quinta-feira, 3 de maio de 2018

Com Johnny Eu Vou Até o Inferno

JERUSALÉM JONES: COM JOHNNY EU VOU ATÉ O INFERNO
Um conto do pistoleiro mais pilantra do Velho Oeste



- Johnny, por quê você tinha que se meter com a filha do chefe da tribo? Eu disse para não tentar enganá-los com suas babaquices. Olha onde estamos agora?

Estávamos amarrados em estacas, com uma pilha de madeira aos nossos pés. Morreríamos como as bruxas de Salem. E eu nem tive culpa de nada nessa história, dessa vez. Meu único erro aqui, era conhecer o maldito Johnny Covenant. Talvez eu gostasse de sua companhia mais do que eu queria admitir, mas, em geral, eu terminava em situações assim. Já bastava a mim, as confusões em que eu me metia sozinho. 

Covenant era um cara mimado, filho de ingleses, criado aqui no Texas. Eu o conheci em uma outra aventura - que um dia eu conto - e acabei descobrindo como as pessoas podem ser idiotas quando encontram alguém com capacidade para ludibriá-las e sair ileso. Covenant era assim. 

Cismava que era alguma espécie de mágico. Gostava de fazer truques com cartas. Tirar moedas das orelhas das crianças. O básico. Se ele ficasse nisso estava ótimo. Mas, gostava também de fazer truques com cartas enquanto jogava pôquer valendo muito dinheiro. E eu, idiota que sou, acabava fazendo parceria com o maluco, toda vez que tínhamos oportunidade. 

Para cada vez que nos dávamos bem, pelo menos duas ou três terminávamos sob a mira de pistolas muito nervosas, Eu nunca entendia porque seus truques pareciam não funcionar com todos. Ele me dava explicações mirabolantes e falava palavras que eu nunca tinha ouvido antes. Parecia um dicionário. Penso que apenas me fazia de imbecil. 

O fato é que sempre escapávamos, fosse pagando o prejuízo, fosse correndo muito. Mas, desta vez, acho que as coisas seriam diferentes. O índo que parecia o chefe da tribo - uma que aliás eu não conhecia - veio com a tocha, que iluminava tenebrosamente a noite - e baixou sob a madeira abaixo de mim. Olhei para Covenant e disse:

- Você vai me pagar por isso, nem que seja no Inf...

... acordei de repente. Não estava entendendo o que acontecia. Parecia estar em uma caverna. Apesar da escuridão. Onde eu estava?

- É o inferno, Jones. 

Dei um pulo. Johnny Covenant estava ao meu lado, naquela escuridão. Parecia estar bem, assim como eu, sem sinal de queimaduras. 

- Eu sei o que está s perguntando. eu nos tirei de lá. Mas, só havia um caminho mais próximo ao qual eu tinha acesso.

- Do que você está falando? Os índios desistiram e nos desacordaram e nos jogaram aqui embaixo? 

- Não. Se tivermos sorte.Saímos sem que ninguém perceba. Só preciso lembrar como se faz. 

Não queria escutar mais asneiras. Um cheiro forte que ardia nas narinas vinha de mais adiante e um calor desgraçado também. Andamos até a claridade e, quando minha vista se acostumou á claridade, eu pude ver que Covenant, de alguma forma, tinha nos enviado para a porra do Inferno, mesmo. Ou ao menos, um lugar muito parecido, já que nunca estive lá. 

Pessoas se arrastavam como se carregassem todo o peso do mundo nas costas, carregando pesadas pedras. Mulheres e homens, velhos e jovens. Porém, meso os jovens pareciam velhos. Havia algo desolador naquilo tudo, pois a quantidade de pessoas era enorme.

- Não viemos aqui pra isso, Jones. Precisamos subir. 

- Subir como, seu louco. Tá vendo alguma escada? E que lugar é esse? Uma mina? O que eles escavam aqui? 

- Tá, tá. é uma mina. Vamos embora. 

Corremos por entre as várias entradas que se abriam a nossa frente. Túneis dentro do túnel. Covenant parecia conhecer o lugar, pois não hesitava quanto a qual entrada escolher. Todas elas estavam marcadas com números romanos. 

- Só precisamos evitar entrar nas entradar com VI. Se entramos em três delas, pode ficar complicado para nosso lado. O chefe pode aparecer. 

- Que chefe? 

- Covenant se deteve, parando para pensar e ficou ali, como um dois de paus. Fechou os olhos e começou a murmurar coisas que eu não entendia. Fechou os punhos e torceu as mãos como se abrisse uma porta. E quando olhei para frente, uma abertura que eu não tinha visto, estava lá. Acho que me distraí e não a percebi. Eu precisava sair dali, o calor estava me matando. Além disso, eu podia sentir o sofrimento das pessoas lá atrás. Era algo que entranhava na mente. Já Covennat parecia estar dando um passeio no parque de diversões. Louco desgraçado.

- Chegamos. 

- Chegamos onde? É um beco sem saída. 

- vou precisar de sua ajuda. O... hmm... dono da mina está quase nos encontrando. Logo isso aqui vai estar cheio de capangas dele, e você não vai gostar. Portanto, me desculpe, mas isso vai doer. 

- Isso o qu... AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!! FILHO DA PU...

Não sei bem o que Covennat fez. Mas, imagino que não foi algo que eu vá entender nunca. Só sei que senti como se uma partre de mim - minha alma, ou algo assim - fosse arrancada de mim, e parecia como se minha pele estivesse em chamas. Sentir minha garganta se fechar, e meus olhos pareciam terem se tornado poços de escuridão. Quando todo esse sofriemtno acabou, foi tão imediato como começou. E eu estava no meio do deserto, totalmente nu. 

Na areia, pegadas recentes iam em direção á cidade. Minhas roupas estavam por perto, mas quase totalmente queimadas. Perto dos meus pés, alguma coisa estava escrita na areia. 

- Até a próxima, amigo. 

Seja lá onde fomos parar, Covenant deve ter conseguido nos levar para lá facilmente. Mas, parece que para sair a coisa era mais complicada. E quem pagou o pato fui eu. Eu sentia um rombo no meio do peito. Como se uma porta se abrisse para o nada. Acho que meu amigo da onça me usou como algum tipo de passagem. Ao menos teve a decência de me trazer junto. 

Estava amanhecendo e o sol não estava tão quente. Eu só precisava andar, pelado, até a cidade mais próxima. Vesti os trapos queimados como estavam, e fui embora. Estranhamente eu não sentia sede alguma. Parecia mágica. 


3 comentários:

Diego Altieres disse...

Porra cara, que conto foda!
Tem a intensão de publicar mais coisas como esta?
Adoraria acompanhar!
Abraço!

Eudes Honorato disse...

sIM, Jewrusalem Jones é um personagem que crisei há uns anos e estava um tempo sem escrever contyos deles mas voltarei a escrever, entre outros.

Joao Marreiro disse...

Excelente leitura. Admirável para um conto tão curto dar conta do recado com tanta propriedade. Excelente mesmo.

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