Mostrando postagens com marcador Memória. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Memória. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de março de 2017

Scans Que Eu Li: Spread 01 a 19

SPREAD - #01 a #19 
Tradução e Letras by Guardiões do Globo
(Série em andamento)

PARA BAIXAR, CLIQUE AQUI

No (é o nome/apelido do cara) vive num futuro pós-apocalíptico que foi arrasado por uma praga chamada Propagação (Spread). Ele é um cara solitário e que fala pouco. Geralmente abre a boca apenas para dizer "não". É quando a pequena Hope cruza o seu caminho. A bebê é capturada por saqueadores, das mãos de alguém que não é sua mãe. 

No é um dos poucos que é imune a praga. E a praga não transforma as pessoas em zumbis ou algo assim. Transforma em algo muito pior e muito mais perigoso. Quando está enfrentando uma dessas criaturas, No entende porque a moça que a carregava disse, antes de morrer, que Hope era muito importante.

Como se não bastasse, No agora encontra também Molly. Uma mulher com problemas mentais que foi capturada e, com certeza, será usada como escrava. No a salva, também. Agora são três. E parece que só tende a aumentar a nova família de No. 

Com um toque de The Walking Dead, Lobo Solitário e Ataque dos Vermes Malditos, Spread é mais uma HQ que a Image (e Os Guardiões do Globo) nos traz para nossa alegria. 



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Aniversário: 13 Anos de RA

ANIVERSÁRIO DE 13 ANOS DO RAPADURA AÇUCARADA
Porquê é um blog estranho e vamos mantê-lo assim

images copy

Em janeiro do ano que vem faço 15 anos de casado, ou seja, foi dois anos depois que começou meu relacionamento com o Rapadura Açucarada que, assim como um casamento, teve (e tem) seus altos e baixos. Claro, a relação aqui é mais de pai e filho, mas, mesmo assim, é conturbada. Porém, nada que as alegrias não superem.

Bom, a origem do blog, quase todo ano eu conto. Num resumo bem rápido para quem ainda não conhece é:

“Depois que escaneei uma página de Almanaque Marvel #3, da Editora Pandora, em que eu queria mostrar uma história do Deadpool ali publicada para amigos no grupo cinema.uo (atual Trollnet), percebi que eu podia fazer isso a sério, com gibis inteiros, pois lembrei que isso era feito num site chamado Toca do Carcaju, que foi fechado pela Editora Abril. E fiz.”

almanaque-marvel-03-editora-pandora-7095-MLB5143277450_102013-F

A imagem que abre o post é uma tentativa de reproduzir o primeiro logotipo que o blog teve. Original, não? E nem entrega minha preferência pela DC, mesmo que tudo tenha começado com uma HQ da Marvel. Mas, para a época, isso pouco importava. Escrevi “Rapadura Açucarada” ao lado do logotipo e tasquei lá em cima, sem saber muito bem no que iria dar.

O fato é que, na origem antes da origem, o blog não tinha intenção de ser sobre quadrinhos, mesmo que, provavelmente, eu citasse o assunto de vez em quando. Hospedado no Weblogger do Terra, que nem existe mais, era uma coisa bem sem graça, pois eu nem sabia que existia uma palavra chamada template.

As visitas eram praticamente todas do grupo cinema.uol – que falava de tudo, menos de cinema – pois era um pessoal muito gente fina, que insistia em visitar, não sei exatamente porquê. Eu publicava umas piadas, colocava umas imagens, mas nada que dezenas de outros blogs não estivessem fazendo melhor.

logo_RA_01

A entrada do Deadpool em cena é que foi mudou tudo. Eu tinha um scanner, mas, serei sincero, nunca o havia usado para absolutamente nada. Compramos porque parecia algo que precisaríamos em algum tempo no futuro e, realmente precisei. Mas, até hoje, depois de tudo, ele ainda guarda alguns mistérios, para mim.

Mas, o fato é que, novamente o grupo uol.cinema (sim, esses caras foram essenciais para a continuidade do que viria a seguir) apoiaram não só visitando, mas ajudando com scans e traduções. Só não cito nomes, porque não lembro de todos, e ficaria chato lembrar de uns e omitir outros. Sem contar que eram muitos.

O banner acima foi a segunda versão, já melhorada, por alguém que fez especialmente para o blog.

camelot-3000-editora-abril-numeros-1-a-4-418201-MLB20297798712_052015-F

Infelizmente é impossível eu dizer com precisão qual foi a primeira HQ que digitalizei inteira. E não, não foi o Almanaque Marvel #3, da Editora Pandora. Dele eu fiz apenas uma páginas mesmo, e enviei para o grupo.

Não o escaneei, porque era um mix, com histórias incompletas, e eu não tinha os outros números. Não fazia sentido fazê-lo Assim sendo, fui fazer outros. Lembro que, na época, estavam sendo publicados a minissérie Gerações, de John Byrne e, também, começava a sair nas bancas Planetary/The Authority, que durou apenas três edições. Sei que essas estavam entre as primeiras. 

Mas, aquela que marcou, como a primeira digitalização realmente importante foi Camelot 3000, o encadernado publicado ainda pela Editora Abril. ainda não havia nenhuma das edições encadernadas em formato americano que viriam a sair mais tarde.

Foi a primeira que alguém resolveu me dar dicas de como melhorá-la e de como postar. Por mais bizarro que pareça hoje em dia, eu postava página por página em um site chamado kit.net. Sério, no início de 2003 eu não sabia o que era Winrar.

Também me disseram que apertando tais teclas, a aparência melhorava. E aconteceu mesmo. Tive de fazer o mesmo em cada página e reenviar. Era o começo de um longo aprendizado que nunca termina.

Untitled-1js

O problema de colocar os scans em WinRar era que tornava o Kit.net inviável, já que ele não aceitava arquivos comprimidos. Começava aí, também, uma busca incessante or lugares para alocar os arquivos, que me levou aonde muitos homens já estiveram: Intelig, Rapidshare, compartilhamento por conta de e-mail, Megaupload, e assim por diante. Até pagar um lugar eu paguei, certa vez. E foi aí que tive de parar, pois mandaram o site deletar os arquivos. O que mais gostei, foi que me perguntaram antes o que deviam fazer, e eu disse ape4nas que deviam apagar sim.

Assim, o blog passou por um tempo sem scans, onde eu colocava poesias (e o pessoal só faltava me xingar), links, mulher pelada, vídeos, mais links, mais mulher pelada. Com o tempo comecei a escrever memórias, contos e no meio disso tudo nasceu Jerusalem Jones, e me orgulho bastante disso.

hv85qp

Mas, aos poucos, tudo voltou ao normal de novo. Quer dizer, quase normal. O blog se tornou um híbrido das duas fases. Agora eram scans e textos. Na verdade, qualquer coisa que me desse na telha, e é assim até hoje. Se amanhã eu quiser falar sobre jardinagem, vou falar. Ei, voltem aqui! É zoera.

A segunda fase dos scans – a Era de Prata – veio com toda a força. Os scans traduzidos que eram feitos na primeira fase por visitantes do RA, a sua maioria ganhou casa própria. Blogs como o Immateria estavam empenhados nesse serviço e ele e outros gerariam outros que gerariam outros. Assim, eu pude me concentrar em tentar completar um ou outro título, como foi o caso de Preacher que, com a ajuda do misterioso JP Volley na tradução, consegui terminar, pela primeira vez no Brasil, todas as 66 edições.

Também tivemos Akira, Animal, Aventura e Ficção e por aí vai. Graças a ajuda de muita, muita gente MESMO! Sozinho não teria feito nem a metade da metade disso.

RA (1)

E, assim, os anos foram passando e os scans que fiz com tanto zelo foram ficando defasados em relação a monitores de LED e a tecnologia dos tablets. Eles foram os pioneiros, mas precisavam descansar agora.
Olhar uma HQ digitalizada de 13 anos atrás, hoje em dia, era como ver um veterano de guerra: tinha seu valor, mas agora não aguentava mais a batalha. Assim sendo, resolvi que deveria refazer todos que eu fosse reencontrando, na medida do possível.

Ainda conto com ajuda, mesmo que não seja na mesma quantidade que antes. Mas, recebo muitas contribuições, sendo que a maioria são de HQs físicas, o que me deixa bem livre para digitalizar e restaurar da forma que eu quero.

Não faço mais nenhum formatinho. Primeiro, pela dificuldade e tempo extra que se leva para restaurar. Segundo porque tem sites fazendo isso bem mais rápido do que eu faria, como o Rock & Quadrinhos, para citar um exemplo.

492276_jerusalem-jones-o-deserto-te-chama-679335_L1

Outro grande acontecimento, que agora faz parte dos anais (uia!) da história do RA, foi a publicação – mesmo que de forma bem modesta – do livro com os contos de Jerusalem Jones que escrevi aqui, com o último conto inédito,feito apenas para o livro.

É algo que me deixou feliz, pois mostrava que eu também podia criar, não apenas copiar o que outros faziam.

Por fim, deixo aqui minha visão do que é o compartilhamento de arquivos: é essa forma que todos nós temos de levar o que gostamos, de dizer, olha, eu gostei disso e acho que você também vai gostar e, quem sabe, até se animar em comprar, se achar que vale mesmo a pena. É como emprestar um gibi, só que para centenas ou milhares de pessoas. Mas, só é compartilhamento, se for gratuito. Se não puder ser, melhor nem começar.

Bom, sei lá, é só o que penso. Fico aqui, e agradeço a todos que acompanham ol blog seja por 13 anos, ou por 13 dias. Só está aqui ainda, porque alguém vai usufruir aí do outro lado. Até mais.

Eudes e Lucy copy

P. S.: Sim, tem presente, ele vem amanhã – dia 22 – ou no máximo dia 23 se eu me atrasar. Só para deixar uma dica, é mais uma HQ que será completada. Amanhã ou depois saberão qual é.

banner RA

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Gibiografia


GIBIOGRAFIA – MINHA HISTÓRIA EM QUADRINHOS

1118009-kid_reading_comic

Entro na estranha máquina do tempo, uma espécie de divã em formato de uma motocicleta sem rodas, com assento mais largo. No que seria o guidão aciono o memorial-pad. Ele escaneia minhas ondas cerebrais e procura a memória afetiva mais frequente: quadrinhos, é o resultado. O contador passa a procurar a data-momento onde minhas memórias guardam a lembrança mais antiga que tenho sobre quadrinhos. E sou jogado para lá em um vórtice enjoativo. Estou em meados de 1975, na casa em que morei quase a vida toda.

A viagem não é física, mas virtual. Estou lá e não estou. A máquina funciona por datas e temas. Estranhamente ela escolheu quadrinhos. Me vejo sentado no muro da meia-água onde eu morava. Uma das minhas muitas tias – por parte de pai – chega com um monte de revistas em quadrinhos e me entrega. Ela sabe que eu não sei ler ainda, e pouco se importa com isso. Em algum momento ela notou a minha afeição pelos quadrinhos e me trouxe este presente.

Meus dois tios mais novos – irmãos dela – se aproximam e pedem para ver as revistas. Eu deixo. Como já sabem ler, querem emprestado. Vão separando as que querem, uma a uma. Somente as melhores, as de super-heróis. Mas, ainda deixam uma comigo: Riquinho. Nunca mais vi as outras. E tomei uma certa raiva das revistas do Riquinho.

A máquina diverge e me joga mais para a frente. Estou com minha mãe  no ponto de ônibus. É o ano seguinte e já sei ler um pouco. Ao nosso lado uma banca de jornal muito humilde tem alguns gibis. Esta banca é, na verdade, uma pequena filial de uma maior que fica num bairro mais distante. Foi a única banca que meu bairro teve e, depois que ela acabou, alguns anos depois, nunca mais teve outra, até os dias de hoje.

Peço CR$ 1,00 (um cruzeiro) à minha mãe, para comprar uma revista do Pato Donald. Era superfina, pouquíssimas páginas, mas era o que eu podia comprar. Ela me dá o dinheiro e eu a compro, como se estivesse adquirindo ouro puro.

Vou mais para frente um pouco – quase nada – e estou em casa novamente, com minhas irmãs e irmão – esperando minha mãe chegar. Ela foi às compras e parece estar demorando. Ela chega cansada, mas com um certo brilho nos olhos. As bolsas ainda são aquelas de papel, com alças, Ela as deposita no chão e me chama. De dentro de uma delas ela puxa algo.

Olhando de onde estou, parece que tudo se passa em câmera lenta, ou talvez seja apenas ela saboreando a alegria de me ver em expectativa. Ela retira um gibi da bolsa. Eu quase não consigo acreditar. A imagem à minha frente é a mesma que carrego na memória: ela segura uma revista em quadrinhos de O Mestre do Kung Fu. Nunca tinha visto. Não sei se vou gostar ou não, mas sei que é o melhor presente do mundo.

Os anos passam com um pouco mais de pressa e já estou em um tempo que meu pai se foi, separou-se de minha mãe. Ela seguiu sua vida e cria a nós quatro sem nunca reclamar desse fardo. Chegamos a ter um padrasto, mas não deu certo. Então ela procura não se apegar. Quando arranja um namorado, para minha surpresa, ele gosta de gibis, exatamente como eu. Acho que eu nunca tinha visto isso, um adulto que lia gibis.

Seu nome é engraçado, Daguiberto, nunca esqueci.Quando ele mesmo não me dá seus gibis, me dava dinheiro para eu comprar. Numa dessas vezes, eu pego o dinheiro e saio pelo mundo para comprar uma revista. Não encontro a banca que estou acostumado a ir aberta. Então ando mais e mais. Acabo indo muito longe, mas compro o que queria: a Disney Especial – Os Cosmonautas. Era o primeiro gibi com tantas páginas que eu tinha.

Quando chego em casa, quase apanho. Demorei demais, e ninguém sabia onde eu estava. Daguiberto quase apanha também.

A máquina acelera e estou em meu primeiro emprego, aos 11 anos de idade. É 1980. O que aconteceu foi que perguntei minha mãe se eu podia trabalhar. Ela reluta um pouco, mas decide que posso, e consegue emprego para mim num armazém de um senhor para que ela trabalha de faxineira em sua casa: o Seu Joaquim. Para minha surpresa é o pai de uma de minhas primeira – ou talvez a primeira – professora, de muitos anos atrás. Anos depois iria trabalhar para seu filho, no bar dele. O dinheiro não dá para comprar muitos gibis.

No ano seguinte a coisa toda muda. É como se fosse a Era de Ouro dos quadrinhos para mim. Estou com 12 anos e consegui emprego em uma padaria de bem pouco movimento no tal bairro onde a banca de jornal matriz, que mencionei lá em cima, fica. Junta a fome com a vontade de comer.

Me vejo acordar todo dia bem cedo e, antes de seguir para a padaria, começo a ir a banca. Acelero o tempo e me vejo criar uma relação comercial e de amizade com os dois jornaleiros donos da banca. Até mesmo confiam em mim para comprar fiado. Ganho tano a confiança deles, que já chego e não pergunto mais o que saiu de novo, apenas entro na Kombi, procuro os pacotes, abro e vou pegando o que quero. Pensando nisso hoje, era muito estranho fazer isso.

Com o tempo acelerado, vejo minha coleção de quadrinhos crescer e não caber mais no pequeno armário amarelo onde eu as colocava. Não compro mais apenas Disney ou apenas super-heróis, eu compro TUDO que sai. De Turma da Mônica a Espada Selvagem de Conan. Tomo conta de um grande armário branco que fica na sala e uso toda a parte de baixo para colocar minha coleção. Arrumo em várias pilhas bem organizadas.

Fico sabendo já depois de adulto, que minhas irmãs pegavam quadrinhos da Turma da Mônica que tinha medo de pedir emprestado, quando eu ia trabalhar e colocavam de volta na mesma posição, para que eu não desconfiasse. Ri quando me contaram isso.

O armário branco torna-se pequeno também, e não consigo encontrar solução. A casa não tem espaço, e muito menos eu tenho um quarto meu. Nenhum de nós tem. Uma ideia me vem a cabeça.

Todo domingo, na rua da padaria onde eu trabalho, há uma feira livre e há algo lá que destoa de toda a feira: uma banca de gibis usados, onde eu mesmo comprei alguns. Fico sabendo que eles compram, também, e falo dos meus mais de 500 gibis. Eles aceitam comprar. Então, arranjo três grandes caixas, coloco todos eles dentro e consigo um carrinho de mão, para transportá-los até lá. Eu já começava a exercer o desapego, quando necessário. Com o dinheiro arrecadado, comprei minha primeira bicicleta, mesmo que de segunda mão.

Então, nos anos subsequentes eu não mantenho uma coleção tão vasta como aquela. Sempre compro, guardo, troco ou vendo. Faço muitos amigos por meio da troca de gibis. Também vou crescendo, chegando à idade adulta e um desastre acontece em minha vida: quando chego aos vinte anos me torno religioso, uma Testemunha de Jeová.

A máquina para com um sopetão e eu me vejo parar de comprar quadrinhos, pois a doutrina ensina que é errado lê-los, devido às duas muitas más influências, como por exemplo, personagens baseados em deuses pagão, como Thor, ou no próprio demônio, como Daredevil (Demolidor). E assim, sigo por sete anos, demorando para perceber que tudo é basicamente um discurso para nos fazer sentir culpados, e que muitos fazem e veem o que querem, fora das reuniões religiosas.

Como se para compensar, coleciono muito material de leitura da religião, quase como quando eu colecionava quadrinhos. Mas, não é a mesma coisa, Perto do fim dos sete anos – que por ironia, significa perfeição, na simbologia bíblica – eu já voltei a ler alguns quadrinhos. Quando abandono a religião, o primeiro gibi que leio é O Reino do Amanhã (Kingdom Come, uma alusão ao Pai Nosso), fazendo a ironia estar novamente presente.

Volto para o mundo dos vivos, agora com 28 anos de idade. A máquina do tempo parece navegar em águas mais calmas. Ainda estou meio perdido, mas as coisas vão ganhando foco novamente. A síndrome do Pânico que adquiri antes de me tornar religioso ainda prevalece. E não, não procurei nas Testemunhas de Jeová uma cura. Procurei conhecimento e, de certa forma, eu atingi o meu objetivo.

Na internet conheço outras ex-Testemunhas de Jeová e outras pessoas com Síndrome de Pânico. Essa facilidade em lidar com o mundo virtual faz com que cheguemos ao anos 2000, o alvorecer do século 21 e tudo volte a mudar na minha vida, mais uma vez. Conheço uma pessoa, no mundo virtual que, no ano seguinte se torna minha esposa, minha sempre amada Eliane, ou simplesmente Lia. O que vem pela frente é fruto dessas mudanças que ocorrem aqui.

A máquina dá um salto para o ano de 2003. Já estamos casados há mais de dois anos. Desde então, me imiscuí no mundo da internet e por uma espécie de acidente – como em toda boa origem – os quadrinhos voltam com força total à minha vida. Até então eu vinha comprando e lendo de forma esporádica, sem me importar realmente. O baque de ficar tanto tempo afastado ainda cobrava seu preço. Mas, uma conjunção de acontecimentos faria tudo isso mudar de vez.

Eu tinha começado um tal blog, chamado rapadura Açucarada, e não tinha muito o que postar. Blogs eram novidade e eu acabei experimentando o formato. Mas, assim como nas duas vezes anteriores, parecia que este blog também acabaria sendo deletado. Até que alguém me pediu para escanear a página de uma HQ que eu descrevi e tudo se tornou isso, como muitas vezes acabei relatando no próprio blog, em quase cada aniversário.

Eu queria compartilhar, como vi pessoas fazerem antes de mim. E, para compartilhar, eu precisava adquirir, comprar quadrinhos. E eu voltei a fazer isso com todo fervor de muitos anos antes. Como na minha pré-adolescência. E não apenas novos, mas eu comecei a percorrer sebos e comic shops, passei a conhecer pessoas que amavam os quadrinhos como eu amava, tanto no mundo virtual, quanto no real. E, aquilo – isso – se tornou um caminho sem volta. Ou apenas, um caminho que teve uma breve pausa.

A máquina acelera passando por esses quase 13 anos, e mostrando como amadureci como leitor de quadrinhos. Como aprendi a gostar de coisas que antes eu não tinha acesso e, quando tinha, demonstrava certo preconceito: Will Eisner, Chiclete Com Banana, Striptiras, Robert Crumb, Asterix, Circo, Revista Animal, Akira, Lourenço Mutarrelli, Bone, Quadrinhos europeus, mangás, e por aí vai em uma lista muito grande.

Era como se tudo que vivi antes tivesse sido apenas uma preparação para tudo que aconteceu nessa última década. E eu não conseguia parar, mesmo quando queria, porque no fundo, eu não queria. Tive tanta ajuda de tantas pessoas e vi essa coisa de compartilhar sem nenhum interesse financeiro ser tornar algo que eu nem mesmo podia imaginar que seria.

As pessoas já faziam isso com música, acho que até mesmo com mangás. Foi um site que compartilhava quadrinhos bem modestamente que me inspirou, e vi que o que bastava, como sempre, era continuar, não desistir, e outros fariam o mesmo.

Isso tudo me fez ver – ou apenas constatar – que eu e os quadrinhos estamos ligados por mais do que apena um mero gosto pessoal. Estamos ligados desde que eu apenas os abria para olhar os desenhos, sem saber ler ainda. Parece que todos sabiam disso: minha tias, minha mãe, o Daguiberto. Todos.

O que aconteceu aqui – e ainda acontece- foi algo que validou uma paixão que eu nem mesmo sabia que era tão grande. Não fiz porque queria ser ativista de nada, não sou assim. Fiz porque queria compartilhar algo que eu gosto com outras pessoas, como alguém que chama os amigos para ver um filme que já assistiu e quer que eles também curtam. Fiz por empatia.

No fim das contas, ainda sou aquela criança, sentada no muro da meia-água, com uma pilha de gibis ao meu lado, folheando-os um por um, e me imaginando ali dentro. E é assim que eu gosto de ser.

E a viagem nunca termina.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Rapadura Açucarada: Aniversário de 11 anos


RAPADURA AÇUCARADA 11 ANOS DE PERSISTÊNCIA
Não era pra ter sido, mas já que foi que seja duradouro

Image and video hosting by TinyPic
Ilustração de Rick Braga


Quando o blog chegou aos 10 anos eu mal pude acreditar. O aniversário de uma década serviu para me reanimar a iniciar novos projetos de digitalizações e, consequentemente, isso animou pessoas a colaborar novamente. Chegar ao décimo primeiro aniversário é como ultrapassar um linha de chegada e começar uma nova corrida. Na verdade, uma caminhada, num ritmo mais calmo e mais pensado do que foi o início lá em fins de 2002.

Já contei tantas vezes as origens do blog aqui, que acho que isso não será necessário por um bom tempo. Todos já sabem sobre o grupo de cinema UOL, onde tudo começou; sobre A Toca do Carcaju que me inspirou e sobre a página da HQ de Deadpool, que despertou os scans em mim. Claro, que se fosse uma origem como nos quadrinhos, as coisas seriam bem mais emocionantes:

"Quando o planeta Scrypton estava prestes a explodir, os pais de Kal-Eudes o mandaram para a Terra, onde o sol amarelo lhe deixaria louco a ponto de rasgar revistas em quadrinhos para digitalizar. Assim surgiu o Super Scanner Man".

"Quando Peter Preudes estava em uma loja de informática foi mordido por um scanner radioativo, e passou a escalar vários gibis para serem detonados. Com a morte da Toca do Carcaju, praticamente seu tio. Preudes entendeu que com grandes HQs vem grandes scanners".

"Quando estava no deserto da inatividade, Robert Eudes Banner foi atingindo por uma explosão de raios scans, e a partir do momento que ficava entediado, se tornava uma criatura assassina de quadrinhos conhecida como Ruque".

"Durante a Segunda Guerra, o franzino, raquítico, esquelético - já entendi, porra - soldado Steveudes Rogers recebeu o Soro do Superscaneado e munido de um scanner feito de adamantium passou a enfrentar a falta de scans na rede mundial de computadores"

Bom, ao menos eu acho que seria assim, mesmo sendo muita prepotência minha. Claro que tempos depois eu enfrentei A Crise dos Infinitos Scans, mas essa é outra história. Ficamos agora com o presente para este dia de comemoração, o primeiro dele. Ainda teremos Universo X, ainda este mês, que foi adiado devido a realmente estar complicado terminar 700 páginas, mas vem sim.


LOBO SOLITÁRIO - VOLUME 01 de 28
Scans by SabreWulf/Onomatopéia Digital

Image and video hosting by TinyPic
Para baixar, clique aqui


Lobo Solitário é um mangá que já faz parte da história do quadrinho mundial. Venerado por pessoas como Frank Miller é a saga que se passa no período Edo da história do Japão. Após uma conspiração que mata toda a família Ogami, menos Itto e seu filho Daigoro, os conspiradores acusam Itto de traição e exigem que ele pratique o sepukku, o suícidio cerimonial. Itto se recusa e passa a vagar pelo Japão, com seu filho, como um matador de aluguel, sendo contratado para matar alvos difíceis ou pessoas influentes.

Publicado aqui, pela última vez, em seus 28 volumes, foi a primeira vez em que o mangá foi corretamente publicado no país. Graças a um amigo que cedeu a sua coleção - imagine isso! - ao SabreWulf, nosso exímio colaborador, provavelmente teremos a coleção inteira a nossa disposição. Digo provavelmente, pois podem acontecer imprevistos, mas torcemos que não.

P.S.: ATENÇÃO - Ficou faltando a página 285, que pode ser baixada AQUI separadamente e já foi acrescentada ao arquivo, também.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Revista Animal #01 de 22


REVISTA ANIMAL #01 de 22
Novos scans 2.0 remasterizados digitalmente

Image and video hosting by TinyPic
Para baixar, clique aqui


A primeira regra dos scans é não falar dos scans. Mas, a segunda regra mais importante é: um scan precisa ser legível. Não adianta digitalizar uma revista e, no fim das contas, você só conseguir divisar as ilustrações, mas ter que apertar os olhos para conseguir ler alguma coisa. Esse não é um problema tão grave hoje em dia, mas, por muito tempo tivemos scans que eram feitos sem se pensar muito em qualidade, apenas em popularidade. Porém, o problema é que muitos scans feitos no passado e que eram legíveis nas telas de computador da época, hoje em dia não o são tanto com o avanço da tecnologia de monitores e tablets. A Revista Animal é uma delas.

Animal é um daqueles projetos incríveis em que completamos a digitalização de todos os números publicados aqui no Brasil, tendo sido eu, Cimerian Satan e outros que os fizemos. Numa época sem tablets e em que monitores de tela plana ainda eram caros demais, ler num computador com monitor de tubo fazia parecer que os scans estavam num tamanho excelente. Um erro de julgamento, sem pensar no futuro, principalmente meu.

Os diálogos nas histórias em quadrinhos publicadas na Animal que escaneamos, estão perfeitamente legíveis. O problema começa nos muitos artigos que povoam a revista, principalmente no suplemento MAU. Como ocupam boa parte da revista - e foram feitos com muito esmero - se torna terrível o fato de não se conseguir lê-los adequadamente. Se aumentamos dando zoom, a qualidade se perde e não melhora a leitura.

Como aconteceu com Classics Illustrated, surgiu a chance de conseguir a coleção completa da revista, novamente. Faltam algumas, só torço para que o sebo aqui perto onde as estou comprando, não venda os que me faltam. Por sorte existem números replicados. Infelizmente será impossível fazer isso com tudo que foi escaneado nesses 10 anos. Muita coisa existe pelos Mercados Livre da vida, mas aí envolve não só dinheiro, mas entrar numa expiral de falta de tempo que pode ser desanimador e me fazer parar. Então melhor fazer o que, por acaso aparecer, como está sendo o cado da Animal.

Abaixo coloco um exemplo do scan antigo, e do novo, da número #01, justamente em uma parte que contém matéria e não quadrinhos, para se perceber a diferença. Para quem quiser baixar os 22 números na qualidade em que estão, clique
AQUI.


Image and video hosting by TinyPic
Clique para ampliar


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Da Infância aos Scans


O LONGO CAMINHO DA INFÂNCIA AOS SCANS
Tantas influências que pavimetaram o caminho até aqui


Image and video hosting by TinyPic


Além das influências virtuais que me fizeram virar um digitalizador de quadrinhos, há várias muito mais antigas, e que a muitas delas já me referi aqui no blog. Minha mãe sendo uma delas, talvez a mais forte. O que é irônico, já que ela mesma nunca leu uma revista em quadrinhos. Mas, ela sabia que eu gostava de ler, e alimentou isso como pôde. Mas, não foi apenas ela, posso dizer que foi todo um conjunto de coisas e pessoas. E isso continuou até mesmo durante e depois dos scans.

Meus tios e tias, por parte de pai, eram uma verdadeira fonte de inspiração no que dizia respeito a gibis. Uma das lembranças que mais guardo com carinho é de uma de minhas tias chegando com um monte de HQs e me entregando. O mais interessante é que tenho certeza que eu não sabia ler ainda. E, mesmo assim, ela não pensou duas vezes em entregar a mim aquele tesouro.

Porém, na mesma lembrança, há uma "trauma": meus dois tios mais novos, por saberem que eu não lia ainda, tomaram os quadrinhos e escolheram cada um os que mais lhes agradavam e ficaram com os mesmos. Claro, sem que minha tia soubesse e não lembro de ter contado. Mas, não foram tão maus assim, deixaram um gibi para mim, Riquinho, o que eu menos gostava e, creio eu, eles também.

Esses dias vi que Riquinho voltou a ser publicado. Ao vê-lo nas bancas, lembro e acho graça dessas memórias tão distantes.

As histórias em quadrinhos fazem tão parte da minha vida, que parece que para onde olho, no passado, elas estão sempre lá, em alguma parte, em algum momento. Claro, com exceção do malfadado período de 1990 a 1997, onde fui abduzido por uma maldita religião e parei de ler esses anos quase todos. Mas, antes não. Antes, era como se quadrinhos estivessem am cada canto e, por um tempo, isso foi até literal. Eles estavam em cada canto.


Image and video hosting by TinyPic



Meu pai nunca foi apreciador de quadrinhos. Ele gostava muito era de livros de bolso de faroeste que, naquela época, eram quase uma febre. Eu detestava. Ou achava sem graça aqueles livrinhos sem figuras. Também não gostava de faroeste, o que não deixa de ser irônico, haja visto eu ter criado Jerusalem Jones, um pistoleiro com aventuras no Velho Oeste.

Meu pai e minha mãe não ficaram juntos por muito tempo. Quando eu tinha 8 anos de idade, eles se separaram. O tempo passou mais um pouco e ganhei um padrasto que, para minha sorte, era um ávido leitor de gibis. Sem falar que era só dizer que eu queria tal edição, que ele me dava grana para ir comprar. Me pergunto se era para mim ou para ele. Afinal, eu ainda não era um colecionador. Lia e largava para lá.

Uma das edições que mais tenho lembrança da época de meu padrasto, é um Disney Especial, Os Cosmonautas. Ele me deu o dinheiro e eu disse, vou ali comprar. O que ele não sabia era que não havia banca de jornal perto. Todos os gibis que ele trazia, eram comprados longe, perto de seu trabalho. Ele nunca se deu conta de que no bairro, não havia banca de jornal nenhuma. Então o que fiz? Oras, eu andei. Andei muito.

Para piorar, não tinha na banca que era a mais "próxima". Então andei mais ainda, esquecendo que o tempo estava passando, e que eu era um garoto de uns 9 anos de idade. Eu dei uma volta de 360 graus enorme. Não voltei pelo mesmo caminho. Isso fez com que demorasse mais ainda. E, quando cheguei em casa, todos estavam mortos de preocupação. Minha mãe chorava e brigava e eu nada escutava. Estava extasiado com meu Disney Especial, que creio eu, devia ter sido meu primeiro gibi com tantas páginas. Tudo o mais era sem importância.


Image and video hosting by TinyPic


Uma das lembranças mais truncadas que tenho é sobre as edições gigantes da EBAL, Super-Homem X Muhamad Ali e Super-Homem X Homem-Aranha. Eu era muito novo ainda, e por isso essas lembranças se embaralham. Sei que li estas duas edições - e creio que a edição Super-Homem X Mulher Maravilha - e lembro que todas elas eram muito grandes. Para meu tamanho então, eram enormes.

Como criança que era, fiquei intrigado ao ver um personagem fictício enfrentando alguém do mundo real, Muhamad Ali, mesmo que eu não consiga entender como eu conhecia Ali, naquela idade e num tempo em que TV era coisa escassa lá em casa. A edição em que ele trava combate com o Homem-Aranha também me deixou muito surpreso, pois eram os meus personagens preferidos, de editoras diferentes, se encontrando.

Minha memória se confunde no sentido de que não sei se essas edições foram minhas ou emprestadas. Só tenho a certeza de que as li. Nenhuma edição que veio depois, pela editora Abril, superou essas da EBAL. Mesmo assim, a edição contra Muhamad Ali nunca foi republicada, até que a pouco tempo a Panini a reeditou, em uma edição de luxo. E, claro, eu a adquiri em nome da nostalgia.

Uma cena que vem à mente sempre que lembro dessa época, sou eu esperando a hora de entrar na escola, com a revista Super X Ali, aberta, lendo. Devorava cada detalhe, rezando para que o sinal não batesse logo. Eu com a revista aberta devia ser uma cena no mínimo hilária, já que ela era tão grande que me cobria pela metade. Então o sinal toca, eu guardo a revista e vou para a sala de aula, pensando em boxe em outros planetas.


Image and video hosting by TinyPic



Mais adiante no tempo, porém ainda no meu tempo de criança, uma família resolve comprar o terreno vazio, que fica ao lado de nossa casa. Achava impossível que aquele terreno, naquela área sem graça, um dia fosse vendido e ocupado. A família era composta de pai, mãe, filho e filha. Para minha alegria, um deles gostava de gibis e sempre que vinha, trazia. Era o filho? Não, o pai. Ele sempre trazia revistas que trocávamos. Lembrando hoje, era algo surreal. Ele era gerente de uma casa de material, e eu e meus irmãos só nos referíamos ao mesmo como "O Gerente", já que nunca lembrávamos seu nome.

Para piorar (ou melhorar), sua filha era linda e, claro, eu estava perdidamente apaixonado. Era bom demais para ser verdade, uma paixão e gibis que vinham do mesmo lugar. E, é verdade, estava bom demais para ser verdade mesmo. Antes de começar a construir, eles desistiram do lugar e revenderam o terreno. Perdi duas paixões de uma cajadada só, gibis aos montes e uma garota linda.

O tempo passa e começo a comprar eu mesmo meus gibis, com o dinheiro que ganho, trabalhando em um armazém. Quando mudo de emprego e vou trabalhar perto da única banca de jornal que realmente tem todos os gibis que quero, aí começo mesmo uma coleção de verdade. Eu tinha doze anos nessa época e o gibi de que mais tenho lembrança desse tempo, é Superaventuras Marvel #1, por ser a primeira revista número um que compro em minha vida.


Image and video hosting by TinyPic



Assim, dos 12 aos 15 anos eu amealho umas 500 revistas que vão desde Marvel, DC, Espada Selvagem de Conan, até Disney e Turma da Mônica. Eu comprava tudo que tivesse quadrinhos. Creio que a excessão eram os fumettis, Tex e Zagor. Eu ainda tinha preconceito com o faroeste e, somente depois que adquiri algumas edições dos mesmos com um rapaz que vendia gibis usados na rua, foi que percebi que eu havia perdido muito tempo.

Mesmo depois que me desfiz da minha coleção - para comprar uma bicicleta - eu não parei de adquirir, fosse nas bancas ou em sebos improvisados. Também trocava com os amigos, e muitas vezes eu conhecia a pessoa mais por causa dos gibis, mas não era realmente amigo delas. Trocávamos aqueles que queriamos e depois cada um para o seu lado, para ler. Mas, claro que havia pessoas das quais eu era amigo e os quadrinhos cimentavam mais ainda a amizade.

Outra lembrança que tenho, relacionada aos quadrinho, é de estar na casa de um amigo - que não lia quadrinhos - e ver, jogada em um sofá, uma HQ do Thor, em inglês, da fase de Walter Simonson. Eu nunca vira, ao vivo e a cores, uma HQ importada. Peguei a revista e fiquei olhando aquilo, com uma certa reverência. O fato de ela ser totalmente diferente, em formato, do que eu estava acostumado a ler - pelo menos no caso de revistas de super-heróis - me fazia estranhá-la e, ao mesmo tempo, ficar curioso. Decidi então que ia traduzi-la. Sim, ia traduzi-la sem saber um pingo de inglês.

Consegui um pequeno dicionário de português-inglês e realmente tentei. Não consegui passar da primeira página e, frustrado, desisti. Mal sabia eu que um dia faria aquilo novamente, não traduzindo, mas revisando traduções e letreirando HQs que não tínhamos em português.


Image and video hosting by TinyPic


E, mesmo que eu tenha parado de ler gibis por um tempo, por motivos imbecis, como religião, na verdade eu nunca deixei de estar ligado a eles. Quando voltei a ler, aos poucos, as coisas foram caminhando para que chegassem onde chegou, ou seja, aqui, ao Rapadura Açucarada e aos scans, que me abriram horizontes muito mais amplos do que os que eu tinha antes. Todas as minhas experiências anteriores foram os tijolos que construíram o meu gosto pelo mundo das HQs, e esse caminho me trouxe a um lugar com muito mais estradas e opções. Não havia mais apenas os supér-heróis, ou os quadrinhos Disney, ou qualquer outro quadrinho a que eu estivesse acostumado. Ao procurar para levar aos outros, eu encontrei para trazer a mim mesmo. E o resto se tornou história.


domingo, 11 de novembro de 2012

E no Mundo Real?


E A VIDA NO MUNDO REAL
Enquanto o RA Nascia e Crescia?


Image and video hosting by TinyPic


Acontecimentos que tiveram seu início em 1990, quando eu tinha 19 anos, teriam uma resolução durante a criação e ascenção do blog. Se foi coincidência ou não, nunca saberei com certeza.

Eu já estava casado há três anos, quando iniciei o Rapadura Açucarada. Desempregado, por causa justamente desses fatos de 1990, eu passava um bom tempo me dedicando ao blog e, exatamente por isso, ele cresceu tão rápido e teve tanto conteúdo nos meses de 2003. Outra coisa que acontecia durante essa época era que eu voltava a estudar, depois de uns dez anos afastado. Mas, e o que aconteceu em 1990?

Naquela época, eu estava trabalhando na Indústria de Massas e Biscoitos Piraquê. Meu primeiro trabalho de verdade. Por sorte fiquei na seção de material de embalagem, longe dos fornos e etc. O trabalho era pesado no início, mas depois se tornou mais burocrático, pelo menos para mim, depois que fui promovido. O que parecia ser uma melhora, pode ter sido o causador de uma espécie de surto, que me deixou com algo que eu não soube identificar de imediato.

Obs.: se tem problemas de ansiedade grave, não seria bom ler o que se segue.

Talvez tenha sido o estresse de acordar às 4 da madrugada, pegar dois ônibus e ter de chgar no trabalho às 6 hrs, sem poder chegar um minuto atrasado, aliado ao trabalho que se tornara burocrático, onde eu conferia todo material usado no dia anterior, vendo também o que fora estragado e fazendo cálculos e mais cálculos. Além disso, toda essa conferência ia parar nas mãos de ninguém menos do que um dos três donos. Isso era mais um fator estressante: o medo de errar.

Não posso dizer com absoluta certeza, mas é a minha teoria que, devido a tudo isso, eu entrei em colapso e teve início uma série de crises que durariam 12 anos. Isso mesmo. Fez as contas? Elas param exatamente em 2002, quando eu começo a entrar de cabeça no blog. Mas, que crises eram essas?

Na época, se a internet existia, era só um embrião, em algum lugar obscuro, para nerds obscuros. O fato é que, mesmo sem nunca ter lido nada sobre o assunto, eu sabia que estava tendo crises de pânico. Talvez fosse a natureza das crises: o medo. Medo de estar ficando louco, medo de estar morrendo, medo de nunca mais ficar bem novamente.

Lembro tão bem da primeira crise que é como se ela tivesse acontecido ontem. Eu terminara de almoçar no refeitório do trabalho. Já me sentia estranho. Não entendia tudo que as pessoas falavam. Não sabia o que era aquilo e isso me deixava nervoso. Quando estava escovando os dentes, o mundo desabou e eu fui junto. Minha mente entrou em uma espécie de pane. Eu olhava, nas não entendia o que eu via. A mesma coisa para o que eu escutava. Isso deve ter durado uns 10 a 15 segundos. Mas, para mim, parecia uma eternidade. Quando os segundos terminaram, eu apaguei. Não lembro que apaguei, mas ao acordar, entendi que tinha apagado.

Tinham me levado para as escadas, e me davam água. Eu sentia um gosto estranho na boca, e perguntei o que era. Me disseram que erasal. Pensaram que eu estava com pressão baixa. Tudo era muito estranho. Eu ainda não estava bem. Parecia um sonho. Fui levado para a enfermaria e fiquei lá até me sentir bem e voltar ao trabalho. Mas, os dias que se seguiram mostraram que aquela era a primeira de muitas.

Para louvor da Piraquê, posso dizer que nunca me despediram por causa dessa minha nova condição. E olha que ainda tive muitas crises estando lá. E fui levado de maca para a enfermaria muitas vezes. Mas, ainda trabalhei dois anos ou mais. Fui despedido por corte de pessoal, mesmo que a alegação tenha sido atraso.

O que entendi das crises era que o momento em que eu apagava, eu realmente não desmaiava, mas entrava em convulsões. Aquilo me confundiu. Eu achava que era Síndrome do Pânico, mas as convulsões eram um quadro epiléptico. E, foi assim que durante os 12 anos seguintes eu fui tratado, como epiléptico. O fato de que os tratamentos não funcionavam, me diziam que alguma coisa estava errada. Ou que, na verdade, alguém estava errando, no caso, os médicos.

Mesmo médicos particulares se mostravam inéptos. O tratamento era o usual, e ninguém entendia que o que eu tinha, não era algo a que estavam acostumados. Até hoje não entendem. Sempre que eu descrevia os sintomas, acaba indo parar em médicos neurologistas que só me entupiam de remédios para as convulsões, sendo que ninguém se importava com os relatos sobre o pânico que eu sentia, logo antes de apagar.

Nem mesmo quando eu dizia que tinha crises em que eu não pagava e, portanto, não entrava em convulsão, eles não se mostravam interessados. Para piorar, os exames diziam que eu tinha uma epiplepsia, mas apenas com "discretos sinais de disfunção cortical de caráter inespecífico". Era como se eu não tivesse quase nada, falando de modo claro. Porém, as crises não eram "discretas". As convulsões eram fortes e o pânico anterior a elas, mais ainda.

E os anos iam passando e os médicos também. Fui perdendo o ânimo. Uma última tentativa foi uma triagem num centro psiquátrico da UFRJ, chamado IPUB, na Zona Sul do RJ, lugar que eu não sabia ainda, mas iria morar lá perto em breve. Mas, tudo deu errado. Na triagem, ao relatar os sintomas, aconteceu o que já acontecia há uns 10 anos. Me mandaram para outro lugar, para receber tratamento neurológico, voltando a tomar remédios que não faziam as crises parar, apenas serem mais espaçadas, no máximo.

Mesmo assim eu fui. Depois de uns meses indo e apenas recebendo as receitas rabiscadas apressadamente, por médicos sem interesse algum no paciente, eu parei. Desisti. Resolvi aceitar que minha condição era permanente. Ah, o que esqueci de dizer foi que, como minha primeira crise começou durante uma refeição, lá na fábrica, quase todas as subsequentes aconteciam quando eu fazia uma refeição completa. Almoçar ou jantar se tornara uma fobia. Mas, nenhum médico se importou com isso. Para eles, eu era apenas epiléptico e pronto.

Claro que, em 12 anos eu entendi o que eu tinha: era uma junção de Síndrome do Pânico e epilepsia. A primeira acionava a segunda. Mas nenhum médico entendia isso, apenas porque nunca tinham visto isso antes. Então, eu me casei no ano de 2000, e fui morar bem próximo ao tal IPUB, que tinha me despachado uns anos antes.

Durante os primeiros anos de casado, as crises diminuíram, mas não desapareceram. Diferente da Piraquê, outros trabalhos que tive não resistiam à primeira crise, e eu era mandado embora. Não posso culpá-los. A visão da crise podia ser perturbadora, e ninguém ia querer se responsabilizar se eu sofresse algum acidente. Apesar de ser só durante as refeições e eu fazer apenas lanches, isso não era garantia de que não teria uma crise.

Então chegamos ao momento em que começo a me imiscuir no RA, a gostar de ser blogueiro. Ainda no começo, sem os scans, eu já me divertia com isso. Tomava meu tempo. Na mesma época, não lembro exatamente quem, mas me disseram que eu deveria voltar ao IPUB. Creio que talvez tenha sido alguém que não sabia que eu já tinha ido lá. E foi o que eu disse à pessoa, eu já fui lá e não deu certo. Mas, depois de um tempo, eu pensei, ah, quer saber, estou morando tão perto, dá para ir a pé, não custa nada tentar só mais essa vez.

Depois de ter uma crise enquanto estava sozinho no apartamento, essa idéia de voltar lá se tornou mais forte. Mas, eu faria diferente dessa vez.

O IPUB - Instituto de Psiquiatria da UFRJ - é especialista, entre outras coisas, na Síncrome do Pânico. Eu sabia que se, na triagem, eu repetisse tudo que tinha dito da primeira vez, aconteceria o mesmo, eu seria mandando para tratamento neurológico. Então tomei uma decisão: eu ia omitir os sintomas da epilepsia, citando apenas aqueles que eu já entendia, serem de uma quadro de pânico. E, elementar, meu caro Watson, funcionou. Eu estava dentro.

Quando tive certeza que não tinham como voltar atrás, contei todo meu quadro. Pela primeira vez em 12 anos, alguém me receitava um remédio específico para Síndrome do Pânico e, poucos meses depois, pela primeira vez em 12 anos, eu estava almoçando, aqui mesmo, em frente ao computador, enquanto cuidadva do RA, sem medo algum.

Enquanto almoçava, peguei o telefone e liguei para minha mãe, que foi quem mais presenciou minhas crises e cuidou de mim. Quando ela atendeu o telefone, eu parei de mastigar e disse:

- Mãe, tenho uma notícia para dar. - Ela ficou confusa, talvez achando que eu ia falar que a Lia estava grávida, mas aí eu completei - Eu tô almoçando. Tô comendo e não tô sentindo nada demais.

Senti quando ela prendeu a respiração e em seguida começou a chorar e eu, claro, chorei também, pois sou um manteiga derretida, acreditem. Fiquei feliz em dar essa notícia a ela, que sempre buscou comigo uma solução para o problema.

Tudo isso, na mesma época que comecei o blog. Quando ele estava no auge, lá nos primeiros meses de 2003, eu não tinha mais resquício de crises. Em 10 anos de blog e de tratamento, só tive umas 3 ou 4 crises sérias e nada mais. Geralmente por falta de remédios regularmente.

Por mais que eu saiba que o medicamento tenha sido, finalmente receitado corretamente e que o efeito tenha sido em poucas semanas, eu ainda acho que o blog, a forma como eu passei a me dedicar a ele e aos scans, tudo isso, pode ter ajudado, como uma espécie de terapia de ocupação. Infelizmente os médicos lá continuam sem se importar com a raridade da minha condição, talvez porque sejam médicos residentes, e ficam apenas dois anos cada. Não se comprometem com algo que é apenas temporário. Não sei. Mas, posso dizer que creio terem sido as duas coisas combinadas, o tratamento e a dedicação irrestrita ao blog, que me fizeram melhorar tanto, algo que parecia impossível, depois de tantos anos.

E, claro, o apoio da Lia, que está ao meu lado todo esse tempo em que me trato por lá.

Para pessoas que quiserem mais informações sobre o IPUB, como endereço, telefone e tratamentos, é só clicar
AQUI.


QUEM RAPADUREIA A RAPADURA?!
Um mistério para o detetive Rorschach


Image and video hosting by TinyPic
Clique para ampliar


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Mistério Revelado nos 10 Anos


UMA NOVA ILUSTRAÇÃO PARA OS DEZ ANOS DO RA
E alguns adendos ao último artigo da saga do blog


Image and video hosting by TinyPic
Ilustração do ilustre Ricardo Braga. Clique p/ ampliar.
Quem quiser enviar a sua:
eudes_norato@yahoo.com.br


Além da hilária ilustração acima, enviada pelo Ricardo Braga, recebi, via comentários, um link bem interessante enviado pelo Doggma, dono do blog Black Zombie, do site Way Back Machine, que traz imagens de como seu blog era tempos atrás. Sim, tudo que você fez em seu blog está em seus arquivos, mas o layout dele mudou ao longo do tempo, o que Way Back faz é mostrar não os arquivos, mas os antigos layouts.

Por coincidência, eu tentei usar o site para tentar ver como era o layout do RA, no Blogspot e não consegui. Isso antes de receber o link do Doggma. Só que eu tentei ver o passado do blog neste endereço. O Doggma foi mais longe e fez a busca pelo endereço do blog quando ele era no Blogger Brasil, coisa que não tentei porque achei que não fosse possível. Porém, o site não consegue trazer tudo, apenas alguns dias epecíficos.

Neste link aqui, temos 04 de fevereiro de 2003, onde podemos fazer uma verdadeira viagem no tempo e ver scans que, hoje em dia, estão totalmente defasados, sendo que a maioria - quase todos, na verdade - eu nem os tenho mais em arquivos, pois a qualidade ficou ultrapassada demais. Mas é divertido fazer essa turnê pelo passado.

O primeiro scan que aparece (o último da página) é Liga da Justiça: O Prego. Lembro que comprei e escaneei. Porém, ainda nao foi o primeiro, pois nos comentários que, por incrível que pareça estão ativos, se fala em terem baixado Crise nas Infinitas Terras. Como o Way Back não consegue ir mais para trás que isso, o primeiro scan oficial ainda é um mistério.

Aparentemente Camelot 3000 ocupa essa posição, já que na mesma página vemos a HQ (re)postada com o seguinte texto escrito por mim:

" Agora posto aqui a HQ que transformou o Rapadura Açucarada em um Blog de HQ, essencialmente, quando ele era, na verdade, um blog de nada específico."

O que chama a atenção ao rever o passado do blog é a quantidade de material postada. Um volume enorme feito tanto por mim, quanto por outras pessoas das quais eu nem me lembrava mais. Outra coisa que o Way Back não consegue é mostrar todos os banners do topo do RA, pois as imagens estão deletadas. Foram tantos banners e logotipos, que eu fiz o favor de não guardá-los, que seria nostálgico poder vê-los novamente.

Para continuar o passei é só clicar aqui e nos dias circulados de azul, que são os que o Way Back tem em arquivo. Se o site pudesse trazer tudo, todos os dias estariam circulados de azul.

Numa segunda tentativa de visitar o passado do blog quando estava neste endereço aqui, vi em que eu estava errando. Eu precisava tirar o ".br", pois este não existia até um tempo atrás, no Blogspot. Assim, cheguei aqui, e pude rever o blog desde 2004, quando já estávamos sem scans. Porém, clicando mais adiante nos círculos azuis, vemos que os scans voltam.

Passeando por lá reencontrei esta paródia feita em um página de Thor: Vikings, para o aniversário de 2 anos do RA, em 2004:


Image and video hosting by TinyPic
Clique para ampliar


Enfim, só tenho a agradecer o Doggma, por ter feito com que eu insistisse no Way Back, e quem quiser relembrar como seu blog era, é só visitar lá. Lembrando de retirar o ".br", se for blogspot. Obrigado novamente ao Ricardo pela ilustração e a todos vocês por estarem acomonhando esta saga!


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Dia 21 de Novembro: 10 Anos de RA


A ERA DE OURO DOS SCANS TEM SEU INÍCIO
Trazida por Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda


Image and video hosting by TinyPic
Para baixar a última versão dos scans, aqui


Camelot 3000 não foi exatamente o scan de estréia nesta fase em que o blog entrou no início de 2003. Mas foi o mais marcante. Não saber qual foi o primeiro exatamente se dá porque o blog passou por três servidores: Weblogger (do Terra), o Blogger Brasil (da Globo) e, por fim, o Blogger original (do Google), onde estou até hoje. Sei que fiquei bem pouco tempo no Weblogger, mudando rapidamente para o Blogger Brasil, que foi onde teve início a fase dos scans. Como, ao sair destes servidores, o blog era deletado, não tenho arquivos daquele saudoso início. Mas Camelot 3000, tenho certeza, estava lá entre os primeiros.

Eu não tinha a revista comigo. Eu queria que uma das primeiras HQs a ser escaneadas e disponibilizadas fosse uma das minhas preferidas de todos os tempos. Mas eu não a tinha. Assim, fui à caça. Foi onde conheci a Comic Shop Gibimania, do Marquinhos. Lá encontrei as edições encadernadas da editora abril, em formatinho. O que mais me fez ter certeza de que ela foi uma das primeiras - senão a primeira - era que eu não sabia o que fazer depois de escanear uma HQ. Achava que era só digitalizar e disponibilizar. E foi assim que fiz com ela. Quando, algum tempo depois, me ensinaram a usar o Photoshop para tratar as imagens amareladas, peguei os scans de Camelot 3000 e restaurei. Na verdade, uma restauração meia-boca para a época. Eu não fazia idéia do que ainda teria de aprender.

O importante era que havia começado. Não dava mais para parar, mesmo que eu tentasse. E, além daqueles que eu estava fazendo, resgatei os scans feitos pelo Carcaju, que estavam em meus arquivos e os coloquei aqui, com os devidos créditos. E não parava de produzir novos scans. Todo gibi que eu comprava, eu escaneava. Alguns até mesmo antes de ler. Passei a comprar HQs em sebos, coisa que eu não fazia há muito tempo, e os digitalizava em seguida. Todo esse frenesi começou a gerar um efeito colateral importante: as pessoas não queriam mais apenas baixar. Muitas agora queriam participar, ajudando com os seus próprios scans.

O que mais me impressionou com essa atitude, foi que eu nunca fiz nenhuma chamada a ação. Nenhuma convocação. Era algo que não me passava pela cabeça. Estava tão ocupado escaneando que não me dei conta que as pessoas também pudessem querer ajudar. E assim começou uma espécie de segundo turno. O que já era muito, tornou-se ainda mais.

A Era de Ouro, a primeira fase dessa empreitada, durou de janeiro até outubro, mais ou menos. Poucos meses que valeram por vários anos, tanto era o volume de material postado. As pessoas enviavam para meu-mail tanta coisa que era complicado postar tudo. Alguns se tornaram colaboradores frequentes, outros mandavam alguma coisa uma única vez, só pelo prazer de participar. E as coisas não paravam de acontecer.

Quando saiu a revista Planetary/The Authority, aqui no Brasil, ela durou apenas 3 números, pela malfadada editora Pandora (ela de novo), e eu, que havia comprado e gostado, ficara órfão. Meu núcleo de contatos ainda era o UOL Cinema, e tenho uma dívida grande com os participantes que deram tanto apoio nessa fase de scans. E colocaram a mão na massa quando eu pensei, porque não traduzimos as HQs de Planetary, já que não podemos escanear?

Graças a eles, descobri que existiam scans dessas HQs no original, em inglês. Como eu ainda era novato em tudo isso, não sabia como, nem onde baixá-las. Queria lembrar por nome (nickname) cada pessoa que fez sua parte. Mas, infelizmente, só lembro que alguém baixou e me entregou os scans e outros se ofereceram para traduzir, já que meu inglês não era suficiente. Era o início do terceiro turno.

Novamente, para esse tipo de scan, apareceram colaboradores. Enquanto eu fazia Planetary e Authority, outros surgiram com Promethea e até mesmo Liga dos Cavalheiros Extraordinários. E a coisa ia ganhando uma dimensão cada vez maior, que já não cabia mais apenas no Rapadura Açucarada. Colaboradores começaram a fazer seus próprios blogs, fossem para scans feitos diretamente de edições em papel, fosse para traduzir scans pré-existentes. Assim surgiu o Immateria (nome inpsirado na HQ Promethea) e o HQ é Aqui, entre tantos outros que foram aparecendo com o tempo.

Hoje em dia é até difícil contar os blogs, sites e fóruns de scans que existem. Sejam aqueles que fazem tradução, com seus vários grupos, sejam aqueles que fazem scans diretamente das edições em papel. Reflexos de um pequeno, mas intenso, começo. Ainda assim, mesmo naquela época, existiam grupos isolados, independentes do RA, e que talvez nem o conhecessem, que faziam scans. Um bom exemplo é o grupo que traduziu e letreirou Miracleman. Esses scans já estavam na rede há bastante tempo, só não sei precisar o quanto. Grupos como o BKS, também pareciam existir senão antes do RA, ao mesmo tempo, mas isolados.

Como já ficou claro pela Toca do Carcaju, os scans não foram uma invenção do RA, e se o Carcaju teve a idéia de fazê-los, outro também tiveram. O que faltavam era as pessoas que se interessavam por quadrinhos começarem a se agrupar, como foi acontecendo aos poucos. Se agrupavam e reagrupavam, formando novos núcleos. E, mesmo com alguns problemas inciais, os scans começaram a ser distribuidos não por apenas um grupo, mas por todos. Apesar de levar o selo de algum blog, site ou fórum, o scan era para ser distribuido em qualquer lugar. Não existe exclusividade sobre algo que deve ser gratuito. O único porém é quando pessoas tentam tirar lucro disso, como, infelizmente acontece. Mas isso é outro assunto.

Um outro problema que enfrentávamos, era um lugar para alocar os scans. Bem no começo, eu fiz como o Carcaju. Página por página, no não mais existente, Kit.Net. É até engraçado lembrar que foi assim um dia. Mas, durou pouco. Logo me apresentaram o Zip e o Winrar e eu comecei a compactar os arquivos. Mas o problema de alocar ainda continuava (e continua até hoje). Os arquivos eram frequentemente deletados, fazendo que eu corresse de lugar em lugar, chegando mesmo a distribuir os scans dentro de uma conta de um provedor de e-mail chamado Walla. Era o modo mais idiota de todos, pois eu tinha de deixar a senha a vista de todos para que entrassem e pegassem e sempre tinha um filho da puta que entrava para apagar o conteúdo, sabe-se lá se por apenas diversão ou por ser contra os scans. Mas isso hoje em dia é apenas engraçado.

Pena que esse problema traria o fim dos scans no RA, ao menos por um período. Um período longo se percebermos que não durou nem mesmo um ano, a chamada Era de Ouro. O caso foi que, sem mais opções para alocar os arquivos, eu resolvi pagar um provedor. Pela aprimeira vez eu fazia isso. E, assim que comecei a colocar os scans lá, dias depois recebi um e-mail do provedor dizendo que eles foram intimados a deletar o material, por alguma editora que não lembro qual foi, se é que foi dito. Até hoje admiro a atitude do provedor de me perguntar o que deviam fazer, antes de deletar o conteúdo. Não querendo que tivessem problemas disse o que devia dizer, que podiam deletar.

Derrotado, não pela editora, mas pela falta de um lugar que não deletasse os arquivos com tanta frequência, eu desisti. Resolvi que era hora de parar com aquilo. Estávamos em outubro de 2003. Foi o fim da Era de Ouro. Pensava em deletar o próprio blog, mas algo me impedia. Não sabia exatamente o que. Também não sabia o que faria dali pra frente com ele. Eu não fizera outra coisa a não ser postar quadrinhos, todos aqueles meses. O blog parecia não fazer sentido sem eles.

No próximo capítulo: o blog se recusa a morrer e, pasmem, mesmo sem scans durante quase DOIS anos, tem público!


terça-feira, 6 de novembro de 2012

A HQ Que Deu Início a Tudo


DEADPOOL VOLUME 3 #11 - DEZ. DE 1997
Scans produzidos por GibiHQ


Image and video hosting by TinyPic
Para baixar, clique aqui


E aqui está o scan da revista que citei no artigo abaixo. Esta não é a capa, mas a primeira página. Coloquei ela para diferenciar do anterior. Também não é o scan que eu mesmo fiz, pois o que fiz foi da revista publicada pela editora Pandora, que era de uma qualidade terrível, e produziu scans terríveis. Esse "exemplar" foi traduzido e letreirado a partir de scans feitos nos EUA, com qualidade superior. A história é melhor detalhada no artigo abaixo, mas deixei de lado algumas coisas em que minha memória falhou, como o fato de Deadpool se "fantasiar" de Peter Parker, criando ainda mais confusão. Abaixo seguem algumas pérolas dessa HQ que, para mim, é um clássico, por várias razões.


Image and video hosting by TinyPic


Um Vigia muito louco (assistindo o Deadpool aprontar altas confusões) apresenta esta história de 50 páginas, escrita por Joe Kelly e desenhada por Peter Woods. Creio que as cenas na década/fase de 60, no estilo de John Romita Sr. se dão por conta da arte-final de Joe Sinnott e Al Milgrom, que são dessa época.


Image and video hosting by TinyPic


Como é a sequência de uma aventura anterior (ô, redundância) a coisa já começa a toda, com Deadppol e sua parceira (nada-mirim) cega, já caindo na década de 60. E pasmem, caindo no sentido literal da palavra e em cima da tia May. E, claro, Deadpool tem uma metralhadora de piadas muito mais rápida que a do Homem-Aranha. Podem notar que o traço não é mais o mesmo que aquele do desenho do Vigia.


Image and video hosting by TinyPic


No quadrinho acima ele está se referindo à foto de Peter Parker. Sim, com milhões de pessoas em Nova York eles caem na casa do Homem-Aranha. São as Grandes Coincidências do título. Ele usa esse aparelho para copiar a foto de Parker e a usa como um disfarce holográfico. A tia de Mary Jane está à porta. Com a tia May desmaiada (eles caíram em cima dela, não esqueça), a desbocada senhora, conhecida como Al, fará o papel da tia de Peter.


Image and video hosting by TinyPic


E aqui temos a coisa toda funcionando e Deadpool se transformando na identidade secreta do cara de quem ele é plágio. Irônico, não? A arte dda HQ fica alternando entre o pessoal tentando trazer Deadpool de volta para o presente, com a arte ruim dos anos 90 e indo para o passado com a arte clássica emulando Romita (ou com ele desenhando, isso não fica claro nos créditos). É incrível como daquele vasto mundo de coisas ruins, que foram os quadrinhos dos anos 90, surja algo tão bom assim.


Image and video hosting by TinyPic


O cabelo de Norman e Harry Osborn merecem atenção especial do mercenário da boca grande. Isso, entre várias outras esquisitices dos anos 60, do ponto de vista dele. Mas isso não é nada comparado a encontrar Kraven, e aquela linda roupa que ele veste.


Image and video hosting by TinyPic


Para finalizar, no quadrinho abaixo vemos que Deadpool também encontra as meninas de Peter Parker. No caso aqui, Gwen Stacy. Mary Jane fica por conta da Al. MJ pensa que Al é realmente May Parker. Para conseguir voltar para o presente Deadpool depende da versão adolescente de seu amigo Jack, que está no futuro tentando levá-lo de volta. O mais interessante é que ele teria de ser um cara de meia-idade no futuro, mas é quase tão jovem quanto no passado.


Image and video hosting by TinyPic


E esta foi a HQ que me impulsionou a usar um scanner pela primeira vez, dando assim início a uma aventura sem fim que se espalhou por toda a internet. Só mesmo alguém tão politicamente incorreto como Deadpool para ajudar em algo desse tipo. Baixem a HQ e se divirtam como eu me diverti.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Dia 21 de Novembro: 10 Anos de RA


DEZ ANOS DE RAPADURA AÇUCARADA - PARTE III
Como Deadpool (sim, ele mesmo) ressuscitou os scans...


Image and video hosting by TinyPic
Uma página dessa HQ, foi a 1a. coisa que escaneei


Os meses se passaram e eu esqueci os scans. A Toca do carcaju realmente não voltou mais - até hoje - e eu não procurei sites parecidos. Nesta época eu não era um grande usuário de buscadores. Estava mais preocupado com os blogs, como se pode ver na primeira matéria desta série. E, foi assim que comecei o meu, este aqui, o Rapadura Açucarada. Totalmente sem rumo, sem um tema específico. Scans de quadrinhos nem passavam pela minha cabeça, era algo esquecido e enterrado. Até que um dia....

O blog já devia ter uns três meses. Estávamos no começo de 2003. Eu continuava porque o pessoal do grupo UOL de Cinema dava um apoio e tanto. Mas, eu passava mais tempo conversando no grupo do que blogando. E foi numa dessas conversas que surgiu o embrião para o que viria a seguir.

Eu havia comprado uma revista Marvel publicada pela (péssima) Editora Pandora. Um mix em que a história principal era uma do Deadpool. Apesar de não gostar da revista em si, eu gostei dessa história em particular. Muito, mas muito mesmo. A história era sequência de um número anterior, que eu não tinha, já que era a primeira vez que eu me atrevia a comprar algo da Marvel de uma editora tão ruim. Então, ser a continuação de uma história poderia me desanimar de ler. Mas, ao folhear, vi algo que me chamou a atenção, e por isso a levei.

Então entendam todo o processo da coisa: se eu não tivesse resolvido comprar essa HQ, de uma editora que eu detestava; se eu não tivesse me empolgado com a história; e se o que acontece a seguir, não tivesse acontecido, talvez os scans tivessem demorado um pouco mais para serem popularizados por aqui. Mas, porque fiquei tão empolgado assim com esta história em especial, mesmo ela sendo uma continuação?

Pois bem, sigamos com a nossa aventura. Creio que era a primeira vez que eu lia uma aventura do Deadpool, mas isso não posso dizer com certeza. Nesta aventura, Deadpool está viajando no tempo com uma velha cega agarrada ao seu pescoço. Ela se parece ligeiramente com a tia May, mas não é ela. O desenho não era muito bom, mas o tema viagem no tempo logo me cativou e a época em que ele foi parar é que me fez gostar da história de vez. Deadpool vai parar nos anos 60. Mas, entenda bem, ele vai parar nos anos 60 da... Marvel. Mais especificamente da época em que o Homem-Aranha era desenhado pelo John Romita Sr.

Não lembro agora se o desenhista apenas emulava o traço do Romita - perfeitamente por sinal - ou se era o Romita quem desenhava essa parte da história. Só sei que eu ria de chorar. Deadpool se vê preso naquela época/fase, em uma história do Homem-Aranha contra o Kraven, e interfere na continuidade dela. Acaba indo parar na casa da Tia May, que desmaia, e coloca a velha cega para fingir ser ela.

Para o Deadpool dos anos 90, as coisas nos anos 60 são muito estranhas. Ele repara no cabelo dos Osborn, no jeito alegre demais das garotas, na roupa do Kraven e assim por diante. Tudo isso com aquele traço do John Romita, deixando tudo mais non sense, como se realmente a viagem no tempo tivesse sido não apenas no tempo e espaço, mas na cronologia.

Além de todos os problemas, o parceiro do Deadpool que pode levá-lo para o presente diz que só quem pode ajudá-lo é ele mesmo (o tal parceiro), mas a versão dele da década de 60, um adolescente ainda. E ele precisa fazer isso logo, senão ficará preso naquela época. Tudo se resolve a contento e Deadpool cumpre a sua missão, salva-se a si mesmo e faz surgir a semente para a volta dos scans em larga escala. Mas como? Eu li e decidi escanear a revista? Não. Nem me passou isso pela cabeça.

Eu tinha um scanner, mas a verdade era que ele só servia de enfeite. Eu nunca havia usado para absolutamente nada. Pra dizer a verdade, nem sabia como funcionava. Então, estava um dia conversando com os amigos do UOL Cinema e o assunto era quadrinhos. Foi quando lembrei dessa HQ e resolvi falar sobre ela, e falei com a mesma empolgação que senti quando li. Relatei vários trechos que achei engraçado, até que alguém não aguentou o meu entusiasmo e disse:

- Escaneia uma página e manda!!!

Essa frase é que começou tudo. O pontapé inicial, como se costuma dizer. Eu, sem saber exatamente como, peguei a revista e escaneei uma página, enviando para o pessoal ver. Acho que aquilo despertou algo em mim. A lembrança do que o Toca do Carcaju fazia. E pensei, nossa, não é tão difícil assim (até parece). Mas eu fiquei animado. Pensei, bom, a editora Abril não é mais a detentora dos direitos da DC e Marvel, e isso invalida aquele aviso colocado lá no site do Carcaju. Pelo menos com ela, não preciso me preocupar.

O mais irônico é que, ainda assim eu não escaneei essa história toda, coisa que só aconteceria anos mais tarde. E, mais irônico ainda é não lembrar qual foi a primeira revista completa que escaneei. Mas, sei que foram muitas, no início. Camelot 3000 em formatinho foi uma das primeiras, E logo em seguida aprendi que estava fazendo errado, sem dar nenhum tipo de tratamento a imagem. Alguém me disse, acho que ainda no UOL Cinema: aperta CTRL + Shift + L e veja o que acontece. Quando a página da HQ em formatinho, que estava bem amarelada, clareou, eu achei que fosse mágica. Era só o começo do meu aprendizado em termos de restauração de gibis, pelo Photoshop. Haveria muito que aprender ainda.

No próximo capítulo: A Era de Ouro dos scans tem ínicio...


Business

category2