CAVALEIRO DAS TREVAS - A ANIMAÇÃO O clássico que mudou o Homem-Morcego para sempre
O ano era 1987 e eu estaca chegando à idade adulta, prestes a completar meus 18 anos. Meu mundo estava para mudar, assim como o mundo dos quadrinhos. Já acontecera no ano anterior, 1986, nos EUA, quando Dark Knight Returns fora lançado e, numa época sem internet, nós aqui pouco ou nada soubemos sobre a obra. Por sorte, a editora Abril não deixou passar anos e anos para publicar aqui. No ano seguinte chegava à bancas o número um da minissérie em quatro edições que revolucionaria a história de Batman e a de todos os leitores de quadrinhos de super-heróis.
Essa mudança já vinha acontecendo desde a década de 70 pelas mãos de Denny O'Neil e Neal Adams. O seriado cômico da década de 60 acabou por influenciar os quadrinhos, tornando-os infantis ao extremo, indo de encontro a proposta original de Bob Kane, que era um herói sombrio que fazia os bandidos tremer com a simples menção do seu nome. Com a entrada da dupla mencionada, as histórias do vigilante ganharam os tons originais. Mas, a década de 80 veio mostrar que o potencial do personagem era muito maior.
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O homem por trás do morcego (uia) era Frank Miller, o artista que vinha evoluindo desde que assumiu o Demolidor e criou uma revolução na vida no personagem, tornando-o um dos preferidos dos leitores. Tendo começado como ilustrador, logo assumiu os roteiros, mostrando que era tão bom em criar histórias quanto era em desenhá-las. Ao mesmo tempo, sua arte evoluía para algo muito mais pessoal, um traço que se tornaria inconfundível. E, em Cavaleiro das Trevas, isso ficou marcado a ferro e fogo.
Para os olhos dos leitores da época, acostumados à arte certinha que compunha os quadrinhos de super-heróis, a arte "estranha" de Frank Miller parecia errada. Somente ao ler e adentrar a cabeça do artista é que se nota o quanto precisava ser desenhada assim, bruscamente. Mesmo a arte-final de Klaus Janson não deixou essa violência visual se perder. Bruce wayne estava velho e cansado em um mundo tosco e sombrio e a arte parecia refletir isso.
E se tornou um clássico, assim como parâmetro para as histórias seguintes do Homem-Morcego. Para que o tom seguisse, um ano depois Miller produziu Batman Ano Um, desta vez com a arte de David Mazzuchelli e a mudança se tornou permanente.
Com o sucesso da minissérie, logo boatos surgiam de que a mesma poderia virar filme. Quando foi anunciado que o personagem ganharia um longa-metragem pelas mãos de Tim Burton, se cogitou que seria baseado em Cavaleiro das Trevas. Ledo engano, claro. Nem em 1989, nem hoje, com Christopher Nolan, um filme baseado na obra de Frank Miller foi produzido. Teve no máximo algumas referência em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, não mais que isso. Mas, assim como Batman Ano Um, a Warner Bros. produziu uma animação baseada nos quadrinhos, com muita fidelidade, e pudemos ver, 27 anos depois, o Cavaleiro das Trevas dar um pau no Super-Homem, na tela, mesmo que não na do cinema.


E, a verdade é que se os produtores da animação fossem mais ousados e transportassem a minissérie para as telas dos cinemas, com mais recurso financeiro, poderíamos ter um clássico da animação para o público mais adulto. Ou quem sabe, não. Talvez o descompromisso em fazer algo para DVD/BluRay, tenha deixado os produtores mais tranquilos e liberado as rédeas de uma adaptação mais fiel, onde o ícone do bem, Superman, leva uma surra de um Batman mais anarquista do que nunca.
Apesar de não seguir fielmente o traço de Frank Miller, o design dos personagens que permeiam a HQ é o mesmo. Também a particpação da TV praticamente como uma narradora a parte, se fez presente. E, diferente da animação de Batman Ano Um, há uma sensação de se estar vendo algo inédito, apesar da fidelidade.
Algumas cenas que ficaram marcadas na minissérie, como o Batman saltando, junto com a pequena Robin ou o Super-Homem levantando um tanque, e até mesmo o Coringa se preparando para entrar no talk show, são reproduzidas perfeitamente para que o leitor as reconheça. Talvez uma das cenas que tenha faltado nesse contexto, tenha sido a que Batman enfia a sua bota no queixo de um Super-Homem afetado pela kriptonita. Uma cena tão icônica que parece dizer que não existem poderosos que não possam cair com um pouco de esforço da nossa parte, principalmente se você for um bilionário.
Tudo tendo sido dito, o fato que é a animação de Cavaleirop das Trevas, dentro de seus limites, fez jus à obra oitentista de Frank Miller. Dentre as várias animações produzidas pela Warner, quase todas com ótima qualidade, essa está entre as três melhores, juntamente com Batman Ano Um e Liga da Justiça: A Nova Fronteira.
Ah, faltou dizer que a animação foi produzida em duas partes, devido ao tamanho da HQ e sua importância. Como a duração das animações para DVD/BluRay tem uma média de 1:17 min., não teríamos algo excelente como foi, se fosse feito de uma tacada só.
