segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Camelot 3000 - 3a Versão dos Scans


CAMELOT 3000 - 3a. VERSÃO DOS SCANS
Em comemoração dos 30 Anos da sua Publicação no Brasil
Scans dedicados á minha amiga Nayane R.


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Em agosto desse ano, Camelot 3000 completará 30 anos da publicação de seu primeiro capítulo, aqui no Brasil. Isso aconteceu na revista Batman #2, da Editora Abril. Além de ser a nova detentora dos direitos dos personagens da DC Comics, a editora, já no segundo número do herói mais popular da casa, lança o início desta saga que marcou minha vida como leitor de quadrinhos. Eu tinha meus 15 anos completos, na época. Desde os 11 anos ja tinha responsabilidades de adulto, mas aos 15 ainda era uma criança. Talvez as histórias mais adultas que tenha lido até então devem ter sido as de Conan, o Bárbaro. Mesmo assim, nada havia me preparado para Camelot 3000. Apesar de ser, basicamente uma história de super-heróis vestida das lendas de Rei Arthur, ainda assim havia coisas ali que eu não esperava encontrar num gibi formatinho, como um cavaleiro transexual e cenas de lesbianismo subentendidas. Eram subentendidas porque, como eu soube anos depois, a editora Abril cortou cenas e editou páginas inteiras. Ma o subtexto estava lá, qualquer um entendia o que estava acontecendo naquela bodega!

Somente neste encadernado que aqui se encontra - o terceiro com a série compilada - é que fui entender porque esta HQ era tão avançada para os quadrinhos de super-heróis da época. Uma introdução do autor, Mike W. Barr esmiuça tudo que aconteceu até ela estar pronta e uma das coisas que ele deixa claro é que Camelot 3000 foi vendida pelo mercado direto - as comic shops, que começavam a nascer - e sem o selo do Comics Code Authority, que tanto limitava a imaginação dos criadores.

Porém, aqui no Brasil, ela saiu nas bancas, dentro da revista Batman e, em seguida, na Superamigos. Tínhamos assim, lesbianismo e aventuras do Homem-Morcego, na mesma edição. Mas, a HQ não me marcou apenas porque um dos cavaleiros da Távola Redonda reencarnava em um corpo de mulher, ou porque mostrava o Rei Arthur matando bebês (não lembro se editaram isso), entre tantas outras coisas. Me marcou porque era muito bem escrita e desenhada. A partir dali eu nunca esqueceria o nome Brian Bolland.

A ação era quase ininterrupta, intercalada por momentos tensos ou singelos, como a busca pela Santo Graal, esta feita em um único capítulo. Os personagens são cativantes e o leitor é colocado no meio da ação, na pele do jovem Tom Prentice, que vive os dramas e, assim como nós, quer que as coisas terminem do melhor modo possível. Mas, nem sempre é assim.

Desde Merlin, passando por Arthur até Morgana Le Fay e Mordred, os personagens são pura força, honra ou maldade. A invasão alienígena a qual o Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda voltam à vida para dizimar, é o pretexto perfeito para que uma aventura grandiosa se descortine diante de nossos olhos.

Eu posso estar errado mas, a meu ver, Camelot 3000, com sua ousadia que seria testada apenas no mercado direto, em edições limitadas, foi a porta de entrada, o teste final, para saber se o público estava preparado para o que veio depois, como Batman: O Cavaleiro das Trevas, Batman: A Piada Mortal, Watchmen e etc. Iniciada em 1982, só terminou em 1985, devido a atrasos constantes. Mas, mostrou que quadrinhos podiam ser adultos, tanto quanto o eram há muito tempo as HQs européias.

Camelot 3000 também foi importante para o Rapadura Açucarada. Foi a primeira HQ de peso a ser escaneada nos primórdios do blog. Consegui a série encadernada em três volumes, em formatinho ainda. Apenas em 2005 ela seria publicada, sem cortes, num encadernado único, pela editora Mythos. E, em 2010, pela editora Panini, em papel couché, com a introdução de Mike W. Barr e alguns extras, que é a edição aqui em questão.

Por ser tão importante para mim, não poderia deixar de digitalizar uma terceira vez, para melhorar a qualidade. Muito mais do que Watchmen, muito mais do que Planetary, Camelot 3000 é minha HQ preferida de todos os tempos. E não se trata dela ser melhor ou não do que as que citei. É simplesmente pelo fato de que ela foi a HQ que estava lá, quando eu deixava de ser criança, para me tornar um homem. E, era como se os quadrinhos estivessem fazendo essa transição junto comigo. Eu deixava de ser apenas um escudeiro, para me tornar um cavaleiro.


13 comentários:

Ø-Drix disse...

Mais uma vez, muito obrigado por compartilhar este trabalho conosco!

Saúde, paz e felicidades!

Anônimo disse...

Parabens!! Este blog é espetacular!! Mais um lançamento digno de uma grande pessoa!! Agradeço muito o seu trabalho e sua disposicao em compartilhar mais uma obra prima conosco. Abracao!!

Duke disse...

Oi Eudes! cara, tu ja viu um filme com o Bill Murray chamado "The Razor's Edge" ? de 1984?

Fica a dica!

Duke

Anônimo disse...

obrigado por mais essa!

obrigado também por atualizar o endereço do meu blog (significa bastante para mim)!

Abç!

Anônimo disse...

Fenomenal!
Como Sir Percival ao encontrar o Santo Graal, só temos a agradecer a você, Eudes, por mais essa obra-prima.
Muito Obrigado.
Almir

Billy Rayner disse...

Obrigado, Eudes. Eu era bem criança na época, ainda aprendendo a ler, mas só em ver aquela arte espetacular já ficava empolgado, e depois que li alguns anos depois fiquei mais fã ainda. Agora vou conferir essa edição ampliada.

Anônimo disse...

Obrigado!

Janjão disse...

Que trabalho fodástico Eudes. A gente até fica sem palavras quando vê uma obra prima dessas. Eu li a saga Camelot 3000 com 12 anos ainda no estilo formatinho. Me surpreendi muito na época em ver um conceito totalmente diferente dos quadrinhos que eu tinha lido até então. O lesbianismo foi um deles. Uma história que teve começo meio e fim. Muito obrigado.

Anônimo disse...

espetacular ! camelot 3000 é um marco dos quadrinhos.
obrigado espetacular eudes...
hsm

Jorge disse...

Compartilho contigo o carinho por esta obra. A li nos encardenados de formatinho e percebi logo que era algo diferente e inovador. Jornada do heroi, mitologia e historia medieval, fc de primeira, dilemas éticos e psicológicos, feitiçaria e tudo isso com uma qualidade que tornaria a história num marco e principalmente, seu leitor em alguem mais exigente e que buscaria e iria querer sempre coisas melhores..Assim como vc, cenas da hq ficaram na minha memória até hoje: O noivo transformado da tristão, as costas da morgana e a construção e desconstrução de Arthur como heroi humanizado. Inesquecível.

Sandro disse...

ha muitos anos venho aqui e muitas vezes me ausento por periodos tb.. mas cada vez q retorno fico feliz de vez o trabalho e a divulgação dos scans realizadas pelo Eudes, que é mitíco... desde a 1° versão do rapadura, os servidores que sumiam com os links e o material, manual de retalhar encadernado e scanear, a incomodoção com editora, criação do farra, a encheção de saco impossivel, marca dagua e outras picuinhas, um aplicativo estranho de compartilhar scan q nem me lembro mais, e principalmente tanta gente q se inspirou aqui e ampliou a quantidade e a qualidade dos scans.. e não tem elogio que não seja merecido pelo rapadura e seu capitão... muito grato por tudo que já li, vi e vivi aqui e por tudo que há por vir...

Luiz disse...

Essas é daquelas obras que deveriam estar na biblioteca do congresso dos EUA! Obra prima dos quadrinhos.

Obrigado pelos scans!

Almir disse...

Uma aventura vanguardista, e com uma qualidade que só o Eudes consegue proporcionar.
Lembro de ter lido alguns episódios quando guri, que saíram no Superamigos (eu acho), e depois de muito tempo, aproveitei este feriadão para apreciar o enredo em todos os seus detalhes.
Muito obrigado Eudes.
Show de bola!

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