quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz Ano Novo Para Todos!


CONFIDÊNCIAS DE AÇO
Um gibiconto de Eudes Honorato

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Eu estava viajando com meus pais pelo meio-oeste, visitando alguns parentes. Naquelas lugares vastos era fácil se distanciar um pouco, e não se perder. Na verdade eu não deveria fazer isso, era novo demais, e meus pais costumavam superproteger-me. Mas, neste dia eles estavam distraídos, naquele churrasco em família.

Me distanciei perseguindo um cão branco, que brincava por ali. Mas, ainda conseguia avistar todos de onde estava. Olhava para trás, quando levei um susto, ao perceber que alguém também estava naquele descampado:

- Olá, meu nome é Clark. Qual seu nome?
- Jerry. O cão é seu?
- Sim. É o Cripto, de Criptograma. Ele se distanciou e eu precisei procurar pelo danado.

Enquanto ele falava, eu sentia que havia algo diferente em sua maneira de se expressar, como se fosse mais velho do que realmente era. Também parecia mais convicto. Continuamos a conversar, sem que eu perde-se de vista meus pais ao longe.

Foi quando algo estranho aconteceu. Quando voltei o olhar para o garoto chamado Clark, ele parecia ter sumido por um instante. A imagem dele simplesmente piscou. Fiquei confuso por um instante. Para piorar, a camiseta azul dele passou a ter um rasgão em diagonal, que não estava lá antes. E ele parecia ofegante.

Ao longe, escutei o barulho de uma explosão abafada, e pessoas gritando, mas parecia mais de alegria, que de desespero.

- Sua camisa... - eu disse.
- Já estava assim - disse o garoto, um tanto quanto sério.
- Que barulho foi esse?
- Ah, isso acontece de vez em quando. Meu pai diz que parece que atraio essas coisas.
_ Não entendi. O que tem a ver...?
- Você guardaria um segredo? Não posso contar para nenhum amigo daqui, mas para um de longe, acho que não tem problema.
- Sim. Claro que sim.

O garoto parecia ansioso para contar algo. Como se segurasse aquilo por muito tempo. Ainda hoje é estranho relembrar aquela história, mas na hora parecia ser tão verdadeira.

Ele me contou sobre não ser filho de seus pais. Até aí, pensei, tudo bem, tenho amigos adotados, muitos até. Não é nada de mais. Mas, ele começou a falar mais rápido, mexendo as mãos nervosamente, fazendo gestos que contavam uma história simplesmente fantasiosa demais. Eu não acreditei, mas também nunca a esqueci.

Quando ele terminou, estava um pouco suado e nervoso. Ele me olhou de um jeito estranho, mas logo percebi o porquê. Eu estava de olhos arregalados e boca escancarada. Devia estar muito patético. Tentei falar, mas não conseguia. Apesar de não ter acreditado, ainda ssim eu era uma criança que já era fascinada pelo fantástico. A imaginação dele me impressionou. Acho que eu nunca nem lera algo parecido antes.

- Eu... só precisava falar disso com alguém, que não fossem meus pais. Eles só sabem falar do que não posso fazer. Não me escutam. Mas eu os entendo. Sei que não acredita, mas não posso provar. Estaria desobedecendo os dois, e eu os amo.

Eu ia falar algo, talvez perguntar de que livro ele retirou aquilo, quando meus pais gritaram por mim. Me viam lá de longe e chamavam meio chateados. Me levantei e fui em direção dos dois.

- Foi legal conhecer você, Clark - Falei com sinceridade.
- Também foi bom conhecer você, Jerry. Adeus.

Ele se virou e começou a ir embora. Cripto veio correndo para segui-lo. Corri para me juntar aos meus pais e, quando já estava um pouco distante, me virei e pensei ter visto o cão flutuar até os braços dele. Grande bobagem. A história dele deve ter me influenciado de alguma forma.

Essas memórias permanecem até hoje. Mas, preciso deixar o passado para trás e voltar a escrever. Preciso de algo que eu possa vender. Algo que seja... inesperado e fantástico.


Um comentário:

Máq disse...

Poxa, que continho legal Eudes.
A Origem da Origem rsrsrs.

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