quinta-feira, 30 de julho de 2015

Khabal

KHABAL, STAND UP COMEDY GOD
No Seu Show: Ai, Meu Deus, Que Hilário!

stpatricksarmagh-slabs

Khabal era um desses deuses menores da antiga Babilônia ou outra região qualquer da Mesopotâmia. O fato é que ele foi logo esquecido e, vagando pela Terra, até os dias de hoje, acabou por trabalhar com stand up comedy por um tempo:

- Sabe o que mais eu detestava, como deus que era? Os sacrifícios. Como eu era de pedra na época, não era bom nessa coisa de me comunicar com o povão. Aí vinham lá, com os carneiros, que não faziam mal a ninguém, e PLUSH!  Eu não PEDIA aquela porra! De onde eles tiravam essas ideias? Na época eu era até vegetariano. Era um sacrifício assistir aquilo.

- Uma vez me pediram chuva. Eu queria dizer a verdade: chuva está um pouco acima do meu status. Chuva, tipo assim, só o Paulo Coelho, daqui a alguns séculos. Eu mandava uma brisa, uma bem fresquinha de vez em quando, pra que a morte por insolação fosse menos dolorosa, mas chuva, chuuuuva, era complicado.

- E as orações? Nunca entendi muito bem essa parada. O cara se ajoelhava lá, falava tudo que queria, mas e eu? E minhas necessidades? Não perguntava como ia a a família, nem se eu estava bem. Pedia perdão por um monte de coisas que fez porque quis, e ainda ficava zangado quando o karma o pegava na esquina. Dizia logo que, por causa disso,  "perdeu a fé". Eu tinha cara de achados e perdidos?

- Eu fui esquecido, em grande parte, por causa do Deus judeu que depois também se tornou dos cristãos. Eu não fiquei magoado nem nada. Era a nova geração, sabe como é, a fila anda. Mas, ainda teve um grupinho resistia e lembrava de mim de vez em quando. Mas, esses, insistiam em matar a porra do carneiro na minha frente. Eu nunca entendi o motivo disso. Sério.

- Uma coisa que lembro bem era da época do dilúvio. Eu era um garotinho ainda, um pedregulho. Mas, todo mundo falava em Noé, arca, maluco dos animais, vai acabar com a Amazônia (sacanagem). O fato é que ninguém botava fé no coroa. Nem guarda-chuva compraram. Mas, quando a tromba d'água veio, eu só conseguia pensar, cês não queriam chuva, seus porra?! Do que tão reclamando agora?

- Uma vez eu conheci um ateu. Ele era engraçado. Não acreditava nem na mãe dele. Então eu disse: e se eu transformar essa água do copo em vinho? Era um plágio, eu sei, mas, pra mim, equivalia a criar uma mulher de uma costela. Ele disse: só acredito vendo. Eu demorei uns 30 segundos, mas tava lá, vinho, do bom. Ele bebeu e disse, Meu Deus do Céu, Nossa Senhora da Aparecida de Todos os Santos, Oxalá meu rei, que vinho gostoso da porra. Bebeu quase tudo, depois jogou o resto pro santo. Não acreditei no que vi.

- Uma das coisas interessantes de ter ficado vagando por aqui, foi ver a mudança gradual do ser humano e suas esquisitices. Algumas permanecem até hoje, outras se tornaram proibidas pela Convenção de Genebra.

Desde a minha época já havia guerra por causa de religião. O deus tal era melhor que o deus tal. Eu, como era um deus humilde, não causava guerras. Só quem se dava mal mesmo eram os carneiros.

Hoje ainda há guerras religiosas aqui e ali, mas a maior mudança que percebi é como a religião passou a ser objeto de muito lucro. O argumento é que Deus vai triplicar aquilo que você der. Aí entendi tudo: os humanos só dão problemas e Deus triplica!

Boa noite e até a próxima!

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