quinta-feira, 9 de junho de 2016

Os Oito Amados

OS OITO AMADOS - UMA HISTÓRIA ANIMAL


Lucy - Bom, eu começo porque eu sou a primogenita, a primeira entre todos aqui. Aquela que manda. Meu pai disse que minha mãe estava tendo dores de parto querendo um cachorrinho e, quando minha mãe cisma com uma coisa, ela só termina quando acaba. 

Minha mãe queria um maltês, mais que tudo na vida. Porém, quando os dois estavam dando uma volta no Botafogo Praia Shopping a noite e saíram pela entrada da frente, lá estava uma mulher me vendendo - não quero falar muito deste ser - e meu pai e minha mãe me salvaram, me comprando. 

Eu dormia num cantinho da caixa. Minha mãe não sabia qual de nós escolher, então meu pai apontou para mim, que dormia, e disse: - Ora, é aquela ali, é claro. E foi assim que eu ganhei um lar. Minha mãe é brava, mas meu pai deixa eu arancar uns pedaços dele de vez em quando. 

Por um bom tempo a vida foi tranquila, e eu era a princesa absoluta de tudo, até que começou a gataiada.


Bebel -Minha mãe uma vez disse que não gostava de gato, só de cachorro. Bom, isso foi até eu entrar na vida dela e conquistá-la com meu jeitinho. Eu vivia na escola que ela trabalhava e, depois que ela pegou minha irmã Lucy, ela passou a me notar mais.

A escola era um lugar mais ou menos de se morar, mas, a nova diretora queria me por pra fora e minha mãe mais do que depressa resolveu que ia me salvar. 

Ela ligou para o meu pai, que já sabia que isso ia acontecer, assim que ela começou a falar de mim, em casa. Meu pai é muito inteligente, diga-se de passagem. Então, ele foi até a escola e me colocou numa caixa e me trouxe pra cá. 

Confesso que eu estava com medo e não sabia para onde estava indo. Sabe-se lá se era um vendendor de churrasquinho. Daí, que eu gritei muito, tipo: - Socorro, me salvem. Churrasqueiro me raptando. Mas, como sempre esses humanos nunca entendem nada. 

O fato é que eu fui a primeira adoção de meu pai e minha mãe e sou muito feliz e dengosa. 


Kira - Minha mãe se mudou de escola algum tempo depois de adotar minha irmãzoca, a Bebequinha. Ela estava lá em Copacabana em uma escola em frente a uma pet shop e, adivinha quem estava para adoção nesta mesma pet shop? Sim, euzinha. 

Eu morava numa gaiolinha e minha mãe passava lá todo dia, me paquerando. Eu usava todo meu charme pra ser adotada e, quando vi meu pai chegar de táxi, vi que finalmente tinha dado certo. 

Eu era muito sapeca e quase deixei meus pais loucos comigo. Eles tentaram de tudo para eu ficar quieta, mas eu era da pá virada. Como acabei ficando meio gordinha - puxei minha mãe - eu fui ficando mais quietinha. 

Meu nome foi dado pela minha madrinha internáutica, Meiriane. Foi de primeira, e eu acabei assim, com essa cara de Kira, que meu pai só sabe chamar de Kirinha. 

Lucy, Bebel e eu achávamos que nossos pais iam quietar o facho dessa vez, parando em nós três. Ledo engano, amiguinhos. 


Milu - Mãe e pai sempre iam visitar minha vó, la´em Padre Miguel, onde eu também nasci. Um dia eles chegaram e eu estava lá, feliz da vida. Minha vó me adorava. Eu dormia junto com ela, e ela me dava comida. Porém, eu tinha dois inimigos. Um gato que me perseguia me batia fazendo bullying felino e o véi, ex-marido da minha vó, que morava no mesmo quintale ficava ameaçando me jogar fora.

Então, quando pai e mãe vieram de visita, minha vó ia pedir para eles me levarem com eles, só que eles pediram antes, os danadinhos! Agopra, imagine um dia quente, para andar de ônibus. Meu pai não tem carro, não gosta de carro, e nem sabe dirigir, e minha mãe a mesma coisa. Eu estava malzão dentro da caixa, eles pensaram que eu ia morrer. 

Então, saltaram, me deram água e pegaram um táxi. Foi assim que eu conheci uma parada maneira chamada ar condicionado. Quem inventou é muito fo.. fo. É fofo, mãe. 


Guerrero - Igual ao Milu eu sou de Padre Miguel, também. Da casa de minha avó, também. Minha história é mais bizarra, porque quem me resgatou foi o véi, ex-marido da minha vózinha, que nem gosta tanto assim de bicho que nem a gente. 

Eu estava na chuva, e ele passou e me levou. Ganhei um lar, mas era meio brabo, pois o doido do véi era bipolar. Quando minha mãe e meu pai me viram pela primeira vez, eu tremia por causa de uma bronca dele. Ao mesmo tempo que construía uma casinha de madeira, também me batia, às vezes. Esses humanos. 

Minha mãe, quando me viu, quis me levar na mesma hora, mas, meu pai, disse que não dava mais, já tinham quatro bichinhos e, além do mais, eu era do véi, pois foi ele quem me resgatou. 

Mas, eu tinha um amigo lá mesmo, que foi quem mudou tudo. Ele convenceu minha vó e o véi a venderem as casas naquele terreno e minha mãe se mudaria pro apartamento de meus pais. Adivinha quem iria junto? Eu mesmo. O véi não fazia questão que eu ficasse. Doido de pedra. 

E assim, o amigo me levou de carro pra Botafogo, e eu vivo feliz até hoje. 

Parecia que mãe pai tinham chegado ao limite, enfim. Mas...


Sky - Meu pai estava um dia navegando pelo Facebook e me viu. Ele nunca tinha adotado nenhum pela internet. Mas, quando leu minha madrinha Dani Ruivinha contando a minha história e vendo como eu era linda - modéstia a parte - ele ficou apaixonado. 

Contou à minha mãe que se eu não fosse adotada logo, seria colocada no Campo de Santana, com outros gatos, pois o abrigo onde eu estava precisava da minha vaguinha, pois eu já estava sarada de maus tratos de humanos que não são como meus pais e minha madrinha e o pessoal do abrigo! Minha mãe demorou um pouco, mas aceitou.

O problema, é que eu não conhecia meus pais, só conhecia minha madrinha e as pessoas que cuidaram de mim no abrigo. Para mim, o resto dos humanos não eram confiáveis. Por isso, quando fui levada para meus pais, me escondi bem escondidinha. Só saía para comer e ir ao toilete... a noite. 

Mas, meu pai é um cara insistente, puxa vida. Tô pra ver igual. Então, eu fui dando uma chance a ele e, claro, a minha mãe. Hoje em dia o que mais gosto de fazer é esfregar minha cacholinha nas pernas de meu pai insistente. 


Margarida - Com minha irmãzinha Lucy, meu pai aprendeu muitas coisas, inclusive que não era legal comprar a gente. Depois dela, todos nós fomos adotados, querendo ele ou não.

Uma semana depois deles terem adotado a Sky, eu apareci em suas vidas, de sopetão, sabe. Quer coisa melhor do que ser uma surpresa! Novamente meu pai estava no Facebook, só que desta vez, como eu estava a apenas alguns passos, ele sentiu que devia ir lá me buscar, na pet shop da Tia Gisele. Como eu fui parar lá?

Eu estava com um pessoal sem-teto, e eles não cuidavam de mim muito bem. Um moço viu que eu estava no meio da pista com aqueles carros todos passando e me pegou. Não ia acontecer nada, claro, porque nós gatos, temos superpoderes, mas mesmo assim achei legal da parte dele. 

Como não podia ficar comigo, ele me levou pra tia Gisele, que me colocou pra adoção. Não demorou muito para meu pai aparecer por lá e me levar pra casa. Minha mãe era tão linda e carinhosa quando meu pai e eu fiquei feliz de ter feito toda essa jornadinha.  



Julieta -Minha historinha é uma maluquice só, gente. Eu, desse tamanhozinho já vivendo incríveis aventuras. 

Uma parte dela fiquei sabendo depois, pelo meu pai. Ele disse que estava dormindo quando o telefone tocou. Era minha dizendo: - Vem aqui na escola pegar um gatinho que iam jogar fora. 

Meu pai disse que ficou gelado. Eles dois tinham combinado que minha irmã Margarida era a última, e pronto. Meu pai não estava acreditando no que ouvia. E, tipo, minha mãe nem perguntava se podia, já mandou me buscar e pronto.

Meu pai saiu de casa, com a caixa, andando que nem um zumbi. Quando chegou na escola, ele teve uma surpresinha, éramos duas: eu e minha irmã Catarina.

Uma das alunas queria ficar com a Cat, mas a diretora não deixou e ameaçou jogar ela na rua. Meu pai já estava saindo comigo, quando ouviu isso. Então ele voltou, e pegou minha irmãzinha também, mesmo sem saber o que ia fazer. Dava pena de ver como ele tava desgringolado. 

Mas, como ele sabia que a tia Gisele sempre que podia pegava gatinhos pra adoção - como foi o caso da Margaridinha - ele convenceu minha mãe a deixar a Catarina lá. Não demorou muito e ela foi adotada, também. Ebaaaaa!

Mas, eu minha mãe não deixou triscar o dedo. Eu era sua nova filhinha. E meu pai fez ela prometer que se aparecer algum, eles vão apenas encaminhar pra adoção. Ela concordou, ufa! 


10 comentários:

Anônimo disse...

Otimo exemplo, Eudes, Parabens a vc e sua esposa. Aqui tenho 2 boxers meus e 5 adotados sendo 3 gatos e 2 viras.... são uma alegria que só.

Anônimo disse...

O lado "triste" de morar em um apartamento onde não se pode ter animais!

Luiz

raimundo disse...

Aqui tem uma gataida.na hora do almoço não resisto ao olhinhos,e a madame fala;eles tem ração.e eu penso;coitada na conhece a Selina Kyle.belo post.

Akemy disse...

Que família! Parabéns para ambos pelo amor que esbanjam! Um belo exemplo ♥

Marlene Prado disse...

Bela família...tem um gato e um filhote de pug, e eles preenchem um grande vazio dentro do lar...

flops disse...

Eudes, me diga: como vocês controlam os cheiros da casa? Moro sozinho num ap de 130 m² e... tenho um nariz de perfumista! Que, por falta de incentivos como isso que você nos contou, ainda é um naso maior que o tanto que gosto de bichos. Pra você ter ideia, sem nunca ter tido papagaio, fiz uma fera de fama feita - um verdão sócio da farmácia da esquina de tanto que vendia esparadrapo e curativo - vir comer na minha mão em alguns dias. O bicho me chamava pra conversar! Reaprendeu a assobiar, falar, rir e tals. O dono até quis me dar o falante, mas eu viajava muito na época, achei que não ia dar certo. Com cachorro vira e mexe passo vergonha na rua, porque eles me seguem! Sei lá, devo ter alma de vira-lata. Ou parentesco. Fui mordido duas vezes na vida, a primeira porque, bem moleque, resolvi meter a mão na jaula dum leão da metro, uma cadela pastor que vivia trancada e era maltratada pra ficar mais brava ainda. Na outra vez, foi só por excesso de festa: o bicho me mordeu a bochecha numa latida. Nada disso mudou meu gosto pelos peludos. Sinto quando tenho que tomar cuidado, é como um instinto. Mas aí... o nariz. Me conte a fórmula, sô!

abraço
fernando

Eudes Honorato disse...

Fernando, como eu estou na maior parte do tempo em casa, eu sempre estou limpando a caixa. Tb comprei uma que peneira a areia deixando os dejetos. A areia sempre é alguma que tenha aroma, creio que isso ajuda. Tb tenho esse tipo de nariz, então seria incomodo pacas. O unico momento excruciante é que a areia fica a uns 5 metros de onde fico no computador e na hora que eles estão fazendo o que precisam fazer, o cheiro da para fresquinha é pior que gás da morte.

flops disse...

Não lembrava mais do cheiro desse gás que nem os gatos aguentam!
Bom pensar em como lidar com tudo isso antes de adotar um bichano.


Obrigado, sô!

f

DANIEL MATADOR disse...

Grande Eudes

Acesso seguido seu material, mas desta vez fui obrigado a comentar. Não só porque a história dos bichos aí é demais, mas porque aqui em casa a coisa é parecida. Estou com 6 (3 caninos e 3 felinos). A gente fica naquela de "não vou pegar mais, não tem como", mas é só ver algum em dificuldade que já damos um jeito.

Grande abraço!

Wallace disse...

Que família, hein Eudes. Também não consigo viver sem um amigo de patas por perto. Assim que me mudei de cidade acabei adotando um felino, fora os cachorros e gatos que ficaram com minha mãe.

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