quinta-feira, 18 de abril de 2013

Marvel in Brasil


MARVEL 40 ANOS NO BRASIL
Scans by Chesco36/Gibis Clássicos

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Mesmo sendo um decenauta assumido, minhas lembranças mais distantes em termos de quadrinhos de super-heróis, são da Marvel. Claro, existe um motivo para isso: as HQs da DC eram publicadas pela Edirora Brasil-América Ltda (EBAL), e eu simplesmente odiava a diagramação feita por eles. Os balões com aquelas letras como se fossem datilografadas me desanimava e fazia com que eu não as lesse tanto quanto eu lia Marvel. Mesmo os heróis da Marvel chegaram por aqui pelas mãos da EBAL, mas quando eu comecei a ler quadrinhos, os heróis da Casa das Idéias eram publicados pela Editora Bloch.

E, foi nesta editora que eu lembro de ter lido minha primeira HQ da Marvel. Era um número de O Mestre do Kung Fu. Eu era tão novo que nem mesmo entendia que o herói era da editora americana. Para mim, pouco importava. Os super-heróis eram todos parte de um único mundo, o da diversão. Mas, conforme fui crescendo, fui percebendo estas divisões. Quando eu já lia com mais assiduidade, a Marvel estava dividida entre a Rio Gráfica e Editora (RGE) e a Editora Abril.

Essa divisão causava uma confusão na minha cabeça e uma certa irritação. Enquanto eu gostava de como a Abril produzia as HQs, eu não era tão fã assim dos heróis que ela estava publicando, ou seja, Capitão América, Thor, Quarteto Fantástico e etc. E, por outro lado, detestava o projeto gráfico da RGE, incluindo o papel usado, mas os heróis que eu mais gostava estavam lá, Homem-Aranha, X-Men, Hulk, Nova e tantos outros. Aquilo era desanimador. Pelo menos a DC estava toda centralizada na EBAL, fosse para o bem ou para o mal.

Em 1984, quando eu tinha meus 14 anos de idade, isso tudo mudou. Além da DC, todos os heróis da Marvel foram para a Editora Abril. Surgiram as revistas do Homem-Aranha, Incrível Hulk e, a já publicada, Superaventuras Marvel ganhou a companhia dos X-Men, e outros heróis que estavam na RGE, que manteve o direito sobre alguns poucos quase desconhecidos personagens, o que não fez muita diferença.

Com essa centralização dos quadrinhos de super-heróis em apenas uma editora, meu lado decenauta se fez mais presente, mas nunca abandonei os quadrinhos Marvel. Afinal, essa época foi uma das melhores para os fãs. Como não sabíamos das mutilações que o formatinho sofria em relação ao formato americano, isso não nos afetava. A Marvel ia de vento em popa na nova editora.

Com o lançamento das Graphic Novels, passamos a ter material de maior qualidade, inclusive no selo Graphic Marvel, exclusivo para histórias especiais, fechadas. Os títulos mensais eram devorados, fosse Heróis da TV, Capitão América, Superaventuras Marvel e todos os outros, incluindo o trimestral Grandes Heróis Marvel que, com esse título grandioso, fazia com que três meses fosse uma espera infinita.

Com a chegada dos anos 90 a qualidade dos quadrinhos caiu em nível mundial, então não seria diferente por aqui. A única frente de resistência eram os especiais e algumas graphics. Ao mesmo tempo a Abril começava a cansar de publicar super-heróis, e mudanças de formatos, quantidade de páginas e preço exorbitante anunciavam oo fim da Era Abril. Não parecia haver nenhuma outra editora que pudesse arcar com os direitos das duas editoras americanas e continuar a publicação unificada e coesa qua a Abril vinha fazendo. Tudo teria sido mais complicado, se não fosse a editora Panini entrar de sola.

A editora italiana fez o mesmo que a Abril, adquiriu os direitos das duas grandes americanas. E a Marvel estava novamente de casa nova. Os títulos eram publicados em formato americano, coisa que a editora anterior fez, mas nos seus últimos meses com os super-heróis e a um preço exorbitante para a época. Assim, um novo século e uma nova casa para Homem-Aranha e cia.

Edições encadernadas conhecidas como Os Maiores Clássicos, traziam de volta muito do material que fora publicado em formatinho, ou seja mutilado, agora completo e mais próximo do material original. Coleções completas das aventuras do Demolidor de Frank Miller e do Quarteto Fantástico de John Byrne chegaram aos leitores antigos e novos. E, entre tanto especiais, chegamos ao que postei aqui hoje, digitalizado pelo Chesco36, do blog Gibis Clássicos: Marvel 40 Anos no Brasil, publicado em 2007.

Além de uma extensa matéria sobre a trajetória da Marvel em nosso país, a edição é recheada de histórias importantes dentro da história da editora Marvel. Temos por exemplo a emblemática O Garoto Que Colecionava Aranha e a clássica aventura dos mutantes Dias de Um Futuro Esquecido, ambas em scans de qualidade, finalmente. Também transita entre as várias linhas de quadrinhos que surgiram como o Novo Universo, Universo 2099, Marvel Max e Ultimate Marvel, respectivamente com Estigma, Homem-Aranha 2099, Poder Supremo e Ultimate X-Men. Em resumo, uma edição imprescíndivel para os fãs brasileiros da Marvel. E isso dito por um decenauta.


5 comentários:

Gilbert King disse...

Bacana, Eudes. Sua matéria resumiu a experiência de vida de todos os fãs de quadrinhos da década de 80 e sintetizou muito bem a matéria desse volume. Obrigado.

Eudes Honorato disse...

Obrigado, Gilbert! :)

stoupman disse...

Lembro que a Bloch adorava errar nas cores dos uniformes.

TUBA disse...

Valeu Eudes!!!
É sempre bom dar uma passada aqui no rapadura.
Geralmente te acompanho pelo facebook, mas sempre volto aqui.

abraço,

óqui.

Eudes Honorato disse...

:D e é sempre bem-vindo!

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