terça-feira, 21 de julho de 2015

Scans Que Eu Li: A Small Killing

A SMALL KILLING – ALAN MOORE & OSCAR ZARATE
Uma Produção Johnny Who/Gibiscuits

Small-Killing-00fc
PARA BAIXAR, CLIQUE AQUI

Abaixo reproduzo a sinopse e dou minhas impressões sobre esta graphic novel do genial (mesmo que um chato de galochas), Alan Moore. Mas, se eu fosse você, leria apenas DEPOIS de desfrutar da HQ. Acho que a experiência seria melhor aproveitada assim, mesmo não contendo spoilers.

“O futuro parece brilhante para Timothy Hole. Sua ascensão no mundo da publicidade americana, que alguns chamariam de meteórica, foi certamente bem merecida, considerando seu compromisso com o consumismo. Agora ele está prestes a obter a sua grande chance, assumindo os negócios de um líder de vendas – Flite a sensação dos refrigerantes diets – para uma URSS sedenta por produtos de consumo. Ele percorreu um longo caminho desde que era um sonhador garoto de classe operária que cresceu nas Midlands inglesas.

Somente uma coisa assombra seu outrora horizonte ensolarado. Alguém está seguindo Timothy Hole. Alguém quer vê-lo morto.

Pequenas mortes, pequenas traições, pequenos homicídios que facilitam o caminho de nossa existência. Alan Moore delineia tudo isso nesta graphic novel repleta de ironia e tensão trazida à vida pelo genial ilustrador Oscar Zarate.”

Esta é uma HQ que não deve ser lida da forma que eu li: apressadamente. Faço isso, pois quero ler e, enquanto ela está fresca na memória, disponibilizá-la para download e dar o meu parecer. Já que você não vai precisar fazer a segunda parte, sugiro que a leia com bastante calma, de preferência em um tablet, se tiver um, e estando bem confortável e com tempo.

Small Killing tem nuances demais. É uma HQ, que se fosse um filme, seria um daqueles filmes lentos e profundos, mas que prendem sua atenção. Você quer chegar ao fim e saber o que está acontecendo. na verdade, uma parte do que está acontecendo você até deduz logo. Creio que isso seja proposital.

Tudo nela parece um sonho. Mas, é um sonho do personagem, do autor ou é um sonho nosso? Creio que ela tenha muitas interpretações, todas elas estando ao cargo de quem lê. Há muitas situações que parecem ser simbólicas, assim como objetos.

Quando o personagem relembra o passado, tudo fica mais onírico. Porém, mesmo quando está no “presente”, ainda assim, tudo parece um sonho. O desenho de Zarate ajuda bastante nesta ilusão.

No mais, é sempre um prazer poder ter acesso a material tão importante assim que não foi lançado por aqui – a HQ é de 1991! Mais uma vez, agradecimentos ao Johnny Who e ao Gibiscuits.

Small-Killing-25

3 comentários:

raimundo disse...

lí a uns meses atrás numa velocidade flashniana e no final detestei.quem sabe chupando a laranja mecânica e tomando meu quilindrox consiga captar o sentido da coisa.obrigado pelo conselho,mestre.

Gazy Andraus disse...

Eu fiz um estudo em 1991 e apresentei em um congresso na PUCCAMP e num Seminário na UNICAMP e achei uma das melhores e mais profundas HQs que já li de Moore. Conceitos Freudianos e até Junguianos (embora eu abordei mais junguianos) fazem a HQ servir até pra estudos na área da psicologia analítica. Moore, inclusive, brinca com os nomes e simbolismos dos personagens: Timothy Hole - buraco - que é onde se mete na mente e na luta que se desenrola no álbum. Seu apelido, Timmo, que também tem a ver com o timo que pára de crescer quando deixamos de ser crianças etc. Muito profunda a obra, e os "pequenos assassinatos", tanto simbólicos como reais na HQ são prenhes de reflexão, como quaisquer obras de Moore. Se quiser, me envie um email que te mando minha análise

Clauber disse...

Essa Hq é simplesmente sensacional, Moore não para de me surpreender sempre. Quantos "pequenos assassinatos" cometemos na vida a medida que nos tornamos adultos, quantos sonhos e ideais deixamos para trás - as vezes justamente os que nos tornavam mais interessantes, únicos? Embora um tanto amarga, a obra traz ao fim uma nota sutil de esperança, uma possibilidade de que talvez possamos nos redimir e ressuscitar o que havia de melhor em nós e que um dia assassinamos em nome sabe-se lá de quê...
Uma obra que originalmente refletia sobre o fim da guerra fria e o naufrágio das ideologias yuppies, mas que transcendeu isso devido ao enorme talento do seu autor, tornando-se atemporal. Obrigado aos tradutores, sem vocês jamais teria lido essa obra prima da arte sequencial! Abraço!

Business

category2