quarta-feira, 26 de novembro de 2014

James Cartago: Aventureiro do Infinito


JAMES CARTAGO: AVENTUREIRO DO INFINITO

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"James Cartago não tem uma origem esplendorosa como a dos antigos mitos. Ele deixou a casa dos pais aos 35 anos quando esta foi atingida por um fragmento de meteoro. Não adquiriu superpoderes e ainda perdeu seus pais e a boa vida. Foi forçado a aprender a viver e começou a vaguear pelos planetas e galáxias mais próximos. Um sem-teto espacial. Após receber uma moeda estranha, no planeta Holúnia, percebeu que esta dava-lhe o dom de entender o universo de uma forma diferente e passou a se travestir de fêmea e ganhar a vida nos bordéis de Paraninfa, o planeta das pir..."

PARA COM ESSA PORRA, ORLANDO!

Orlando é meu cão. Estou começando a me arrepender de ter lhe dado uma coleira indutora. Sua primeira frase ao perceber que podia falar e eu entender foi: "Não quero esse nome idiota, Skip. Pode me chamar de Orlando, como minha mãe fazia". Decidi que era melhor não discutir com um cão. Agora ele pegou essa mania de inventar uma origem diferente para mim, toda vez que está entediado. O pior é que gostei de Orlando. Ah, e numa dessas ele soltou "Aventureiro do Infinito" e acabei decidindo usar isso em meus cartões. Não que eu os use muito, mas ficou bom. Ele só não pode saber disso. Ficaria insuportável.

Recebi uma oferta de trabalho em Mara 1. Planeta descoberto há poucos anos e desabitado. Se tornou um pólo arqueológico. Descobriram que ele foi habitado há milhões de anos atrás e os arqueólogos logo se tornaram meros traficantes de relíquias. Alguns metais desconhecidos no universo conhecido só existem lá, e valem umas trezentas mil vezes mais que ouro. Claro que a morte acompanha a ganância e o planeta se tornou uma terra de ninguém, um lugar sem lei. Os últimos arqueólogos genuínos já viraram coisa do passado. Eu não deveria por os pés lá. Nigel Boss é o chefe da bagunça que aquilo acabou virando. Só não está morto ainda, por ter uma couraça muito forte, literalmente falando. E, claro, o chamado partiu dele.

- Vamos morrer.

Nada disso. Orlando é um cão pessimista. Nigel Boss quer que eu transporte uma pequena carga para seu planeta natal. Ele confia em mim, mais que em qualquer um de seus capangas. O fato é que eu salvei sua vida uma vez.

- Isso não é garantia de nada.

Sim, eu sei. É que foi logo após ele tentar me matar. Acho que isso conta. Um dia eu conto essa história em detalhes. Minha moto seguiu a toda para Mara 1. Meu traje me protegia de qualquer imtempérie do lugar e ar não era problema. O OxyCon ainda me manteria por dois dias, se precisasse. Porém, não precisou, Orlando estava certo. Morremos.

*****

- EST...IDOS... IM...CIS... SEUS...ORRA!

Eu escutava a voz de Nigel Boss, como num antigo rádio com estática. Tentava lembrar o que aconteceu, mas era tudo tão indefinido. Lembro de ter visto Orlando pular da moto e avançar, rosnando e babando, para atacar alguém. Fiquei alerta e puxei minha arma real, e nao a decorativa. A pulsar ainda conseguiu evaporar uns 5 atacantes, mas eram muitos. Orlando foi... nossa, nem gosto de lembrar. E eu senti apenas uma dor súbita na parte de trás da cabeça e depois senti que eu me expandia. Fora vaporizado. Nunca pensei que a sensação fosse tão... boa? Coisa estranha. Mas, ali estava eu, em cima de um cama de metal. Orlando estava num canto. Abanando o rabo, mas sério. Ele sempre esquece que o rabo o trai. Estávamos vivos novamente.

- Acho que estamos quites, Jimmy. Desculpe pelos meus homens. Eles são a escória da escória. Atacam qualquer coisa que entre no planeta e não esteja devidamente marcada e eu fui burro e não te dei meu marcador virtual. Como eu te devia um favor, aqui está você de volta. Todo dolorido, mas de volta. Seu cão é revoltado, hein.

- Esses devem ser os piores capangas do universo. Fico espantado de que ainda esteja vivo. Mas, me diga, ainda precisa que eu leve a mercadoria?

- Jimmy, eu perdi o material.

- Ué, como assim?

- Eu o gastei.

- E você me fez vir até aqui a toa? E ser morto? E ressuscitado?

- É, a questão é essa mesmo. Eu gastei ele com você. Era um aparelho estranho, que estava petrificado. Sal, nosso cientista-mercenário estudou o troço por três meses, depois que conseguimos limpá-lo. Em um resumo, que fiz Sal simplificar depois de umas três porradas, era um ressuscitador. Ele não tinha certeza se funcionaria. Mas, se funcionasse seria uma única vez. Eu ia enviá-lo...

Nigel parou de falar. Acho que não queria que seu pessoal perdesse o respeito por ele. Um frio percorreu minha espinha e meu estômago ficou estranho. O aparelho me reintegrou e ao Orlando. Funcionou mais de uma vez. O Sal estava errado. Eu sei para onde Nigel ia enviar o aparelho.

- Eu ainda posso levá-lo. Posso tentar...

- Não. Já disse que o gastei. Ele se desintegou após o uso. - Nigel falava com uma voz sem emoção. Você não me deve nada, Jimmy, nem eu a você. Não somos tão amigos para que você se preocupe com meus problemas. Está livre para ir. Mara 1 é tudo que me resta. Espalhe que o planeta é meu.

- Sem problema, Nigel.

Orlando e eu fomos em direção à minha moto - não uma simples moto, mas é como gosto de chamá-la - e partimos deixando Mara 1. Estranho como as pessoas podem agir de modo inesperado. Como alguns são movidos por uma honra, mesmo quando são assassinos inescrupulosos. E a honra pode ser dolorosa.

- Para quem ele ia enviar o aparelho, "Jimmy"? - perguntou Orlando.

- Para casa. Tenho certeza que ele ia ressuscitar a filha.

O resto da viagem foi em silêncio, como o espaço a nossa volta.


6 comentários:

Anônimo disse...

Espero que tenha continuação... muito bom! :)

Adriano Antônio disse...

Esse personagem também daria um bom livro!

Francisco Moreira disse...

Porra Eudes, agora além de nos viciar em JJ você nos trás um novo personagem? O carinha tem carisma e um cão chamado Orlando. Queremos mais!

Ozymandias Realista disse...

Gostaria de ser parceiro do seu blog, já acompanho ele há alguns anos, desde do tempo que o sr com seus colaboradores nos trouxe Preacher traduzida em scans, scans que eu guardo até hoje. Meu blog é:
ozymandiasrealista.blogspot.com.br


Meu e-mail:
ozymandiasrealista@gmail.com

Eustacio Bagge disse...

Grande Eudes.Queria muito ter te visto entre os escritores novatos que estavam divulgando o Jerusalém na ccxp.Vc e bem conhecido no meio e certamente muita gente ficaria feliz em te ver lá. Eu pessoalmente gosto mais do Orlando e seu mascote humano.

@wendsman disse...

Meu proximo cachorro chamará Orlando, muito bom, imaginei o cachorro do UP hauahuahua

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