LOBO SOLITÁRIO - VOLUME 02 de 28
Scans by SabreWulf/Onomatopéia Digital

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Quando Ito Ogami é pego em flagrane - e preso - por um grande número de oficiais de justiça, a sua situação parece ficar sem esperança. Mas em pouco tempo descobrimos que tudo faz parte de um plano preciso e arriscado, organizado pelo ronin. Esta e outras história estão neste segundo volume escaneado pelo samurai SabreWulf!
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Não sou grande fã de escrever fanfics. Acho uma responsabilidade muito grande e admiro quem consegue. O grande fator, para mim, é escrever sobre personagens conhecidos sem ser clichê ou repetitivo. O Facebook tem sido meu laboratório parqa experiências com textos curtos e, se gosto de algum, trago-o para cá. Comecei a escrever esse e depois desisti. Fui comentar que desisti do texto e sobre o que ele era, e muitos amigos quiseram que eu terminasse. Obviamente eu não consigo escrever porque as pessoas querem. Tem que acontecer (claro, a menos que isso envolva contratos). Mas, a vontade de escrever algo continuou. E resolvi escrever outra coisa qualuqer. Mas, depois do primeiro parágrafo, o texto foi caminhando para o que havia sido abandonado. E então ele nasceu. Aqui dou-lhe o título de...
O GAROTO
Um Conto de Eudes B. Honorato

O lápis quebrou, - por que insiste? - a tinta acabou, - você gosta de sofrer? - a máquina de escrever escangalhou. Eu estava fadado a não escrever sobre Bessie e tudo que me aconteceu. Não encontrava nenhum lápis por perto. Então resolvi sair para comprar. Ou tinta, tinta que não se apaga tão facilmente. A máquina só poderia consertar daqui há alguns dias. Eu não tinha dinheiro. Onde estaria Bessie a essa altura?
Avistei o garoto sentado no bando do parque logo assim que saí de casa. Poderia não ter nada de estranho com ele, não fosse o fato de ele estar lendo Shakespeare. Era A Tempestade. Ele devia ter uns seis anos. Era uma cena certamente insólita. Garotos dessa idade estavam lendo gibis. Aquelas coisinhas tolas, para crianças como ele.
Ele levantou os olhos do livro e passou a me seguir com o olhar. Eu devia estar extremamente assustador: cabelos negros tão desgrenhados, que parecia que acordei e saí com eles assim. Bom, a verdade é que acordei deixei-os assim. Meu sobretudo era preto também e, além de tudo isso, meus olhos deviam estar amedrontadores. Tive uma noite sem sonhos. Mas, isso não vem ao caso.
Comprei o que precisava e na volta percebi que o menino continuava lá, e continuava a me olhar. Então, fui em sua direção. Ele não demonstrou nenhum tipo de medo. Estranhei, pois parecia estar desacompanhado, e isso não era comum naquele lugar. O garoto ia pensar que eu era um degenerado.
- Olá, qual o seu nome?
- Neil.
Vendo que ele estava bem e sem nenhum tipo de preconceito contra a minha pessoa, sentei ao seu lado.
- Então o pequeno rapaz gosta de Shakespeare, já tão cedo assim?
- Acho que já passa das dez.
- Hahahahahahahaahahaaha. Entendi, entendi. Está gostando d'A Tempestade?
- É razoável.
Eu ia rir novamente, mas ele falou tão sério quanto a primeira vez, quando disse as horas e eu pensei que tinha sido uma piada.
- Eu sou escritor, também. Estou numa espécie de bloqueio criativo. Na verdade, parece que estou bloqueado de tudo. Não consigo...
- Por que insiste?
- Hã? Como...?
- Quem é Bessie? - Como... sabe?
- Eu... não sei... não tenho certeza. Mas acho que estamos em um sonho. O senhor não me disse seu nome. Qual seu nome? E quem é Bessie? Que livro é esse que está carregando?
Até então eu não percebera, mas eu estava realmente com um livro, e seu título era: O Senhor dos Sonhos Sonha? Quando eu o abri, não havia nada escrito. Não havia resposta.
- Quem é Bessie? - perguntou o menino. - Quem de nós dois está sonhando.
- Eu estou preso... em um bloqueio criativo.
- O senhor está sonhando comigo? Eu... não posso ficar no sonho de estranhos. Acho que minha mãe não iria gostar.
- Tudo bem, Neil. Tudo bem. Acho que ainda não é meu tempo. Você me fez entender.
Me senti péssimo. Enclausurado. Acho que isso não era um sonho. Não podia ser. Era algum tipo de alucinação. Eu não podia sonhar. Eu sentia falta de Bessie.
- Adeus, Neil.
- Espero que consiga terminar sua história, senhor.
Então abri os olhos.