PORQUE NUM DIA VOCÊ É PEDRA E
NO OUTRO VOCÊ É VIDRAÇA
Ainda lembro bem como descobri Olavo de Carvalho: era um dia como outro qualquer no Facebook durante o governo de Dilma. O assunto do post era alguma crítica contra o governo e que virou um debate. Lembro que alguém, no meio da conversa citou Olavo de Carvalho que, para mim, era um ilustríssimo desconhecido. Apesar de o post ser contra Dilma e o PT, e Olavo de Carvalho - como eu logo descobriria - ser um anti-petista fanático -, a citação não era como elogio, mas se percebia uma espécie de menosprezo pela pessoa em si. Caí na besteira de ir pesquisar para saber quem era o indivíduo. Começava aí uma ojeriza instantânea.
Não se precisava nem mesmo começar a entender o que o velho homem, meio encarquilhado, estava dizendo, quais eram suas ideias. Sua postura como pessoa já era enojante. A pessoa quando fala de forma arrogante, cheia de si mesma, se dando um valor que não possui, e menosprezando os outros, faz com que automaticamente - pelo menos para mim - ela ganhe o meu desrespeito. Ela pode estar falando sobre a Paz Mundial, se for da maneira como Olavo de Carvalho faz, seu discurso perde todo valor. Para piorar, havia a enxurrada de palavrões que, em nada, colaboravam com qualquer linha de raciocínio.
Para que se fique claro, eu xingo. Sou totalmente a favor do palavrão, e também sou uma pessoa de rompantes. Na verdade, eu prezo pelo direito de me emputecer. Porém, isso geralmente se dá em razão de provocação ou indignação e, mesmo assim, não enquanto eu estou "palestrando" sobre algo e, em hipótese alguma, por mais que eu me irrite com alguém, jamais enfio o "cu da mãe" na história. Que, aliás, é outra característica de Olavo e de seus seguidores, a fixação anal. Tudo para eles, se resume a cu.
Não precisei pesquisar muito para perceber que Olavo de Carvalho era um imbecil rematado que tinha como seguidores outros imbecis. Olavo de Carvalho era a voz da razão para aqueles que não faziam a mínima ideia do que seria "razão". Ele poderia dizer, por exemplo, que o Sol girava em torno da Terra, e eles aplaudiam. Poderia dizer até mesmo que ele refutava Eisntein e Newton, ou seja, que ele sabia mais - mesmo sem ser cientista - muito mais que esse dois juntos.
No seu campo, a filosofia, da qual ele se auto-declarava Professor, ele entendia corretamente e, não entendendo, ensinava incorretamente e, mesmo se fosse corretamente, seria com aquela sua falta de humildade característica, se achando o próprio Platão. De filosofia só aprendeu o que Schopenhauer ensinava em Como Vencer um Debate Sem Ter Razão, do qual ele mesmo fez um prefácio, em um edição. Olavo não entendia que aquilo era uma crítica e não um manual de instruções, ao qual ele passou a seguir minuciosamente em seus discursos no YouTube e na vida.
Olavo de Carvalho continua aquela coisa insignificante se não fosse a eleição dos Bolsonaros. Com essa guinada para a extrema-direita, da qual ele mesmo teve parte, o filósofo de araque ganhou uma das coisas que mais queria, projeção nacional. E, para piorar ainda mais a situação do país, o homem indicou pelo menos dois ministros para o governo, o da Educação e o de relações exteriores. Olavo colocava dois se deus seguidores, seguidores da seita olavista, no governo, além de vários outros, como pequenas bactérias, pelas secretarias e etc. Mal comparando, era como se Charles Manson colocasse seus seguidores na Casa Branca. Provavelmente foi aí que cometeu seu primeiro erro.
Olavo mesmo queria um cargo no governo, de preferência de Embaixador nos Estados Unidos. Claro, o país onde ele mora. Quer coisa mais confortável do que você espalhar o anti-intelectualismo dentro do governo brasileiro, causando danos à nação, mas sem estar morando nela. Seu pedido de embaixada foi ignorado. E seus discípulos começaram a agir e a mostrarem de quem eram alunos. Esse fi o segundo erro.
O Ministro das Relações Exteriores só fazia azedar as relações exteriores e o Ministro da Educação que queria tirar a ideologia marxista das escolas, tinha como único objetivo colocar no lugar dela a ideologia de extrema-direita, baseada nos ensinamentos do grande educador Olavo de Carvalho que, humildemente disse certa vez que não queria ser Ministro da Educação. O terceiro erro, cometido não por Olavo, mas, com certeza, por influência de sua agenda ideológica, foi cometido pelo Ministro da Educação e iniciou a derrocada de Olavo. O Ministro mandou para as escolas, um aviso que era para que as escolas filmassem os alunos cantando o Hino Nacional e dizendo o slogan do governo em seguida, ou seja, doutrinação.
Claro que os defensores do governo se fizeram de idiotas - e aqui estou sendo generoso e querendo acreditar que seja isso - e fingiram acreditar que a enxurrada de críticas que a sugestão recebeu foi por conta dos comunistas não queriam que se cantasse o Hino Nacional. Deixavam de lado o ator de filmar as crianças - que é proibido - e o ato de forçá-las a dizer um slogan político-ideológico, esses os reais motivos das críticas e do subsequente recuo de Veles. mas, o estrago já estava feito e começou um expurgo de olavetes no governo. Não dos dois Ministros, claro, mas de muitos secretários e outros. Demissões e remanejamentos para cargos inferiores fizeram com que Olavo se indispusesse com o governo. Seu quarto erro viria no meio desse furdunço todo: ele discute com o vice-presidente General Mourão, que o ignora, deixado-o ainda mais irritado. Mourão, em questão de minutos se transformou em comunista, para o connoisseur de comunismo, Olavo de Carvalho. Mas, o golpe de misericórdia viria pouco depois.
Sempre posando de escritor bem-sucedido, professor com vários alunos pagantes de seus cursos de emburrecimento coletivo e admirador da Meritocracia, Olavo de Carvalho, como um verdadeiro Buda do Desconhecimento, ensinava que "não se deve dar o peixe, e sim ensinar a pescar", frase muito usada pelos detratores do Bolsa Família, caiu ele mesmo, na esparrela de, por meio da internet, pedir contribuições financeiras para despesas médicas. Parece que todo seu esforço em prol de colocar um governo de extrema-direita no poder não deu o lucro esperado. Poder - sem dinheiro - não enche barriga.
Até mesmo o ex-amigão do Trump, Steve Bannon, que mirava agora o Brasil como fonte de renda, que vinha se aconselhando com Olavo, abandonou o "filósofo" e pulo etapas, indo diretamente para a fonte, Eduardo Bolsonaro. Com essa crise toda, a influência de Olavo diminuiu e tende a diminuir mais. Sua última cartada, mais parecida com um mimimi (coisa dos esquerdistas, aliás) foi pedir (ou seria ordenar) que seus sectários deixem o governo. Será que obedecerão, os que ainda restam por lá?
No fim das contas, tudo se resume a um frase feita, coisa que Olavo tanto gosta: quanto maior a altura, maior a queda... mesmo sendo um Carvalho.