sábado, 15 de dezembro de 2012

Academia do Saber


COMO ME LIVRAR DE 260 GIBIS DE UMA SÓ VEZ
O constante ir e vir dos meus quadrinhos


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Academia do Saber, próximo à Praça Tirandentes

Eu estava começando a ficar sem espaço. Eu já havia recebido uma caixa de revistas em quadrinhos, das quais consegui escanear alguns. Porém, a maioria eram formatinhos que já haviam sido, e/ou seriam em breve escaneados, por outros grupos bem mais ágeis do que eu. Então a caixa ficava ali, num canto, jogada, servindo apenas como "mesa".

Daí, recentemente, um amigo do Facebook me contatou, querendo me doar mais formatinhos. Eu expliquei a situação, dizendo que não havia como eu escaneá-los e que o máximo que eu poderia fazer era tentar vender, e converter a grana em HQs que eu realmente pudesse escanear. Ele aceitou e trouxe-os. Só depois que eu já estava com duas remessas de quadrinhos doados, é que comecei a me movimentar para tentar vendê-los, pois o espaço estava escasseando

E, já que ia mesmo tentar, achei melhor catar todo gibi que eu tivesse que eu não fosse escanear ou que já tivesse sido escaneado. Coisas como alguns números de Smallville. Porque diabos comprei quadrinhos de Smallville? Eu nem gostava do seriado, porque iria gostar dos quadrinhos? Também haviam vários formatinhos que demorei demais a escanear e outros grupos o fizeram, muito bem, por sinal. Assim sendo, não havia lógica em fazer scans de algo que já havia sido bem feito.

Quando parei pra analisar, eu tinha muita coisa que não queria mais. Que comprei no calor do momento. O velho impulso de comprar quadrinhos que só quem compra quadrinhos por impulso, sabe como é. Quando terminei, eu vi que tinha gibis demais para me desfazer. Quando contei os dois lotes recebidos como doação, juntos eles somavam umas 150 revistas. Quando terminei de catar as minhas que estavam espalhadas pelo quarto, eu estava com 260 revistas em mãos. Comecei a achar que não ia conseguir comprador.

O Gilmar, que tem uma banca de livros usados e que vendia quadrinhos esporadicamente, não o fazia mais. Então ele estava fora da lista dos prováveis compradores. Outro senhor que tem um quiosque aqui perto, também estava fora do negócio de formatinhos. A única chance de vender era no famigerado Luzes da Cidade, sebo que paga uma miséria e vende a peso de ouro. Mas, como estava sem alternativas, arrisquei assim mesmo. Novamente, outra opção que estava fora do negócio de formatinhos.

Apesar de ter muitas coisas em formato americano e outros formatos, a maioria era sim, o famigerado formatinho. Não dava para vender sem incluí-los.

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Imagem ilustrativa. Não foram esses.

Eu estava sem esperanças e as semanas se passavam com os gibis num canto, sem utilidade. Eu sabia que no centro da cidade talvez eu conseguisse, mas a meu ver os sebos de lá só se interessavam por livros. Eu até mesmo lembrava bem de um que sempre via quando ia à casa de minha sogra, com a Lia. Pegávamos o ônibus na praça Tiradentes e eu sempre via aquele sebo gigantesco, ocupando duas esquinas diferentes, mas não entrava, pois o ônibus podia chegar a qualquer momento e Lia era alérgica à poeira. E, como não guardei o nome, não havia como telefonar e perguntar se compravam gibis. Era preciso ir até lá, sem levá-los, e perguntar se compravam. Mas, a preguiça deixava?

Então, minha mãe veio para cá esta semana, e sempre a levo até a Central do Brasil, de onde ela vai para casa. Vamos de metrô, mas vi que voltar seria um problema. Cheio demais, com as pessoas chegando para o trabalho no Centro e Zona Sul. Pensei que poderia ir a pé até o sebo, mas eu não sabia a localização exata da Praça Tiradentes indo a pé, e não tinha dinheiro suficiente para um táxi. Sem contar o calor que tirava todo ânimo.

Então fui na direção do primeiro ônibus que passasse onde moro. Sem saber, peguei um que passou justamente em frente ao dito super-sebo. Em frente a ele estava escritos em letras grandes: "COMPRAMOS LIVROS... E GIBIS". E, consegui gravar o nome, que era ACADEMIA DO SABER. Assim, quando cheguei em casa, procurei o telefone na internet. Era três lojas e tentei a primeira.

Mesmo lá dizendo que compravam gibis, eu queria ter certeza. Estranhamente, a moça que atendeu disse que eles não compravam, e nem disse se as outras lojas compravam. Mas, não custava tentar e na segunda tentativa, recebi um "sim, compramos". O valor caía quando os gibis não estava em sequência, mas compravam todos. Mas, não havia como transportar 260 gibis que não fosse de táxi. Ônibus ou metrô era impossível.

A maioria estava em uma bolsa de plástico gigantesca da Lojas Americanas e o restante na caixa antes mencionada. Devo dizer que os sacos plásticos da Americanas são ultra-resistentes, parabéns! Afinal era só um.

Chegando lá, fui direto ao balcão e a venda foi feita em questão de minutos. Meu medo era que o preço fosse irrisório e eu tivesse que aceitar assim mesmo, para não ter que voltar com todo aquele peso para casa. Para meu espanto, foi uma barganha razoável. Me lembrou muito minha infância, quando vendi meus mais de 500 gibis de uma só vez, e recebi o dinheiro na hora!

Como minha intenção era comprar quadrinhos que eu tencionava escanear, resolvi partir dali mesmo, para a comic shop Point HQ, em Ipanema, atravessando o Centro e indo para a outra ponta da Zona Sul. Lá, comprei o que eu precisava e dei o fim ao dinheiro feito com 260 gibis, comprando, vejam só, 12 revistas em quadrinhos que pretendo escanear ou re-escanear. Incrível, não?

Mas, depois de tudo, uma coisa eu vi que preciso fazer: voltar à Academia do Saber com muita calma, pois o acervo deles é de 350.000 unidades entre livros, revistas e gibis. Para ver isso tudo, é preciso muito sebo nas canelas... TU DUM TSSS!

6 comentários:

NandoCode disse...

Kameratten, se me permite a pergunta, o quão razoável foi a barganha? Saberia dizer alguns critérios de avaliação/preço? Seria bastante útil, já que todo bom leitor de vez em quando tem q se desfazer de "algumas" revistas. ;)
[ ]s,

Eudes Honorato disse...

Um dos criterios é que se pagava mais se fossem revistas em sequencia, puladas caiam o preço. Só sei que tudo, entre revistas em bom estado e outras nem tanto, tudo, deu 240 reais. Como ele apenas deu um preço por tudo, depois de conta-las, não sei mais quais criterios foram usados.

Anônimo disse...

Não vendo meus formatinhos de jeito nenhum, Aqui Ó!

Carlos Eduardo Freitas disse...

Ainda bem que a imagem era ilustrativa, vi umas coisas que me interessavam, kkkkkk! Feliz 2013!!!

Juarez disse...

Valeu pela dica!!! e a história foi divertidamente saborosa!

Anônimo disse...

po! pergunte para os leitores quem quer um lote de gibis? o interessato paga o correio!
que se acha da ideia! pena que niguem me manda umas doaao como essas! meu sorrisso seria enorme!
elcioch

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