segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vincent Van Gogh - Biografia


VINCENT VAN GOGH - A VIDA Biografia por Steven Naifeh e Gregory White Smith
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Entrei na livraria/pub que fica aqui perto, devido a minha compulsão por livros. Não gosto do lugar. É escuro, os livros mais antigos, mesmo sendo novos, parecem velhos e o atendimento é uma pedra de gelo, como em muitos lugares voltados para a classe média-que-pensa-que-é-alta. Mas, tem livros, então quando passo perto, quase sempre me vejo obrigado a entrar. Não fico muito tempo. A atmosfera pesada e o lugar apertado, me fazem fugir dali, depois de olhar rapidamente os livros que estão disponíveis.

Numa dessas entradas-relãmpago, dei de cara com o chumaço que é a biografia mais recente de Vincent Van Gogh. Mais de mil páginas. Fiquei ali, olhando a capa, com aquele auto-retrato - um dos muitos que o artista fez - que parecia me encarar. Peguei o livro, senti seu peso e algo despertou em mim. Não sei se era apenas o meu vício de comprar livros ou algo mais.

O que eu conhecia de Van Gogh, até então, era bem pouco. Mal sabia que ele era holandês e, ao ler a sinopse, me espantei ao ver que ele só começou a pintar nos últimos 10 anos de sua vida e morreu jovem, aos 37 anos. Também era mais um dos grandes gênios que morrera em relativa pobreza. Certa vez tentei assistir o filme de 1953, baseado em uma biografia sua, Sede de Viver, com Kirk Douglas, mas nunca terminei.

Também não sou nenhum conhecedor de arte, a não ser o básico. Então o que me atraíu ao livro? E, porque terminei de ler o que quer que eu estivesse lendo rapidamente, para começar logo na biografia de Van Gogh? Isso já tinha acontecido antes, com duas biografias as quais escrevi sobre elas aqui: Hitler e Walt Disney. Mas, é quase natural querer saber mais sobre esses dois personagens, que povoam a imaginação, quer para o bem, quer para o mal. Quanto a Van Gogh, eu não sabia tanto assim sobre ele. Mesmo tendo outras biografias para ler, deixei tudo e comecei a devorar o livro, e só parei quando terminei.

Como qualquer outro livro, uma biografia também corre o risco de ser ruim, e não criar interesse para o leitor, dependendo do gosto de cada um. Meu medo era ter comprado um livro tão extenso, de um personagem tão desconhecido para mim, e não gostar, logo nas primeiras páginas. Não foi o que aconteceu, claro. Quanto mais eu lia sobre os fracassos de Vincent Willem van Gogh, mais eu queria saber.

Me perguntava como alguém tão estranho e tão dado a fracassos, conseguiu se tornar um gênio da pintura, infelizmente reconhecido assim, apenas anos depois de morto. Vincent era passional em tudo que fazia e, talvez por isso, o fracasso viesse com tanta frequência. Era do tipo que não levava desaforo para casa, estando certo ou errado, o que lhe causou problemas desde cedo, com sua família, incluindo seu pai e sua mãe. A pessoa que mais o apoiaria e aguentaria sua personalidade incendiária, seria seu irmão Theo van Gogh. Na verdade, Vincent só existe hoje, como o grande pintor que é, devido em grande parte ao apoio emocional e financeiro do irmão.

Antes, porém, de se encontrar como artista, Vincent tentou ser pastor, como seu pai. Fracassou, justamente devido ao seu espírito questionador, sem contar a falta de traquejo social que o acompanharia por toda vida, fazendo com que tivesse poucos amigos e perdesse os que conseguia, com uma rapidez incrível. Vincent queria ser amado, mas em seus termos. Em uma discussão, fosse teológica ou sobre arte, chegava a assustar o interlocutor com sua veemência.

Mais tarde, conseguiu emprego em uma loja de parentes seus, onde passou a ter contato com a arte, mesmo que isso não o fizesse pensar em ser pintor ainda. Seu irmão, Theo, também trabalhava no mesmo ramo. Vincent fracassou e Theo prosperou, sendo essa prosperidade neste ramo que levaria-o a financiar a carreira de pintor, do irmão, mais tarde. Como corpos celestes entrando em conjunção, a carreira de sucesso de Theo se alinhava com os fracassos de Vincent para, no fim, e além dele, fazer nascer um gênio, após a morte.

Muitas vezes é irritante ver como Vincent parece sabotar a si mesmo em tudo. No amor, quer impor seus sentimentos a mulheres que não o amam. Na verdade, foi assim que Vincent chegou aonde chegou, mesmo que depois de morto, se impondo, mesmo contra a vontade do mundo. Depois de muito tempo fracassando ao tentar ganhar a vida, resolver que seria artista. Desde criança tinha noção de desenho, e começou a pintar, na verdade, a desenhar. Quando seu irmão sugeria que deveria pintar, ele se recusava. Só fazia o que queria, quando queria.

A biografia é muito detalhada, principalmente graças as muitas cartas trocadas entre os dois irmãos e entre Vincent e seu pai, mãe e outros irmãos, além de amigos. Além do grande pintor que se tornou, Vincent, em meio a todo o furor de sua personalidade, era um pensador. Poderia muito bem ter sido um grande escritor. Por meio do livro, que traz material inédito sobre a vida do pintor, ficamos sabendo sobre sua eplepsia latente, que o levou a se internar em hospícios.

Mesmo doente, não parava de pintar, e é de se perguntar se sua doença e o que ela causava em sua mente, não foi o que fez ele pintar como pintava. Mas, quem sou eu para conjecturar isso.

Mesmo tão produtivo e tendo um irmão que o patrocinava e era comerciante de artes, Vincent não conseguia vender seus quadros. Eram considerados péssimos, e algumas pessoas diziam que "assustavam". Apenas no último ano de sua vida obteve um parco reconhecimento por meio de um crítico de arte, o que fez com que vendesse um único quadro, em vida, por 400 francos, este aqui.

A tragédia acompanhou Van Gogh até o final (e à sua família), sendo que é aceito por várias fontes que ele se suicidou aos 37 anos. No entanto, o livro contesta essa versão, já que sua morte se deu de maneira muito estranha, para um simples suicídio. Os autores recolhem informações que só foram à luz 70 anos depois da morte do pintor, fazem comparações com outras e com a própria situação em que Vincent morreu e dão sua opinião sobre o que pode ter acontecido, teorizando que, mesmo que tenha sido Vincent a se ferir, pode ter sido por acidente.

Ler a biografia foi viajar por ume mente apaixonada, perturbada e genial. Vincent poderia ter sido apenas um zé-ninguém, se não tivesse a paixão e não se impusesse, estando certo ou errado, como se impunha. Seu quadro mais famoso (Retrato do Dr. Gachet) foi vendido em 1990, por 82,5 milhões de dólares e o pintor tem um museu com seu nom, na Holanda. Claro, isso teria sido muto mais interessante se tivesse acontecido enquanto ele estava vivo. Mas, ao menos mostra que mesmo acumulando fracassos, uma pessoa pode atingir a eternidade.

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2 comentários:

Anônimo disse...

Interessante a história dele. Amo suas pinturas!
Mas só veio a conhecer recentemente, Eudes? :D Nenhum professor de artes da escola te fez ler sobre ele, que estranho... kk...

Nederland disse...

Fiquei interessado nesse livro depois de ler essa postagem. Aliás sempre boas dicas de leitura que você nos brinda aqui. Fiquei curioso por ler suas resenha sobre a biografia de Hitler, mas não encontrei.

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