quinta-feira, 30 de junho de 2016

Uma Guerra Que Não é Minha

UMA GUERRA QUE NÂO É MINHA



Morrer em outro planeta em uma guerra que não era minha. Vamos colonizar, foi o que me disseram. O planeta é desabitado. Não percebi que a nave-mãe Aura tinha um compartimento de armas, e que eu assinei um contrato de combate em caso de emergência. Lizzie sempre me chamava de ingênuo. Lizzie. Ainda é difícil lembrar dela morrendo no segundo levante. Ela nem mesmo era um soldado, era uma botânica.

A morfina me ajuda a aguentar os últimos minutos. A perda de sangue vai me matar. Não há nenhum socorro vindo, porque não há mais ninguém para vir. O mais irônico é que creio que demos tudo o que os nativos precisavam para iniciar uma invasão à Terra. O que faltar, eles vão completar. Apenas pareciam burros. Aparências enganam, não julgue um livro pela capa, nem um alienigena pelas suas antenas... eu começo a rir e sangue sai da minha boca.

Eu devia ter desconfiado quando encontrei tantos outros solados aposentados, como eu. Era a chance de ver o universo, conquistar as estrelas. Viver uma vida calma e plena ao lado de Lizzie. Malditos políticos de merda. Não cansam de mentir.

Os habitantes eram pacíficos, e isso deve ter animado os malditos e tomarem o planeta à força. Suas pesquisas, como descobri depois, não encontraram nenhum tipo de arma letal. Apenas tecnologia agrícola avançada entre outras inofensivas, para comunicação e até entretenimento. Nada mais.

O que não entenderam, era que eles eram um povo pacífico porque nâo se sentiam ameaçados. Não tinham tecnologia defensiva porque não precisavam dela. Isso não significava que eles não poderiam improvisar e lutar. Como ser humano é prepotente.

Ao menos não matei nenhum deles, eu acho. Não, não por ser um pacifista. Eu fui um soldado, eu sabia quando era hora de lutar. Não adiantava mais pensar sobre o certo e o errado. Eu estava no meio do maldito inferno e agora tinha que abraçar o Diabo. O problema era que eles apenas eram melhores que eu. Como se tivessem lutado mil guerras.Como se tivessem nascido guerreiros.

Mas, era apenas algo que pareciam conhecer muito bem: instinto de sobrevivência. Os que atingi simplesmente não aceitavam a morte. As bombas neutrônicas arrasaram cidades inteiras, mas nunca exterminavam todos os habitantes. Até as crianças se tornaram ferozes, como se o medo fosse sua fonte de energia.

Morrer aqui, neste pântano, cercado de todos esses cadáveres, é mais do que justo. Ao menos posso ver o General Dalton daqui. O simpático Dr. Mark Dalto, chefe da expedição, cientista-chefe, era também, um soldado sanguinário e um comandante cruel. Matou muitos que disseram que não iam aceitar aquele engodo. Ele estava autorizado.

Vejo Lizzie. Alucinação ou, quem sabe, ela veio de um lugar melhor, para me levar. Sinto sua mão puxar meu braço. É quente.

- Corey! Corey! O que você tem? Acorde. O planeta... é habitado! O planeta é habitado e parece que teremos de lutar contra os habitantes. O general disse que temos novas ordens e que eles não são beligerantes. O que faremos, Corey!

- Eu... eu sei. Eu sei de tudo. Lizzie. Eu acho que fui contatado. Quando eu pegar em armas, vamos tomar a Aura. Você está comigo?


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