ANIVERSÁRIO DE 13 ANOS DO RAPADURA AÇUCARADA
Porquê é um blog estranho e vamos mantê-lo assim
Em janeiro do ano que vem faço 15 anos de casado, ou seja, foi dois anos depois que começou meu relacionamento com o Rapadura Açucarada que, assim como um casamento, teve (e tem) seus altos e baixos. Claro, a relação aqui é mais de pai e filho, mas, mesmo assim, é conturbada. Porém, nada que as alegrias não superem.
Bom, a origem do blog, quase todo ano eu conto. Num resumo bem rápido para quem ainda não conhece é:
“Depois que escaneei uma página de Almanaque Marvel #3, da Editora Pandora, em que eu queria mostrar uma história do Deadpool ali publicada para amigos no grupo cinema.uo (atual Trollnet), percebi que eu podia fazer isso a sério, com gibis inteiros, pois lembrei que isso era feito num site chamado Toca do Carcaju, que foi fechado pela Editora Abril. E fiz.”
A imagem que abre o post é uma tentativa de reproduzir o primeiro logotipo que o blog teve. Original, não? E nem entrega minha preferência pela DC, mesmo que tudo tenha começado com uma HQ da Marvel. Mas, para a época, isso pouco importava. Escrevi “Rapadura Açucarada” ao lado do logotipo e tasquei lá em cima, sem saber muito bem no que iria dar.
O fato é que, na origem antes da origem, o blog não tinha intenção de ser sobre quadrinhos, mesmo que, provavelmente, eu citasse o assunto de vez em quando. Hospedado no Weblogger do Terra, que nem existe mais, era uma coisa bem sem graça, pois eu nem sabia que existia uma palavra chamada template.
As visitas eram praticamente todas do grupo cinema.uol – que falava de tudo, menos de cinema – pois era um pessoal muito gente fina, que insistia em visitar, não sei exatamente porquê. Eu publicava umas piadas, colocava umas imagens, mas nada que dezenas de outros blogs não estivessem fazendo melhor.
A entrada do Deadpool em cena é que foi mudou tudo. Eu tinha um scanner, mas, serei sincero, nunca o havia usado para absolutamente nada. Compramos porque parecia algo que precisaríamos em algum tempo no futuro e, realmente precisei. Mas, até hoje, depois de tudo, ele ainda guarda alguns mistérios, para mim.
Mas, o fato é que, novamente o grupo uol.cinema (sim, esses caras foram essenciais para a continuidade do que viria a seguir) apoiaram não só visitando, mas ajudando com scans e traduções. Só não cito nomes, porque não lembro de todos, e ficaria chato lembrar de uns e omitir outros. Sem contar que eram muitos.
O banner acima foi a segunda versão, já melhorada, por alguém que fez especialmente para o blog.
Infelizmente é impossível eu dizer com precisão qual foi a primeira HQ que digitalizei inteira. E não, não foi o Almanaque Marvel #3, da Editora Pandora. Dele eu fiz apenas uma páginas mesmo, e enviei para o grupo.
Não o escaneei, porque era um mix, com histórias incompletas, e eu não tinha os outros números. Não fazia sentido fazê-lo Assim sendo, fui fazer outros. Lembro que, na época, estavam sendo publicados a minissérie Gerações, de John Byrne e, também, começava a sair nas bancas Planetary/The Authority, que durou apenas três edições. Sei que essas estavam entre as primeiras.
Mas, aquela que marcou, como a primeira digitalização realmente importante foi Camelot 3000, o encadernado publicado ainda pela Editora Abril. ainda não havia nenhuma das edições encadernadas em formato americano que viriam a sair mais tarde.
Foi a primeira que alguém resolveu me dar dicas de como melhorá-la e de como postar. Por mais bizarro que pareça hoje em dia, eu postava página por página em um site chamado kit.net. Sério, no início de 2003 eu não sabia o que era Winrar.
Também me disseram que apertando tais teclas, a aparência melhorava. E aconteceu mesmo. Tive de fazer o mesmo em cada página e reenviar. Era o começo de um longo aprendizado que nunca termina.
O problema de colocar os scans em WinRar era que tornava o Kit.net inviável, já que ele não aceitava arquivos comprimidos. Começava aí, também, uma busca incessante or lugares para alocar os arquivos, que me levou aonde muitos homens já estiveram: Intelig, Rapidshare, compartilhamento por conta de e-mail, Megaupload, e assim por diante. Até pagar um lugar eu paguei, certa vez. E foi aí que tive de parar, pois mandaram o site deletar os arquivos. O que mais gostei, foi que me perguntaram antes o que deviam fazer, e eu disse ape4nas que deviam apagar sim.
Assim, o blog passou por um tempo sem scans, onde eu colocava poesias (e o pessoal só faltava me xingar), links, mulher pelada, vídeos, mais links, mais mulher pelada. Com o tempo comecei a escrever memórias, contos e no meio disso tudo nasceu Jerusalem Jones, e me orgulho bastante disso.
Mas, aos poucos, tudo voltou ao normal de novo. Quer dizer, quase normal. O blog se tornou um híbrido das duas fases. Agora eram scans e textos. Na verdade, qualquer coisa que me desse na telha, e é assim até hoje. Se amanhã eu quiser falar sobre jardinagem, vou falar. Ei, voltem aqui! É zoera.
A segunda fase dos scans – a Era de Prata – veio com toda a força. Os scans traduzidos que eram feitos na primeira fase por visitantes do RA, a sua maioria ganhou casa própria. Blogs como o Immateria estavam empenhados nesse serviço e ele e outros gerariam outros que gerariam outros. Assim, eu pude me concentrar em tentar completar um ou outro título, como foi o caso de Preacher que, com a ajuda do misterioso JP Volley na tradução, consegui terminar, pela primeira vez no Brasil, todas as 66 edições.
Também tivemos Akira, Animal, Aventura e Ficção e por aí vai. Graças a ajuda de muita, muita gente MESMO! Sozinho não teria feito nem a metade da metade disso.
E, assim, os anos foram passando e os scans que fiz com tanto zelo foram ficando defasados em relação a monitores de LED e a tecnologia dos tablets. Eles foram os pioneiros, mas precisavam descansar agora.
Olhar uma HQ digitalizada de 13 anos atrás, hoje em dia, era como ver um veterano de guerra: tinha seu valor, mas agora não aguentava mais a batalha. Assim sendo, resolvi que deveria refazer todos que eu fosse reencontrando, na medida do possível.
Ainda conto com ajuda, mesmo que não seja na mesma quantidade que antes. Mas, recebo muitas contribuições, sendo que a maioria são de HQs físicas, o que me deixa bem livre para digitalizar e restaurar da forma que eu quero.
Não faço mais nenhum formatinho. Primeiro, pela dificuldade e tempo extra que se leva para restaurar. Segundo porque tem sites fazendo isso bem mais rápido do que eu faria, como o Rock & Quadrinhos, para citar um exemplo.
Outro grande acontecimento, que agora faz parte dos anais (uia!) da história do RA, foi a publicação – mesmo que de forma bem modesta – do livro com os contos de Jerusalem Jones que escrevi aqui, com o último conto inédito,feito apenas para o livro.
É algo que me deixou feliz, pois mostrava que eu também podia criar, não apenas copiar o que outros faziam.
Por fim, deixo aqui minha visão do que é o compartilhamento de arquivos: é essa forma que todos nós temos de levar o que gostamos, de dizer, olha, eu gostei disso e acho que você também vai gostar e, quem sabe, até se animar em comprar, se achar que vale mesmo a pena. É como emprestar um gibi, só que para centenas ou milhares de pessoas. Mas, só é compartilhamento, se for gratuito. Se não puder ser, melhor nem começar.
Bom, sei lá, é só o que penso. Fico aqui, e agradeço a todos que acompanham ol blog seja por 13 anos, ou por 13 dias. Só está aqui ainda, porque alguém vai usufruir aí do outro lado. Até mais.
P. S.: Sim, tem presente, ele vem amanhã – dia 22 – ou no máximo dia 23 se eu me atrasar. Só para deixar uma dica, é mais uma HQ que será completada. Amanhã ou depois saberão qual é.