais dez anos, aí só o tempo é que dirá. Mantenham-se vigilantes.


domingo, 18 de novembro de 2012

Dia 21 de Novembro: 10 Anos de RA


DEZ ANOS DO RAPADURA AÇUCARADA - PARTE VI
O Retorno do Jedi? Não, a Volta dos Scans


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Estávamos em fins de 2004 e eu trabalhava com meu tio, Sálvio, em uma ilha de edição de vídeos. O blog era aquele amontoado de textos, links, poesias e mulher pelada. Há mais de um ano eu não colocava scans, a não ser por uma tentativa ou duas, de modo anônimo. O ano que se passara parecia uma eternidade. Ver tanta gente se empenhando em fazer scans, me deixava ressentido de ter parado. Mas, a paciência para resolver problemas de alocação de arquivos ainda era bem pouca. Só que, o novo trabalho estava me influenciando, despertando.

Como auxiliar na ilha de edição, um dos meus trabalho era - adivinhem o quê - escanear! Eu escaneava fotografias que seriam inseridas em certos vídeos específicos. Estava de volta ao velho aparelho digitalizador. E, claro, isso foi atiçando minha vontade de escanear HQs, novamente. E, quando foi lançado o encadernado de O Reino do Amanhã, não consegui mais resistir. Tive que recomeçar. Era o que podemos chamar de A Era de Prata dos scans, que coemeçara com o fim dos scans no RA e continuara com os blogs, sites e fóruns que apareceram por essa época.

O blog entrava em uma nova fase. Como alguém disse certa vez, em um blog que não lembro agora o nome: o RA tinha mais fases que o Incrível Hulk. Tendo me acostumado aos textos que escrevia, ao voltar com os quadrinhos digitalizados, não os deixei de lado. Agora o blog era uma amalgáma da primeira e segunda fase, criando uma terceira, exatamente como em alguma história em quadrinho de super-heróis.


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Nesta segunda fase dos scans, alguns projetos foram feitos com muito afinco e carinho. Novamente apareceram pessoas para ajudar, se prontificando a escanear, traduzir e/ou letreirar. A Revista Animal foi completada, assim como o mangá ultracult, Akira. Os 66 números de Preacher foram feitos entre scans de revistas em papel e traduções e letreiramentos de scans em inglês. Era como se não tivesse se passado um ano. A força era ainda maior.

Outras HQs que haviam começado aqui, continuavam em outros blogs, com seus grupos de tradução, as mais importantes sendo The Walking Dead, Y - The Las Man, Fábulas, Planetary, The Authority, entre outras.

De um certo modo foi a época mais duradoura dos scans aqui no blog. Cheguei mesmo a perder a noção do tempo. Meses se passavam, daqui a poucos eram anos, e quando fui ver já estávamos em 2007. Porém, esse tempo todo uma realidade era imutável, desde o primeiro scan postado aqui: os arquivos eram apagados sem dó nem piedade, como o são até hoje. Qual seria afinal a solução? Haveria, enfim uma?

Bom, o jeito seria começar uma farra.


DEZ ANOS DE RAPADURA AÇUCARADA - PARTE VII
Há muito tempo em uma F.A.R.R.A. muito distante...


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O nome F.A.R.R.A. nasceu muito antes do próprio fórum em si. Nasceu durante uma guerra, a guerra dos scans. Que nada mais era do que uma picuinha entre grupos de scans, incluindo o RA. Em uma das brigas tolas, resolvi nomear um exército revolucionário fictício para esta guerrilha. O que significava a sigla nessa época, talvez fosse algo como Frente de Ataque dos Revolucionários do Rapadura Açucarada, mas não tenho certeza. Se perdeu nas brumas da memória. Depois de a guerrinha ter sido esquecida, a sigla também foi. Até certo dia de abril de 2007.

Eu discutia com uma amiga, via MSN, os problemas que ainda recaíam sobre o blog, no que dizia respeito a servidores confiáveis para uploadear os scans. HDs virtuais eram deletados; Rapidshare e Megaupload (que na época era bem ruim) deletavam os arquivos a todo instante e, assim, parecia que os scans estavam fadados a terminar mais uma vez, aqui no RA.

Ela então disse: e porque você não faz um fórum? Lá, mesmo que tudo fosse deletado, as pessoas que integrassem o fórum, ajudariam a repor, logo em seguida. Não seria mais o trabalho para uma só pessoa.

Eu argumentei que detestava fóruns. A minha pouca experiência com eles sempre foi assustadora, encontrando pessoas tão estranhas e idiotas quanto parecia ser possível, ou impossível. Só de pensar em ter de lidar com gente assim, dava arrepios. Mas, a semente foi plantada e eu fui dormir com aquela ideia na cabeça. Até mesmo algo se acendeu, enqaunto eu tentava dormir, e pensei: eu poderia usar aquela antiga sigla, F.A.R.R.A., só que agora fazendo um certo sentido. Seria o FÓRUM DE AGRUPAMENTO DOS REVOLUCINÁRIOS DO RAPADURA AÇUCARADA.

Claro que o "revolucionários" do título era mais para que uma letra fosse ocupada em "FARRA" do que ter realmente um sentido de revolução, já que scans não eram mais nenhuma novidade. Mas, outro problema se apresentava: eu nunca fizera um fórum antes. E não queria que terceiros o fizessem para mim, pois eu não teria o controle necessário. Então, fiz a única coisa que podia, saí a procura de sites para montar um fórum grátis.

Lembro que não foi de primeira. Devo ter feito umas três tentativas em sites diferentes. Minha inaptidão era patente. Eu realmente não sabia como lidar com toda aquela parafernália. Quando consegui me estabilizar em um site, minha amiga - Juliana - voltou a me ajudar. Agora para montarmos o que deveria ser o braço distribuidor de scans do Rapadura Açucarada. E assim começamos.

Era a primeira vez que o RA gerava um "filho" direto, legítimo. E, aos poucos, a coisa foi tomando forma. Mas, quando comecei a abrir as seções para cada tipo de quadrinho, por editora e tudo mais, senti que parecia meio vazio. Não me senti confortável com apenas algumas seções de quadrinhos. Resolvi que teríamos umas seções para mais do que apenas downloads de scans. Abri seções para bate-papos, notícias, vídeos e tudo mais. Como o download de filmes, séries e desenhos era uma coisa já estabelecida, resolvi que quem quisesse, também poderia colocar para download o que gostasse, e abri uma única seção para isso. Foi aí que, digamos, eu errei. Quer dizer acertei, pelo menos por três anos. Mas também seria meu erro.

Em pouco tempo eu me vi engolfado pelo prazer de colocar não apenas scans, mas filmes, séries e desenhos animados, para download. Eu, que mal sabia baixar um filme. Aos poucos, o número de pessoas aumentou descontroladamente, chegando, por fim, a mais de 100.000. Tudo isso sem ganhar um único tostão, como sempre foi a politica do RA, antes do forum.

O F.AR.R.A. superou o seu criador, o RA, e se tornou uma força não apenas para downloads de scans, filmes e etc, mas de uma coisa mais importante, de fraternidade. Sim, mesmo parecendo piegas, as pessoas que participavam ativamente se tornavam parte de uma família. Haviam os que participavam ajudando com material, e muito material, e haviam os que estavam ali sempre apoiando, discutindo e incentivando.

Os scans quase sumiram dentro dessa nova era. Se tornaram um parte em um grande todo. E tudo durou exatos três anos. Depois que terminou, foi como se tivessem se passado apenas três meses. E, porque terminou?

Bom, claro que algo tão grande assim chamaria a atenção. E logo começou uma campanha invisível para que os sites que hospedavam o fórum dessem ultimatos sobre o conteúdo. Precisamos mudar de local para hospedagem, e a mesma coisa aconteceu. Em poucos dias, mudei de local umas quatro vezes e, quando mesmo hospedado na Rússia, conseguiram deletar o fórum, vi que era hora de desistir. De fechar mais um ciclo.

Mas, em parte foi necessário, isso tenho que confessar. Lidar com tantas pessoas, sendo que muitas delas queriam apenas uma coisa, bagunçar, era difícil e extremamente estressante. Para alguém com o sistema nervoso como o meu, quem quer que tenha feito a perseguiçao, acabou me prestando um favor, já que por mim mesmo, talvez eu nunca conseguisse parar. E minha saúde iria pro espaço. Era o velho "há males que vem para o bem", entrando em ação.

O fórum ainda existe, podem vez aí ao lado o link do A.R.R.A.F., que renomeei assim, para deixar claro que é algo diferente do que era. Não existem os downloads, mas as pessoas que se apegaram ao fórum independente de downloads, queria que ele continuasse, então, passei a bola para eles.

E foi assim que em meados de 2010 eu voltava a atenção exclusivamente para o Rapadura Açucarada. Porém, depois de três longos anos sem scan, ele acabou acostumando-se a isso, permanecendo apenas com textos ocasionais e como a matriz do que viria depois do F.A.R.R.A. Algo como o lugar de onde se expandiam minhas ideias.

Quais foram essas ideias? No próximo e útltimo capítulo, ficaremos sabendo.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Pausa Para Um Conto


NÃO É ASSIM QUE FUNCIONA
Só preciso me concentrar e acordar


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Me vejo em um lugar deserto, e não me lembro onde estava antes. Estou perto de uma rodovia, mas carro algum passa por ali. Tento me lembrar como vim parar aqui, mas não consigo. Estranhamente tudo parece cinza. E, mais estranho ainda, eu me vejo, como se fosse outra pessoa a me observar. Toda essa falta de ação, de pessoas e de carros, me faz chegar a uma conclusão que não me assusta, apesar de me causar um sentimento incômodo: estou sonhando.

Quando entendo isso, me sinto preso. Penso, só preciso me concentrar e acordar. Não demora muito para que eu ouça uma resposta, dada por mim mesmo: não funciona assim. Mas, assim como?

Não consigo acordar porque estou no estágio mais profundo do sono. Por mais que eu ache que deva acordar, não vou conseguir sozinho. Chegar a conclusão de que estava sonhando foi um acidente. Talvez devido a falta de um tema para este sonho em particular. Sinto uma certa solidão e impotência. Também curiosidade em estar sonhando, e saber que é tudo um sonho. Mas, não há nada a ser explorado, nem lugar para ir. É um sonho monótono. Como sairei daqui? Se eu me esforçar consigo acordar, tenho certeza.

Não, não funciona assim.

Estou em um ponto de ônibus. Uma chuva fina cai e eu, sentado, me recosto. Acabo cochilando e sonhando. No sonho eu já estou dentro do ônibus ao qual ainda estou esperando enquanto durmo. Me sento ao lado de uma moça muito linda. Ela me olha e me diz: você está sonhando. Ela aponta para fora da janela, para a frente e quando o ônibus passa, vejo que estou sentado, recostado e cochilando. A cena logo fica para trás. Percebo que estou sonhando, realmente.

Acordo com alguém tocando em meu ombro. Estou no ponto de ônibus e a mesma moça está parada, em pé, ao meu lado. Ela me olha e diz: você ainda está sonhando. Não consigo entender como pode ser. Então tento acordar de uma vez. Tento abrir os olhos e me encontrar deitado em minha cama. Ela olha para mim com um sorriso enigmático e diz:

- Não é assim que funciona.

Estou de volta à padaria onde trabalhei e onde era o único funcionário, além do dono. Perdi as contas de quantas vezes voltei aqui. Por que sempre vou embora e volto? Por que não consigo seguir em frente? A resposta vem em seguida.

Tudo se embaralha, e de repente muda. Não estou mais na padaria. É algum tipo de lugar como o Mundo de Oz ou o País da Maravilhas, só que tão ofuscante que dói aos olhos. Então entendo. Estou sonhando. Consegui permenecer entre a transição de um sonho para outro, como se passasse por uma porta. Vejo que arrastei o dono da padaria comigo, que olha para aquilo tudo como se soubese que está no sonho errado. Tampouco eu sei porque o sonho mudou tão radicalmente.

Tento sair dali, saltar para algum outro sonho, mas percebo que isso não depende de mim. Pelo menos não do eu que sabe que aquilo que é um sonho. Depende do eu que está dormindo. Então, enquanto ando por entre seres estranhos, como gnomos, fadas esquisitas e muitas árvores de cores berrantes, penso em tentar acordar. Como se ouvisse o que estou pensando, um dos duendes diz:

- Nunca funciona desse jeito, camarada.

Estou encostado a uma parede. Alguém está com um revólver apontado para minha testa. O que aconteceu?como cheguei até aqui? O que levou a esta situação? Pareço fadado a nunca descobrir. Nem mesmo o braço e o resto do corpo que porta o revólver consigo enxergar. Apesar de estar lá, eu não sei quem ou o que é. Não sei porque isso está acontecendo. A situação é tão absurda que só pode ser um sonho. E eu preciso acordar. Mas sei que não funciona assim.

Penso tudo isso em menos de um segundo, que é o tempo que levo para entender que a mão vai puxar o gatilho. E puxa. Escuto um BLAM. Tudo escurece e eu estou morto. Morto, morto, morto. Escuridão. Tanta escuridão.

Acordo sem ar, logo em seguida ao tiro. Não sei quanto tempo estive morto. Parece que se passou uma eternidade entre o tiro, a escuridão e o acordar. A sensação de morrer... tento não lembrar. Mas tudo ainda está fresco demais na memória, como sempre ficam os sonhos, assim que se acorda.

Sei que desta vez estou acordado, sinto minha pele fria, devido ao susto. Por questão de microssegundos, pensei que não fosse acordar. Ao mesmo tempo não sei como fui capaz de pensar isso, se estava "morto".

Paro de pensar nisso tudo e saio da cama. Quando dou três passos, acerto o dedo mindinho no móvel mais próximo e a dor insuportável me faz ter certeza de que estou acordado. Agora está tudo funcionando normalmente.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Da Infância aos Scans


O LONGO CAMINHO DA INFÂNCIA AOS SCANS
Tantas influências que pavimetaram o caminho até aqui


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Além das influências virtuais que me fizeram virar um digitalizador de quadrinhos, há várias muito mais antigas, e que a muitas delas já me referi aqui no blog. Minha mãe sendo uma delas, talvez a mais forte. O que é irônico, já que ela mesma nunca leu uma revista em quadrinhos. Mas, ela sabia que eu gostava de ler, e alimentou isso como pôde. Mas, não foi apenas ela, posso dizer que foi todo um conjunto de coisas e pessoas. E isso continuou até mesmo durante e depois dos scans.

Meus tios e tias, por parte de pai, eram uma verdadeira fonte de inspiração no que dizia respeito a gibis. Uma das lembranças que mais guardo com carinho é de uma de minhas tias chegando com um monte de HQs e me entregando. O mais interessante é que tenho certeza que eu não sabia ler ainda. E, mesmo assim, ela não pensou duas vezes em entregar a mim aquele tesouro.

Porém, na mesma lembrança, há uma "trauma": meus dois tios mais novos, por saberem que eu não lia ainda, tomaram os quadrinhos e escolheram cada um os que mais lhes agradavam e ficaram com os mesmos. Claro, sem que minha tia soubesse e não lembro de ter contado. Mas, não foram tão maus assim, deixaram um gibi para mim, Riquinho, o que eu menos gostava e, creio eu, eles também.

Esses dias vi que Riquinho voltou a ser publicado. Ao vê-lo nas bancas, lembro e acho graça dessas memórias tão distantes.

As histórias em quadrinhos fazem tão parte da minha vida, que parece que para onde olho, no passado, elas estão sempre lá, em alguma parte, em algum momento. Claro, com exceção do malfadado período de 1990 a 1997, onde fui abduzido por uma maldita religião e parei de ler esses anos quase todos. Mas, antes não. Antes, era como se quadrinhos estivessem am cada canto e, por um tempo, isso foi até literal. Eles estavam em cada canto.


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Meu pai nunca foi apreciador de quadrinhos. Ele gostava muito era de livros de bolso de faroeste que, naquela época, eram quase uma febre. Eu detestava. Ou achava sem graça aqueles livrinhos sem figuras. Também não gostava de faroeste, o que não deixa de ser irônico, haja visto eu ter criado Jerusalem Jones, um pistoleiro com aventuras no Velho Oeste.

Meu pai e minha mãe não ficaram juntos por muito tempo. Quando eu tinha 8 anos de idade, eles se separaram. O tempo passou mais um pouco e ganhei um padrasto que, para minha sorte, era um ávido leitor de gibis. Sem falar que era só dizer que eu queria tal edição, que ele me dava grana para ir comprar. Me pergunto se era para mim ou para ele. Afinal, eu ainda não era um colecionador. Lia e largava para lá.

Uma das edições que mais tenho lembrança da época de meu padrasto, é um Disney Especial, Os Cosmonautas. Ele me deu o dinheiro e eu disse, vou ali comprar. O que ele não sabia era que não havia banca de jornal perto. Todos os gibis que ele trazia, eram comprados longe, perto de seu trabalho. Ele nunca se deu conta de que no bairro, não havia banca de jornal nenhuma. Então o que fiz? Oras, eu andei. Andei muito.

Para piorar, não tinha na banca que era a mais "próxima". Então andei mais ainda, esquecendo que o tempo estava passando, e que eu era um garoto de uns 9 anos de idade. Eu dei uma volta de 360 graus enorme. Não voltei pelo mesmo caminho. Isso fez com que demorasse mais ainda. E, quando cheguei em casa, todos estavam mortos de preocupação. Minha mãe chorava e brigava e eu nada escutava. Estava extasiado com meu Disney Especial, que creio eu, devia ter sido meu primeiro gibi com tantas páginas. Tudo o mais era sem importância.


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Uma das lembranças mais truncadas que tenho é sobre as edições gigantes da EBAL, Super-Homem X Muhamad Ali e Super-Homem X Homem-Aranha. Eu era muito novo ainda, e por isso essas lembranças se embaralham. Sei que li estas duas edições - e creio que a edição Super-Homem X Mulher Maravilha - e lembro que todas elas eram muito grandes. Para meu tamanho então, eram enormes.

Como criança que era, fiquei intrigado ao ver um personagem fictício enfrentando alguém do mundo real, Muhamad Ali, mesmo que eu não consiga entender como eu conhecia Ali, naquela idade e num tempo em que TV era coisa escassa lá em casa. A edição em que ele trava combate com o Homem-Aranha também me deixou muito surpreso, pois eram os meus personagens preferidos, de editoras diferentes, se encontrando.

Minha memória se confunde no sentido de que não sei se essas edições foram minhas ou emprestadas. Só tenho a certeza de que as li. Nenhuma edição que veio depois, pela editora Abril, superou essas da EBAL. Mesmo assim, a edição contra Muhamad Ali nunca foi republicada, até que a pouco tempo a Panini a reeditou, em uma edição de luxo. E, claro, eu a adquiri em nome da nostalgia.

Uma cena que vem à mente sempre que lembro dessa época, sou eu esperando a hora de entrar na escola, com a revista Super X Ali, aberta, lendo. Devorava cada detalhe, rezando para que o sinal não batesse logo. Eu com a revista aberta devia ser uma cena no mínimo hilária, já que ela era tão grande que me cobria pela metade. Então o sinal toca, eu guardo a revista e vou para a sala de aula, pensando em boxe em outros planetas.


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Mais adiante no tempo, porém ainda no meu tempo de criança, uma família resolve comprar o terreno vazio, que fica ao lado de nossa casa. Achava impossível que aquele terreno, naquela área sem graça, um dia fosse vendido e ocupado. A família era composta de pai, mãe, filho e filha. Para minha alegria, um deles gostava de gibis e sempre que vinha, trazia. Era o filho? Não, o pai. Ele sempre trazia revistas que trocávamos. Lembrando hoje, era algo surreal. Ele era gerente de uma casa de material, e eu e meus irmãos só nos referíamos ao mesmo como "O Gerente", já que nunca lembrávamos seu nome.

Para piorar (ou melhorar), sua filha era linda e, claro, eu estava perdidamente apaixonado. Era bom demais para ser verdade, uma paixão e gibis que vinham do mesmo lugar. E, é verdade, estava bom demais para ser verdade mesmo. Antes de começar a construir, eles desistiram do lugar e revenderam o terreno. Perdi duas paixões de uma cajadada só, gibis aos montes e uma garota linda.

O tempo passa e começo a comprar eu mesmo meus gibis, com o dinheiro que ganho, trabalhando em um armazém. Quando mudo de emprego e vou trabalhar perto da única banca de jornal que realmente tem todos os gibis que quero, aí começo mesmo uma coleção de verdade. Eu tinha doze anos nessa época e o gibi de que mais tenho lembrança desse tempo, é Superaventuras Marvel #1, por ser a primeira revista número um que compro em minha vida.


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Assim, dos 12 aos 15 anos eu amealho umas 500 revistas que vão desde Marvel, DC, Espada Selvagem de Conan, até Disney e Turma da Mônica. Eu comprava tudo que tivesse quadrinhos. Creio que a excessão eram os fumettis, Tex e Zagor. Eu ainda tinha preconceito com o faroeste e, somente depois que adquiri algumas edições dos mesmos com um rapaz que vendia gibis usados na rua, foi que percebi que eu havia perdido muito tempo.

Mesmo depois que me desfiz da minha coleção - para comprar uma bicicleta - eu não parei de adquirir, fosse nas bancas ou em sebos improvisados. Também trocava com os amigos, e muitas vezes eu conhecia a pessoa mais por causa dos gibis, mas não era realmente amigo delas. Trocávamos aqueles que queriamos e depois cada um para o seu lado, para ler. Mas, claro que havia pessoas das quais eu era amigo e os quadrinhos cimentavam mais ainda a amizade.

Outra lembrança que tenho, relacionada aos quadrinho, é de estar na casa de um amigo - que não lia quadrinhos - e ver, jogada em um sofá, uma HQ do Thor, em inglês, da fase de Walter Simonson. Eu nunca vira, ao vivo e a cores, uma HQ importada. Peguei a revista e fiquei olhando aquilo, com uma certa reverência. O fato de ela ser totalmente diferente, em formato, do que eu estava acostumado a ler - pelo menos no caso de revistas de super-heróis - me fazia estranhá-la e, ao mesmo tempo, ficar curioso. Decidi então que ia traduzi-la. Sim, ia traduzi-la sem saber um pingo de inglês.

Consegui um pequeno dicionário de português-inglês e realmente tentei. Não consegui passar da primeira página e, frustrado, desisti. Mal sabia eu que um dia faria aquilo novamente, não traduzindo, mas revisando traduções e letreirando HQs que não tínhamos em português.


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E, mesmo que eu tenha parado de ler gibis por um tempo, por motivos imbecis, como religião, na verdade eu nunca deixei de estar ligado a eles. Quando voltei a ler, aos poucos, as coisas foram caminhando para que chegassem onde chegou, ou seja, aqui, ao Rapadura Açucarada e aos scans, que me abriram horizontes muito mais amplos do que os que eu tinha antes. Todas as minhas experiências anteriores foram os tijolos que construíram o meu gosto pelo mundo das HQs, e esse caminho me trouxe a um lugar com muito mais estradas e opções. Não havia mais apenas os supér-heróis, ou os quadrinhos Disney, ou qualquer outro quadrinho a que eu estivesse acostumado. Ao procurar para levar aos outros, eu encontrei para trazer a mim mesmo. E o resto se tornou história.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Dia 21 de Novembro: 10 Anos de RA


JAMES CARTAGO'S SCI-FI STORIES: FRAGMENTOS
Como o Proto-site RA Prosseguiu sem Digitalizações

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O aventureiro James Cartago gostava de viajar pelo espaço e hiperespaço, sem se apegar a lugar algum. No entanto, entre os vários planetas que já visitara, um deles tinha um certo apelo e Cartago sempre voltava àquele lugar tranquilo: Nostalgic 1. O planeta era exatamente isso, um lugar nostálgico. Era possível encontrar ou vivenciar experiências antigas. Era muito útil a pesquisadores do passado e, acreditem, até mesmo do futuro. Nostalgic 1 não se restringia ao passado.

Umas das formas mais primitivas de obter conhecimento ali, era justamente de uma forma arcaica e, portanto, nostálgica: escutar velhas histórias sentados so redor de uma fogueira. E, foi assim que, depois de falar com seus amigos e estar já um pouco exausto, que Cartago resolveu escolher um dos acampamentos onde contadores de histórias desfiavam suas narrativas sobre o passado, o presente e o porvir.

Quando se instalou entre o círculo de pessoas (e não-pessoas) que ouviam a história que uma espécie de monge contava, notou que ela já estava avançada. como não tinha nada melhor para fazer, resolveu que escutaria assim mesmo, pois estava com um pressentimento de que gostaria. Skip, seu cão, se deitou e seu lado e deu um suspiro profundo, olhando para a fogueira que, apesar de holográfica, produzia calor. A noite estava fria e a fogueira era aconchegante. Cartago se sentou ao lao de uma menina centuriana e de um gigante peludo de Mitrêiades. Estavam hipnotizados pela história do estranho monge:

"... e foi assim que o blog parou com as revistas digitalizadas. Depois de vários meses disponibilizando aqueles velhos meios de entretenimento terrestre chamados quadrinhos, Eudes resolve que não há mais como continuar com os scans, devido a dificuldade de colocá-los para o arcaico método de aquisição, chamado download. Também, uma leve perseguição tivera início. Porém, foi o cansaço, aliado a esses problemas que o fizeram parar. E agora, o que seria do estranho Rapadura Açucarada, que em arcadiano significa "aquele lugar onde nem eu nem você entramos sem meias", mas há controvérsias quanto a isso.

O blog parecia fadado a morrer. A razão de sua existência se tornara os ditos scans e continuar sem eles, parecia algo impossível. Porém, o proto-site Rapadura Açucarada se recusava a morrer. O seu proprietário, Eudes, começou a disponibilizar tudo que encontrava pela web. Links de tudo que pudesse ser de inutilidade pública, já que era isso o que movia aquela primitiva versão da rede de computadores terrestre. Os terráqueos aqui presentes talvez saibam disso." - Cartago acenou levemente que sim.

"Colocar links não era nenhuma novidade, mas o público que fora arrecadado através dos scans, permaneceu, pelo menos a grande maioria. E os links serviam como fonte de distração. E, do mesmo modo que se dedicara aos scans, Eudes se dedicava a caça de novos e melhores links. O blog ia ganhando um novo aspecto e as pessoas nem mesmo perguntavam mais pelos quadrinhos. Mas, apenas links poderia ser ao mesmo tempo cansativo e monótono para o público e pare ele mesmo. Como um ser em constante mutação, o blog ganhava contornos diferentes a cada nova semana, mês, ano..

Eudes começou a colocar imagens eróticas, o que deixava os humanos do sexo masculino um tanto quanto agitados. Também começou a escrever textos diversos: memórias, contos de terror, ficção-científica e, pasmem, poemas. Sim, ele teve a coragem de colocar poemas, mesmo sabendo que seria motivo de piada para alguns de seus leitores. E, claro, isso aconteceu. Mas, nada que não pudesse ser contornado.

Apesar de também fazer resenhas de filmes, livros e quadrinhos, o blog voltara a ser como no início, antes dos scans, um lugar sem um tema central. E era assim que ele gostava. Poderia parecer que isso estava fadado ao fracasso, mas o contrário acontecia. Mais pessoas apareciam, fosse devido aos links, aos textos, às poesias, ou simplesmente devido às, vulgarmente falando, mulheres peladas. Como se não existissem sites-integrais sobre o assunto.

A coisa toda parecia estar dando tão certo ainda, que Eudes foi chamado para escrever em dois sites especializados. Um em entretenimento e outro em informática. No primeiro ele escreveu mais tempo, o Sobrecarga, e no segundo - que minhas fontes não conseguiram resgatar o nome- escreveu pouco, já que nada entendia de informática e até mesmo achou estranho o convite. Fez o que pode em dois ou três textos.

O homem parecia destinado a estar agregado ao seu proto-site por muito tempo. Assim, o tempo passava e o blog mutava. Deixando de lado os links, que se tornaram trabalhosos e cansativos de reunir, passou a escrever mais e por mais tempo. Deve ter escrito quase sua vida inteira, em vários e vários pequenos textos. Fazia algo bem parecido ao que fazemos aqui, só que de forma mais pessoal.

E assim prosseguiu até o dia em que o chamado dos quadrinhos digitalizados foi mais forte. Mas essa é uma outra história. Ainda falando sobre seus textos, Eudes acabou criando vida. Ou seja, personagens a quem se apegou e que passava a escrever constantemente sobre eles. Um deles, o mais constante, era um pistoleiro chamado Jerusalem Jones. As histórias se passavam no oeste do antigo Estados Unido da América, em alguma época do século 19 ou 20, não lembro bem. O outro era um aventureiro espac..."

O comunicador de James Cartago soltou um som agudo, um alarme, assustando a todos e calando o monge. Era seu sinal de chamado de emergência. Sabia que devia desligar todos os aparelhos de comunicação ao estar em Nostalgic 1, mas aquele ele não podia. Sentia os olhos acusadores sobre ele, enquanto se afastava, com Skip em seu encalço, feliz.

Na verdade, sentiu alívio que o comunicador tenha tocado. Estava se sentindo estranho ao fim da história e pensou ter visto o monge encará-lo, por baixo daquele capuz que escondia seus olhos. Correu para seu veículo, sua retro-moto, mas ainda olhou para trás, e pensou ter visto o monge a olhá-lo de longe, enquanto continuava sua história. Achou que estava vendo coisas, mas parecia que ele usava óculos e sorria maliciosamente para Cartago.

Nunca mais o encontrou.

********************

No próximo capítulo, sem James Cartago: O Retorno dos Scans.


PETER PARKER E SUA COLEÇÃO DA LULUZINHA
Um trauma nos 10 Anos do RA


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domingo, 11 de novembro de 2012

E no Mundo Real?


E A VIDA NO MUNDO REAL
Enquanto o RA Nascia e Crescia?


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Acontecimentos que tiveram seu início em 1990, quando eu tinha 19 anos, teriam uma resolução durante a criação e ascenção do blog. Se foi coincidência ou não, nunca saberei com certeza.

Eu já estava casado há três anos, quando iniciei o Rapadura Açucarada. Desempregado, por causa justamente desses fatos de 1990, eu passava um bom tempo me dedicando ao blog e, exatamente por isso, ele cresceu tão rápido e teve tanto conteúdo nos meses de 2003. Outra coisa que acontecia durante essa época era que eu voltava a estudar, depois de uns dez anos afastado. Mas, e o que aconteceu em 1990?

Naquela época, eu estava trabalhando na Indústria de Massas e Biscoitos Piraquê. Meu primeiro trabalho de verdade. Por sorte fiquei na seção de material de embalagem, longe dos fornos e etc. O trabalho era pesado no início, mas depois se tornou mais burocrático, pelo menos para mim, depois que fui promovido. O que parecia ser uma melhora, pode ter sido o causador de uma espécie de surto, que me deixou com algo que eu não soube identificar de imediato.

Obs.: se tem problemas de ansiedade grave, não seria bom ler o que se segue.

Talvez tenha sido o estresse de acordar às 4 da madrugada, pegar dois ônibus e ter de chgar no trabalho às 6 hrs, sem poder chegar um minuto atrasado, aliado ao trabalho que se tornara burocrático, onde eu conferia todo material usado no dia anterior, vendo também o que fora estragado e fazendo cálculos e mais cálculos. Além disso, toda essa conferência ia parar nas mãos de ninguém menos do que um dos três donos. Isso era mais um fator estressante: o medo de errar.

Não posso dizer com absoluta certeza, mas é a minha teoria que, devido a tudo isso, eu entrei em colapso e teve início uma série de crises que durariam 12 anos. Isso mesmo. Fez as contas? Elas param exatamente em 2002, quando eu começo a entrar de cabeça no blog. Mas, que crises eram essas?

Na época, se a internet existia, era só um embrião, em algum lugar obscuro, para nerds obscuros. O fato é que, mesmo sem nunca ter lido nada sobre o assunto, eu sabia que estava tendo crises de pânico. Talvez fosse a natureza das crises: o medo. Medo de estar ficando louco, medo de estar morrendo, medo de nunca mais ficar bem novamente.

Lembro tão bem da primeira crise que é como se ela tivesse acontecido ontem. Eu terminara de almoçar no refeitório do trabalho. Já me sentia estranho. Não entendia tudo que as pessoas falavam. Não sabia o que era aquilo e isso me deixava nervoso. Quando estava escovando os dentes, o mundo desabou e eu fui junto. Minha mente entrou em uma espécie de pane. Eu olhava, nas não entendia o que eu via. A mesma coisa para o que eu escutava. Isso deve ter durado uns 10 a 15 segundos. Mas, para mim, parecia uma eternidade. Quando os segundos terminaram, eu apaguei. Não lembro que apaguei, mas ao acordar, entendi que tinha apagado.

Tinham me levado para as escadas, e me davam água. Eu sentia um gosto estranho na boca, e perguntei o que era. Me disseram que erasal. Pensaram que eu estava com pressão baixa. Tudo era muito estranho. Eu ainda não estava bem. Parecia um sonho. Fui levado para a enfermaria e fiquei lá até me sentir bem e voltar ao trabalho. Mas, os dias que se seguiram mostraram que aquela era a primeira de muitas.

Para louvor da Piraquê, posso dizer que nunca me despediram por causa dessa minha nova condição. E olha que ainda tive muitas crises estando lá. E fui levado de maca para a enfermaria muitas vezes. Mas, ainda trabalhei dois anos ou mais. Fui despedido por corte de pessoal, mesmo que a alegação tenha sido atraso.

O que entendi das crises era que o momento em que eu apagava, eu realmente não desmaiava, mas entrava em convulsões. Aquilo me confundiu. Eu achava que era Síndrome do Pânico, mas as convulsões eram um quadro epiléptico. E, foi assim que durante os 12 anos seguintes eu fui tratado, como epiléptico. O fato de que os tratamentos não funcionavam, me diziam que alguma coisa estava errada. Ou que, na verdade, alguém estava errando, no caso, os médicos.

Mesmo médicos particulares se mostravam inéptos. O tratamento era o usual, e ninguém entendia que o que eu tinha, não era algo a que estavam acostumados. Até hoje não entendem. Sempre que eu descrevia os sintomas, acaba indo parar em médicos neurologistas que só me entupiam de remédios para as convulsões, sendo que ninguém se importava com os relatos sobre o pânico que eu sentia, logo antes de apagar.

Nem mesmo quando eu dizia que tinha crises em que eu não pagava e, portanto, não entrava em convulsão, eles não se mostravam interessados. Para piorar, os exames diziam que eu tinha uma epiplepsia, mas apenas com "discretos sinais de disfunção cortical de caráter inespecífico". Era como se eu não tivesse quase nada, falando de modo claro. Porém, as crises não eram "discretas". As convulsões eram fortes e o pânico anterior a elas, mais ainda.

E os anos iam passando e os médicos também. Fui perdendo o ânimo. Uma última tentativa foi uma triagem num centro psiquátrico da UFRJ, chamado IPUB, na Zona Sul do RJ, lugar que eu não sabia ainda, mas iria morar lá perto em breve. Mas, tudo deu errado. Na triagem, ao relatar os sintomas, aconteceu o que já acontecia há uns 10 anos. Me mandaram para outro lugar, para receber tratamento neurológico, voltando a tomar remédios que não faziam as crises parar, apenas serem mais espaçadas, no máximo.

Mesmo assim eu fui. Depois de uns meses indo e apenas recebendo as receitas rabiscadas apressadamente, por médicos sem interesse algum no paciente, eu parei. Desisti. Resolvi aceitar que minha condição era permanente. Ah, o que esqueci de dizer foi que, como minha primeira crise começou durante uma refeição, lá na fábrica, quase todas as subsequentes aconteciam quando eu fazia uma refeição completa. Almoçar ou jantar se tornara uma fobia. Mas, nenhum médico se importou com isso. Para eles, eu era apenas epiléptico e pronto.

Claro que, em 12 anos eu entendi o que eu tinha: era uma junção de Síndrome do Pânico e epilepsia. A primeira acionava a segunda. Mas nenhum médico entendia isso, apenas porque nunca tinham visto isso antes. Então, eu me casei no ano de 2000, e fui morar bem próximo ao tal IPUB, que tinha me despachado uns anos antes.

Durante os primeiros anos de casado, as crises diminuíram, mas não desapareceram. Diferente da Piraquê, outros trabalhos que tive não resistiam à primeira crise, e eu era mandado embora. Não posso culpá-los. A visão da crise podia ser perturbadora, e ninguém ia querer se responsabilizar se eu sofresse algum acidente. Apesar de ser só durante as refeições e eu fazer apenas lanches, isso não era garantia de que não teria uma crise.

Então chegamos ao momento em que começo a me imiscuir no RA, a gostar de ser blogueiro. Ainda no começo, sem os scans, eu já me divertia com isso. Tomava meu tempo. Na mesma época, não lembro exatamente quem, mas me disseram que eu deveria voltar ao IPUB. Creio que talvez tenha sido alguém que não sabia que eu já tinha ido lá. E foi o que eu disse à pessoa, eu já fui lá e não deu certo. Mas, depois de um tempo, eu pensei, ah, quer saber, estou morando tão perto, dá para ir a pé, não custa nada tentar só mais essa vez.

Depois de ter uma crise enquanto estava sozinho no apartamento, essa idéia de voltar lá se tornou mais forte. Mas, eu faria diferente dessa vez.

O IPUB - Instituto de Psiquiatria da UFRJ - é especialista, entre outras coisas, na Síncrome do Pânico. Eu sabia que se, na triagem, eu repetisse tudo que tinha dito da primeira vez, aconteceria o mesmo, eu seria mandando para tratamento neurológico. Então tomei uma decisão: eu ia omitir os sintomas da epilepsia, citando apenas aqueles que eu já entendia, serem de uma quadro de pânico. E, elementar, meu caro Watson, funcionou. Eu estava dentro.

Quando tive certeza que não tinham como voltar atrás, contei todo meu quadro. Pela primeira vez em 12 anos, alguém me receitava um remédio específico para Síndrome do Pânico e, poucos meses depois, pela primeira vez em 12 anos, eu estava almoçando, aqui mesmo, em frente ao computador, enquanto cuidadva do RA, sem medo algum.

Enquanto almoçava, peguei o telefone e liguei para minha mãe, que foi quem mais presenciou minhas crises e cuidou de mim. Quando ela atendeu o telefone, eu parei de mastigar e disse:

- Mãe, tenho uma notícia para dar. - Ela ficou confusa, talvez achando que eu ia falar que a Lia estava grávida, mas aí eu completei - Eu tô almoçando. Tô comendo e não tô sentindo nada demais.

Senti quando ela prendeu a respiração e em seguida começou a chorar e eu, claro, chorei também, pois sou um manteiga derretida, acreditem. Fiquei feliz em dar essa notícia a ela, que sempre buscou comigo uma solução para o problema.

Tudo isso, na mesma época que comecei o blog. Quando ele estava no auge, lá nos primeiros meses de 2003, eu não tinha mais resquício de crises. Em 10 anos de blog e de tratamento, só tive umas 3 ou 4 crises sérias e nada mais. Geralmente por falta de remédios regularmente.

Por mais que eu saiba que o medicamento tenha sido, finalmente receitado corretamente e que o efeito tenha sido em poucas semanas, eu ainda acho que o blog, a forma como eu passei a me dedicar a ele e aos scans, tudo isso, pode ter ajudado, como uma espécie de terapia de ocupação. Infelizmente os médicos lá continuam sem se importar com a raridade da minha condição, talvez porque sejam médicos residentes, e ficam apenas dois anos cada. Não se comprometem com algo que é apenas temporário. Não sei. Mas, posso dizer que creio terem sido as duas coisas combinadas, o tratamento e a dedicação irrestrita ao blog, que me fizeram melhorar tanto, algo que parecia impossível, depois de tantos anos.

E, claro, o apoio da Lia, que está ao meu lado todo esse tempo em que me trato por lá.

Para pessoas que quiserem mais informações sobre o IPUB, como endereço, telefone e tratamentos, é só clicar
AQUI.


QUEM RAPADUREIA A RAPADURA?!
Um mistério para o detetive Rorschach


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