sábado, 25 de janeiro de 2014

Jerusalem Jones: Fuga do Século 19


JERUSALEM JONES: FUGA NO SÉCULO 19
Um Conto de Ficção-Científica no Velho Oeste

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Os moradores de Smithson Town mal podem acreditar em seus olhos quando vêem um cavalo se aproximar, com um garoto inconsciente sobre ele. De repente, o garoto é erguido no ar, e flutua na direção da entrada do pequeno hospital da cidade. Todos olham aquilo, boquiabertos. Porém, antes que atravesse a porta do hospital, o garoto flutuante cai. Os que não correram, com medo, podem ver algo mais estranho ainda acontecer: aos poucos, o corpo de um homem começa a aparecer junto ao garoto. Quando está totalmente visível, alguém grita:

- Pelas barbas do profeta! É Jerusalem Jones!

Tudo começou quando eu resolvi dar uma de entregador e babá. Um garoto ia chegar em Smithson Town, vindo de algum lugar da Inglaterra. Seus pais telegrafaram para o prefeito e pediram que ele cuidasse para que o menino chegasse até o tio, dono de uma fazenda mais distante, nos arredores da cidade. A família Wells pedia que ele encontrasse alguém de confiança que o levasse. O retorno parece que ficaria a cargo do tal tio:

- Jerusalem Jones, não é que você seja de minha inteira confiança, é apenas o fato de que sei que quando você se compromete a fazer alguma coisa o faz, ou morre tentando. O Dr. Jack Griffin é um tio-avô do menino Herbert e a família Wells quer que ele passe uma semana com o doutor meio amalucado. Como não tenho ninguém disponível, já que o xerife não ia aceitar ser rebaixado a babá e nem admite que seus ajudantes o façam, eu queria aproveitar que você está indo naquela direção e oferecer uns trocados para que deixe o garoto na fazenda Griffin. Tudo bem?

- Claro, claro. Jersusalem Jones aceita ser feito de qualquer coisa, por um punhado de moedas. Brincadeira, prefeito. Gosto do senhor, e farei este favor. Claro, sem dispensar o pagamento simbólico. Ando precisando. Cadê o garoto?

Como que por mágica, aparece o menino arrastando uma mala maior do que ele. Tem uma cara engraçada, de quem está sempre pensando em alguma coisa inteligente para dizer.

- Eu vou ser escritor, senhor.

- É Jerusalem Jones. Ou senhor Jones. Ou J.J. Tanto faz. E sim, não duvido que vá ser escritor. Mas não agora, com esses míseros 10 anos.

- Como conseguiu essa cicatriz no pescoço, senhor?

- Ah, nem te conto. Isso daria um livro, e dos bons. Como vamos ficar juntos um tempo, eu te conto sim, mas cortarei as partes vergonhosas. - o garoto riu e montou em seu cavalo. Ele não cavalgava, mas eu conseguiria guiá-lo. A mala eu dei um jeito de arrumar no Irving. E, para quem não sabe, Irving é o meu cavalo velho de guerra.

Depois de muito bate papo e de eu me dar conta, assustado, de que eu tinha jeito com crianças, chegamos aos arredores da Fazenda Griffin. Eu só precisava entregar o garoto e seguir o meu caminho. O dinheiro era pouco, mas o trabalho também era, então eu saí ganhando.

Chegamos à casa principal, subimos os degraus da varanda e, quando vou bater na porta, um grito terrível vem de dentro da casa. Sem pensar - coisa da qual sempre me arrependo - eu jogo meu corpo contra a porta, e caio dentro da casa como um saco de batatas. A porta só estava encostada. Faço sinal para o garoto ficar do lado de fora. A casa é grande, não sei de onde veio o grito. Mas, logo a dúvida acaba assim que outro grito corta o silêncio. Vem de debaixo da casa. Deve ser o porão.

Procuro a porta que dê para baixo até que a encontro. Quando a abro, me deparo com uma cena completamente sem pé nem cabeça: o que deduzo ser Griffin está sendo atacado por três pessoas ou... animais. Pessoas-animais. Não sei o que são, mas não são amigáveis. Eles deixam o ferido Griffin de lado quando me veem. Quando me viro pra correr, trombo com o garoto. Os bichos vão me alcançar:

- Falei pra você ficar lá fora, garoto! Corre. - Os bichos já estão subindo as escadas. Gritam algo estranho para mim.

- MOREAU! MOREAU! MOREAU!

-Não sei quem eles pensam que sou, mas não sou o tal "Morrô" a quem parecem odiar. O garoto dispara pela porta. É quando o que tem cabeça de tigre me alcança primeiro. Estranhamente eu queria evitar isso. Acho que criaturas tão... diferentes, não deveriam morrer assim. Mas preciso sobreviver. Saco os revólveres e atiro no Cabeça de Tigre, depois no que parece um leão e na terceira, sim, parece uma fêmea, uma raposa ou algo parecido. Felizmente não são a prova de bala.

Volto ao porão. O garoto é teimoso e vem atrás. Desisto de mandá-lo embora. Creio que o pior já passou. Griffin está no chão. Ele está muito ferido, não vai sobreviver. Mas, a coisa toda é mais bizarra ainda. Sua mão direita sumiu e uma parte do rosto também. Mas, não foi arrancado pelas pessoas-animais. Simplesmente sumiu. Ele só tem metade do rosto. Que coisa estranha. O garoto parece fascinado com aquilo tudo.

- Cof...cof... Moreau disse... disse que eles eram confiáveis. Eu os prendi... mas fui... fui... negligente. Maldito Moreau. Tentei... usar o soro... para escapar. mas era tarde demais. Herbert? O garoto Wells? Meu sobrinho? Eu não esperarava recebê-lo assim... cof... me ajudem. Podemos consertar tudo se formos pra máquina. Mas eu não posso ir. Você... quem é você?

- Hã... Jerusalem Jones.... Mas eu não sei o que...

- Você precisa entrar na máquina e voltar no tempo. Impedir que eles se soltem. Impedir que eu...

- Ele está morto, J.J.?

- Ah, de repente esqueceu de me chamar de senhor. Sim, está morto. E delirando muito, antes disso. Se bem, que nem posso dizer que era delírio. Temos três provas lá em cima de que as coisas aqui andavam meio fora de controle. Vamos embora, garoto. Vou te levar para o prefeito.

- Mas, e a máquina. Você pode fazer o que ele pediu. Voltar no tempo, salvá-lo.

- Mas nem me pagando. Se realmente existe uma máquina para voltar no tempo, com certeza só iria piorar as coisas.

- Deve ser essa aqui. -diz o garoto abrindo uma cortina.

- Rapaz, você consegue ser irritante quando quer.

Olhei a tal máquina de longe. Parecia uma cadeira com um prato em pé atrás dela. Havia uma alavanca com um cabo de vidro, redondo. Cheguei mais perto e vi vários números do lado da alavanca. Horas, dias, meses, anos. Mesmo não sendo muito inteligente, entendi como funcionava. Se eu fosse para uma ou duas horas atrás, poderia salvar o cientista maluco. Supondo-se que aquela coisa funcionasse. Ela também poderia simplesmente não fazer nada ou explodir, levando a mim e ao garoto para o inferno. A maldita curiosidade me coçava. Até a cicatriz parecia ter começado a pulsar.

- Tá bom, tá bom. Vou te mostrar que isso não funciona, e aí vamos embora. - Eu disse, já sentando na tal máquina. Eu estava suando frio. Quando ia colocar a alavanca para 2 horas atrás, o garoto pulou para meu lado.

- Mas, eu também quero ir.

Foi uma desgraça. Ele esbarrou em mim e eu empurrei a alavanca para frente, em vez de para trás. Muito para frente. O prato gigante da máquina começou a girar e ela trepidava muito. Nem conseguia parar pra dar uns tapas no garoto, já que eu estava me cagando de medo. Tudo na nossa frente foi mudando, numa velocidade incrível. A fazenda se desfez, casas foram construídas, depois edifícios gigantes, e eles se desfizeram. Era o tempo passando. Quando desacelerou, a coisa não melhorou em nada.

A alavanca marcava 230 anos a frente. O céu estava negro. Bolas de fogo caíam dele. Mas, isso não era o pior. Grandes máquinas, do tamanho dos edifícios que vimos antes, andavam sobre três pernas imensas. De onde estávamos víamos a destruição. Elas atiravam nas pessoas que fugiam apavorada. Ou as capturavam. A maioria já estava morta. Um homem vinha em nossa direção. Trazia uma garota no colo, sua filha talvez:

- São marcianos. São malditos marcianos! Corram vocês dois. Não estamos com tempo para festas a fantasia. Fujam conosco. - e foi embora com a menina.

- Herbie, acho melhor sairmos daqui logo. Vou colocar a alavanca de volta ao zero. Deve ser o ponto de onde saímos. Depois pensamos melhor em como salvar seu tio, e se isso vale a pena. Aquelas coisas não estão tão longe, melhor nos apre... - um dos disparos veio em nossa direção, e acionei a máquina ao mesmo tempo.

Seja lá o que aconteceu, não foi algo bom. A máquina reverteu o tempo. Nos mandou de volta. Mas estava danificada, e fumegando. Tentamos correr, mas não deu tempo. Ela explodiu. Só deu tempo de eu me colocar atrás do garoto e tentar protegê-lo. Sei lá porque fiz isso. O fato é que fui atingido por grande parte da explosão que nos jogou longe.

Acordei muito depois. O laboratório no porão já era. Estava em pedaços. Mas, a casa parece ter aguentando o tranco. Devia ser reforçada para o caso desse tipo de coisa. Eu tinha sede. Minha garganta parecia cheia de areia. Devo ter ficado desacordado muito tempo, e o garoto ainda estava apagado. Eu tinha de levá-lo para a cidade, para um hospital. Mas eu precisava de água. Ou de uma bebida.

Uma dessas garrafinhas de uísque saía do bolso do Griffin. Ele estava soterrado. Mas a garrafa estava intacta. Retirei a tampa e bebi o pouco que tinha. Que era bem pouco mesmo. E não tinha gosto de uísque. Mas era bom, aquele troço.

Peguei o garoto nos braços e o levei até o Irving, que bebia sua água tranquilo, como se nada tivesse acontecido. Às vezes penso que esse cavalo não bate bem da cabeça. Coloquei o garoto sobre a cela, deitado de barriga. Estava vivo, mas não acordava. Tinha um galo feio na cabeça. Eu não estava muito bem, mas tinha de levá-lo logo.

Eu estava olhando aqueles bichos-pessoas mortos na sala, e em Griffin soterrado pelo seu laboratório, e pensei em como o xerife ia lidar com tudo isso. Foi quando a casa desmoronou e começou a incendiar e a afundar. Parecia algo proposital, como se o doido do Griffin tivesse planejado assim.

Eu já estava a meio caminho da cidade, quando começou um formigamento pelo meu corpo. Em seguida começou a me queimar. Eu desci do cavalo. Estava apavorado. A roupa parecia fazer meu corpo arder. Arraquei tudo, e fiquei nu... ou não fiquei. Eu não via meu corpo. Eu tinha sumido. Desmaiei em seguida.

Não sei quanto tempo fiquei desacordado. Mas, quando levantei, continuava sumido. O garoto resmungou na sela. Disse algo. meio enrolado:

- Eu vou ser escritor, senhor. - e apagou de novo. Sumido ou não, eu precisava levá-lo até o hospital da cidade. Se eu ia conseguir, eram outros quinhentos. Além de estar desaparecido, a explosão também me deixara bem ferido. Acho que não morri graças a essa maldita cicatriz e ao que ela faz comigo. Mas, quem sou para reclamar. Vamos, Irving, vamos logo.

Esperava que o efeito daquele troço que bebi passasse logo. Irving leva tudo aquilo numa boa, mesmo sem me enxergar. Precisávamos chegar a Smithson Town, e eu esperava que meu corpo reaparecesse antes disso. O garoto teve uma aventura mais do que suficiente para escrever livros por uns bons anos. Mas, ninguém iria acreditar nele, então era melhor que ele se contentasse em escrever ficção.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Hellblazer Origens - Vol. 02


HELLBLAZER ORIGENS - VOLUME 02
Scans by Onomatopéia/Rapadura

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Jamie Delano continua a criar o mundo de John Constantine, em suas primeiras histórias solo. Neste segundo volume, Constantine precisa deter os planos de uma seita de fanáticos religiosos, que pretende usar Zed, a garota que ele conheceu no volume anterior, como uma espécie de nova Maria. O inferno tem interesse que isso falhe e Nergal se une a Constantine para destruir estes planos.

Rick Veitch pega o mago emprestado um pouco e ele volta às páginas da HQ onde nasceu, Monstro do Pântano. No corpo de Constantine, a criatura pretende engravidar sua amada, Abgail. Porém, Nergal ainda está no encalço do mago trapaceiro. Para finalizar, John Constantine acerta os ponteiros com Abigail Arcane.


domingo, 19 de janeiro de 2014

A Saga de Thanos - Vol. 04 de 05


EUDES: O FILME - TRAILER
Uma produção Paraversal Pictures Inc. Ltda/S.A.

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Uma bicicleta vermelha vira em câmera lenta. Bem devagar a roda de trás sobe. Quando ela está bem no alto, a cena volta ao normal e um corpo é atirado sobre uma calçada. A câmera focaliza meu rosto, enquanto, caído, olho ao redor, vendo todos rindo do acidente.

O trailer tem início, com as cenas em sequência e desordenadas:

Eu olhando para Ivonara, meu primeiro amor, de longe, aos 8 anos de idade. O grito da mãe dela chamando-a corta a cena.

Beijando Elizângela, a primeira namorada, aos 10 anos. Estamos sentados na cama em que o pai dela dorme. O ronco dele corta a cena.

Minha mãe gritando para meu pai, - VAI SER EUDES, E PRONTO.

Aos 21 anos correndo nos carrinhos hidráulicos usados para levantar estrados com material, pelos corredores da fábrica onde trabalhei. A câmera mostra a perspectiva de trás.

Corta para uma festa de aniversário onde um garoto me faz perder a paciência e quando vou pegá-lo, ele correr, vou atrás para bater nele e acabo sendo derrubado por três parentes seus que me alcançam antes.

Corte rápido para um tapa na cara que faz voar meus óculos dado por uma garota que entendeu errado um aperto de mão. O tapa é repetido três vezes na edição. O óculos voa da cara em câmera lenta.

Corte para a tela de um computador: ICQ aberto e eu conversando com a futura esposa: Escrevo e a câmera mostra as palavras: - Vou te beijar assim que te encontrar, sem pedir.

Corta para o cartório, e estamos casando.

Rapidamente muda para uma cena de quando eu tinha 11 anos. Bolas de bilhar batem e rebatem e algumas caem nas bocas. Em cortes rápidos apareço ejogando com um tio, com meu irmão, com meu pai, e meu avô. Perdendo em todas.

Corta para uma cena estou com 9 anos, vomitando depois de tomar cerveja demais (dois copos). Corta de novo, 19 anos, estou vomitando por ter bebido caipirinha demais (duas doses). Corta novamente, 20 anos e estou sendo carregado, bêbado, pela rua por dois amigos bêbados. Corta para eles me jogando em um beliche, e apago.

Corta para eu pulando o muro da escola na oitava série. Corta para eu na casa da quase namorada aos 14 anos quando deveria estar na escola. Corta para eu passando de ano, depois de novo, e de novo e de novo. Corta para minha mãe me abraçando achando que sou um aluno exemplar.

Corta, tenho 11 anos e estou no armazém onde trabalhei a primeira vez, corta para a padaria, depois bar, outro bar, corta para o bar onde o dono me puxa para ver ele jogar um rojão dentro do quarto onde um amigo dele está com transando uma garota. Mostra minha cara de embasbacado com a cena.

Corta, eu com cara totalmente sem graça, enquanto o médico do quartel olha para mim, pelado. Pede meu óculos, coloca na cara e retira rapidamente: - dispensado do serviço militar. Mostra minha cara suspirando aliviado.

Corta, eu e Lia com Lucy filhote, andando na rua, procurando a primeira ração dela. Corta eu na livraria, enquanto Lia me espera do lado de fora. Saio e digo, "ela vai se chamar Lucy", após ter visto uma HQ de Peanuts.

Corta, aparece Bebel, a gata. Corta de novo, aparece Kira a segunda gata, e corta e aparecem as três juntas e a Lia fazendo cara de , "Fazer o quê, né?".

Corta e eu estou fazendo o primeiro scan, uma página de Deadpool. Corta e aparece uma pilha de HQs depenadas. A cena muda novamente e a câmera focaliza o logotipo do F.A.R.R.A. (Che Guevara com orelhas de Mickey) no momento em que o fórum é criado.


Corta e estou escrevendo Jerusalem Jones, meu personagem de faroeste. A câmera mostra rapidamente os muitos títulos dos contos escritos para o personagem e um desenho misterioso de Jerusalém Jones com uma mulher apontando para ele.

Corta uma última vez e estou sentado aqui, e a tela do computador mostra sendo digitado "EUDES: O FILME - TRAILER" e um anúncio aparece em seguida.

A PARTIR DE MAIO DE 1969 EM TODOS AS TELAS DE CINEMA

Fade out, fade in e uma nova cena aparece: um scanner funcionando lentamente... e a tela escurece. Fim do trailer.


A SAGA DE THANOS - VOLUME 04 de 05
Scans by Onomatopéia Digital/Rapadura Açucarada

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O penúltimo volume da Saga de Thanos é dedicado quase que exclusivamente a Adam Warlock e suas aventuras até chegar ao clímax que se dará no próximo volume. Em aventuras em que encontra o Reed Richards da Contraterra, Warlock segue tentando salvar o mundo. A participação especial do Incrivel Hulk dá ao herói uma chance de fazer amizade com o gigante esmeralda. Prosseguindo, Warlock tem que enfrentar os asseclas do misterioso Magus, bem como a maldição de sua jóia espiritual. Tudo isso pelas mãos de Herb Trimpe, Gil Kane e Jim Starlin, entre outros.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Lobo Solitário - Vol. 03


LOBO SOLITÁRIO - VOLUME 03
Scans by SabreWulf/Onomatopéia/Rapadura

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Links Alternativos das 03 Ed. AQUI


Texto retirado do Skoob, escrito pelo usuário Sílvio:

Uma viagem impressionante ao Japão dos samurais

Um homem com as roupas quase em farrapos carregando seu filho em um carrinho percorre as estradas cobertas de neve durante o Japão do shogunato Tokugawa. Embora estejam cansados e com fome, em nenhum momento os dois deixam de mostrar em seus semblantes uma expressão ao mesmo tempo serena e decidida. Na cintura o homem carrega a inseparável "Dotanuki", espada que maneja com assustadora habilidade e o principal instrumento de sua profissão: assassino. Sua fama percorreu até as provínciais mais distantes, enchendo de pavor os senhores de terras, até se transformar na lenda do Lobo Solitário, o "assassino do carrinho de bebê".

Concebida por Kazuo Koike e Gozeki Kojima, a saga conta a história de Itto Ogami, ex-kogi kaishakunin (executor oficial do Shogun) que é injustamente acusado de uma suposta trama para derrubar seu soberano. Recusando a ordem de cometer o sepukku (suicídio ritual dos samurais) Ogami, junto com seu pequeno filho Daigoro, torna-se um assassino errante, um ronin (samurai sem mestre) buscando vingar a morte da esposa e restaurar a honra de sua família.

Koike o Kojima contam esta história ao longo de 28 volumes de forma magistral em todos os aspectos: a reconstituição da época, o código de honra dos samurais, a narrativa ágil, as histórias profundamente marcantes, a violência das lutas. Lobo Solitário é uma viagem no tempo, que nos remete ao Japão da época dos samurais.

Tanto que o mangá se tornou um clássico, gerando seis filmes, quatro peças de teatro, quatro discos e uma série de televisão (exibida no Brasil nos anos 80 pelo SBT). Também influenciou uma geração de desenhistas e escritores, entre eles Frank Miller, que reinventou a HQ norte-americana com "O Caveleiro das Trevas". "A trama de Kazuo Koike, aliada à narrativa visual impecável de Kojima, é uma das obras mais completas que conheço", elogia. "Babei como um idiota a primeira vez que peguei nas mãos um mangá do Lobo Solitário."

No Brasil, a publicação do mangá também se tornou uma saga em si. Começou em 1987 com a Cedibra (que traduziu a versão norte-americana da First Comics), passando pela Nova Sampa ao longo da década de 90. Nesse período, os fãs ardorosos tinham de se contentar com edições fragmentadas, sem periodicidade definida e qualquer sequência nas histórias. A questão só foi resolvida em 2004, quando a Panini relançou a série a partir da edição da Dark Horse. Eu particularmente vivenciei essa novela e tive de esperar quase 20 anos para conhecer o final da lenda do assassino do carrinho de bebê.


domingo, 5 de janeiro de 2014

Y: O Último Homem - Vol. 08


Y: O ÚLTIMO HOMEM - VOLUME 08
Scans by Onomatopéia Digital/RA

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Quase quatro anos depois que a praga global matou praticamente todos os mamíferos machos da Terra, as duas exceções - Yorick Brown e seu macaco Ampersand - estão no Japão. Mas os dois estão separados! Com a ajuda de 355 Yorick seguiu o rastro da sequestradora do bichinho até a Terra do Sol Nascente, um lugar que se adaptou de forma única ao extermínio dos homens. Para resgatar seu macaco - cujo organismo guarda a possível chave para a sobrevivência da humanidade -, o último homem da Terra e 355 terão que se embrenhar por Tóquio e cruzar um labirinto cujos obstáculos incluem lidar com o que sobrou da Yakuza, jovens criminosas e o lado obscuro do bizarro mundo do entretenimento que surgiu na ilha.

Enquanto isso, a dra. Mann e sua nova companheira rumam para uma reunião familiar na casa da mãe cientista. A recepção é ainda mais hostil do que ela esperava e isso pode ser o reflexo de um segredo que talvez esclareça sobre o que, ou quem, causou o genocídio.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo Para Todos!


CONFIDÊNCIAS DE AÇO
Um gibiconto de Eudes Honorato

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Eu estava viajando com meus pais pelo meio-oeste, visitando alguns parentes. Naquelas lugares vastos era fácil se distanciar um pouco, e não se perder. Na verdade eu não deveria fazer isso, era novo demais, e meus pais costumavam superproteger-me. Mas, neste dia eles estavam distraídos, naquele churrasco em família.

Me distanciei perseguindo um cão branco, que brincava por ali. Mas, ainda conseguia avistar todos de onde estava. Olhava para trás, quando levei um susto, ao perceber que alguém também estava naquele descampado:

- Olá, meu nome é Clark. Qual seu nome?
- Jerry. O cão é seu?
- Sim. É o Cripto, de Criptograma. Ele se distanciou e eu precisei procurar pelo danado.

Enquanto ele falava, eu sentia que havia algo diferente em sua maneira de se expressar, como se fosse mais velho do que realmente era. Também parecia mais convicto. Continuamos a conversar, sem que eu perde-se de vista meus pais ao longe.

Foi quando algo estranho aconteceu. Quando voltei o olhar para o garoto chamado Clark, ele parecia ter sumido por um instante. A imagem dele simplesmente piscou. Fiquei confuso por um instante. Para piorar, a camiseta azul dele passou a ter um rasgão em diagonal, que não estava lá antes. E ele parecia ofegante.

Ao longe, escutei o barulho de uma explosão abafada, e pessoas gritando, mas parecia mais de alegria, que de desespero.

- Sua camisa... - eu disse.
- Já estava assim - disse o garoto, um tanto quanto sério.
- Que barulho foi esse?
- Ah, isso acontece de vez em quando. Meu pai diz que parece que atraio essas coisas.
_ Não entendi. O que tem a ver...?
- Você guardaria um segredo? Não posso contar para nenhum amigo daqui, mas para um de longe, acho que não tem problema.
- Sim. Claro que sim.

O garoto parecia ansioso para contar algo. Como se segurasse aquilo por muito tempo. Ainda hoje é estranho relembrar aquela história, mas na hora parecia ser tão verdadeira.

Ele me contou sobre não ser filho de seus pais. Até aí, pensei, tudo bem, tenho amigos adotados, muitos até. Não é nada de mais. Mas, ele começou a falar mais rápido, mexendo as mãos nervosamente, fazendo gestos que contavam uma história simplesmente fantasiosa demais. Eu não acreditei, mas também nunca a esqueci.

Quando ele terminou, estava um pouco suado e nervoso. Ele me olhou de um jeito estranho, mas logo percebi o porquê. Eu estava de olhos arregalados e boca escancarada. Devia estar muito patético. Tentei falar, mas não conseguia. Apesar de não ter acreditado, ainda ssim eu era uma criança que já era fascinada pelo fantástico. A imaginação dele me impressionou. Acho que eu nunca nem lera algo parecido antes.

- Eu... só precisava falar disso com alguém, que não fossem meus pais. Eles só sabem falar do que não posso fazer. Não me escutam. Mas eu os entendo. Sei que não acredita, mas não posso provar. Estaria desobedecendo os dois, e eu os amo.

Eu ia falar algo, talvez perguntar de que livro ele retirou aquilo, quando meus pais gritaram por mim. Me viam lá de longe e chamavam meio chateados. Me levantei e fui em direção dos dois.

- Foi legal conhecer você, Clark - Falei com sinceridade.
- Também foi bom conhecer você, Jerry. Adeus.

Ele se virou e começou a ir embora. Cripto veio correndo para segui-lo. Corri para me juntar aos meus pais e, quando já estava um pouco distante, me virei e pensei ter visto o cão flutuar até os braços dele. Grande bobagem. A história dele deve ter me influenciado de alguma forma.

Essas memórias permanecem até hoje. Mas, preciso deixar o passado para trás e voltar a escrever. Preciso de algo que eu possa vender. Algo que seja... inesperado e fantástico.


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