ATEU, GRAÇAS A DEUS - UM ENCONTRO COM A VERDADE
Atenção: este artigo não tem a intenção de doutrinar ninguém
"Conhecereis a verdade e e ela vos libertará" - João 8:32
Pensei em várias introduções para este texto sobre um assunto tão polêmico e delicado quanto o ateísmo e o versículo acima se mostrou o mais promissor. É irônico ele estar no livro que os ateus deixam de acreditar como sendo factual.
Mas, antes de falar sobre ateísmo, vou falar sobre religião, afinal, um assunto está inegavelmente ligado ao outro. Para os mais antigos frequentadores deste humilde blog já é sabido que eu fui, por longos sete anos, um servo fiel da seita religiosa Testemunhas de Jeová, que tem sua sede em Brooklyn, NY, EUA. Como fui parar lá?
Desde sempre tive uma certa aversão por religião. Minha mãe, que nascera como católica e acreditava em muitas coisas do catolicismo, ainda assim procurava por Deus em todos os lugares: na igreja católica, nas evangélicas, espiritismo, candomblé e por aí vai. E, eu e meus irmãos éramos levados juntos. Apesar das boas intenções de minha mãe - conseguir algum tipo de ajuda divina para criar quatro filhos - aquilo era profundamente irritante para quem queria era estar em casa vendo Pica-Pau. Daí que religião para mim, se tornou sinônimo de fazer algo que eu não queria.
Mas, desde cedo, também, eu tinha contato de várias formas, com a literatura das Testemunhas de Jeová. Era na casa de minha avó, com um livro que ela adquirira há muito tempo; era no trabalho que tive aos 12 anos, com as revistas que o dono comprava, como meio de contribuir com eles; e era até mesmo com amigos do bairro, que tinham livros da seita, mesmo não sendo dela. Aquilo tudo foi fermentando durante um longo tempo. E um dia eu decidi: queria ser Testemunha de Jeová. Eu tinha 20 anos de idade.
Eu mesmo fui até uma amiga de minha mãe que eu sabia que fazia parte e pedi, meio sem jeito, o que eles chamavam de estudo. Em pouco tempo eu estava tendo aulas sobre a religião do modo como as Testemunhas de Jeová a vêem: como sendo um legado de Deus para eles e ais ninguém. Em seis meses eu terminei o curso e fui batizado. Eu era uma legítima Testemunha de Jeová, com direito a bater nas portas dos outros às 8 horas da manhã e tudo o mais.
Tudo parecia uma maravilha nos primeiros anos. Eu fazia mais amigos do que em qualquer rede social de hoje em dia. Também me adapteri rápidos às proibições que a religião nos imputava: nada de cantar o Hino Nacional (eu não tinha problema com isso), nada de festejar aniversários natalícios, nada de festejar o Natal, nada de ter relacionamentos com pessoas de fora da religião, nada de transfusão de sangue (por sorte não sofri nenhuma acidente durantes aqueles 7 anos) e o melhor e mais comum de todos, nada de sexo antes do casamento, incluindo masturbação. Bom, parecia fácil, quando a gente estava lá dentro, mas, obviamente, não era. Então, depois de sete longos anos, sem poder me masturbar adequadamente, eu acabei desistindo.
A saída foi meio traumática. Eu queria ficar, mas meus hormônios diziam que não dava. Eu não podia me casar, não tinha condições, apesar de já ter 26 anos. Mas, não me casaria por imposição, só para ter sexo. Então, para não "cometer pecado", resolvi me dissociar, que é como se diz quando a pessoa sai por conta própria. Mas, aquilo era traumático porque eu ainda acreditava que estava errado. Por um bom tempo eu me senti mal com aquilo, mas não a ponto de voltar. E, quanto mais tempo se passava, mais eu conseguia enxergar as coisas com clareza. Era o início da minha caminhada para me tornar ateu.
Uma das primeira coisas que contribuíram para isso foi, com certeza, o acesso a internet que eu passei a ter dois anos depois de minha saída. Entendam, lá dentro era impossível você ler qualquer coisa questionando ou criticando as Testemunha de Jeová. Se você pusesse a mão em algo assim, já estaria sendo cogitado para ser expulso. Então, ninguém lia nada que não fosse escritor pelo chamado Corpo Governante. E a internet ainda era algo que poucos tinham.
Somente a partir de 1999 eu comecei a usar a internet oficialmente. E uma das primeiras coisas que pesquisei foi sobre a seita da qual particiepei, e logo pude ver que eu estava metido em uma furada das grande e qu escapei por pouco. Não chegava a estar envolvido com um Jim Jones da vida, mas tudo dito lá, era nada mais que pura balela de homens velhos, que adoram controlar os outros. As pessoas parecem adorar esse tipo de controle, como se precisassem disso para se manterem puras, já que sem isso, sairiam matando e estuprando, ou algo assim. Eu estava a dois anos fora, e sem religião, e estava no controle.
Também conheci outras pessoas que fizeram parte da seita, através de grupos de bate-papo na Internet, que eu acessava pelo Outlook. A maioria estava bem consigo mesmo, mas outras não estavam tão bem assim, como o caso da moça que toda a família dela era, e ela resolveu sair. Então marido e filhos a tratavam como lixo. Com o tempo ela sumiu do grupo, e deduzi que a pressão a fez voltar.
O fato é que tudo isso fez com que eu visse que eu não precisava de religião e, sim, por mais chocante que isso possa parecer para uma pessoa religiosa, eu também não precisava de Deus, já que ele era a base de toda e qualquer religião, tivesse ele o nome que tivesse.
Por um bom tempo eu fui um agnóstico, sem nem mesmo saber direito o que significava isso. Mas, sim, eu tinha um certo medo de admitir tácitamente que Deus não existia. Então levava a vida com aquela crença parcial em Deus, caso ele exista e eu precise usar essa carta. Porém, não sentia necessidade de religião nenhuma. A sede que eu tinha da "verdade" religiosa fora saciada, mesmo que o resultado não fosse o previsto. No fim das contas, os sete anos não foram uma perda total.
Estudar a Bíblia durante tanto tempo também me ajudou a perceber - depois que eu pude ver as coisas da perspectiva externa - que tudo, ou quase tudo, eram apenas palavras que podiam ser interpretadas de milhares de maneiras, e era isso que as religiões faziam, incluindo as Testemunhas de Jeová. Se apoderavam daquelas palavras e as remodelavam da maneira que queriam. Aliás, um dos dogmas da seita era que eles, e apenas eles carregavam a verdade, eram a única religião verdadeira, e isso, de uma maneira ou de outra, com mais ou menos intensidade, é o que todas dizem. No fim das contas, são apenas afirmações vazias.
Mesmo as pessoas que afirmam que você não precisa de religião para acreditar em Deus, só o "conhecem" através de todo conjunto de ensinamentos que a Bíblia e as religiões ensinaram. Assim como alguém que dissesse que você não precisa ser nerd para acreditar no Superman, mal comparando.
Apesar desse início na internet, eu não fiquei buscando a verdade ali. Eu nunca fui um bom pesquisador. Mas, minhas convicções pessoais, analisando tudo que estudei, vivenciei e concluí, estavam mudando. Eu não tinha mais medo de não acreditar. Mesmo que isso fosse - e ainda é - tão difícil de se dizer em voz alta. Às vezes parece que se declarar ateu, é quase tão complicado quanto assumir a homossexualidade e, dependendo de onde você esteja, tão perigoso quanto.
O tempo passou e eu costumava deixar minhas críticas às religiões em lugares como o Facebook e isso chamou a atenção de um amigo, que presenteou com um dos melhores livros que já li na vida: O Mundo Assombrado Pelos Demônios, de Carl Sagan. Era o início da verdade libertadora de que a Bíblia fala, mas que não era exatamente a que se referia. Não era a verdade religiosa.
Então, no decorrer de alguns anos li também Deus, Um Delírio, de Richard Dawkin; Deus Não é Grande: Como a Religião Envenena Tudo, de Christopher Hitchens; Por Que as Pessoas acreditam em Coisas Estranhas, de Michael Shermer, e ainda há alguns outros comigo para futura leitura.
Estes livros não em ensinaram a ser ateu. Eu já me tornada ateu, antes de lê-los. Eles apenas arrumaram a bagunça que a religião havia causado em mim. A crença em Deus, o medo de desobedecê-lo, tudo aquilo havia sumido, mas ainda havia algum ranço, alguma coisa que dificultava o entendimento da situação pela qual eu estava passando. A transição não estava acontecendo facilmente, e a leitura me ajudou. Principalmente de Dawkins, que deixa claro em seu livro, que ser ateu não é ser alguém sem ter o que agradecer e que estar vivo é a melhor coisa que nos pode acontecer.
Meil DeGrasse Tyson acha que a crença em Deus é, de certa forma necessária. Que ela é de alguma forma, uma força unificadora e que, já que que as pessoas querem acreditar, que acreditem. Eu, no meu ponto de vista mais simplórios, acho que as pessoas apenas não conseguem ficar sem uma figura de autoridade, pois são fracas demais para se policiarem sozinhas. E, mesmo com um Deus sobre suas cabeças, a maioria ainda falha miseravelmente em manter a honestidade, dignidade e amor ao próximo. As pessoas estão mal acostumadas... por milênios.
Por outro lado, eu não gosto de ser aquele ateu pé-no-saco. Eu sou ateu e pronto. Quem quiser ser religioso, que continue sendo, eu não vou discutir isso. Era o que eu fazia quando era Testemunha de Jeová: debatia para provar que lá é que estava a verdade. E, vou dizer uma coisa, debater sobre coisas assim é extremamente cansativo.
Também não fico seguindo dogmas ateístas, pois estaria novamente preso, como estava antes. Então, continuo pedindo a benção à minha mãe, continuo indo a igreja quando necessário - batizados, casamentos, etc... -, agradeço às pessoas pelo seus "fique com Deus" e, acima de tudo, comemoro o Natal, pois não vou ficar sem comer aquilo tudo que é servido, não mesmo. Sou ateu, não otário.
Fiquem com Darwin e bom Big Bang para vocês.

31 comentários:
Já conhecia pedaços esparsos dessa história, Eudes, mas é sempre legal ver ela inteira num único (e bem escrito) texto.
Ainda sou agnóstico, já que tenho o melhor dos dois mundos, mas tenho que parabenizá-lo por ser um ateu deboísta. Nem todos conseguem.
Seis anos sem masturbação! Isso é um milagre de Deus por si só!
Me identifiquei bastante, inclusive também já fui dessa seita. Fui ateu, mas não sou mais, deixei de ser nos estudos da língua e sua essência. Ai você vai entendendo que Deus não é o que essas religiões fazem parecer. Mas também não digo o que suponho ser, ai é de cada um e para mim mesmo não é uma verdade absoluta.
porque os testemunhas de jeová nao falam sobre o seu fundador charles t. russel ? você saberia eudes ?
Muitas coisas as TJ não falam quando vão de porta em porta, essa é uma delas, mas em suas publicações falam, só nãop falam tudo, claro.
Caro amigo Eudes,
Também vim de berço católico e assim como você passei a ser agnóstico antes de tornar ateu. Tive uma recaída antes de me tornar o ateu convicto que sou hoje.
Acredito que Deus e o Diabo são figuras representativas do bem e do mal, bastante utilizadas também para ter o que temer e culpar.
Achei interessante o seu depoimento de que se declarar ateu arriscado, por que sei exatamente como é.
Assim que revelo meu posicionamento religioso, complemento que respeito todas as crenças religiosas e que o fato de não acreditar em Deus, não significa que sou o seguidor do Diabo, que é o que a maioria deve imaginar.
Sou partidário da doutrina amai ao próximo como a você mesmo e que tudo que nós colhemos é resultado do que plantamos ao longo da nossa jornada.
Enfim, é um tema longo, que facilmente tomaria horas de conversa, mas acho que citei os meus princípios principais.
Grande abraço a todos.
Ótimo texto! Parabéns. Bom pra reflexão.
a igreja do bispo é a pior desgraça que existe, zeraram a cabeça de minha mãe.
texto filé o final é o melhor, mais que tudo tem que pregar o respeito se a pessoa acredita deixa ela, se faz bem deixa pra lá.
vida que segue
"e, acima de tudo, comemoro o Natal, pois não vou ficar sem comer aquilo tudo que é servido, não mesmo. Sou ateu, não otário."
Kkkkkkk. Excelente relato, eu tou nessa indecisão de ser ateu ou agnóstico, mas estpu quase virando ateu mesmo.
Abraço.
"Seis anos sem masturbação! Isso é um milagre de Deus por si só!" pode crer!! 6 dias já é muito, imagina, 6 anos!!!!
Acredito que existam muitos adeptos de religiões, pelo fato de as pessoas quererem tudo da maneira mais fácil, afinal, qual o mais fácil: dar seu dinheiro pra universal e ver o milagra acontecer, ou trabalhar durante 5, 10 anos pea conquistar algo?
Engraçado, semana retrasada, li um dos livros da revista Sentinela, tive essa mesma impressão que você falou, de que eles moldam as palavras da Bíblia ao bel-prazer deles.
Ainda terei o prazer de conhecer vc pessoalmente e apertar sua mão.
Sentar para um café e passar um bom tempo falando de HQ's, Filmes e tudo o mais que vejo que temos em comum.
Sou cristão praticante, não gosto do rótulo "evangélico". Prefiro dizer que sou seguidor de Cristo e temente a Deus.
Lendo esse seu texto, passo mais ainda a respeitá-lo, pois em nenhuma frase sequer(pelo contrário) procura induzir as pessoas ao seu ponto de vista.
Sua experiência de vida fez com que vc se firmasse nessa (des)crença, e vc é feliz assim.Eu creio em um Deus, de forma pragmática e até digamos fanática, mas isso não me faz diferente ou especial, tão pouco melhor. Pelo seu texto vejo que vc também pensa assim de seu ponto de vista. Parabéns! Siga suas convicções e vc encontrará a Verdade...assim eu creio.Abs.
Eudes:
Saudações!
Sempre digo que, para ser um ateu completo, há que se existir um deus para não se acreditar nele ou é coisa de doido dizer que não crê em algo que não existe; dessa forma, fico muito confortável dizendo que sou agnóstico.
Abraço a todos.
O ateu não desacredita em algo que não existe, ele acredita que não exista esse algo, da mesma forma que vc acredita que não existam fadas, duendes, dragões, unicornios e nem por isso essas coisas precisam existir para vc desacreditar nelas.
Caro Eudes, saudações!
Em primeiro lugar, gostaria de te agradecer de novo por compartilhar tanto material de qualidade conosco. E agora mais ainda por compartilhar estes pensamentos. E isso me faz lembrar do velho conceito da sincronicidade tão presentes nas HQs do Constantine e do Morrison, porque o tema "ateísmo" tem sido um assunto muito presente nos meus pensamentos há algum tempo, e foi muito engraçado me deparar com um texto tão interessante justamente num site onde baixo quadrinhos.
Para começar, é preciso dizer que também tive uma experiência religiosa intensa, quando era adolescente. Foi na seita do "bispo", onde passei um ano e meio, e seis meses sem bater nem umazinha (kkkk até hoje é meu recorde). Depois disso passei um tempo afastado de tudo, até encontrar a doutrina kardecista, que para mim fez sentido por um tempo, até eu começar a perceber suas falhas e começar a duvidar.Depois disso mergulhei em outro mar de incertezas, o qual estou navegando até agora.
Hoje me considero um agnóstico. Meu motivo para não negar 100% a existência de Deus é simplesmente porque, além de um autoridade suprema, ele nos leva diretamente a acreditar que existe algo depois desta vida. Sim, a MORTE é a grande ameaça que existe para acreditarmos em um deus. Nós precisamos acreditar que existe alguma coisa depois desta vida, pos, apesar de todo o sofrimento, nós gostamos de viver, queremos viver, queremos existir. E se, a qualquer momento, podemos simplesmente deixar de existir, então por que viver? Por que ser bom? Por que seguir regras? Por que comprar quadrinhos e não simplesmente ler scans? Por que qualquer coisa??? Estes por quês ainda são a grande barreira que nos fazem acreditar em alguma coisa suprema. Não importa quanto ateu alguém seja, quando se está diante da morte, todo mundo quer desesperadamente, apesar da ciência e da lógica, acreditar em alguma coisa, que ainda existe vida depois dessa.
Isto nos faz sentir como aquele pessoal de Matrix que vive no mundo real: ele é uma bosta. Às vezes invejo aqueles que têm uma fé, uma crença, porque eles conseguem acreditar em alguma coisa sem as aterrorizantes palavras "e se?".
Prezado Eudes,
Deixar de ler livros de uma seita para ler Dawkin é apenas trocar uma visão distorcida por outra. Espero que o tempo e meditação sobre a verdade e porque ela liberta, o ajude a encontrar o verdadeiro Norte.
Abs.
Ao menos eu posso discordar de Dawkins em algumas coisas que ele diz, já de Deus não se pode discordar nunca, já que não existe essa opção neste caso.
Eudes:
Saudações!
Não existem fadas, duendes, dragões e unicórnios? Mon dieu, je suis désolé...
Grato pelo seu trabalho abnegado e despretensioso e também pela oportunidade de trocar idéias dos mais diferentes pontos de vista.
Abraço a todos.
Bem,da minha parte, sempre foi bom ser ateu.
que texto sensacional!
é fato que religiões são importantes: elas estão presente em quase todas as culturas, nas culturas que já morreram e provavelmente nas que virão tb.
quando os portugueses chegaram aqui com os ensinamentos da igreja católica, os índios já tinham seus deuses. os negros tb tinham os deles. os japoneses já tinham o buda sem nunca terem ouvido falar de jesus.
então concluo que se esse conceito de religião existe sim pra trazer uma paz espiritual pra galera, e acredito que ele - o conceito - seja até necessário dentro das civilizações. ditando um caminho, estabelecendo uma regra...
acho muito bom que exista essa possibilidade de a galera seguir por um caminho do bem. muita gente encontra um propósito frequentando igrejas: fazem amigos, socializam, se casam, se divertem e louvam, glorificam, rezam...
respeito muito e sou curioso quanto a religiões...
MAS SOU ATEU!
quando criança fiz catecismo por influência familiar. nem um dia sequer eu acreditei nas palavras que ouvi. não sinto deus em nada e em lugar nenhum, nunca senti.
e eu me sinto triste por isso... mas é assim que é. essa é a minha verdade, eu nem tendo convencer alguém de que estou certo, pq na verdade eu não sei se estou.
eu tenho plena convicção de que deus não está lá, e digo isso pelo tamanho das injustiças no mundo. elas são absurdas e eu não consigo ignora-las.
no fundo eu acho que sou curioso quanto a religiões pra ver se um dia eu encontro uma que me sirva, mas acho que não vai rolar, já tenho 43...
desculpem o textão, mas o eudes sabe mexer conosco...
vou terminar repetindo isso aqui: respeito todas as religiões e todas as pessoas que seguem esse caminho. ele não serve pra mim, portanto vc não me encontrará na igreja domingo de manhã, mas vc me verá sim ajudando em campanhas, fazendo doações, participando de mutirões, visitando igrejas... muitas delas fazem sim um importante trabalho social onde auer que estejam...
mas conheço uma família absolutamente humilde sendo destruída pelo edir macedo.
vcs acham que se deus estivesse lá ele permitiria que usassem o nome dele dessa forma?
beijos, desculpem o texto, e fiquem com deus...
Seu texto é muito bom Eudes, tambem para pessoas que tem fé. O ateísmo nos ajuda a perceber tudo aquilo que é caricatura ou deturpação da fé e da religião por via indireta. O que vc.rejeita eu tambem rejeitaria se religiao e fé fosse apenas isso. Tudo aquilo que o ateísmo condena serve como uma purificação daquilo que realmente é crença verdadeira, diferente da superstição. Eu particularmente creio, pois existe dentro de mim uma fome pelo Infinito e acredito que isso seja um sinal claro de que existe algo muito superior mim que corresponde a essa agua viva que tanto desejo; Eu creio, pois para mim seria um grande absurdo ter olhos pra ver se nada mais existisse para ser enxergado, do mesmo modo é igualmente absurdo de meu ponto de vista uma existência que carece de um sentido transcendente. Há uma grande realidade superior a mim, que me envolve e conduz minha vida. e nao é porque nao a compreendo por completo que essa realidade se reduziria apenas ao mundo material. Nao creio em Deus por medo do castigo. Na verdade como creio em Deus como o sumo-bem e a Plena realização do coração humano, o maior castigo e o verdadeiro conceito de inferno seria para mim uma realidade de total ausência dele. Os mandamentos dele para mim nao soam como meras proibições, mas parâmetros de vida. Respeito sua atitude em nao acreditar. Já Para mim há 40 anos Ele tem me feito muito feliz!
Texto bacana, Eudes! Também vou meio por aí, mas ainda não me definindo totalmente ateu. Parabéns!
***
Será muito bom quando mais e mais pessoas escreverem sobre como se livraram da doença mental denominada religião, na qual a pessoa é levada a crer que é dois (corpo/espírito) o que em si já é uma das características da esquizofrenia.
Além de acreditar em seres invisíveis.
E conversar com eles!
Se isso não for loucura eu nem sei mais o que seja.
***
Obviamente, vivi esta loucura. Tomei decisões baseadas nela. E me ferrei.
Para minha sorte, surgiu na minha cidade um curso de pós-graduação em ensino da ciência.
Era mais uma atividade diletante, porém serviu para sedimentar os conceitos recomendados pelo método científico.
Uma epistemologia diversa da religiosa. Seu princípio básico é: não aceito o argumento da autoridade.
Coisas que quem cita os livros sagrados não tem: humildade de saber que não sabe e saúde mental para separar o que existe do que não existe.
Se alguém quiser afirmar alguma coisa é bom que tenha provas.
E isso é muito humilde e saudável.
Fui salvo pela ciência!
***
Minha peregrinação pelas religiões foi de expulsão em expulsão e, até hoje, alguns irmãos tentam me resgatar.
Afinal, mesmo malucos tem bom coração.
E tratando com doidos o melhor é nunca contrariar.
Fica a dica para quem tiver relacionamentos próximos com religiosos.
***
Ocorre que sou uma pessoa religiosa.
Não participo das religiões porque não tem como.
Quando eu falei de ciência e suas consequências práticas, fui expulso.
Porém, por ser religioso, vejo uma certa intencionalidade no universo.
Por exemplo: a singularidade.
Hoje se sabe que o universo esteve comprimido num ponto que expandiu-se em tempo/espaço e energia.
Então, me parece que o que somos (o eu) tem essa mesma necessidade de manifestar-se, porém não mais em energia, mas em pensamento e vontade de ser.
Outra coisa que eu gosto muito é de acordar na realidade.
Não importa o que sentimos ou pensamos, mas o que fazemos.
Toda vez que nos concentramos no que fazemos, como e por que estamos fazendo.
Existe um despertar da consciência no presente.
E isso é muito bom.
***
Assim, acredito que o ateísmo é mais um aspecto da religião.
Apenas, diferente dos religiosos comuns, o ateu é guiado pela ciência na busca da mesma resposta a mesma pergunta eterna.
O que somos?
Um ateu, graças a deus.
Realmente, o ateísmo não deixa de ser uma religião, onde os há também os fanáticos e os mal intencionados, como na religião envolvendo Deus ou deuses.
Sempre dizem, religião significa religar, o homem com Deus, então pode ser também REligar o homem com a ciência, com o conhecimento, com a verdade e com a lucidez. Gostei do seu comentário.
Os últimos parágrafos resumem como eu lido com minha descrença (até assistir a missa com a companheira é algo fácil de ser feito por mim). Sim, não só porque vivemos no mundo dos religiosos, mas por eles serem pessoas como nos, com objetivos, sentimentos e valores. Me sinto na obrigação de tratá-los com parcimônia e me parece um "pecado" tentar mudar as convicções dessas pessoas, além disso, não considero o fenômeno religioso (ou qualquer tipo de crença sem respaldo na realidade) seja tão nefasto como alguns intelectuais proeminentes pintam. E já vou dizendo que não estou querendo nos colocar em um pedestal dos iluminados, mas não me parece que o ateísmo é para todos, existe algo na religião que preenche algo nessas pessoas e o tenho respeito por isso.
Bem, o olhar cético do mundo pode ser muito empolgante, então espero que sua mudança tenha trazido alegrias e paz de espírito, assim como me vem trazendo.
Sou Cristão e respeito à sua decisão
Mas não sou impedido de fazer o quero da minha vida. Acho que cada um é livre pra escolher o que quer. O livre arbítrio está aí mas como eu creio na existência de Deus, cabe somente ele julgar.As TJ é uma seita e como toda seita é comum eles distorceram a bíblia. Longe de convece-lo de acreditar na existência de Deus, amigo, mas acho que o que faz vc pensar assim hoje foi fruto de pressões familiares. Não vou deixar de gostar do seu blog porque vc não acredita em Deus, ok? E mesmo não acreditando, acho que ele te ama mesmo assim! Kkkk! Não me leva a mal ;-P
Sempre achei que o Futuro trará as respostas que não temos hoje. O problema das religiões é que elas acham que já tem essas respostas. É muita pretensão e muita vaidade (além de um desesperado medo da morte). Consigo viver muito bem sem ter certeza de nada. Acredito que o Deus das religiões não existe, mas não tenho como dizer se os agnósticos e os ateus radicais estão certos ou errados. Pode ser que a verdade seja meio agnóstica e meio ateia. Considero que um ateu pode ter perfeitamente esperança no futuro (no sentido da vida continuar após a morte), pois a ciência se desenvolve tanto que no futuro coisas assombrosas e consideradas hoje impossíveis serão até rotineiras. Os milagres sobrenaturais não existem, mas os milagres da ciência serão cada vez mais espetaculares. Sugiro um sereno ceticismo, combinado com estoicismo, e muita fé no Futuro do Homem e da Ciência criada por ele. Também acho interessante o pensamento de que o Homem é o único Deus que realmente existe.Um abraço.
Gostei do que li! Identifico-me com muito do que escreveu, embora nunca tenha pertencido ou professado alguma religião, como foi o seu caso. O único e original deus que a humanidade sempre teve alguma razão para adorar, foi e é, o Sol. O esto são sucedâneos, inventados para melhor nos subjugar. Abraço!
javal
Bom texto Eudes, No decorrer dos anos a melhor coisa que me aconteceu foi deixar de acreditar em uma força 'maior'. Comecei acreditar em deus desde pequeno ensinado pela minha mãe evangélica 'que hoje descansa com seu deus' Um pouco ensinado pelo meu pai 'católico de buteco' e pelos meus tios evangélicos.
O Engraçado que cada um saia uma versão diferente de 'Deus', pela minha mãe tive a versão daquele deus amoroso e sincero que sempre te socorre nos piores momentos e nunca desiste de você, Pelo meu pai era obrigado a rezar para santos e beijar pés de ídolos de barro, mas o mesmo que se dizia católico na época nunca deixou de beber e ia uma vez no ano na missa e 'tudo feito'. Pelos meus tios conheci aquele deus bom só que se fosse necessário colocar um câncer em vc ele colocaria sem exitar.
Durante minha infância e adolescência sempre pensei em deus como um ser de duas faces, até quando resolvi frequentar uma igreja pra descobrir o que seria essa coisa chamada 'deus'.
Quando comecei frequentar essa igreja tudo parecia maravilhoso, 'deus vai te dar isso' 'deus mandou eu te falar isso' 'tem 5 pessoas no nosso meio e deus manda falar isso'.
Quando isso começou aquele animo de 'conhecer a deus' que eu tinha já estava pra acabar, era tantas promessas vazias que sempre deixavam duvida, mas logo ali já veio a manipulação 'deus manda vc dar o dizimo se não ele vai tirar tudo o que vc tem' 'tem 5 pessoas que estão fazendo uma coisa errada se não parar de fazer isso deus ira castigar' eu vivia uma vida onde eu me sentia culpado 24h por dia, Não ouvia mais musica, não assistia filmes, não lia HQ, não podia me masturbar, evitava conversar com mulheres.
Até quando chegou o momento que não aguentei mais e desisti dessa vida, fiquei mais de 1 ano sem ir aquela igreja que eu frequentei por mais de 3 anos, A pedido de um amigo voltei fiz uma visita a igreja que ele era batizado, metade do culto era falando mal de igreja alheiras outra metade era pedindo dinheiro para os projetos da igreja, Logo em seguida comecei a frequentar outra igreja apenas por curiosidade a famosa 'igreja deus é amor' essa por si superou a primeira que eu frequentei, os servos dessa igreja era praticamente fantoches humanos que não podiam respirar sem a ordem divina 'tem uma pessoa aqui, que esa fazendo uma coisa errada, deus falou que vai colocar um câncer na sua cara' 'tem uma pessoa que se masturba nessa igreja (igreja com mais de 50 homens só um se masturba kkk) se continuar a se masturbar tu vai para o hospital' 'deus vai tirar suas pernas' 'vc que esta traindo seu marido, ou para de trair ou é sepultura' 'vai dar dizimo ou prefere ir pro inferno com sua fortuna' Sem dizer das promessas de curas que nunca se realizavam 'deus esta te curando hj' 'vc vai voltar a andar' o mesmo disseram pra minha mãe com câncer que faleceu 4 dias depois de uma suposta 'revelação de cura'
Muita coisa ocorreu em seguida que não da pra entrar em detalhes mas a melhor coisa dessa jornada foi deixar de acreditar em algo que não existe, deixar de carregar peso na consciência, fora uma crise de insonia que tive na época, a verdade é libertadora e a verdade é que não existem deuses lá fora pra te carregar no colo, se quiser alguma coisa faça você mesmo.
Parabéns pelo texto, minha história é parecida com a sua.
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