domingo, 25 de novembro de 2012

Looper


LOOPER: ASSASSINOS DO FUTURO
Exterminador do Futuro Encontra Duro de Matar


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Vou tentar falar do que eu entendi de Looper sem soltar spoilers. Eu adoro o tema viagem no tempo, e quando me deparo com filmes bem feitos sobre o assunto, fico realmente empolgado. Looper é um desses, apesar de eu não ter entendido direito algumas partes. Talvez precise assistir novamente. Não chega a ser um Donny Darko no quesito quebrar a cabeça, mas me confundiu algumas vezes, mesmo eu tendo gostado muito, principalmente em alguns pontos importantes.

Mas, vamos lá. O filme versa sobre o ano de 2044, nesta época já se sabe que dali a 30 anos, as pessoas poderão viajar no tempo, e isso será ilegal. Porém, no futuro se torna complicado, para os cartéis criminosos, se livrarem de corpos, então o que fazem? Ora, mandam as pessoas de quem querem se livrar para o passado, para 2044, onde os tais loops, os eliminam, por uma certa quantia em prata que já vai com a "mercadoria" a ser eliminada.

Claro que para que essas pessoas que estão no "passado" saibam de tudo isso e se tornem loops, um chefão do crime foi enviado para o passado (do filme) e os arrebanhou e treinou, assim como tomou o poder da cidade. Como diz Joe (ainda jovem) "isso seria uma grande coisa, se fosse outra cidade". Outra coisa curiosa no enredo é que chega um momento em que o loop tem que, digamos, aposentar a si mesmo, quando ele é enviado do futuro, para ser assassinado por si mesmo, e só pode ser por si mesmo. Um tipo de prova de fidelidade. A partir daí, ele sabe que terá apenas mais 30 anos de vida, então terá que curtir esse tempo ao máximo sabendo que um dia morrerá pelas próprias mãos. Isso não é um spoiler, fica claro, depois de alguns minutos de exibição.

Algo a mais que se pode dizer é o que fica claro até no poster do filme: logo o Joe de trinta anos a frente (Bruce Willis) é enviado para que o Joe de 2044 (Joseph Gordon-Levitt) elimine-o. O problema é que em 30 anos, as pessoas mudam, claro. As pessoas que são enviadas para o passado para serem mortas já chegam "empacotadas" e os loopers só tem que atirar.

Em dois casos, veremos que isso acabará não funcionando. No caso de Seth, personagem de Paul Dano e, claro, no caso de Joe. Mas, temos essa chance de ver as coisas darem errado no caso de Seth, para vislumbrar as consequências disso. E não são nada bonitas. A caçada ao Seth do futuro agora envolve capturar o Seth do presente. É uma das sequências mais interessantes e assustadoras do filme.

Quando é a vez de Joe matar seu eu do futuro, tudo dá errado, e ele consegue escapar de si mesmo. Neste momento, passo a não entender o filme muito bem, pois a sequência onde o jovem Joe espera seu eu mais velho, para matá-lo, se repete e dessa vez ele consegue! Pensei que fosse sonho, mas não é. Dali em diante o filme mostra os próximos 30 anos da vida de Joe em poucos segundos, até o momento em que ele vai para o passado para ser morto. Ou seja, os eventos subsequentes da vida do jovem Joe, para que ele chegue a ser o velho Joe, dependem de ele ter sucesso em matar a si mesmo.

São como duas linhas de tempo que agora correm juntas. Coisa que só o Doc poderia explicar melhor.

Uma coisa é fato, nada mais será como deveria ser, na vida de Joe, a partir do momento que ele falha em matar seu eu mais velho, e ele começa uma caçada a ele mesmo. Ao escapar, o Joe mais velho não está apenas tentando salvar sua vida, ele também deseja mudar seu futuro. Porquê e como, não dá pra dizer. Digo apenas que envolve o chefão do crime do futuro, a vida do Joe mais velho na China, uma mulher chamada Sara (que coisa, não?) e 3 crianças. Melhor parar por aqui.

O filme parece fazer referências casuais, sem estar realmente plagiando. Tanto que, a certa altura, o chefe do jovem Joe, o homem que veio do futuro, diz para que ele pare de copiar a roupa de certo filme, mas não diz qual é. Creio que seja Mad Max, não tenho certeza. Algumas referências são claras, outras podem ser apenas coincidência.

A caracterização de Joseph Gordon-Levitt para parecer um Bruce Willis mais jovem, é fantástica. Em muitos momentos ele está a cara do ator, principalmente reproduzindo seus trejeitos faciais. Algum trabalho de maquiagem também foi feito, claro.

O final do filme deixa algumas perguntas temporais que, como diz o velho Joe, são de "estourar os olhos". Mas, estas perguntas são como aquelas dos filmes de ação, tipo, "porque o cara simplesmente não atira na cara do sujeito, em vez de ainda amarrá-lo para que ele veja todo seu plano (não) dar certo?" São perguntas que se, respondidas, faria com que o filme terminasse nos primeiros 5 minutos de exibição.

4 comentários:

Carlos disse...

Como vejo o filme (Com spoilers):

Evento primordial, condição sem a qual não há história: o Joe do passado mata o Joe do futuro a queima roupa e vai viver os trinta anos que lhe restam.

Evento dois: trinta anos se passam e, antes de ser enviado ao passado, Joe testemunha o assassinato de sua mulher. Entra em cena o Livre-arbítrio: ele muda a história, não se deixa ser vendado, mata meio mundo e vai, de livre vontade, ao passado.

Evento três: agora, o Joe do futuro não é morto pelo Joe do passado. Tudo agora é uma questão de livre-arbítrio. A história segue uma nova trilha, substituindo a antiga à medida que a presença do velho Joe causa impactos em 2044.

Evento quatro: um desses impactos é que a própria presença do Joe do futuro em 2044 desencadeia a origem do Rain Maker, o fututo poderoso chefão que irá dar um fim aos loopers - depois, ficamos sabendo que se tratará de vingança.

Evento cinco: uma segunda vez, o livre-arbítrio entra em cena - e o jovem Joe percebe que precisa se matar para impedir a existência de seu futuro eu; para impedir que suas ações destruam a vida de uma criança e a transformem num monstro.

Finale: Nesse filme, a possibilidade de paradoxos é eliminada com uma "realidade rígida, pró-histórica". Você pode se matar para matar seu eu vindo do futuro, mas não elimina os atos ou os efeitos dos atos de seu futuro eu. Os paradoxos apenas se aplicariam a uma "realidade plástica, não-histórica". A resolução dos paradoxos nessa realidade seria, provavelmente, a criação de novos universos e linhas de tempo. Não é o caso nesse filme.

Concluindo, o que move Loopers (e muda a história) é o livre-arbítrio, tanto do velho Joe ao não se entregar à morte no futuro, quanto do jovem Joe ao se entregar à morte em 2044.

Abs., Carlos

Eudes Honorato disse...

Cacildis, como o velho Joe falou, é de estourar os olhos, creio que era a isso aí que ele se referia.

Eu gosto muito do tema viagem no tempo, mas sou péssimo em tirar essas conclusões.

Valew, carlos!

Luís Fajardo disse...

Achei a trama brilhante, quanto a não-compreensão de Eudes: no momento que você vê a morte do velho Joe pelo seu eu 2044, é o ponto onde começa a ser mostrado como foi toda a linha temporal deste até avançarmos 30 anos e ele decidir que vai mudar sua história. O que achei muito bom na trama foi o não surgir de trocentas linhas temporais, ou seja, mesmo quando alguém do futuro estava no presente ele ia absorvendo todas as mudanças do eu presente, quer seja danos físicos ou memórias!! E como você disse, muito divertida a referência quanto alguém ser importante no futuro e no presente ter uma mãe chamada Sara!!!

Sylvio de Alencar. disse...

Eudes, muito bem feita a 'sinopse' do filme. Muito boa a caracterização do Lewitt, de fato.
Não tenho muita dificuldade em entender alguns filmes complicados, solto a imaginação e a compreensão vem por si (nem sempre).
Muito legal a presença e o comentário do Carlos.
Abraços.

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