DEUS, UM DELÍRIO - O DEBATE/INIMIGOS DA RAZÃO
O Debate/Avi/Áudio em inglês/Leg: portguês/106 min./700 MB
Inimigos: Avi/Áud. em inglês/Leg: português/94 min./349-699MB
Este ano completam 20 anos desde que deixei de ser Testemunha e Jeová, no período de 1990 a 1997. Mas, minha história com religião começa muito antes disso, ainda bem criança.
Minha mãe sempre procurou por apoio nas religiões. Ela não via diferença entre elas, contanto que pudessem dar-lhe algum tipo de ajuda para resolver o problema de criar quatro filhos sozinha e, também, seus problemas pessoais.
Então, eis que nós quatro éramos levados juntos, fosse para Casa da Benção (evangélicos), fosse para igreja católica, espiritismo ou até mesmo candomblé. Onde ela quisesse ir, lá íamos nós juntos, querendo ou não. Geralmente era não.
Aquilo meio que criou em mim uma aversão a religião. Não por culpa da minha mãe, mas das religiões, às quais, eu observava, não traziam nada do que ela procurava. Muitas delas, até tiravam o pouco que ela tinha. Mesmo sendo muito novo, eu não deixava de perceber isso.
Deus para mim era algo distante, com o qual eu tentava me comunicar, mas nunca recebia resposta. Se ela vinha de uma forma misteriosa, não adiantav, afinal, eu era apenas uma criança. Não ia saber identificar os sinais.
Ao longo desse tempo, da infãncia e adolescência, eu entrava em contato, esporadicamente com as publicações da Torre de Vigia, editora das Testemunhas de Jeová, fosse com as revistas ou com os livros.
Aquilo foi meio que penetrando no meu cérebro durante anos. Até que, quando completei 20 anos, eu mesmo fui até um deles e pedi o que eles chamavam de "estudo". Em seis meses fui batizado e era oficialmente um religioso por minha própria vontade.
Durante sete anos, fui passando a ser uma pessoa que não era mais eu. Mas, os anticorpos da minha personalidade pareciam ir contra isso e, depois de sete anos (umnúmero que sigifica perfeição segundo a Bíblia) eu já estava de saco cheio daquilo tudo e saí, antes que eu acabasse sendo expulso.
Nos primeiros meses de minha saída, eu ainda tinha convicção de que eu era o errado e não a religião. Eu achava que era um fraco, e que Deus me puniria de acordo, num futuro não muito distante, segundo as profecias bíblicas. Mas, o tempo foi passando e fui tendo outra visão dos acontecimentos.
Com o advento da internet pude ler escritos proibidos sobre a organização das Testemunhas de Jeová, entrar em contato com outros que saíram e assim, saber que eu não era um maldito pecador. E essa saída foi remoldando meu modo de pensar, pouco a pouco.
Por um tempo eu devo ter sido agnóstico, sem nem saber o que significava tal palavra. Eu não acreditava tanto assim em Deus, mas também não tinha isso como certeza absoluta. E isso ia evoluindo.
No fim das contas, lendo Richard Dawkins, Carl Sagan e Christopher Hitchens minha mente foi entendendo melhor a armadilha em que eu tinha caído. Porém, se dizer ateu ainda era algo que dava medo. Não de Deus, mas das pessoas. Era como assumir que era gay para uma turba de homofóbicos enraivecidos.
Mas, no meu íntimo eu sabia que isso não importava. Sair desse armário religioso era algo que dizia respeito apenas a mim, não era algo que eu precisasse ostentar. Meus tempos de doutrinação haviam passado.
Dito isso, chegamos aos vídeos que postei aqui. O primeiro é um debate baseado no livro de Richard Dawkins, Deus - Um Delírio. Confesso que esperava um debate com religiosos intransigentes que tornariam a discussão impossível. Para minha supresa não foi assim.
Dawkins debate com o cientista cristão Dr. John Lennox que, mesmo não concordando com ele, admirei o modo consciente como ele debate, sem tentar se impor. Seus argumentos são lúcidos, dentro de seu campo. Em nenhum momento os dois partem para ofensas. Sente-se uma certa tensão, mas isso é de se esperar num assunto tão delicado.
No fim das contas, passei a ter respeito por aqueles que levam suas crenças a sério, mas sem fanatismos prejudiciais.
O segundo vídeo é dividido em duas partes e traz Dawkins discorrendo sobre a susperstição simples e pura. Astrologia, videntes, médiuns, pessoas que encontram água e etc.
A superstição é, com certeza, a força motora que impulsiona a religião e aquilo que nos prende a ela. Nos livrar dela é essencial. Tudo bem que ainda hoje eu ainda desviro chinelos, mas não é pensando que minha mãe pode morrer, se tornou apenas um Transtorno Obsessivo compulsivo.
Boa noite!