TERROR EM PARATY - A NOITE DA TROMBA D'ÁGUA
E OUTRAS AVENTURAS MIRABOLANTES
Uma História Baseada em Fatos Surreais
Eu e Lia, minha digníssima esposa, tivemos uma época em que gostávamos de passar alguns dias em Paraty, aquele lugar que atrai tantos turistas. Em todas as vezes que fomos, tudo sempre foi muito tranquilo, como qualquer passeio como esse. Isso, até a última vez, onde tudo que aconteceu parece fazer parte de uma história de drama, terror, suspense e comédia. Tudo começou com o Homem de um Braço Só.
Ficávamos quase sempre na mesma pousada ou e alguma outra próxima ao centro de Paraty. Porém, Lia já estava cansada da mesmice disso e resolveu pesquisar na internet re achou uma que era composta por pequenos chalés para os casais que lá ficariam. Tudo parecia maravilhoso pelas fotos da internet. E talvez até fosse, se tudo que aconteceu não tivesse roubado nossa intenção de se divertir. E, tivemos um sinal de que as coisas não iriam acontecer como queriamos, assim que chegamos à rodoviária e entramos em um táxi para ir à pousada. Eu cutuquei a Lia, e cochichei o mais discretamente possível:
- O motorista.... ele não tem um... braço!
Como já estávamos a caminho e como o trânsito em Paraty é sempre tranquilo, pensei, ah, que se dane, acho que não dá para morrer até chegar à pousada.
Já era noite quando chegamos ao local. Pagamos o táxi e rezei para nunca mais entrar naquele veículo outra vez. Mas, aquilo era apanas um começo de uma de nossas mais tresloucadas aventuras.
Quando chegamos à recepção da pousada, simplesmente não havia ninguém. Nenhuma viva alma. Também não se via sinal de hóspedes. Era tão estranho aquilo. O lugar era bem remoto. A Lia havia caprichado na distância. E agora estávamos ali, como se num filme em que o mundo acabou e nós éramos as duas últimas pessoas da face da Terra.
Lia pegou o celular e resolveu ligar para o homem com quem tratara sobre a hospedagem. Apesar da demora, ele acabou aparecendo. E as coisas ficavam mais estranhas ainda. O homem era alto, com um ar soturno, mas querendo parecer simpático, o que era quase impossível, pois ele não parecia saber como fazer isso. Imediatamente a Lia o apelidou de "Frankenstein". Para mim, ele parecia mais o Tropeço, da Família Adams.
Depois dque fizemos o check in fomos levados ao chalé onde ficaríamos e logo notei que a coisa não era tão aconchegante como nas fotos. Tudo parecia pequeno demais, apertado demais. Mas, já havíamos pago antecipadamente, então não havia muito o que fazer a não ser tentar aproveitar, esquecendo o Homem de um Braço Só e o Frankenstein. Cansados, fomos dormir.
E caímos no sono.
No meio da noite, como um calor sufocante, acordei e vi a Lia na janela, olhando para fora, extasiada com a luminiscência do que pareciam ser muitos vagalumes. Na verdade, não sei o que eram. Mas, cansado demais, voltei a dormir, mas não por muito tempo. A coisa toda estava apenas começando e o mundo estava acabando. Acabando em água.
Eu nunca havia presenciado o fenômeno que chamam de tromba d'água. Mas, para minha "alegria", ali estava ele, se fazendo presente bem durante uma viagem relaxante. A chuva era torrencial. O pequeno chalé parecia que não ia aguentar e seria destruído em pouco tempo. Mas, o fato é que eu estava cansado demais e não queria mais me importar com aquilo tudo, e só queria dormir. E o fiz, mesmo com o mundo entrando no Julgamento Final, lá fora.
Quando acordamos, tudo estava em paz. A manhã estava clara e bonita. Fomos em direção ao local onde o café seria servido, que era próximo à piscina. Quando olhamos a mesma, a dita piscina, vimos que uma parte de nosso passeio estava totalmente, digamos assim, na lama, literalmente. A piscina se tornara um tanque de lama, que a chuva arrastou. Lia que gosta das pousadas justamente por causa da piscina, ficou arrasada. Mas, desgraça pouca é bobagem.
Acostumados ao café da amnhã suntuoso da maioria das pousadas, em que uma máquina de café fica ligada e um sotrimento de comida fica a nossa disposição, demos de cara não com isso, mas como o querido Frankenstein servindo café em um bule e quadrados de um bolo bem simplório. Lia e eu nos olhamos sem entender nada. Sem acreditar. E acho que pensamos a mesma coisa, pois falamos quase juntos:
- Precisamos ir embora daqui de qualquer maneira.
Mas, havia um problema o qual eu já falei dele lá em cima: a hospedagem já estava paga adiantada. Resovidos a ir embora, minha mente começou a funcionar furiosamente, pensando em uma saída.E, olhando para a Lia, eu disse a única coisa que nos salvaria:
- Lia, você precisa chorar.
- Como assim?
- Você. precisa ir até o Frankenstein, dizer que a tia ligou, que está mal, muito mal, que precismaos voltar urgentemente e se ele pode devolver o dinheiro e, para isso, você precisa chorar, enquanto conta. Você consegue.
- Ok, ok. Eu consigo, eu vou.
- Eu... não posso ir junto. Acho que vou acabar rindo, sei lá. Só sei que não posso estar presente. Se eu vir você chorando, sabendo o que eu sei, não acho que eu consiga me controlar. Vou pegar nossas coisas, e esperar na saída. Aconteça o que acontecer, precisamos ir embora.
Parado, na saída da pousada, os minutos pareciam horas. Eu pensava em cada desdobramento da conversa e nas possíveis consequência, como se universos paralelos estivessem sendo expelidos da minha cabeça. Quando Lia apareceu com o cheque de devolução, descontada apenas a noite que passamos ali, eu tive certeza que ela era a melhor atriz que eu conhecia.
O dono da pousada chamou um táxi para nós e, estávamos felizes de ir embora, até o momento que vi o motorista. Si, acreditem, era o Homem de Um Braço Só. Parece que aquele dia estava longe de acabar.
Queríamos tentar salvar nossa viagem, então fomos trás de uma pousada no local onde já estávamos acostumados. Para isso, precisávamos descontar o cheque. E, enquanto estávamos na fila do banco, eu conjecturava a possibilidade de Frankenstei aparecer no banco e perceer que não fomos embora imediatamente para casa, como foi dito em nossa história preparada. Mas, isso não aconteceu. Saímos de lá sem problemas e fomos procurar um lugar para almoçar, antes de nos instalarmos em uma nova pousada.
Chegamos a um dos muitos restaurantes de Paraty e começamos a comer tranquilamente, começando a ficar mais otimistas, mesmo que tudo parecesse tão desastroso. A tromba d'água arrasara Paraty. Os sistema de distribuição de água estava comprometido, pois água destruíra uma parte dele. as pousadas não tinham água e suas piscinas estavam do mesmo jeito ou pior que a da pousada Frankenstein. Mas, ao menos tínhamos comida.
Lia se levantou para ir ao banheiro e eu me virei para a porta quando vi o impossível acontecer: apesar de existirem trocentos restaurantes em Paraty, Frankenstein acabara de entrar exatamente naquele. E ele morava a quilômetros dali!
Ele não me viu. Quando Lia voltou, eu contei a ela, que ficou pálida. De pilastra em pilastra, fomos nos aproximando da saída, até estar totalmente fora do restaurante. Aquilo tudo era surreal demais. Estava dificil continua acreditando no que estava acontecendo.Mas, escapamos do nosso algoz e agora queriamos tentar novamente.
O jeito foi nos hospedarmos na pousada de sempre. Mas, ela estava como todas a outras: sem água e com a piscina barrenta. Ficamos uma noite e desistimos. Paraty não nos queria ali e nos jogou toda as suas maldições, desde o Homem de Um Braço Só, até a tromba d'água vinda do próprio inferno. Então, fomos embora, e nunca mais voltamos.
Ainda hoje, quando contamos essa história, não parece possível que tanta coisa errada tivesse acontecido ao mesmo tempo. Se alguém nos contasse, diríamos que estava exagerando. Mas a verdade é que 99% aconteceu mesmo, e eu preenchi as lacunas com 1% de imaginação.


5 comentários:
Eu tinha uma relação parecida com Paraty, até uma última viagem pra lá 13 anos atrás onde tudo deu errado também.
Nunca mais voltei à cidade desde então...
Uau, e eu achando minhas viagens as maiores loucuras.
Ri muito aqui imaginando a situação toda. Imagino que na hora nao foi, mas depois que passa, não dá pra não rir.
Putz, uma verdadeira história de terror, com direito à perseguição da criatura no final, kkkkk! Depois dessa vou pensar duas vezes antes de escolher uma pousada apenas pelas fotos, hehhehehe!
Nossa!
kkkk só faltou a frase "seria cômico se não fosse comigo"
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