QUEM NÃO TEM SENSO CRÍTICO BOM SUJEITO NÃO É
O presidente Jair Bolsonaro já disse certa vez que "ninguém quer saber de aluno com senso crítico". Para ele, as pessoas, principalmente as de baixa renda, precisam apenas de uma escola técnica, sem se preocupar com essa coisa comunista chamada "senso crítico".
Já o Ministro da Educação disse que as universidade não são para todos, apenas para "uma elite intelectual". Ou seja, se é para correr o risco de que se aprenda senso crítico, que sejam poucos, e de preferência que sejam aqueles da elite, que pouco valor são a esse tal senso crítico.
Essa falta de senso crítico parece ser a marca deste governo, pois em seu quadro de ministros temos olavetes - como o ministro da educação e o de relações exteriores - e fundamentalistas religiosas, como Damares Alves. A falta do senso crítico não permitiu aos primeiros notar que Olavo de Carvalho é uma farsa e à segunda não conseguir separar política de fanatismo religioso.
A falta de senso crítico é sempre bem vida em governos que viés totalitário, pois ele prega a obediência e a a obediência não tem senso crítico, a pessoa apenas obedece, e segue acreditando e defendendo aquilo que o governo que odeia senso crítico manda.
Aqueles sem senso crítico geralmente costumam mandar quem os contesta estudar, como se eles ao menos entendessem o que isso implica. É apenas uma frase vazia - "vai estudar" - quem usam como escudo para sua inata ignorância, já que o máximo que leem é o Guia do Politicamente Incorreto, achando que estão lendo algo profundo e embasado.
Os ignorantes leem livros revisionistas, de teorias de conspiração ou os de Olavo de Carvalho e se sentem iluminados pela sabedoria vinda desses luminares do saber. E, quando confrontados com o conhecimento acadêmico, se fecham em suas conchas de ignorância e dizem, com aquele ar lamuriento: "vão estudar".
Com a falta de senso crítico que vem sendo cultivada com muito carinho nesses anos em que Bolsonaro e Olavo de Carvalho se uniram para uma nova era do Brasil, vimos crescer absurdamente a quantidade de pessoas que abrem canais no YouTube para vociferar que a Terra é plana entre outras idiotices que, graças à falta de um mínimo de inteligência, têm sido levadas a sério por outras pessoas tão perdidas quando elas.
A falta do senso crítico, no entanto, como cresceu alucinadamente passou a ser visto como algo bom, que faz parte desta nova geração de idiotas úteis, pois os únicos questionamentos que eles fazem, é justamente questionar aquilo que os faria acordar. Dormir o sono dos imbecis, para eles, é o melhor dos sonos. Acordar para a verdade seria doloroso demais. Enxergar que são enganados continuamente tiraria dos mesmos a única coisa que ainda os faz querer viver: a mentira reconfortante.
O que importa se a verdade vem de um velho caquético que diz que cigarro faz bem, ou de um imbecil que se diz músico, mas só abre a boca para despejar dejetos que seus seguidores aparam como o água no meio do deserto.
A verdade é o que menos importa. A verdade fabricada por quem ri de suas caras, por acreditarem tão facilmente, é mais bonita e aceitável. Feito este serviço da quebra do senso crítico, basta apenas dizer em quem eles devem votar, em que notícias eles devem acreditar, e de quem eles devem lamber os sacos e a quem eles devem odiar. São crianças que soltaram a mão dos pais no supermercado e seguraram a mão do primeiro iletrado que viram, e seguiram com ele.
A falta de senso crítico tornou essas pessoas como ovelhas, como gado. Mas, o pior de tudo é que, lá no fundo de suas almas perdidas, elas sabem a verdade, pois ela os assombra dia e noite, vinda de um senso crítico que insiste em emergir, tentando desesperadamente chegar à superfície, sendo afogado logo em seguida, pelo medo e o desespero de encontrar o impactante mundo real. Mas, algumas vezes, ele consegue chegar a superfície e respirar novamente, nessas horas essa pessoa descobre que um aluno com senso crítico importa sim, e muito.















































