ULTRASEVEN ME ENSINOU SOBRE COM
QUEM NOS IDENTIFICAMOS
Eu entendia bem superficialmente o que significava representatividade. Eu compreendia o conceito, mas não a ponto de sentir o que as pessoas que precisam de representatividade sentem. Até que eu me lembre do Ultraseven. Eu adorava o Ultraman, que veio antes dele, mas gostava muito mais do Ultraseven. E, apenas há pouco tempo, fui entender o porquê e isso me fez entender o que a representatividade representa.
Eu usei óculos quase a vida toda. Desde criança já estava lá com meus óculos. Relembrando como Ultraseven se transformava, eu entendi porque gostava mais da série dele. Ultraman usava para se transformar uma cápsula que ele erguia para os céus, já Ultraseven usava algo bem parecido com óculos. Levando minha memória até aqueles dias, eu sei que aquilo me fazia sentir especial, afinal, um super-herói usava um óculos para se tornar poderoso.
Isso me ajudou a entender melhor porque as pessoas pedem representatividade. E como elas se sentem quando isso acontece. Porém, me ajudou a ver, também, que a representatividade pode ser algo usava para o mal, talvez até com mais eficácia do que quando usada para o bem. Foi o caso da eleição de Bolsonaro, que ganhou porque ele fez muitas pessoas se sentirem representadas pelos seus discursos, por suas várias falas e por seu jeito "sincero" de se expressar.
As pessoas queriam o fim da corrupção, mas, até aí, qualquer pessoa honesta quer. O discurso anti-corrupção de Bolsonaro não pode ser usado aqui como exemplo de boa representatividade, afinal, o combate à corrupção não é um favor, é uma obrigação de qualquer governo, assim como cuidar da segurança, educação e saúde. Prometer essas coisas é chover no molhado. Mas, algo mais fez com que as pessoas se sentissem representadas por Bolsonaro: o discurso de ódio.
Obviamente não são todas as pessoas que votaram nele que se identificavam com esse discurso de ódio. Porém, foi uma quantidade suficiente para que ele ganhasse as eleições. E não foi apenas o ódio representado pelo anti-petismo, foi muito além. Foi o ódio às minorias, aos gays, às mulheres, aos refugiados, ao pobre, ao favelado, ao negro, ódio a tudo que seja fora de sua esfera de influência. Isso se manifestava em suas falas e é assim até hoje:
"As minorias tem que se curvar à maioria"
"O afrodescendente mais leve pesava sete arrobas"
"Ninguém liga para aluno com senso crítico"
"Prefiro que meu filho seja atropelado a que seja gay"
"Sou homofóbico e posso dizer isso porque tenho imunidade"
"A última foi uma fraquejada"
"Vamos matar a petralhada"
"O erro da ditadura foi torturar em vez de matar"
"A democracia só existe se as Forças Armadas assim o quiser"
Não caberiam aqui todos os ditos populares de Bolsonaro. Pensei em colocar as frases e os vídeos, mas é um trabalho inútil. TODOS já conhecem esses vídeos e essas falas. E quer saber? Foram essas falas que o elegeram. Essas falas que representam quem votou nele. Foi isso tudo que deu a vitória a Bolsonaro, talvez até mais do que o anti-petismo.
O interessante disso tudo, é que esses que adoram esse discurso de ódio, ao lerem esses textos, tentam reverter esse discurso para mim. É uma tática olavista, de "acusar os outros daquilo que você faz". Eu fico lembrando de apresentadores de programas policiais como o falecido Alborgheti. Ele gritava, espumava, era um cão enraivecido e isso era toda vez que falava de bandidos. Ninguém o acusaria de discursar ódio, pois estava falando de bandidos. Pois, é o mesmo comigo.Sou intolerante com discurso de ódio e com bandidos. E não falo nem 20% do que Alborghetti falava.
Mas, voltando à representatividade. A frase "fulano me representa" ficou muito conhecida e falada nos últimos tempos e, com certeza, muitos bolsominions gostam de dizê-la quando falam de Bolsonaro. E estão falando a verdade. Como eu disse antes, creio que não são todos, ou assim espero sinceramente que seja, pois se esse discurso de ódio representar 55 milhões de pessoas, estamos completamente fudidos. Espero que a maioria tenha apenas acreditado no discurso anti-corrupção que, no fim das contas, era só a balela que sabíamos ser.
No mais, o que eu espero é que o ódio seja vencido, mesmo que, para isso, precisemos nós sermos o Ultraseven.