quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sandman


SANDMAN: QUADRINHOS OBRIGATÓRIOS
Os sonhos de um homem chamado
Neil Gaiman

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Sandman pela Ed. Globo

Novembro de 1989. Eu era, já há alguns anos, um jovem adulto e trabalhava há pelo menos um ano em algo que não era mais estar atrás de um balcão. Nas minhas idas para o trabalho, como sempre fazia desde que me conheço por gente, parava em uma banca de jornal e pesquisava as novidades. Estranhamente, não lembro de nenhuma edição de Sandman. Provavelmente minha mania de comprar apenas super-heróis (e um ou outro Tex), me cegassem para algo tão diferente, como era esta capa acima e todas as outras desta série.

Eram os extertores finais dos revolucionários - para o mundo dos quadrinhos - anos 80 e eu não sabia que Sandman era quem vinha fechando este ciclo. Ainda assim, eu não teria conseguido colecionar todos os 75 números lançados pela Editora Globo (ex-RGE), mesmo se tivesse conhecido a série. Aliás, uma atitude louvável da editora, lançar todos os números desta incrível HQ. E ela fez o mesmo com Akira, o qual eu também não dei atenção e viria a me arrepender da mesma forma.

A série seria publicada até 1998 e, ainda assim, eu não saberia da existência da mesma. Depois que a Editora Globo publicou todos os números, outras editoras tentaram o mesmo feito, entre elas, Atitude, Tudo em Quadrinhos, Brainstore e Pixel. Todas sem sucesso e, muitas vezes, com qualidade inferior. A única que lograria suceso em republicar Sandman na íntegra seria a Conrad, em uma coleção primorosa de 10 belos encadernados com muitos extras.

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Sandman pela Conrad

Mas, voltemos ao tempo em que eu descobri Sandman, que foi bem antes da publicação do encadernados da Conrad. Quando voltei a ler quadrinhos, depois de meus 7 anos vagando pelo espaço, continuei na dieta de super-heróis e pouca coisa diferente além disso. Nesta época Sandman devia estar perdida, sem editora certa, que era o destino de muitos títulos da Vertigo, sendo Hellblazer o campeão em bagunça. Mas esta é outra história.

Quando comecei no mundo dos scans, eu não apenas compartilhei, como também usufrui do que era colocado por outras pessoas. Estranhamente, conheci as HQs derivadas de Sandman, muito antes de conhecer a própria. Pessoas me enviavam as minisséries da Morte (a irmã de Morpheus) ou as minis de The Dreaming. Até mesmo o especial Orfeu, eu li em scan, antes de publicar no blog. Mas, Sandman mesmo, não aparecia. Afinal eram 75 números, e quem começasse, se veria "obrigado" a fazer todos, pelo menos na teoria.

Mas, naquela efervescência de scans, claro que a qualqqer hora eles iriam aparecer. E, a forma como se deu isso foi bem... diferente do usual. Se eu bem me lembro e não estiver completamente errado, o GibiHQ comprou(?) um CD de alguém que tinha escaneado todos os 75 números e os vendia pela internet. Acho que pelo Mercado Livre, se não me engano. Não deixou de ser uma jogada de mestre. Afinal, uma coisa que scan não deve ser é vendido, mas se for, que se compre e se disponibilize para todos... de graça.

E, apesar de eu ter "roubado-os" do GibiHQ e disponibilizado no RA, não quis ler em scan. Por quê?

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Sandman pela Pixel Media

A verdade é uma só: mesmo tendo lido várias edições derivadas de Sandman - pasmem, até mesmo Noites Sem Fim - eu ainda não estava tão empolgado assim com a obra de Neil Gaiman. Ou, quem sabe, eu apenas não quisesse ler em scans. Ou seriam as duas coisas juntas? Além de tudo, os scans já estavam com qualidade defasadas, para os monitores dos dias de hoje, motivo pelo qual, eu não os recoloquei no Onomatopéia Digital. Mas, para quem quiser, os scans podem ser encontrados em outros sites ou blogs, é só procurar.

Os encadernados da Conrad vieram e se foram e eu não dei atenção. O preço me desencorajava e, como eu disse, eu não estava tão entusiasmado assim. Mas, tudo estava prestes a mudar, por causa da Pixel Media.

A editora já havia até mesmo parado de publicar a linha Vertigo. Sua tentativa de ser a representante definitiva deste selo maravilhoso, foi curta, mesmo que esforçada. Assim sendo, muitas de suas publicações viraram encalhe e, de vez em quando, reapareciam nas bancas de jornal. Foi numa dessas que resolvi comprar o pequeno encadernado Prelúdios e Noturnos, contendo o primeiro arco de Sandman. Como muitas das minhas HQs, ela ficou bastante tempo pegando poeira.

Até que um dia, ou mais apropriadamente, uma noite, que eu peguei a edição magrinha e fui ler antes de dormir. Como alguém que estava em coma, depois que terminei a leitura, acordei. Abri os olhos.... e queria mais!

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Sandman pela Panini

Quando eu li o volume publicado pela Pixel, se não me engano, o único, a Editora Panini já havia publicado o segundo volume de Sandman Edição Definitiva (Absolute Sandman, no original). O primeiro já havia esgotado há um bom tempo. Sem chances de ter como adquirir. A não ser que eu pagasse os preços extorsivos exigidos pelos especuladores do Mercado Livre, coisa que eu não iria fazer. E, depois de realmente começar a ler Sandman, eu queria mais, e sabia que não era em scan.

Me cativou a forma que Neil Gaiman se adaptou aos editores da DC, que exigiam que seu personagem fosse uma releitura do velho personagem Sandman, criado na Era de Ouro dos quadrinhos. E ele fazia isso de forma magistral, não apenas recriando o personagem, mas a própria mitologia, fosse ela a do mito Sandman ou a do personagem da DC. E eu sabia, tardiamente, que aquilo era só o começo. O fio da meada estava apenas começando a se desenrolar. Mas, como fazer para continuar lendo sem recorrer a velhos e péssimos scans? Bom, estamos falando de Sandman, então acontecimentos estranhos são normais.

Não demoraria muito até que o segundo volume da Edição Definitiva também se esgotasse, e aí a coisa realmente ficaria difícil. Mas, numa espécie de milagre, a Panini anunciou uma reedição do volume um. Eu quase não acreditei. Bem no momento que eu passei a ler de verdade a série aquilo acontecia.

Eu já sabia que os preços eram salgados, girando entre 120 a 145 reais. Mas, agora era tarde demais para voltar atrás. E, quando, depois de muito sacrifício e espera, eu consegui comprar os dois primeiro volumes, logo em seguida me sai... O TERCEIRO! Eu não sabia se ria ou se chorava, mas uma coisa eu sabia. Eu precisava comprá-lo. Como era um lançamento recente, não havia a preocupação com esta edição esgotar, por isso li com calma os dois primeiros volumes, antes de pensar em comprar o terceiro. E, fazer desse modo, lendo 40 edições amealhadas nestas duas edições, foi quase uma overdose.

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A coleção esperando ser completada

Então, 23 anos depois que Sandman foi lançado a primeira vez aqui no Brasil, eu adentrara seu mundo do Sonhar, como nunca pensei que faria. Talvez fosse apenas a hora certa, quando eu estava apto a absorver tudo que Gaiman cria e recria em suas páginas. Minha única ressalva vai para a própria Panini, que deveria lançar uma edição mais simples, encadernados mais acessíveis, como o são Fábulas, 100 Balas e outros. Sandman (e toda HQ de qualidade) não deveria ficar restrita a um grupo de loucos que vendem a mãe para comprar tais edições extramotherfuckers. No mais, as edições são belíssimas, com extras pra dar e vender (na verdade, só vender) e que enriquecem as mais de 600 páginas que cada uma contém.

As edições americanas possuem um acabamento diferente e ainda vêem em um belo estojo. Mas, pedir que aqui seja assim é pedir que cada edição saia a 300 reais cada, então deixa como está.

Agora só espero pelo quarto volume, sem nenhuma ansiedade, sem nenhum estresse, só... calmo... e... plácido. O fato é que estou anestesiado por Tegretol, por isso estou calmo. Então, irei dormir e sonhar, aos cuidados de Lorde Morpheus, já que ao menos isso, é de graça... por enquanto!

7 comentários:

Anônimo disse...

Também fui como você Eudes, já tinha ouvido falar de sandman na década de 90 qdo estava no ginásio, até me interessei em comprar algumas mas desisti, pois estava vidrado em x-men e afins, só agora a pouco tempo que me interessei novamente pelo título, pesquisei na internet e vi a editora Conrad(da qual tenho alguns títulos) republicou a série e era muito elogiada em fóruns sobre quadrinhos da internet, mas era/é quase uma raridade adquirir a coleção completa devido os extorquistas do ML, então soube que a Panini iria republicar novamente a série e as adquiri e não me arrependendo mesmo depois de ler comentários dos entisiastas da coleção da Conrad dizerem que a tradução destas é superior as da Panini.

Mas confesso a você que não perdi a esperenças de ter essa coleção da Conrad.

Desculpe ter me alongado muito no texto, mas sua história é bem parecida com a minha...

No mais, BEM VINDO AO SONHAR!

Eudes Honorato disse...

Acho dificil obter a coleção inteira da Conrad que não seja pelos extorsores do ML :(

Walter Andrade disse...

Essa coleção é fantástica, e infelizmente eu também não teria tido dinheiro nem a disposição necessária para adquirir tudo na época do lançamento. Era pouco mais que uma criança.
Hoje tento completar a coleção, assim como o Eudes, mas a comodidade de ler no Tablet me faz gostar ainda assim dos scans. Um encadernado desses é lindo, mas não é tão prático, nem tão leve para a leitura.
Gostaria de ver atitudes das editoras, do tipo: compre a edição impressa, receba uma edição digital. Isso seria capaz de gerar revoluções. Não revoluções gigantescas como foi o RA na minha vida, que me despertou para os scans e mudou (de verdade) minha cultura e minha forma de ver o mundo.
Parabéns, Eudes por esses dez anos, e que venham muitos mais!

Obs: "Inspirado" pelo RA, fiz scans de todas as MINHAS revistinhas da Turma do Arrepio, publicadas pela Globo nos anos 90. Foi um trabalhado para preservá-las, já que já estavam muito amareladas pelo tempo. Deu trabalho para recuperar as cores no Photoshop, mas li vários tutoriais aqui mesmo no RA, e o resultado final valeu a pena.
Mas não sei como compartilhá-las com o mundo. Gostaria dos arquivos para disponibilizar no RA?

Abraço
Walter

Eudes Honorato disse...

Gostaria sim, Walter, Claro. Se quiser me manda-las aos poucos por e-mail, envie para

eudes_norato@yahoo.com.br

E obrigado pela consideração!

Lee disse...

Comigo aconteceu algo parecido.Eu era vidrado em super-herois, especialmente os da Marvel e DC. O primeiro exemplar de Sandman que tive em mãos, foi a terceira parte da saga A Estação das brumas, é que me dei conta do que estava perdendo.

Márlon kamui disse...

Nunca li Sandman completo, pelo maldito fato de eu tê-la conseguido apenas recentemente e em scans. Sei que o que importa é a obra, mas acho que o prazer de ter uma dessas é algo indescritível se comparado à leitura por via digital.

omeninoquenaomachuca disse...

Tamu junto, Eudes. Porém, eu sofri mais, pois conheci o Sandman há mais tempo, porém, mesmo assim, mesmo sabendo que tinha em scan, e mesmo TENDO BAIXADO, neguei-me a ler assim. E continuo até hoje, esperando. Agora, já tenho a edição definitiva número 3 (assim como as anteriores, os quais estou ganhando a cada natal ehehehhe) e já pedi pro meu aniversário em março a edição 4 (já saiu?). Enfim, Sandman é diferente e merece ser lida no papel! :-)

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