quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mês de Aniversário: Artigo Bônus


RAPADURA AÇUCARADA: DO SCAN PARA O PAPEL
Deu na revista, deu no jornal, mas sempre foi hétero


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As coisas aconteciam muito rápido quando o Rapadura Açucarada começou: os scans sendo feitos às dezenas, as HQs traduzidas, os blogs e sites derivados proliferando e muita gente nos descobrindo todo dia. Que isso acabaria chamando a atenção da mídia era normal acontecer. Vários blogs e sites que eram desencanados com os scans, que não deviam nada às editoras, publicavam seus pontos de vista sobre o que estava acontecendo. Notícias on line sobre o que estava acontecendo eram até mesmo banais. Porém, eu não estava me dando conta de que isso também chegaria ao mundo "real". Quer dizer, à página impressa.

Quando aconteceu, foi alguém que me avisou que a Herói + Especial de maio de 2003, trazia um pequeno artigo. Não sobre o Rapadura Açucarada especificamente, mas sobre os scans e trazia uma lista de lugares onde eles poderiam ser baixados. Eram outros tempos e creio que hoje em dia, nenhuma revista sobre quadrinhos faria isso. O mais interessante é que ela listava até mesmo A Toca do Carcaju, mesmo o site não funcionando mais, e em primeiro lugar. Uma espécie de justiça poética. Por coincidência - ou não - o RA vinha logo em seguida.


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Mas, a atenção jornalísitica era uma faca de dois "legumes": fazia o ego inflar e, não posso negar, fazia um bem danado. Os scans - feitos do modo certo - não tem (ou não devem ter) nenhum tipo de retorno financeiro. Daí que um retorno em forma de reconhecimento, fazia com que valesse a pena. Mas, ao mesmo tempo, trazia uma atenção muito grande para algo mal visto pelas editoras. Só que isso era inevitável. Como estava sendo feito, os scans estavam saindo de um pequeno círculo de pessoas, uma panelinha que ficaria fazendo scans para que uma meia dúzia de pessoas pudessem ler e isso não era compartilhar.

Em junho do mesmo ano, o jornal Correio Popular, de Campinas, SP, pediu uma entrevista. Achei que fosse algo corriqueiro, para alguma coluna pequena, mas a quantidade de perguntas não demonstrava isso. Na época eu ainda respondia como "OutsiderZ", que talvez nem mesmo o pessoal daquela época saiba, mas eu pronunciava OutsiderZê. O apelido era anterior aos scans, então não tinha nada a ver com ser uma espécie de fora-da-lei dos quadrinhos digitalizados.

Mas, voltando à entrevista, eu a concedi de bom grado. Quando recebi um exemplar (quatro, na verdade), não esperava pelo que vi. Duas páginas inteiras, no Segundo Caderno. Aquilo me deixou atordoado. E embasbacado. O repórter, Javé, que é também designer no jornal, pegou várias capas de gibis postados e fez uma moldura em cada página. O visual era muito melhor que minhas respostas.

Mas, por incrível que pareça, não tenho mais nenhum exemplar. Distribui três para os amigos e a minha cópia eu perdi para a chuva. Coloquei-a numa moldura envidraçada, mas acidendalmente pegou chuva, penetrou água, e destruiu. As outras três cópias estão espalhadas e talvez nem existam mais, já que faz mais de nove anos. Essa é a grande importância que dou a toda aquela "fama", entre aspas. Ou apenas sou um desastrado mesmo.


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Para ler o artigo clique aqui


Em outubro, ainda de 2003, voltava às bancas do Brasil a revista Wizard. Como os scans ainda estavam em pauta, foi alvo da coluna de estréia de Sidney Gusman. Porém, diferente da Herói +, a coisa toda era colocada em uma luz desfavorável. E, obviamente, não citava o Rapadura Açucarada e nenhum outro site. Seria contraproducente, já que a intenção era desencorajar o download. Dizer quem fazia seria o mesmo que entregar o ouro.

Outra citação ao RA que me lembro, dessa época da Era de Ouro dos scans, foi no jornal a Folha de São Paulo. Desta vez sim, apenas um pequeno artigo num canto do caderno Fanzine (ou algo assim). Recortei, guardei e fiz o favor de perder também. Não sou um bom colecionador de matérias sobre o RA. Tenho as duas revistas acima, que sempre perco na minha bagunça e mais uma da qual falo já, já.

Além dessas que cito aqui, nunca soube de nenhuma outra matéria. Tive convites para outras reportagens que não se concluíram. Lembro que, certa vez, respondi a um batalhão de perguntas de uma revista sobre informática a qual não lembro mais o nome. Quando fui ver a matéria, creio que dos 50 quilos que respondi, apenas 2 gramas estavam lá. Eu não consegui deixar de rir daquilo. A vaidade tem seu preço.

Claro que com a diluição do tema do RA, que agora não era apenas quadrinhos ou scans dos mesmos, esse tipo de atenção também foi sumindo. Não totalmente, já que no mundo virtual, sempre havia quem escrevesse algo, até mesmo contra. Lembro bem como certa vez, por causa das imagens de mulheres nuas e outras fotos lesbicamente artísticas, uma moça fez questão de fazer um artigo em seu blog, citando como o RA era repugnante. Essas coisas sempre me divertiam.

Mas, em agosto de 2006, o blog estaria em outra revista estreante, a Mundo dos Super-Heróis, na última página, no último páragrafo:


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Uma das coisas mais legais que já fiz para o mundo dos scans, foi o Dicionário Marvel. Não me parecia possível que um dia eu conseguisse as páginas que foram publicadas uma a uma, nas páginas das revistas de super-heróis, em formatinho, da Editora Abril, na década de 80. Eu mesmo já perdera as minhas, que estavam completas, há muito tempo. O pesquisador de quadrinhos e colaborador do RA, na época, Nikki Nixon, disse que me emprestaria o seu, que estava até encadernado. Eu disse, vou precisar arrancar as páginas, não dá pra fazer de outro modo. Ele deu OK e enviou pelo correio. Depois de improvisar uma capa, saiu o que pode ser baixado aqui.

Não, eu não mudei de assunto. O fato é que quando saiu o primeiro número de Mundo dos Super-heróis, que é publicada até hoje, o editor da revista teve como tema, em sua coluna, na última página, o Dicionário Marvel, até mesmo mostrando o seu, encadernado. No último parágrafo citou o que foi feito aqui no RA, para que as pessoas pudessem procurar e fazer o download.

Apesar da citação rápida, foi importante para mim. Afinal deixava claro qual o objetivo dos scans: encontrar e preservar. Mesmo HQs mais recentes - ou traduzidas antes mesmo de estrearem aqui, se estrearem - estão sendo preservadas. Tenho certeza que muitos tem a cópia virtual do Dicionário Marvel, como uma forma de nostalgia, mais do que para ler, já que suas informações estão defasadas demais. Eu sabia disso quando o fiz, mas isso não diminuiu meu entusiasmo em digitálizá-lo. A citação em uma revista de tal qualidade, só serviu como um pagamento simbólico. Mas estes pagamentos não são o objetivo, são apenas consequências bem-vindas.


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6 comentários:

Chesco36 disse...

Parabéns...O dicionário marvel foi uma notícia que repercutiu muito mesmo...tenho ele guardadinho aqui,porque tentei colecionar adquirindo as revistas de linha mas perdi o pique na época...lembro que eu destacava cada pagina dele quando comprava a revista.Valeu Eudes.Abçss!!

robson disse...

manero, acho que foi lendo essa Herói + de 2003 (eu até devo ter alguns pedaços dela ainda) que conheci o rapadura. depois de um tempo já tava frequentando o submundo do DC++

Javé disse...

A fama foi por água abaixo... :D

Eu achei, e ainda acho sensacional, esse compartilhamento de scans, seja de quadrinhos ou livros, pois tem coisas que a gente nunca vai ter pra comprar aqui no país. Principalmente quadrinhos gringos dos anos de ouro, das décadas de 30, 40, 50 e 60. De brasileiros nem falo, pois raramente vai ser encontrado algum gibi com desenhos de artistas nacionais pelo país.

As duas páginas foram uma homenagem à coragem e o despreendimento de um cara legal, que naquele tempo se dispunha a compartilhar um pouco do material que possuía com um bando de desconhecidos folgados e que continua a fazer até hoje.
Abraço.

Eudes Honorato disse...

Foram duas páginas épicas!

Adriano Antônio disse...

Você foi um difusor pioneiro do mundo dos scans aqui no Brasil, é verdade que já existiam alguns compartilhando quadrinhos antes de você, mas nunca alguém tinha popularizado tanto a nona arte através do compartilhamento de scans como você, quando adentrei pela primeira vez ao mundo dos scans por volta de meados de 2005/2006 já tava cheio de sites de scans na internet e nesse meio tempo até tentei pesquisar sobre qual usuário da internet tinha tido a idéia original de scanear quadrinhos, daí constatei que provavelmente os americanos foram os primeiros mas depois descobri em sites bem obscuros de outros países que muitos hqs já eram compartilhadas fazia já algum tempo, então creio que essa febre tenha começado mais ou menos ao mesmo tempo em vários lugares diferentes do mundo, obrigado por difundir a nona arte, como seu fã serei sempre grato! Obrigado e parabéns pelo seu sucesso!

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