quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Olha, Mãe, Um Nerd!


"OLHA, MÃE, ELE É NERD DE VERDADE!" Uma constatação de minha amiga Nayane

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Pela primeira vez, depois que me casei e que deixei o lugar onde fui criado, meus amigos Cristina e Élio vieram me visitar. Junto, trouxeram a encantadora filha, Nayane, a quem vi pequena, e agora estava com 18 anos, completados há pouco tempo. Sendo filha de duas pessoas fantásticas, Nayane é a soma dessas duas personalidades a quem tenho muito apreço. E, claro, quando alguém vem aqui, tenho que mostrar esta parte do apartamento, que é onde fico aqui com vocês (e no Facebook). Ou seja, o pequeno quarto onde ficam meu computador, livros, gibis e postêres.

Depois de falarmos de trivialidades, dos velhos tempos, e de como não nos víamos há mais de dois anos, a Cris parou de falar e Nayane, olhando ao redor do quarto, disse: - Olha, mãe. Ele é nerd de verdade!

A frase me fez cair na gargalhada. Nunca tinha ouvido alguém fazer uma constatação tão cabal acerca da minha condição de nerd. O que me deixou feliz foi que Nayane disse aquilo com um tom de admiração que me fez com que me sentisse orgulhoso de ser nerd. Sim, claro, sou nerd de verdade. Mesmo que, às vezes, ache que não sou dos melhores nerds que há.

Dentre os quatro filhos de minha mãe (dois meninos e duas meninas), apenas eu, desde cedo, devorava gibis e usava óculos. E, até hoje é assim. Talvez, por ler tanto, acabei tendo que usar óculos cedo, não sei. O fato é que ninguém mais, entre os quatro, se tornou um (ou uma) nerd. Meu irmão viria a trabalhar cokm ilustrações, tendo sido bastante influenciado pelos quadrinhos. Mas, eram aqueles que eu comprava e lia, não ele.

Mesmo tendo feito duas histórias em quadrinhos, por diversão, ele as fez porque gostava de desenhar, não porque gostasse de lê-las. Assim, ele nunca seguiu o caminho que um nerd ilustrador seguiria, ou ao menos, almejaria: ser desenhista de HQs. A sina de nerd da família estava fadada a ser minha.

Na escola, nos primeiros anos, eu era o típico garoto comportado, predileto da professora que era bom em (quase) todas as matérias. Aquele que os colegas logo procuravam quando havia trabalho para ser feito em grupo. Em suma, o CDF e nerd nas horas vagas. Porém, é aí, nos estudos, que meu status de nerd começaria a ser posto em dúvida. Eu não era tão inteligente quanto um nerd, supostamente, deveria ser. Mesmo que as aparências dissessem o contrário.

Outras coisas foram aumentando essa minha percepção sobre mim mesmo. Mas, estas outras eu só perceberia como falhas em um status nerd, bem mais tarde. Na época eram coisas normais para mim. Mas, o fato é que eu não gostava nada de video-games. Não o suficiente para ser bom naquilo. Algumas vezes jogava, mas nunca ficava empolgado a ponto de querer ter um.

Com o surgimento dos primeiros computadores pessoais, eu pude ter contato com eles através do meu tio Sálvio, que estava sempre seguindo as novidades nesse campo. Já eu via, achava aquilo interessante, mas nada que me fizesse pirar. Um nerd de verdade, pensava eu, há algum tempo atrás, ficaria empolgado e tentaria se imiscuir nessa nova onda, de qualquer jeito. Porém, eu detestava informática e eletrônica.

Com o tempo fui vendo que não gostava de outras coisas que formariam um nerd padrão: além dos games, detestava a simples idéia de jogar RPG e os tais card games (se é assim que se denomina). Aparentemente eu era um nerd de gibis, cinema, e alguns livros. E que ia um pouco acima da média na escola. Mas, os óculos e a cara de alguém saído do filme A Vingança dos Nerds, faziam o resto do trabalho.

Com o advento da internet, percebi que eu "falhava" em outro ponto nerdístico: eu não era fã de grandes discussões sobre quadrinhos. Ao menos, as discussões idiotas. Sempre que esbarrava em algum fórum sobre o assunto, e resolvia fazer incursões neles, as discussões sobre se o Batman era mais foda que o Wolverine e vice-versa, parecia ser o tema central, ou variantes desse tema. Até mesmo quando eu abri um fórum, o F.A.R.R.A., vi isso muitas vezes. O que mais me irritava em discussões semelhantes, era que alguns nerds pareciam perder a noção do que era realidade e o que era fantasia. Nessas horas sentia que ser nerd parecia algo vergonhoso.

Mas, como não eram frequentes minhas incursões por essa modalidade da faceta nerd, eu não me preocupava tanto. Sempre fui da filosofia que gosto mais de ler do que de falar - muito - sobre quadrinhos. Uma discussão sadia uma vez ou outra, para mim, é válida. Viver enfurnado em fóruns de quadrinhos, não consigo.

Todas essas "falhas", me fazem menos nerd? Acho que não. Como a Nayane disse, sou um "nerd de verdade", mesmo se eu não achasse que sou. Ao mesmo tempo, nerd não é nada para se ostentar, como a nova era acerca dos nerds fz parecer. Hoje em dia muita gente quer ser nerd, apenas porque parece ter virado uma moda. Não adianta. Como diz o primeiro título lá em cima, "ser nerd é um estado de espírito". Você não aprende a ser nerd. É uma vocação a ser apenas aprimorada, como qualquer outra vocação.

Com o tempo perceb
i também que há vários tipos de nerd, como se fossem categorias. Assim como sou um nerd que gosta de gibis e não de games, existem aqueles que gostam de games e não gostam de gibis, entre tantos outros. E, no fim das contas, não sou um nerd nem pior, nem melhor, sou apenas um "de verdade", como disse a querida Nayane. E isso é que importa a todos os nerds, a autenticidade.

- Este artigo é dedicado a Élio, Cristina e Nayane.

4 comentários:

Nayane disse...

Primeiramente, obrigada pela dedicação de um post seu. Me sinto honrada por isso. E sim, você é um 'nerd de verdade', não daqueles da "moda", mas daqueles que nasceram, que se tornaram, que gostam de ser o que é. Que ama/adora gibis, cinema, livros etc. Engraçada é a visão que as pessoas tem do nerd hoje em dia. Eu ao contrário de muitos, acho muito legal ser nerd, não sou uma, mas tenho alguns gostos 'diferentes', sei que ser nerd está além disso. Existem muitos tipos, cada um tem seu jeito de 'ser nerd', seus gostos, suas manias, suas neuras e diferenças. Mas são perfeitos, são NERDS!

Nayane disse...

espero visitá-lo brevemente Sr. Eudes rs

Antônio Crotti disse...

Olá Eudes,
Gostei muito do seu post, principalmente porque, assim como você, eu gosto muito de HQs mas tenho aversão a games. Ainda sou da época do Atari, e embora gostasse de River Raid e Enduro, eu acaba perdendo a paciência em pouco tempo - talvez porque fosse muito ruim mesmo!
Não sei se ser "nerd" está na moda, mas a impressão que tenho é de que nunca tivemos tantas razões pra termos orgulho de ser nerds que nos dias de hoje.
Ah, eu já ia me esquecendo: como é bom ler seus textos...
Parabéns à Nayanne por tê-lo inspirado a escrever este post.
Abraços,
Antôio

Eudes Honorato disse...

Opa, Antonio, quanto tempo! Feliz natal, pra vc e sua familia!

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